Archive for February, 2013

De Newtonmore a Inverness

Posted: February 27, 2013 by Natália Almeida in Cycling
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On the bridge over the River Findhorn

On the bridge over the River Findhorn

Os dias em cima da bicicleta são duros. Tem momentos em que acho um tanto sofrido, mas se aprende tanto que não tem como terminar com arrependimentos! O dia anterior foi daqueles em que a cada quilômetro algo novo aparece pedindo soluções, é a bike que quebra, a estrada que fica muito escorregadia ou a rodovia sem acostamento e carros passando a milhão do nosso lado. Com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo a nossa cabeça entra em estado de alerta constante. O lado bom é chegar ao fim do dia com a meta cumprida e os desafios ultrapassados. Dá um gostinho bom na boca pensar que nos adaptamos, que consertamos, que nos superamos. Noto que a nossa confiança vai sendo construída a cada nova experiência vivida. Uma confiança justificada! E a minha postura na bicicleta é a mesma com que vivo a minha vida. Sou segura e confiante, mas sempre dessa maneira, sempre construindo tijolo por tijolo, para quando eu procurar o porque dessa minha  segurança eu possa ver os motivos. Olho para frente e sei que ainda tenho muito a aprender mas dou muito valor pra tudo o que coloquei na minha bagagem!

Waking up in Newtonmore, ready for the day ahead

Waking up in Newtonmore, ready for the day ahead

Acordar em Newtonmore foi um tanto especial, sabia muito bem que a jornada não havia acabado, ainda faltavam +/-300km, e o dia lá fora era frio, nublado e alguns flocos de neves caiam. Aprendi a desconfiar do tempo que na Grã-Bretanha parece gostar de pregar peças e mudar de uma hora para outra. Não reclamo desse temperamento do inverno porque certamente ele foi o nosso grande professor até agora.

O dia de hoje seria um tanto curto +/- 75 km até Inverness. O Ben estava um tanto ansioso para a chegada já que quando ele era pequeno ele costumava ir para lá sempre. Tinha diversas memórias da ponte e das tarde passeando em volta do rio.

A rota escolhida pelo Ben a princípio seguiria pela A9, mas um dos donos do B&B nos sugeriu ir pela ciclorota que passaria pelas cidades de Kingussie e Aviemore. Desconfiei um pouco dessa sugestão, porque no dia anterior vimos que as condições das ciclovias e estradas secundárias nessa época do ano são péssimas, a princípio foi uma boa pedida mas uma hora tivemos que desistir já que a estrada sumiu embaixo de tanta

Enjoying a large meal at Zizzi

Enjoying a large meal at Zizzi

neve.

Voltar para A9 não era algo que me deixava mais feliz, essa rodovia parece não ter limite de velocidade e não ter um acostamento não me deixava confortável, para meu alívio tivemos alguns trechos de faixa dupla, e também não posso reclamar dos motoristas britânicos que se arriscam entrando na contra-mão para nos ultrapassar. Um dia de muito mais trabalho mental que corporal, já que a rota teve poucas subidas, e as que passamos tinham menos de 10% de graduação.

Uma descida de 30km nos levou até a entrada de Inverness, uma cidade bem bonita, com pontes, castelos e catedrais. Chegamos cedo, 15h30, e assim deu pra passear bastante. O Hotel ficava em frente ao rio e perto do centro. Descansamos um pouco, e saímos para comer. Escolhemos um restaurante italiano que parecia ser bem legal. Pedimos entrada e como a pizza costuma ser individual cada um pediu a sua. A maior surpresa do dia foi justamente a janta, a pizza era gigante, ainda bem que era gostosa!!!

Over the bay after HelmsdaleSo near! At the beginning of the day, we had just slightly more than 100km to ride to reach John O’Groats. We decided, however, that we would just ride to a place called Keiss, about seven miles away from our ending destination, so we would not be in any hurry to get to John O’Groats and take pictures. Keiss would be a good location to set out from in the morning so we would be able to take our time and enjoy the moment, so Keiss it would be for the night.

In Brora, we stayed at the Sutherland Inn – not the best place in the world, quite expensive and with a water system that sounded like we had some sort of monster in the bathroom whenever we went to the toilet, washed our hands, or took a shower; quite alarming really! Unfortunately (maybe because it was winter) there were not too many choices around, and this was the best place/price… It was not with heavy hearts that we left, however, in spite of the weather being overcast and quite cold in the morning.

Map Brora-KeissWe knew that we would be in for a hard day as we would be going through Helmsdale and hills surrounding this small village. My sister had warned us that the area would be quite hilly and she certainly wasn’t joking; the route planning software showed us the steep hills that we would be facing, going both up and down, and we would have to do our fair share of climbing over the course of the day. The big climbs started after around 15km of riding, though the main event was after Helmsdale at a small village called Berriedale, about 25km away from Brora. After climbing up, we had about a steady 13% descent for about two and a half kilometres, and just as soon as that was complete, we had a 13% climb back up over the next two and a half kilometres, with a respite of about 20 metres flat at the bottom. Unfortunately, with the descent, it was difficult to go too fast because of the curves and damp roads which made it slightly hazardous. There were tight curves in the road in the climb up, where drivers of large trucks really had to concentrate to get round. We were told that accidents along that road are pretty common, so we were glad that nothing went skidding out of control when we were on it…

After these climbs, and a few further climbs gradually getting less and less severe, it became straightforward, with flats towards Wick that we were able to cycle along at a pretty brisk pace. The main problem was that there weren’t really many places around where we could grab a warm drink or bite to eat. We ended up passing via a place called Lybster – a place that was one of the most desolate that Natalia and I had seen. All of the very few cafés and restaurants were closed, very little life was around to be seen, and we were grateful to find a Costcutter where we could grab a coffee and shelter a bit from the bitter wind.

