Patagônia – El Calafate e El Chalten

Posted: June 27, 2012 by Paulo Filho in Hiking, Photography, Português, Training
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No ultimo mês de Janeiro, fiz uma das viagens mais incríveis da minha vida. Passei uma semana na Patagônia argentina.

Como alguns sabem, eu trabalho na parte de pós-produção do programa CQC. Isto implica que as minhas férias devem sempre ser tiradas junto com o recesso do programa em Janeiro.
Nos anos anteriores, tinha viajado para o hemisfério norte, então sempre acabava pegando muito frio, já que nessa época é verão aqui mas inverno lá. Dessa vez queria dar uma escapada do frio, e resolvi ir para a Argentina. Não que eu não goste do frio, eu gusto, e muito! Mas queria aproveitar também umas férias em um clima mais quente. Comprei passagens para Buenos Aires, com uma diferença de 23 dias entre as datas de ida e volta. Chegando lá eu pensaria em oque fazer com o tempo.

Fiquei em Buenos Aires por 18 dias. É bastante tempo em uma cidade só, mas gosto de ficar bastante tempo em uma cidade em vez de visitar várias cidades em poucos dias. Acredito que assim, pode-se conhecer melhor a cidade, mesmo porquê, penso que a cidade não é feita só dos prédio, parques, restaurantes, e cartões postais, mas também de pessoas, e para conhecer as maneiras, manias e trejeitos das pessoas de alguma cidade você precisa investir um tempo nisso. Depois desses 18 dias acabei indo de avião pegar um friozinho na Patagônia.

Geleira Perito Moreno avistada dos balcões

Meu voo fez o trajeto Buenos Aires-El Calafate. A cidade de 5500 habitantes é muito simpática. Possui um bom aeroporto e uma boa estrutura hoteleira. Entre as atividades disponíveis, escolhi fazer uma visita ao Parque Nacional de Los Glaciares.Não lembro exatamente dos valores, mas estrangeiros devem pagar uma taxa para entrar no parque, mas como somos parceiros no Mercosul temos um desconto que deve ser de algo em torno de 30%. Há uma série de plataformas e balcões onde se pode andar e ver as duas faces da Geleira Perito Moreno há uma distância de aproximadamente 200metros, um delirio visual e uma mostra de como a natureza é incrível. Depois fiz oque eles chamam de Safari Náutico, entrei em um catamarã que navega dentro do lago argentino. Com esse barco, pode-se chegar ainda mais perto da geleira.  A visão era espetacular e me fez perceber como somos pequenos. Uma parede de gelo com mais de 60 metros de altura, definitivamente algo que merece ser visto por todo mundo.  Depois peguei um ônibus para El Chaltén.

Estrada entre El Calafate e El Chalten

El Chaltén é a cidade mais nova da Argentina. Fundada em 1985 para manter a soberania da Argentina em questões fronteiriças com o Chile, logo se tornou a capital argentina do Trekking. Antes mesmo disso já era uma area onde no verão diversos montanhistas montavam seu acampamento base para dali explorar as diversas opções de trilhas e escaladas. Chegando de ônibus, mesmo antes deste parar na rodoviária, você fará uma pausa rápida no escritório da guarda responsável pelo lugar. Lá são dadas diversas informações sobre a fauna e flora local, assim como algumas orientações de como se comportar nas diversas trilhas. Nesse local também eles entregam um mapa simplificado que diz para onde está cada um dos roteiros de trekking, quanto tempo demora para você chegar lá, e por qual saída da cidade você o alcança. É tudo bem simples.

Trilha leve no primeiro dia

No primeiro dia, fiz de manhã a caminhada mais curta possível, que levava para o Mirados de Los Condores e depois Mirador de Las Aguillas. Foram 40minutos de caminhada para chegar em um mirante de onde se podia ver a cidade inteira e o monte Fitz-Roy. Infelizmente nesse momento a minha câmera estava sem bateria e não consegui registrar nada. Voltei para a cidade para um almoço rápido e trocar a bateria da câmera. Pela tarde peguei outra trilha que levava a uma cachoeira muito bonita a Chorrillo del Salto. Foi uma caminhada curta, aproximadamente 1h30minutos para ir e o mesmo tempo para voltar. Sem grandes subidas e com o terreno bem fácil de ser percorrido, foi um bom aquecimento para o dia seguinte. No segundo dia em El Chaltén, dei uma estudada no mapa e resolvi fazer a trilha mais longa que fosse possivel voltar ainda no mesmo dia. Fui em direção norte saindo da cidade passando pela Laguna Capri, Campo Poincenot e finalmente pegando a trilha final para Laguna de los Tres.

