Não existem dias fáceis na montanha

Posted: June 13, 2012 by Natália Almeida in Climbing, Hiking, Mountaineering, Português, Training
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Apresentações feitas vamos as jornadas porque cada dia é uma maratona. A noite antes da ida ao acampamento já é bem exaustiva. Difícil controlar a ansiedade e organizar o tempo para todas as coisas que uma saída de 6 dias na montanha exige. Arrumar a mochila para quem nunca tinha feito isso antes se mostra muito mais complicado do que poderíamos imaginar. Você tem que pensar no balanço, organizar de acordo com as possíveis necessidades e ainda assim tentar deixar tudo o mais compacto possível. Saber escolher bem o que levar e o que deixar, por isso mesmo acredito que montanhismo é um esporte um tanto sujo, por uma bagagem mais leve e mais fácil de se carregar por longas caminhadas o montanhista abre mão de trocas de roupas. AS únicas peças que você leva a mais são roupas intimas e meias. O resto se resume á uma camiseta, um conjunto de calca e camiseta um pouco mais quente, outro conjunto de fleece (um tipo de moleton), uma jaqueta pesada, um corta vento. A maioria dessas roupas você usa diariamente.

Falando assim parece pouca coisa afinal a roupa dá pra colocar em uma mochila de ataque, mas ainda temos que carregar o saco de dormir, as botas para neve, capacete, colchão térmico, isolante térmico, lenços umedecido, papel higiênico, pratos, mugs, e garrafas de água.

Depois de horas e horas conseguimos finalmente terminar essa façanha. Dormimos um pouco e antes das 7am estamos descendo para recepçao nos reunir com todos e checar as últimas coisas. José chega com seu jipe e começa a colocar tudo em cima. Uma grande montanha de mochilas e malas se forma e ele cobre com lona e amarra com cordas de forma com que não balancem ou se perca algo no caminho.

A viagem de La Paz ao acampamento do Condoriri é de mais ou menos 3 horas, passando pela parte do mercado e dos postos de gasolina com filas gigantes, muita fumaça dos carburadores dos carros e uma grande bagunça no trânsito de pessoas e carros. O tráfego aqui é uma verdadeira bagunça carros se enfiando em qualquer lugar, pessoas atravessando e quase sendo atropeladas a cada metro. Não existe preferencial ou sinalização que ajude a multidão de motoristas apressados. A quantidade de lotação e ônibus é impressionante e pelo o que pude entender não existem pontos específicos de parada, as pessoas param em qualquer lugar tanto para subir quanto para descer. É uma grande emoção estar a bordo de um carro aqui, a todo momento você se espreme para um dos lados e suspira aliviado por ainda não ter colidido.

Ao chegar na estrada a vista muda, ao invês de fumaça, casas de tijolos em construção, e  um mar de carros velhos se transforma em um calmaria, a linda cordilheira real ao lado direito, casas de tijolo de barros, llamas e ovelhas do lado esquerdo. Ao passar pelo pedágio várias cholitas tentam nos vender sacos com uma espécie de suco. Ninguém tem a coragem de tentar. E o Augusto fica tentando tirar fotos da chola com a criança presa no pano nas costa. Irresistível não tirar fotos delas todas com sorrisos de ouro e roupas super coloridas. Com certeza as cores das vestimentas é o que dá vida a Bolívia.

Saindo da auto-estrada, entramos em uma estradinha de terra e pedra, com pontes que pasam por cima de buracos que devem ser lagos em alguma época do ano, alguns lagos sobrevivem e congela uma parte fina, deixando a água barrenta com uma textura estranha. As llamas a esa altura estão em toda parte grandes, calmas e com fitinhas coloridas em suas orelhas dão uma graça especial a os campos secos e intermináveis.

Chegamos a entrada do acampamento, daqui partimos a pé até o acampamento cada um carregando a sua pesada e grande mochila, os burros carregam somente as barracas e as malas de comida. Numa trilha de mais ou menos 4 km, passamos por lagos, cascatas, e avistamos o Condoriri com sua imensidão e beleza. Difícil dizer em que momento ele é mais bonito.

Para mim a caminhada até o acampamento foi fácil, preferi manter um ritmo e não conversar com ninguém, segui atrás do Caleb e do Kirk, enquanto o Ben e o Augusto vieram mais atrás conversando e tirando foto o tempo todo, a mais ou meno 15 minuts de caminhada esperei o Ben e chequei se ee estava bem. Ele disse que sim um pouquinho de dor de cabeça, bebeu água e continuamos a caminhada. Uma meia hora depois ele estava se com ânsia e um tanto deconfortável. Ao chegar no acampamento não tinha forças nem para nos ajudar com as barracas, tinha frio e sede. Dei um pouco de água com maltodextrina, mas foi o tempo dele engolir e começar a vomitar. Daqui em diante o dia foi piorando pra ele. Vômito, diarréia e nauseas constantes. Caleb vinha checar o tempo todo e disse ser muito agressivo para ser somente altitude que podia ser infecção intestinal ou algo parecido. Queria levar-lo  de volta a La Paz, mas Ben pediu para esperar até o dia seguinte.  A noite foi intensa e interminável. Acordava a cada 10 minutos pedindo água e indo ao banheiro. Eu estava preocupada e forçava ele a tentar comer, a tentar beber água. Momento tenso para nós dois, ele doente, irritado e frustrado com a possibilidade de não poder subir a montanha e eu tentando fazer ele se sentir melhor, e também frustrada com a possibilidade de perdermos grande parte do dinheiro investido.

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