It was about 4pm by the time we finally got to Keiss; possible to get to John O’Groats by dark, even. However, as I said, we wanted to take our time. So it was a nice end to the day; we knew we were pretty much in walking distance … just 15 kilometres or so to go. The hardest parts had all been done  and we were just about to reach our final objective, in accordance with our schedule. The only thing that could make things hard for us was the weather, which was not meant to be so good over the next day… and just like my sister wasn’t kidding about those Helmsdale hills, the forecast was not kidding at all about what we would face when we woke up…

up to newtonmore

Fomos pela ciclovia que seguiu ao lado da A9 por alguns quilômetros, depois desviava por uma estrada lateral que por ser pequena e usada mais por ciclistas não era cuidada na época do inverno, o resultado foi pilhas de neve cobrindo o icy. Pedalar ali era quase impossível, manter a calma se mostrou mais que essencial. Estudando onde tem menos neve e manter o ritmo do pedal ajuda a não perder o controle em cima dessa superfície que parece que só quer nos derrubar. Pude ver que mais a frente não tinha mais neve, e foi bom ver que aquilo duraria pouco. No fim eu e o Ben rimos, porque desde o dia que começamos estávamos esperando condições como essa, e foi bom poder experimentar e aprender como lidar.

Seguimos pedalando, e a estrada apresentava montes galhos e folhas, poças, neve em todo lugar. Acabamos perdendo um pouco do ritmo e chegando a conclusão que seguindo por ali realmente chegaríamos em Newtonmore bem tarde, mas ficamos aliviados em não ver mais icy e neve, pena que o alívio durou pouco  mais a frente a neve era tanta que não dava para saber o que era estrada e o que não era a não ser pelas cercas e muros, e as marcas de pneu de algum carro que passou por ali alguma hora do dia. Fomos pedalando por cima das marcas de pneu, mas quando a pilha de neve aumentava mais difícil ficava de pedalar, a bike ficava pesada e os pneus parecem deslizar mais. Eu escorreguei mas consegui apoiar o pé no chão evitando a queda. Subi de volta e voltar a pedalar se mostrou um desafio e tanto. Mais a frente escorreguei de novo, mas não caí, e a neve aqui mais densa ainda me mostrou que tem horas que empurrar a bike é mais seguro e rápido. E assim fui. Ao terminar, subi de novo e a segunda parte coberta por neve consegui pedalar até o final.

icy road

Encontramos uma saída para A9 mais a frente e como a ciclorota parecia ainda pior do que o que já havíamos enfrentado, resolvemos ir pela rodovia.

Agora o movimento parecia bem menor, e realmente estava, os carros e caminhões continuavam nos surpreendendo com tanto cuidado conosco,  íamos pelo cantinho esquerdo tentando ocupar o menor espaço possível da pista, e eles continuava entrando na contra-mão para nos ultrapassar com segurança.

Mais a frente vejo uma das minhas placas prediletas: pista extra a frente. Agora sim poderíamos pedalar nos sentindo bem mais seguros, mesmo sabendo que depois de todos esses dias se tem algo que aprendi é que junto com essas placas vem uma subida. A lógica é simples nas subidas é mais comum os carros quererem ultrapassar, já que cada carro tem uma potência diferente. A subida era longa e constante, nada que atrapalhasse nosso ritmo.

Nos últimos 20 km o que eu mais queria era ver a minha segunda placa predileta, a que indica posto, banheiros e cafés. Mas nada, nem sinal. Na verdade até teve uma próxima a Dalwhinnie mas o posto estava fechado. 

O jeito foi se distrair com o cair da noite e pedalar rápido pra tentar chegar antes e ficar o menor tempo possível no escuro. E fizemos bem, pegamos a entrada de newtonmore quando a noite escureceu, acho que mais ou menos 18h30. Chegamos no B&B que era ótimo, o quarto todo bonito e arrumado, e naquela hora nada como tomar um chá quente, tomar um banho quente e vestir roupas secas. O dia tinha começado calmo e parecia que ia ser um dia sem muitos desafios, mas para nossos engano deve ter sido o dia em que aprendemos mais.

