Mesmos trajetos, novos desafios!

Posted: November 27, 2012 by Natália Almeida in Cycling, Environment, Equipment, Security, Training
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Adaptação é como defino esses últimos tempos.

Os dias de agora são corridos, tenho que administrar uma rotina que inclua treinos, alimentação saudável e 16 horas de trabalho por dia. Essa maratona diária não me dá folgas nem aos finais de semana que são ocupados um dia com trabalho e outro com pedaladas longas de mais de 100km. E apesar de serem rotas já conhecidas ganham desafios novos como alforjes a cada viagem mais pesados e sapatilhas de clipe.

Tanto um quanto o outro eu estou em fase de adaptação, arrumar os alforjes não é tão simples e tentar equilibrar o peso dos dois lados tem se mostrado uma arte, já os pedais são um teste de sobrevivência e posso dizer que quase reprovei logo na primeira prova. E se eu não passasse, talvez não poderia estar escrevendo esse post agora.

Semana passada fomos a Itu, na Estrada de Romeiros sem acostamento e cheia de subidas, o meu primeiro dia oficial com os pedais foi no modo “Hard”. Até que estava indo bem apesar de nas primeiras subidas não confiar tanto de ir com os dois pés presos, com o passar dos km fui ganhando confiança e me atrevendo cada vez mais a testar os limites, até que numa das subidas antes de Pirapora perdi o controle da minha respiração e resolvi parar. Com os dois pés clipados me concentrei para tirar um dos pés e quando consegui pensei em pedalar mais um pouco para tirar o outro, na hora que consegui tirar o segundo pé e fui descer da bike para o lado esquerdo, o meu pé de apoio clipou novamente e caí no meio da estrada, tentei não me desesperar e tentei levantar a bike que ainda presa ao meu pé levantou mas caiu novamente. Imagine, eu caída no meio de uma estrada de duas mãos com uma faixa para cada sentido sem acostamento e com um caminhão vindo em minha direção. Sim fiquei com medo. Sim queria gritar. Mas me desesperar naquele momento era o mesmo que desistir e então vi que minha única saída era chutar a bike com força para o gramado e ir me arrastando para fora da pista. Até que consegui ir mais pro canto mas mesmo assim o caminhão teve que invadir a outra pista para desviar de mim. Depois desse susto levantei, bebi água e encarei a subida novamente.

Quando fiz a última curva vejo o Ben me esperando e ali me bateu um desespero e comecei a chorar imaginando tudo o que poderia ter sido. Ele vendo meu estado volta em minha direção e pergunta o que aconteceu. Ele me acalma e seguimos viagem. A cada subida vejo meu corpo surtar e minha respiração acelerar junto com meu coração. Essas eram as sequelas do trauma anterior. Mesmo sem clipar ou clipando somente um dos pés meu corpo e minha cabeça tremiam de medo a cada lembrança do que havia passado. O tempo todo fui tentando lidar com esse medo e sabia que se desistisse da sapatilha ali seria ainda mais difícil encará-la depois, por isso fui respeitando meu medo e forçando meus limites aos poucos.

Ao chegar em Pirapora encontrei com o caminhão parado e descarregando em uma casa, parei e conversei com o motorista que me disse algo que me fez lhe ser muito agradecida:”Não parei porque ali com curvas e sem acostamento seria muito perigoso e também não buzinei com medo de te assutar, pensei que seria pior”, eu sorri e agradeci dizendo que se tivesse buzinado eu provavelmente teria desistido e o som da sua buzina iria me parecer o som da morte. Ele riu de leve e disse para eu tomar mais cuidado.

E certamente eu tomei muito mais dali em diante. Conseguimos chegar em Itu, mas não no tempo normal. 

Já nesse final de semana os desafios foram os mesmos pés clipados e bikes pesadas mas o destino mudou: Atibaia. Pra contribuir ainda mais para o treino pegamos chuva em quase toda a segunda metade do trajeto, e encarei quase toda a viagem com os pés atados aos pedais. O peso do trauma ainda existia mas bem mais controlado. Encarei subidas e mantive meu ritmo. Fui super bem apesar da minha bicicleta parecer estar na marcha pesada mesmo quando estava na 1/1. Encarei subidas intermináveis e outras que eram bem mais leves do que a minha lembrança guardava, mesmo assim um dia intenso.

No fim da viagem estava me sentindo super feliz e realizada por ter encarado mais de 100km e ainda estar me sentindo disposta, e o melhor, sem problemas com os pedais. Mas nunca se sabe o que pode acontecer porque a viagem só acaba, quando acaba e faltar 3 km não é sinônimo de trajeto cumprido. E foi exatamente faltando isso que a minha corrente travou e tentei evitar o que descobri ser inevitável para quem tem pés clipados e está numa subida: a queda.

Caí mas dessa vez escolhi o lado certo mas com a queda minha calça rasgou e tive que encarar o resto do pedal com metade da bunda de fora. Ainda bem quer era pouco!

O resultados dessas duas semanas: pés calejados e com unhas escuras, bunda e braços com hematomas, menos uma calça para Inglaterra, uns arranhões na bike, mas mesmo assim o saldo é positivo porque as pernas se mostraram capazes de carregar mais do que eu imaginava, estou mais confiante em relação as sapatilhas com clipe, sem falar que meu auto-controle está melhorando e assim consigo resolver melhor os problemas.

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