Próximo a Poincenot

O caminho todo até o Campo Poincenot levou um pouco mais de 3 horas, o clima estava agradável, por volta dos 20ºC permitia andar de bermuda e camiseta. Daí pra frente ficou um pouco mais complicado, o ganho de elevação era considerável e conforme ia subindo ficava cada vez mais frio e com o vento muito forte! No meio do caminho precisei para para vestir a calça que estava na mochila e um corta vento. Por causa dos fortes ventos, a paisagem vai mudando drásticamente conforme você vai subindo, em baixo é bem verde, e vai ficando mais árido exponencialmente. Continuei subindo até o fim da trilha, lá em cima, a 1150 metros de altitude(o centro de El Chaltén está a 430 metros) o vento era realmente forte, e o frio pegava. Tive que vestir um agasalho que esquentasse mais por baixo do corta vento. A vista era deslumbrante, em fotos não dá pra ter noção da grandiosidade do Mount Fitz-Roy que se encontra logo na sua frente. O azul da água do lago que se forma no pé da montanha é de uma cor única. Fiquei lá por aproximadamente uma hora, e depois peguei o caminho de volta. Como achei que ainda tinha bastante tempo, estiquei a caminhada até a Laguna Piedras Blancas, a caminha essa mais tranquila, tirando pela parte final, onde se tem que andar e pular sobre pedras gigantes, até chegar mais uma vez em uma vista incrível.

Laguna de Los Tres

Na volta tive que dar uma apertada no passo para voltar para a cidade antes do sol abaixar. Durante o verão o dia na patagônia é bastante longo, mas de qualquer forma eu cometi o erro de sair para um trekking sem levar nenhuma lanterna, então melhor não arriscar.

Cheguei no hostel de volta perto já era quase nove horas da noite, mas ainda tinha pelo menos mais uma hora de luz do sol.

O terceiro dia infelizmente já era o da volta para El Calafate então durante a manhã dei uma conferida no comércio da cidade e aproveitei para experimentar uns doces feitos com calafate, que é um tipo de frutinha local, tudo bem gostoso. A tradição também que quem experimenta a fruta, cedo ou tarde volta para a Patagônia. Que assim seja!

Lago Argentino

Trilha para subir na geleira

De volta à El Calafate, descansei o resto do dia, já que o dia seguinte seria o mais cansativo até então. Acordei logo cedo para tomar um café da manhã reforçado. Este seria o grande dia, o dia de fazer o Big Ice Trekking! Voltei até a geleira Perito Moreno, mas dessa vez, quando entrei no barco, passei perto dela e fui até outra margem do Lago Argentino, lá houve um rápido briefing. Ninguém poderia subir na geleira sem usar luvas e óculos. O motivo das luvas é que o chão de gelo é bastante cortante, e no caso de uma escorregada ou queda mais feia, você deve estar de luvas para usar as mão para amortecer a queda. O motivo dos óculos é que o sol reflete muito na neve e não há nenhuma sombra durante todo o tempo, então os óculos evitam lesões nos olhos. Começamos por uma trilha de aproximadamente 1h30 contornando a geleira até uma base avançada onde pegamos os Crampons. Levamos eles nas mochilas por alguns

Um dos muitos “rios” que correm em cima da geleira. Bebíamos água daí.

metros a mais até um ponto onde a geleira fica com acesso mais fácil. Lá finalmente calçamos os crampons e começamos a andar no gelo. No começo se estranha bastante andar com eles, depois você vai se acostumando bastante. Andamos por quase 2 horas, passando por diversos “rios” que correm em cima da geleira, nessas horas os guias ajudavam mostrando o melhor ponto para pular de um lado para o outro dos mini “rios”. Depois de um tempo paramos no meio da geleira em um lugar onde os rios formavam uma espécie de lago. A agua refletia o gelo e criava um azul claro bastante característico, algo lindo e de cair o queixo. Posso aqui estar sendo repetitivo, mas mais uma vez a Patagônia me mostrou algo inesquecível e inacreditável, não há palavras para descrever a emoção de estar ali, em um dia incrível, de céu limpo e sem nenhum vento. Por ali almoçamos, cada um levou sua própria comida e os guias ainda ofereceram um pouco de chá e pedacinhos de bolo, que estava muito bom. A volta fizemos por outro caminho, mas com as mesmas características. Foi um dos melhores dias da minha vida. na volta ao hotel de ônibus voltei dormindo pelo cansaço do ice trekking. No dia seguinte foi só para dar mais uma passeada na cidade enquanto esperava dar a hora para pegar meu voo de volta ao Brasil.

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