Enjoying the view along the coast at duskTotal distance covered (start of day): 1,356km

Distance travelled over the day: 93.38km

Total distance remaining at end of day: 104.55km

Map - Inverness - Brora

It was good being back in Inverness. The reason for this was that the town was always a place where my family and I would stop off when going from the Orkney Islands to southern Scotland and England on holiday. We always had to get a train from Thurso to Inverness and change to get a sleeper, which invariably meant a few hours to wait in the town, and same again on going back up. The train from Thurso was always something we hated as at least one of us would end up not feeling well. Though there is a new train now and adjustments made to the route that have shortened the journey, back then it was a long and slow process. So time in Inverness helped us to recover/prepare ourselves for the torment. I didn’t remember much of the city, just walking over a suspension bridge for pedestrians that seemed to bounce whenever we worked. I wondered if this was just our imagination as children or if it did actually happen. We didn’t find out this time, however, as while we had daylight hours to spend, relaxing and going to get something to eat was more important… plus we knew that we would have time in the town when we would come down from the Orkneys at the end of this journey…

In Inverness, this was the one time that we received an offer from a host (couchsurfing) but chose to decline. There were two main reasons for this, the first is being an important point about the reviews system with both couchsurfing and warmshowers. After looking at a few of the reviews and also finding it difficult to gain responses from the host, Natalia and I felt slightly uncomfortable. Maybe we were completely wrong, as the host did get a fair few positive reviews as well, and we might have missed a very interesting and nice person (which, in all likelihood, would have been the case); but it was our choice to make and it is great that people are able and do provide feedback about guests/hosts – so thank you to all who have! The second point was that it wasn’t clear from our brief communication with the host about whether or not there would be space for our bikes and equipment and am not sure whether the host had understood. We didn’t really want to overwhelm the poor guy! … I guess that is one thing that Warmshowers definitely has over Couchsurfing for cyclists in that warmshowers is largely for cyclists, so people generally know what to expect, while Couchsurfing… is not.

Enjoying a large meal at Zizzi

Enjoying a large meal at Zizzi

No regrets in the end; we managed to get a good offer at a hotel in town, and it was nice just to be able to leave our bikes and stuff there; have a warm shower and wonder around to find a place to eat. We stumbled across Zizzi on the other side of the river which, while expensive in the evening, had some really great food that left us both ready for sleep and the ride to Brora…

A ride which was lovely. Cold (as you would expect!), with a bit of an icy wind, but lovely. Going over the main A9 bridge northwards over the Beauly Firth was slightly scary – there were engineering works meaning that there was a single lane with no way cars could pass us easily, and no obvious cycle path we could use. So I guess we caused tail-backs for some distance..! Fortunately the cars behind us were generally patient and didn’t get too mad with us, though it was a relief to get over it. After that, we road on more side roads close to the A9 for a little while until we got to a junction where it was only really possible to go on the A9 towards Wick. It was great that now we were starting to see road signs saying “John O’Groats” on them, letting us see the miles ticking down as we got closer and closer. Maybe another way of torturing us… 110 miles…. twenty minutes later… 109 miles… you get the idea… but it was nice all the same…

We were also riding close to the sea for a lot of the time; the first time we had done this since we had left Land’s End, really (after the brief time leaving Edinburgh), and it was good seeing a pretty lovely coastline as we rode along. Not too many hills, though there were a couple of unexpected ones (one near Golspie sticks out in mind) that were tough, but it was generally alright. There were other quite long bridges (about three or four) to cross as well, giving some side winds, but nothing too bad. Fortunately it was pretty calm and the water on many occasions simply appeared like glass. Quite fantastic, especially considering the time of year! Indeed, the conditions for the day allowed us to make good progress and again we were able to meet our target of completing the 93.4km to Brora before it got dark.

Waking up in Newtonmore, ready for the day ahead

Waking up in Newtonmore, ready for the day ahead

Total distance covered (start of day): 1,282km

Distance travelled over the day: 74.46km

Total distance remaining at end of day: 197.93km

The route from Newtonmore to Inverness

The route from Newtonmore to Inverness

In Newtonmore, we stayed at Clune House (http://www.clune-house.co.uk/) – a family run B&B which was excellent. Unfortunately, not really any members of Warmshowers or Couchsurfing in the area to stay with, but this was a great alternative. The staff were very helpful with our bikes and gave us some good tips of what we could do in the town for the evening, and the breakfast in the morning was very nice as well. The room was very comfortable, and the rate (through Booking.com) gave excellent value for money. So, if anyone is in the area, I would definitely recommend you take a look!

In the morning when we left, it was pretty cold and pretty cloudy above us; a few snow flakes fell though nothing that looked like it could pose any problem for us. Keith, one of the owners of Clune House told us about how the cycle route continued, so we didn’t have to go on to the A9 again. And it did indeed continue, through the nearby towns of Kingussie and Aviemore as well as a small and picturesque place called Carrbridge, further down the road. Definitely much more pleasant and quiet than the A9, though as with the preceding day, we did eventually have to come back to the A9 as the route faded away under the snow and ice.

Passing traffic

Passing traffic

Being a Sunday, there didn’t seem like there was too much traffic on the A9, though they were still going pretty fast. Again as it went to a dual carriage way, we felt more comfortable as cars invariably went into the right-hand lane to pass us. I tried to imagine that happening in Brazil and … was unsuccesful: we would have been run over at least a dozen times…!

