Não aprendi a dizer adeus!

Posted: July 3, 2012 by Natália Almeida in Português, Uncategorized
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Eu não sei como cada um se relaciona com a perda, mas pra mim isso com certeza está entre as coisas mais difíceis. A perda repentina de algo ou alguém que eu ame muito é ainda mais complicada. Esse sentimento se perde dentro de mim e acabo tendo que lidar com ele diversas vezes. Um exemplo que me deixa surpresa sempre que acontece é em relação com a minha avó Hilda. Ela já faleceu há anos atrás e vira e mexe parece que apago esse dia da memória e me pego pensando em visitá-la ou telefonar. Já cheguei a ligar para a minha tia com quem ela morava e perguntar como ela estava, a pobre da minha tia ficou confusa, e no fim pensou que eu estava brincando. Uma outra vez, ano passado pra ser mais específica segui uma senhora na rua porque achei que fosse ela. Loucura, eu sei. Mas não sei porque isso acontece, talvez eu meio que deixe o lidar para mais tarde e guardo o sofrimento para depois.

Lillou ainda bebê dormindo

Quando ouvi seus miados desesperados embaixo do sofá, pensei que estava presa ou algo do tipo, pegá-la debaixo do sofá e ver meus braços ensanguentados me assustou e essa imagem ainda me paralisa. Foi desesperador, vê-la chorando e miando e eu perdida sem saber o que fazer. Fiquei tão atordoada que liguei para minha mãe no Canadá pedindo ajuda, depois liguei para minha tia que mora aqui do lado e a levamos correndo ao veterinária que tentou mas não conseguiu salvá-la. Vê-la sobre a mesa, com seu olhar opaco e eu corpo imóvel foi uma das coisas mais tristes que vi.

Lilou (left) and Mocha

Gatos para mim nunca foram uma opção de animal pra se ter, com o Ben aprendi a aceitar a ideia, e convivendo com eles aprendi muito. Depois da Id, peguei na rua a Lillou e a Mocha, e nessas 3 as personalidades fortes são tão diferentes. Cada uma com algo que se destaca: Id carinhosa, Lillou leal e Mocha desastrada. Com o tempo chamá-las de filha fazia mais sentido do que qualquer outra coisa, a alegria da casa.

Como crianças pequenas exigem cuidado constante e viajar acabou virando um problema mas temos sorte de sempre ter alguém para cuidá-las. Dessa vez contamos com a Vickie e o Thiago, e eles cuidaram da tarefa incrivelmente bem, sempre nos mandavam notícias sobre elas e nas férias sentíamos calmos. Por isso quando recebi o e-mail avisando que a Lillou havia falecido fiquei em choque. De repente me senti invadida de tristeza e ao piscar via minha gatinha. Lidar com a perda foi ainda mais difícil, não sei se pela distância, ou por sentir que a abandonei nesse tempo ou se por pensar que tudo aconteceu e não estávamos perto, que chorei diversas vezes pensando nisso. Voltar pra casa e não vê-la foi estranho. Agora parece que não consigo aceitar, fico esperando ela aparecer, seja na entrada do prédio, na varando do apartamento, no jardim ali de fora ou na casa de um vizinho. Minha cabeça tenta apagar as informações da sua morte e tenta me convencer de que ela não se foi. Talvez seja melhor assim, pensar que está feliz em algum lugar pulando e miando. A memória de seus olhinhos vesgos, seu corpinho magro e seu jeito elegante não combina com uma caixa sapato, e pensar que foi assim que a encontrarão não entra na minha cabeça. Lillou Moss (2009 – 2012)

Comments
  1. jackie says:

    vc me fez chorar, tuca….. a perda nunca è facil de lidar, mas nos torna seres humanos melhores….

  2. sandra says:

    Pois e Tuquinha, e muito dificil mesmo .Mamae is very old and i didn.t figure it out. love u baby

  3. Vic says:

    snif =´(

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