Desafio Santos – Parte I

Posted: September 24, 2012 by Natália Almeida in Cycling, Português, Training
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Igrejinha do Bororé

Igrejinha do Bororé

Depois de tanto tempo finalmente consegui parar para escrever como foi a nossa descida para Santos, antes de mais nada já vou logo avisando que quando eu for para a Baixada de bicicleta nunca mais vou usar o termo descer e sim subir. Desci bastante mas mesmo depois de 100km a sensação de que mais subi não saiu da minha cabeça. Inclusive agora, depois de quase um mês essa sensação e essa certeza não passou.

Quem quiser conferir a rota!

Uma parte do caminho já havíamos feito na ida para Rio Grande da Serra, então  eu já sabia que logo no começo, para ser mais específica no Grajaú eu teria que subir uma “parede”, na primeira vez eu não havia conseguido e tinha empurrado a bike até o topo, dessa vez fui determinada a fazer diferente e não empurrar em nenhum momento. O complicado ali era a grande quantidade de carros você tinha que pedalar cm calma e prestando atenção no que vinha de trás, venci a subida mesmo com um pouco de falta de ar ao final, mas depois de um gole de água tudo estava bem e segui em frente. Nos perdemos às vezes na rota, mas porque o Galo que nos guiava não conhecia bem esse novo trajeto montado pelo André, foi até engraçado porque uma hora pegamos um caminho com subidas e descidas longas e depois vimos que fizemos o caminho errado voltamos e ao fazer o caminho certo saímos no mesmo lugar uma quadra acima. Na hora parte do grupo ficou um tanto irritado com o desgaste desnecessário, mas eu achei graça.

O bairro do Grajaú é um ótimo treino para subidas e para andar em lugar com grande tráfego de carros, mas a grande quantidade de micro-ônibus me deixava tensa, por isso chegar na balsa foi um alívio. A Ilha do Bororé é um show. O cenário é muito bonito, a estrada um verdadeiro charme e me vejo impressionada sempre que penso que um lugar assim tão calmo, recluso e cheio de mata está dentro de São Paulo. Apesar da estrada ser estreita e de duas vias, há poucos carros e pedalar por ali chega a ser relaxante.  Passando por sítios, vendinhas e fazendas pequenas você se distrai muito fácil e o tempo passa rápido. Dessa vez após a segunda balsa viramos a direita onde pegamos 600 metros de subida em asfalto. Foi bem sossegado mas ao chegar no topo nos deparamos com uma descida de terra e pedras soltas, teve gente que chegou a desistir e voltou, eu fiquei receosa porque ainda não havia superado o medo de descidas e não sou tão experiente na junção terra e ladeira. Mas fui no meu ritmo, do meu jeito. Alguns passaram ao meu lado a todo vapor que chegava a subir uma nuvem de fumaça a minha frente. Mas nem assim arrisquei imitar. Por aqui também tivemos subidas difíceis mas consegui. Na maior parte do tempo estava com o Almir, Ricardo e Vitor. E isso me deixava mais segura. Uma equipe unida, eu diria, um esperando e dando suporte ao outro.

Trecho de terra na Ilha do Bororé

O Ben seguia a frente mas também com o porte e a facilidade que ele tem em subidas seria injusto e um tanto cruel obrigá-lo a seguir conosco, porém depois de uma descida muito íngreme ou de uma subida estúpida lá estava ele me esperando e checando se consegui chegar bem. E isso me deixava tranquila.

Para entrar na Imigrantes tivemos que carregar as bikes morro acima, e para ficar mais fácil fizemos uma corrente, cada um passava a bicicleta para o outro até chegar ao último que a encostava no muro ao lado da pista. O trecho que pedalamos pela rodovia foi curto mas bem difícil porque estávamos no contra fluxo e a resistência do vento foi um adversário de peso. Nessa hora lembrei de um texto que li em algum blog e cheguei rir em pensamento – “Pedalar numa subida muito íngreme é como comprar uma casa financiada cada parcela é difícil mas ao final você tem uma conquista, pedalar contra o vento é pagar aluguel, é uma energia imensa para algo momentâneo”. Acho que pensar nisso me ocupou e quando menos esperei cheguei na entrada da estrada de manutenção, mas o resto desse desafio fica para o próximo post.

Parada para água e reabastecimento!

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