Huayna Potosí- Finalmente

Posted: June 21, 2012 by Natália Almeida in Climbing, Hiking, Mountaineering, Photography, Português, Training
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Obrigada Casa de Pedra!!

À meia noite acordamos e tentamos nos aprontar rápido, mas coisa difícil com a barraca uma zona e tudo perdido no meio de tudo. No atrasamos e corremos para tomar um chá na barraca do Caleb. Chegando lá ele disse que sem pressa, para comermos e nos arrumarmos com calma. Granola com leite para café da manhã, mochila nas costas e embracamos em mais uma longa noite sentido ao cume. As mochilas estavam bem leves e não atrapalhavam, eu segui na frente com José enquanto um segundo time formado por Caleb, Bem e Kirk me seguiam. Eu andava muito de vagar seguindo os ensinamentos de Kirk no dia anterior. José sempre atencioso viagiava meu ritmo e me desacelerava toda vez que me via mais apressada. Como não tive nenhuma introdução no uso de crampons, ele também ia me guiando em qual seria a melhor forma de poupar energia. Caleb atrás sempre vendo tudo o que José me ensinava e se intrometia quando achava que não era necessária essa ou aquela técnica. José preocupado com os outros que vinha atrás pedia a todo momento que passassem a frente e nos deixasse acompanhando atrás, o frio é o pior inimigo na subida e pensar que os outros estão ficando mais tempo expostos. Caleb se negava o tempo todo, dizia que era dois times mas um só grupo.

Essa situação me fazia sentir mal, mais uma vez aquela que atrasa o proceso. Tirar esse pensamento da cabeça foi o foco. Andando devagar e com um ritmo constante, mais ou menos 2 horas depois fome e sede já me maltratavam, parei comi um biscoito bebi muita água e recomecei a caminhada. No escuro fica difícil messurar a distância, a altura e ver a trilha. Cada vez colocava um ponto alto como objetivo e chegando nele tinha ainda mais para se andar. No escuro e no meio de tanta neve você perde a noção de tempo, espaço e tudo parece pesar mais, levar mais tempo e absurdamente mais dificil. Várias pessoas desistem e nos passam voltando, o que comprova a dificuldade do que temos a frente.

José sempre improvisa paradas de descanso para mim, dizendo que é melhor parar para deixar outros montanhistas passar. Uma garrafa de água vazia, e começo a pensar que ainda nem clareou e minhas reservas já estavam acabando. Mais uma preocupação para tirar da cabeça.

A cada minuto percebo como a luta é dura, a sua cabeça tenta racionalizar tudo e sempre chega a conclusão que não faz sentido colocar seu corpo em uma situação tão extrema. Seguir em frente é a minha opção e vou caminhando. O ritmo diminui, a força parece estar secando também. As sensações mudam e você se transforma. Seu corpo começa a se euxarir e tenta chamar a sua atenção a todo momento. Primeiro dor na cabeça que segue crescendo a cada passo. Aviso José, que me pergunta se quero continuar, digo que sim, que a dor não é tão ruim. Sigo em frente, começa a amanhecer e as cores do ceu refletindo na neve são lindas. Uma boa distração. Já passamos da metade do caminho,e a subida parece mais ingreme.

Meu corpo começa a mandar sinais de todos os lugares, dor de cabeça forte, cólicas estomacais e exaustão. Mais uma vez hamo a atenção de José, ele me pede para tentar um pouco mais, pedimos que Caleb e os outros sigam em frente enquanto eu só tento. Seria um absurdo mantê-los atrás sendo que não sei mais se vou conseguir. Antes dou para o Ben minhas barras de chocolate e  nos despedimos, digo que vou continuar tentando, ele só me entende e diz para eu não me matar tentando.

Vejo eles a frente e José me chama para continuar. Vou em frente, tento me distrair mas são tantas coisas no meu corpo que fica difícil. A cólica piora e começo a perceber que o meu caminho só pode ser sentido a um lugar com banheiro. Respiro fundo e com muito pesar aviso a José que para mim já era. Ele ainda tenta me animar, dizendo que estamos a poucas horas, mas as minhas condições são as piores pssíveis, e ele entende que seria um perigo para nos dois continuar.

Voltamos novamente para o acampamento, a volta é mais fácil, gentil e rápida. Vamos conversando e nos distraindo. Algumas horas chego a dormir andando e meu querido guia boliviano pergunta se não quero sentar um pouco. Respondo rindo que se fizer isso provavelmente durmo e não acordo tão cedo. Ele me olha preocupado e diz que melhor continuarmos então. Ao chegar no acampamento me deito e durmo umas boas 3 horas. O meu corpo está exaurido de forças e o fato de não ter nada para comer não ajuda. José vem me checar a cada hora. Quando a tarde chega, ele me avisa que os outros estão chegando que vai me deixar ver o Ben e depois comeamos a descer para o carro antes dos outros.

Começo a arrumar as coisas e ouço Ben falando com outras pessoas do refúgio. Vejo suas pernas pela porta da barrraca e ouço pedir papel e dizendo que precisa muito ir ao banheiro. Ele volta depois feliz e cansado. Conversamos um pouco, Kirk vem e me mostra as fotos do pico, mais uma vez ele tirou sua camiseta.

Dou risada e os aviso que vou descer com José na frente.

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