Como eu defino cada nível

Posted: May 23, 2012 by Natália Almeida in Climbing, Português, Training
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Acho que no meu último post não deixei claro uma coisa: o que é um 7a?

Para responder isso eu tenho que voltar lá no começo.

Por aqui vocês puderam acompanhar todas as nossas impressões e evolução nesses 6 meses de escalada. Lembram que de início não existiam níveis ou vias e ao olhar para uma parede qualquer agarra era A agarra. Com o tempo passamos a respeitar as cores e vias o que nos exigia um melhor posicionamento. E assim sozinhos fomos absorvendo maneiras novas de se colocar, e assim saímos do quarto para o quinto grau. Não vou mentir dizendo que essa transição foi um exemplo de superação, porque não foi. Foi o mais simples e instintivo possível. Na época serviu de m

otivação.

O quinto foi um pouco mais desafiador, nos exigia maior concentração e nos deu uma gama de movimentos muito maior. A partir daqui já estávamos contando com a ajuda do Fábio, que nos ajudou a entender movimentos como o flag, gancho, jump… Por que aqui estávamos viciados a virar o corpo o que dificultava a ler e entender a via. Então a evolução do quinto para um quinto sup foi mais suada. Aqui aprendemos que não é porque uma via é de dificuldade maior que então precisamos virar mais. Às vezes a via pede de você uma subida de frente, que nem sempre a subida vai parecer um ballet.

Conquistar um quinto sup sim é uma delícia. Aqui cada via é um desafio, cada via um aprendizado.

Foi numa dessas que eu perdi o controle psicológico e chorei, gritei e chutei a parede como se a culpa fosse dela de eu não ter conseguido chegar ao topo. Com isso aprendi como é importante para o escalador auto-controle. Equilíbrio e consciência são as chaves de uma boa escalada. Equilíbrio para exigir de sí mais sem criar um stress ou uma frutração. Equilíbrio na hora de dar um impulso. Equilíbrio emocional para lidar com as quedas e ainda assim voltar com calma para tentar o movimento novamente. Consciência em cada movimento, consciência de saber a hora de parar. Consciência para entender que você pode descer da via que mais tarde ela vai estar ali te esperando. Essas duas características são treináveis e isso é um trabalho de auto-conhecimento antes de qualquer coisa.

Hoje na Casa de Pedra estamos treinando em vias de sexto grau. E agora mais do que nunca é um desafio mental. Precisamos melhorar nossa visão, estudar a via do chão nunca foi tão essencial, e esse estudo é realmente o nosso ponto fraco. Identificar o crux e saber administrar a força e a energia é o que define a conclusão da via. Sei que vou descobrindo a via enquanto faço, e sei que com isso acabo perdendo a agarra boa na minha cara e optando por um reglete que está lá em cima. Por causa de um move “burro” acabo gastando uma força desnecessária e chego ao crux cansada e exausta. Desisto da via e no chão entendo meu erro.

Eu sempre digo que o gostoso da escalada é ser um esporte de superação pessoal, e a essa altura o nível de inteligência nas escolhas, o nível de força e equilíbrio mental são tão altos que aqui é a hora que você vai saber se você é ou não é da escalada. Porque aqui você tem duas opções ou se frustrar de tal maneira e abandonar a prática ou se encantar ainda mais e querer estudar e treinar mais e mais. Pra mim a dificuldade do sexto ou um sexto sup tornou o desafio ainda mais gostoso.

Agora, a grande pergunta O que é um 7A?

Um 7a pra nós a essa altura é uma prova de que estamos no caminho certo. Nesse nível a via exige de você um domínio de tudo acima.Você precisa ser calmo, escolher cada pé e mão já pensando no próximo move, porque aqui mais do que nunca o movimento não é isolado e a sabedoria em escolher bem é o que vai te ajudar a administrar a energia.

Ao fim apesar de cansado você tem aquele gostinho de quero mais, de ser super herói, de conquistar mesmo um pedacinho de rocha e essa rocha é o melhor lugar do mundo. Ao terminar você senta e observa a paisagem do topo e não consegue pensar em nada, os pés doem sim, mas é uma dor que não incomoda, ela é simplesmente a comprovação de nossa determinação e dedicação.

Esse 7A é muito importante, e pra ser sincera mais importante ainda quando pensamos que fomos os únicos a concluí-lo sem “roubar”, eu ainda me cobro por uma hora ter segurado na costura para ajeitar minhas mãos, mas o Ben foi demais, se mostrou incansável e conquistou cada pedacinho da via sem precisar ser erguido ou se puxar nas costuras.

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