The route over the day was nice and short as well. Only 75km which, in comparison to other days, was lovely. What was more was that the first 35km were pretty flat, and while there was a gradual 10km climb (very gradual – only 175metres or so up), after this it was more or less straight downhill to Inverness – over the next 30km, we climbed only 148metres but descended a good 550m… The hills down were not the steepest in the world – my top speed only reached 54kmph – though it was nice to be able to relax and enjoy the hills while they lasted: we got to Inverness at a very respectable time of 3.30pm after having an average moving speed of 18.8kmph – reasonbly high in comparison to normal days of around 16 kmph – giving us some daylight hours to enjoy. Not many daylight hours, mind, but daylight hours all the same and it felt good.

Furthermore, and more importantly, had left the Cairngorms and the treacherous weather that they frequently present, meaning that if we had any luck, the rest of the joruney would be like a walk in the park…

Natalia with Brian

Natalia with Brian

Brian demonstrou vontade em pedalar conosco na noite anterior mas o nosso horário de saída era um pouco cedo para ele então ele não garantiu que iria nos acompanhar por parte do trajeto. Na manhã seguinte fiquei um tanto contente ao ouvir os passos dele pelo corredor. Sem muita correria pegamos nossas coisas, e descemos para encontra-lo na cozinha, chegando lá mesa posta com torradas de bagel manteiga e mel e chá preto. Pra variar acordamos com tanta fome que parece que não comíamos a dias, e mesmo depois de um jantar farto como o da noite anterior o nosso corpo parece não parar de pedir mais e mais comida. Então sem cerimônia comemos cada um dois bagel e tomamos chá. Brian queria que experimentássemos no pedal umas barras de cereais que ele normalmente come e guardamos na mochila pra mais tarde. Ele não gostava da ideia de pedalarmos pela A9 então resolveu nos levar até a entrada da ciclovia que nos levaria até PitLochry.

A estrada pequena, sinuosa e belíssima era ladeada por árvores e era possível ver grupos grandes de veados correndo por entre elas. Achei graça mais uma vez em ver os cavalos vestidos com roupas enquanto pastavam nas muitas pequenas fazendas que passávamos . Outra coisa curiosa foi reparar o medo que as ovelhas parecem ter dos ciclistas, nos olham intrigadas e quando nos aproximávamos corriam para longe, os carros muito mais barulhentos não as repelem como nós, os cavalos não nos dão a menor bola e já os veados sempre param para nos olhar de longe. Seria interessante entender o que cada um dos animais pensam de nós!

As subidas no trajeto variam de graduação e distância, mas toda a beleza a nossa volta tirava um pouco do peso do esforço, na verdade algo que nos fazia pedalar um pouco devagar ajudava para admirar a nossa volta. As descidas sempre cheias de curvas não nos permitem abusar, o Ben chegou a uma máxima de 41km/h e eu não devo ter ficado muito atrás.

Nosso parceiro do dia ia sempre apontado as belezas e falando sobre o que gosta ou desgosta. Os poucos carros que apareciam ele cumprimentava, e os que vinham de nossas costas ele sinalizava se podiam ou não nos ultrapassar, uma relação ciclista e motoristas tão admirável e respeitosa que vi como o que eu penso está certo. Ao pedalar nas estradas toda a relação deve ser mútua, nós ciclistas temos que zelar pela segurança dos motoristas e respeitá-los e ter o mesmo em retorno. Às vezes acho que o problema está nesse eterno julgamento de quem é melhor aquele que dirige ou aquele que pedala, sendo que seria muito melhor e simples lutar por uma coexistência saudável. O Ben pode ver o que eu sempre venho falando, e acredito que aprendeu um pouco em como ser mais amigo de quem dirige.

Paramos em Dunkeld para usar o banheiro e comer. Daqui para frente teríamos a companhia de Brian por pouco tempo. Descemos um longa ladeira que terminava na A9, ele nos deixou na entrada da ciclovia que seguia lado a lado a rodovia. Nos desejou sorte, e disse que iria ficar torcendo por nós. Mais uma despedida, mas agora provavelmente a última de um anfitrião nessa jornada. Seguimos pedalando, a ciclovia não era das melhores mas também não era das piores, algumas poças de água mas sem sinal de icy, e algumas horas a ciclovia desviava para uma estrada mais afastada, mas por pouco tempo. De repente, a ciclovia acabou e nos deixa numa rua, seguindo a rua ela não tinha saída e nos vemos tentando entender pra que lado vamos, mas nada parece ser a continuação da rota. Confusos e tentando entender, chegamos a pensar em seguir pela A9, mas olhada a estrada daqui entendemos a preocupação em ir por ela – os carros passam em alta velocidade numa pista única e sem acostamento o que não nos deixa tão confortável de pega-la. Perguntamos no posto e no correio, e descobrimos que a rota dá uma pequena volta, que para seguir na ciclorota devemos seguir a estrada que sobe o morro e depois seguir as placas. A subida é constante e um tanto íngreme e vamos um tanto inseguros se estamos indo no caminho certo. Lá em cima as placas sinalizão pedem para virarmos cada hora para um lado e aí já não sei mais se estamos indo para o lado certo, ainda bem que temos o GPS e o Ben pode checar.

