Illimani: o começo do fim

Posted: June 29, 2012 by Natália Almeida in Hiking, Mountaineering, Photography, Português, Training
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Acordar de manhã e começar a arrumar tudo já virou rotineiro. E as noites acordando para ir ao banheiro também.  Acordamos cedo, antes d despertador e foi bom poder conversar um pouquinho, falar de coisas bobas e rir um pouco. Depois da descontração é hora de falar como vai ser daqui pra frente, na noite anterior decidiu-se que eu ficaria aqui com o José enquanto Bem e Caleb seguiriam rumo ao cume. Entendo os motivos e agora não adianta mais sofrer, de tudo isso sei que forcei demias meu corpo e que isso só anda atrapalhando. Agora é hora de descansar, comer direito, bebr muita água e tentar ficar melhor de verdade sem recaídas.

Despedir é sempre difícil, e todos sempre parecem com pressa. Desejo boa sorte e peço que tenham cuidado. Da barraca vejo eles seguindo rumo a maratona que vai ser o dia. Ao invês de parar no acampamento intermediário ees seguiram até o High Camp que leva mais ou menos 8 horas. Lá descansaram um pouco e saiem à meia-noite para mais umas 9 horas de subida ate o cume, a volta para o acampamento superior é de +/- 3 horas, mas não poderam dormir lá então voltaram para o acampamento base mais 4 horas. Vai ser cansativo, mas esse na verdade é o jeito que te deixa mais apto, porque ficar muito temo no high camp te faz reter muito líquido em com as pernas inchadas e possíveis dor de cabeça o cume vira coisa do passado.

Enquanto o Ben tem muito o que fazer eu e  José papeamos, fazemos trilhas curtas, escolhemos entre as diversas opções de macarrão para comer. O guia boliviano é cheio de histórias agumas  muito engraçadas outras desapropriadas para a situação. Daqui de baixo sem notícia fica difícil ficar ouvindo sobre os amigos dele que morreram no Illimani. Mas ouço e tento não ficar preocupada, acho que  que mais me aflinge é a falta de experiência de Caleb, ele nunca fez o Illimani antes e não conhece direito as vias. Sempre que o coração aperta, tento me distrair lendo um livro ou caminhando.

A subida até o acampamento foi super desgastante, de acordo com o Ben mesmo com os portadores, ele conseguiu dormir lá em cima e eles decidiram sair rumo ao cume às 4am, j´´a estavam desgastados e chegaram muuito perto do cume, há uns 200 metros, mas estavam lentos e exaustos, acabaram voltando ao acampamento porque senão voltar para o acampamento base ficaria inviável. Voltam magros e cansados.

O retorno deles levou muito tempo, e José e eu ficávamos o tempo todo tirando fotos da montanha tentando encontrá-los, foi um dia em que o Illimani parecia uma televisão, o dia todo olhando pra ele. Pessoas que chegavam no acampamento vinham conversar mas a atenção estava voltada para a montanha. Com o passar das horas a tensão tomou conta e o fato dos rádio não funcionarem não ajudava, a falta de comunicação era terrível, me peguei xingando o guia americano diversas vezes. Mas as horas passaram e quando finalmente vemos eles terminando de descer fico feliz da vida, de longe consigo ver que estão no fim de suas energias, corro com garrafas de água e os ajudo com as coisas. Conversando com o Ben vejo que se irritou de ter saído tão tarde, se saíssem a 1am certeza que teria conseguido. Tento acalma-lo, porque afinal a montanha vai estar ali por muito tempo. Hora de comer e descansar, amanhã toda essa aventura nas montanhas acaba.

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