The route from Blairgowrie to Newtonmore

The route from Blairgowrie to Newtonmore

Nessa estrada só fazendas, pra qualquer lado que se olhava, no fim algumas casas e uma descida íngreme, longa, sinuosa e com um pavimento péssimo, no fim avistamos de novo a rodovia e a ciclovia na lateral. Seguimos por essa rota que parecia gostar de sair de perto da rodovia e dar voltas por trás dos vilarejos. A bicicleta do Ben começou a fazer um barulho a princípio achamos que era algo que poderia esperar até John O´Groats mas foi piorando durante todo o pedal, e a rota de hoje cheia de estradas sujas e sem cidades com estrutura por perto começou a nos deixar mais e mais apreensivos. Fui pedalando atrás tentando identificar da onde vinha o barulho, fui reparando que fazia somente quando o Ben pedalava e durante as subidas diminuía. Paramos diversas vezes para checar os racks, os raios e tudo mais que poderia ser, o Ben começou a achar que o problema era com as ball bearings. O jeito foi pedalar e torcer para checarmos em PitLochry rápido já que esse era o lugar mais próximos que tínhamos certeza de ter uma bicicletaria, e para nossa sorte chegamos depois de uns 40 minutos e a loja ficava bem na entrada da cidade.

Os donos da loja foram super atenciosos, enquanto arrumavam a bike, fomos a um restaurante comer e nos aquecer um pouco. Quando voltamos, a bike estava arrumada e o problema era exatamente o que o Ben imaginou. Eles nos convidaram para um café e conversamos sobre essa aventura. Eles não podiam acreditar na nossa escolha de época para fazer a LEJOG. Curiosos nos perguntavam qual seria o planejamento do dia. Falamos que iriamos até Newtonmore pela A9, e pude ver a cara de terror que eles fizeram. Disseram que o tempo muda muito rápido na região e que não chegaríamos lá já escuro e que a A9 era perigosa demais para irmos por ela. Começaram a nos dar telefone de hotéis em cidades mais próximas e nos pedir para seguirmos a rota de bicicleta que é um pouco mais longa mas mais segura. Aceitamos a sugestão na rota mas quanto até onde pedalarmos não tínhamos muito espaço no nosso planejamento para não cumprir a meta do dia. Estavamos confiantes que poderíamos apertar o ritmo mas se soubéssemos que nesse dia ainda iríamos encontrar neve e icy pelo caminho talvez tívessemos repensado no tempo, mas esses desafios eu deixo pra contar amanhã!

 

The Cairngorms await us

The Cairngorms await us in the distance

From Blairgowrie into the Cairngorm mountains in what may have been the toughest full day of cycling. This was the day which I was probably most worried about, with 100km or so of cycling planned, of which most would be going up hill. Not just up hill, but up hill in to the Scottish highlands which, as we could clearly see in the distance on the previous day, were well and truly snow-covered.

Brian cycled out with us in the morning, in spite of it being cold and, for want of a better description, darn miserable. There was low cloud and drizzle, and it just wasn’t very nice to go riding through. It was straight forward enough at first, going from Blairgowrie in a westerly direction to join the A9, the main north-south trunk road, connecting Edinburgh with Inverness. Though it was drizzle, it was still lovely country side, passing Loch of Drumelli, Clunie and Loch of Lowes before reaching Dunkeld. There, we said goodbye to Brian, and he pointed us to the cycle path that ran along the A9, and said that it really would be better to go along that instead of the main road which is the centre of a debate about whether or not it should be re-classified as a motorway and is accident prone…

Detour at BallinluigWe took his advice, though it got a little a confusing south of Pitlochry about where the actual path ran. We ended up asking a couple of people about how to get to the path, and we ended up going what seemed to be all around the sun to meet the moon to continue along it in the hills above the main road. Indeed, taking the cycle path as a whole along the route probably increased our total journey by about 10km or so. If it was summer and if we didn’t have pretty heavy panniers it would have been great – it was a lovely, desolate kind of beauty going over those hills; however, occuring on an already challenging day going up into the Cairngorms, the detours weren’t always particularly welcome…

It is worth remembering that on the preceeding day, coming up to Blairgowrie, I mentioned that my bike was making strange clunking noises. Brian had a quick check in the morning as well, though wasn’t able to see what the issue was, though certainly recommended that we get it checked out once we got back to Brazil. As with me, he thought that it should be okay to get up to John O’Groats. However, the noise from the bike gradually got worse and worse, and much more constant (though still on a kind of random basis). So it was with relief that when the cycle path eventually came down from the hills and we got to Pitlochry. There we were able to find a  bike shop, and not just a bike shop that sells, but also repaired bikes. They had a look at it while we had lunch and when we got back, the guy said that some of the ball bearings in the back hub had broken and replaced them – had they gone unchanged, it would indeed have got worse and worse, until the wheel would have pretty much broken completely. So I was very happy testing the bike again and not hearing or feeling any noises at all.

Tricky conditions

Tricky conditions along the A9 cycle track

With time ticking on and us being quite significantly delayed with this problem and the cycle path taking longer than we wanted, we were thinking of continuing along the A9. The guys at the shop, however, advised us to keep going along the cycle path that went alongside it, and also suggested that we stop earlier. Unfortunately, not many other places were open to stay, or had any vacancies, so we had to keep with plans to proceed to Newtonmore. We continued along the cycle path for a while, and it was good for a whole 25km or so, however, with it being a cycle path / B-road, it had not received any salt from the gritters that pass along the A9, and as we got higher, the amount of snow and ice in our way increased, making life harder for us. We eventually gave in as the amount of daylight we had left was quickly running out, and we just wanted to get to Newtonmore, so on to the A9 it was.

It was surprisingly easy and not as terrifying as we were preparing ourselves for. Okay, there was steady traffic, and that traffic was fast, though just about everyone gave us a nice wide berth – am absolutely certain that our good Hi-Vis jackets and multiple back and front lights helped with this. For me the important thing is always to be as visible as possible even during the day. Furthermore, the remaining uphill was extremely gradual and we hardly noticed it, then, with 26km remaining it was just a nice gradual downhill – not too steep to cause us to worry about losing control, though with a nice gradient which allowed us to cruise at a good 25-30km per hour with no problem at all. In spite of all the delays and everything, we still managed to get to our guest house in Newtonmore for 6pm, just as it turned pitch-black outside.

On the Road Bridge

On the Road Bridge

A noite anterior foi de muita cerveja, comida vegetariana e bate-papo com o Charlie. Dormimos um pouco tarde mas o plano ainda era o de acordar cedo, agora mais do que nunca queríamos ver a Melanie pela manhã e nos despedirmos. E assim foi, acordamos cedo, umas 7am, arrumamos o quarto, checamos se tudo estava guardado, nos trocamos e descemos. Na sala Melanie e Charlie tomavam café, e deu pra notar pelos olhos apertadinhos da Mel que a enxaqueca não tinha melhorado. Deu um certo aperto no coração ver a cara de quem ainda sentia dor. A despedida foi rápida, ela tinha que ir trabalhar e ficamos lá eu e Ben, tomando chá e comendo torrada com geleia e pão caseiro.

Colocamos os alforjes, checamos os freios e quando estávamos terminando Charlie chega com Millhouse. Papeamos mais um pouco, ele nos dá a indicação de uma bikeshop em Perth caso precisássemos, o dono é amigo deles, papeamos mais e partimos.

Saying goodbye to Charlie

Saying goodbye to Charlie

Sair de Musselburgh foi bem bonito, pedalamos pela praia e foi bonito ver as gaivotas, e as pessoas passeando com seus cães. Eu teria gostado se o caminho todo fosse assim, porque apesar do frio ver o mar é sempre algo que me relaxa. Em Edimburgo continuamos tentando evitar as ruas e avenidas da cidade, porque como toda grande cidade os motoristas estão menos cuidadosos, por isso depois da praia fomos por umas ciclovias por dentro de parques. Um tanto confusas e algumas vezes um tanto alagadas mas certamente mais seguras. O que me chama atenção nessas cidades europeias é a quantidade de idosos correndo, andando e pedalando, apesar da idade eles continuam super ativos, queria ver mais isso nos parques de São Paulo.

Sair de Edimburgo foi demorado, não sei explicar bem porque, acho que depois de pedalar em estradas e passar por tantos vilarejos você fica mais ansioso para ver placas de bem-vindo e depois a de obrigado por dirigir de forma segura, e as grandes cidades são maiores mesmo de extensão.

A rota passou pela Forth Road Bridge, uma ponte suspensa que liga Edimburgo com o norte do país, atravessando o Firth of Forth. A ponte é bem bonito e antes dela tem um mirante, onde paramos para tirar fotos e usar as facilidades. Ao pedalar pela ponte é possível sentir o tremor dos carros passando um tanto estranho, dela é possível ver uma ponte vermelha que é usada pelo trem e em uma das colunas de sustentação tem um ilha com uma construção antiga.

The route

The route

Do outro lado da ponte a cidade continua numa correria intensa, a expectativa era de poucas opções de paradas no caminho então paramos numa padaria por aqui compramos um café e um enrolado de linguiça, o café era terrível e o enrolado não ficava muito atrás. Uma escolha de parada infeliz para quem não esperava por muitas. A maior parte da rota saindo dali foi por uma estrada pequena de pouquíssimo movimento de carros e sem nada de comércio. Bem calmo e bonito, o tempo não estava nada mal já que não chovia nem ventava. Algumas subidas mas nada demais, a pior já havíamos passado que foi logo depois da ponte. O nosso ritmo foi bem calmo e proveitoso, paradas para fotos e lanches e curtindo cada segundo. Ao ver a placa de declive de 12% mantive a calma, a descida com curvas e bem profunda me preocupava por que nas descidas o risco de ter gelo no final é mais alto, então controlei a velocidade e evitei qualquer trecho que se mostrasse arriscado. Depois disso teve mais outra descida menos acentuada mas mais longa. A estrada sossegada começava a dar lugar a uma cidade maior de novo, Perth. Chegamos aqui por volta das 16h então paramos só para ir ao banheiro comer lanches que tínhamos na mochila e seguir em frente, apesar de Blairgowrie ser perto não queríamos chegar no escuro. Os 25km até o nosso destino foi em sua maioria plano e em estradas ladeadas de grandes árvores.

Above the Motorway towards Perth

Above the Motorway towards Perth

Há uns 10km um ciclista que vinha do lado oposto da estrada nos cumprimenta, minutos depois o vejo do meu lado me cumprimentando de novo, o olho surpresa sorrio e retribuo o Hi!, mas ele continua com o sorrisão aberto me olhando e achando estranho pergunto se tem algum problema. Ele ri e diz: Natália Eu sou o Brian! Eu acho graça peço desculpa e grito para o Ben. Não esperava que o nosso anfitrião fosse nos buscar no caminho. Ele pedalou conosco até a sua casa e chegando lá nos serviu chá quente e um pão de tomate seco e berinjela delicioso. Fomos a sala conversamos sobre essa viagem, contamos do 360 e ele nos falou de suas diversas pedaladas pelos EUA. Depois subimoss para o que mais esperamos depois de pedalar no inverno: um bom banho quente. E ao descer lá estava Brian com a mesa posta, uma deliciosas sopa de legumes e frango e quando achamos que acabou ele me tira pizzas do forno. O Ben que sempre fica muito faminto depois de pedalr longas distâncias olhava mais que feliz pela inesperada janta. Eu comi um pedaço, e Brian vai e me tir um torta de blueberrys da geladeira, parecia deliciosas mas eu já não aguentava comer mais nada. Depois de insistir para eu ao menos experimentar me rendi ao filete, e assim me arrependi do pedaço da pizza. Se eu soubesse da sobremesa talvez tivesse escolhido melhor minhas porções. Mas tudo bem, a única tristeza da noite foi pensar que daqui para frente não teríamos mais companheiros do warmshowers e couchsurfing para nos receber, daqui para frente seria hotéis e B&Bs.

The two bridgesIt was slightly hard mustering the will to leave Edinburgh and continue the ride – I have to admit that the day of rest had been very welcome. Though we had to continue, onwards, northwards, on the final phase of the journey towards John O’Groats. We believed that this would probably be the hardest phase of the route, with no flexibility in terms of weather days or days to rest. We would be going north, straight through the Cairngorms, stopping at Blairgowrie to the south of the mountains, Newtonmore in the middle of the region, and then Inverness before going to Brora, Wick and John O’Groats… a total of 488.23 kilometres, so still just about a third of the total distance of the whole route.

Entrance to the Forth Road BridgeFirst thing’s first: leaving Edinburgh… We were staying with Charlie and Mel in Musselburgh, so a little bit to the east of the city. We still had to get the Forth Road bridge – a good 25km away and a little longer than I thought. It took a while getting there, along an apparently endless cycle path with so many exits we would have got lost had it not been for the GPS. Our next host, Brian, told us that evening that he had been on the path a few times though had taken ages to navigate his way through it to the bridge. Fortunately the map plotted was good though it took a little while working out where the entrance to the path was.

The bridge itself is pretty spectacular: giant, going over the Firth of Forth, with the red rail bridge to its side. Apparently they are going to build one more road bridge right alongside it in the same area  – not sure why. The bridge does close when the wind is too strong, so maybe that has something to do with it. We were lucky that the day was still so there was no problem for us, thankfully. As we were going on it on the cycle path, it was constantly shaking with the enormous traffic that was going on it – very glad that there was a cycle path…!

On the other side, it was reasonably plain sailing. A few hills now and then, but nothing we hadn’t seen before. As the day progressed we could see snow covered mountains appearing in front of us, and it was nice as we were able to cycle along smaller roads that went north, paralleling the motorway, so there was little traffic going along with us. All the heavy vehicles going up to Perth were on the M-road.

Going along, my bike started to make irregular clunking noises. Nothing very much, but it was an annoyance. Being irregular and with no rhythm, it seemed that there was nothing wrong with the actual drive mechanisms as there would have been regularity with the turning of the pedals and chain. There was nothing visibly wrong, either. So we  kept on going. Past Perth, at around 4pm or so, though we decided not to stay to enjoy the town even though it was very pretty going through it and across the river there: we wanted to arrive in Blairgowrie before night-fall as, as we had found out in the first few days, riding after dark is no fun and on these roads, there are no street lights until you get right into town; and towns were few and far between.

Full speed ahead for 25km (16 miles) and again it was pretty easy-going across the relative flat terrain. It was gradually getting darker and darker though we were doing well enough. As we got close to the town, however, we saw a cyclist passing the opposite direction. I said hello as he went by, and then all of a sudden I heard Natalia calling to me. The rider had turned around and was riding alongside her: he was Brian! He had come out to meet us and guide us back to his place. It was certainly  a great welcome!

 

Edinburgh Castle

Edinburgh Castle

It had been a while since in Edinburgh, and as neither Natalia nor Paulo had been in Scotland before, we had a day off scheduled in the city. We stayed with Melanie, an English teacher, and Charlie, her husband who is an actor. As with many other hosts, we met them through Warm Showers. Both Mel and Charlie were wonderful and extremely helpful, giving us tips of things to do in the city and it was great chatting with them. They did a cycle tour of New Zealand for a year which sounded like it was great fun. Mel unfortunately got ill with a migraine while we were there, though we had a great meal with Charlie on the evening before we left.

The windows and flags of St. Giles

The windows and flags of St. Giles

In Edinburgh we just did the normal touristy things, really; wondering around the Royal Mile and the Castle (though we didn’t go in), St Giles’ Cathedral, and Mary King’s Close – which we did pay the GBP 12.50 (each) to get in, a price that we felt at the time, and had absolute certainty after the tour, was expensive, bordering the extortionate… Okay it was interesting. The tour gave us an idea about life in the Closes of Edinburgh before, during and after the Black Death, and how things were cramped for the inhabitants. It was interesting seeing the small rooms where families lived and the extremely narrow alleys where all the sewerage was poured  into from all the windows of the tall houses that lined them. Not the nicest of places to live. The actor who gave the tour was good and understandable as well. But, it just seemed expensive for an hour – maybe am just used to Brazilian prices (obviously, converting to the Brazilian Real and you get a much higher number and you don’t get many simple guided museum tours costing BRL 40+ per hour in Brazil, though this ultimately doesn’t mean much). The information that was provided in the tour also wasn’t particularly revelationary for anyone with an incling of an understanding of general history and ways of life in the 16-17 hundreds…

But anyway, we met with Paulo as well and he had been to a doctor in Edinburgh to examine his knee. It wasn’t great news as he was told that he had ligament problems and he was advised that he should rest at least for 7-10 days or so, otherwise he would risk causing permanent damage to the knee. Not what any of us wanted to hear. So to put it simply, that was the end of his LEJOG. The only way for us to proceed was to just give Paulo tips of things to do in Edinburgh, London and Europe in general and to proceed. It would have been nice if he could have come up to John O’Groats to see us arrive there, but to be honest, John O’Groats is in the middle of nowhere and there isn’t exactly much to do there so, as this was Paulo’s first time in the UK, we thought it would be good if he could at least enjoy his days before his return to Brazil. But what Paulo will need to do in Brazil is go to get a full examination of his knee and ensure that he is in a condition where this problem will not happen again – the last thing that we can have in the actual journey is a repeat of this only a few days in… So this is an ongoing concern.

We only spent the afternoon on the rest day in Edinburgh city; enjoying a bit of a sleep-in, and then we didn’t stay in the city very late – no chance to enjoy the night life at all as we would have a long ride up to Blairgowrie on the following day. The meal with Charlie in the evening was great – first time I have had vegetarian haggis, which was really good – and the conversation with Charlie was excellent. Definitely would be great to stay in touch!

Map of Edinburgh

Map of Edinburgh

Acordar de manhã com a certeza que não vamos pedalar é bem estranho a essa altura. Mesmo sem despertador você acaba acordando cedo e com aquele ânimo agitado de que a estrada lá fora nos espera. Depois de tantos dias de estrada, pedais longos, cidades, pessoas, fotos, chuva, vento, neve, sol e tudo mais, seu corpo e sua mente mudam um pouco de funcionamento. Parece que você muda a voltagem e de 110V você vira 220V, então você fica super agitado no começo do dia e já acordamos morrendo de fome e mesmo sem pedalar nosso corpo parece pedir algo a cada uma hora e lidar com tudo essa energia extra e esse pedido por mais energia é algo complicado. Até que ponto a fome é fome ou é seu corpo querendo garantir carboidratos para uma jornada de pedal que na realidade não vai existir no dia. O melhor jeito é se ocupar. E estávamos com os hosts certo para isso.

The Witchery

The Witchery

Ao descermos para tomar café da manhã Charlie estava na sala com a mesa posta, Melanie já havia saído para trabalhar, sentamos a mesa, tomamos chá, comemos torradas com manteiga e geleia e conversamos. Conversamos bastante mesmo, Charlie é ator e tinha diversos causos para contar, o que ele conseguia fazer muito bem dando uma certa graça a tudo. Rimos muito e trocamos ideias e opiniões sobre trabalho e aventura. Ele acha todo esse projeto inspirador, e encontrar alguém que entende o porquê do 360 sem termos que explicar é um tanto incomum e motivador. Ele e Melanie passaram um ano em Nova Zelândia, onde 4 meses foram dedicados a uma expedição de bicicleta pelo país. As histórias contadas por ele reunidas as nossas até agora sinceramente daria uma ótima comédia. E me fez ver cenários de toda a expedição oficial que antes eu não poderia imaginar. Charlie disse que fez sua rota confiando em mapas e as vezes no mapa marcava uma cidade que na verdade nem existia mais. As pessoas não moravam mais na região, que estradas que era ditas como boas na verdade era péssimas e as vezes sem asfalto, estrutura e nada do que ele esperava. Tudo bem que hoje temos ainda mais opções de checar do que ele teve há 6 anos atrás.

Depois de papear por horas, começamos a nos arrumar para ser um pouco turista. Antes de sair Charlie pediu uma ajuda com as galinhas que ele e Melanie tem como bichos de estimação no quintal mas que insistem fugir para casa do vizinho. Foi engraçado vê-los tentando dar um jeito naquelas aves desengonçadas e teimosas. Problema resolvido fomos para o centro de Edimburgo, andamos pela cidade, tomamos um café e fomos a atração que mais nos recomendaram: Mary King Close. Eu realmente não recomendo a ninguém, achei caro e um tanto chato. A história é um tanto interessante afinal essa é a rua mais antiga e intocada de Edimburgo e imaginar como as pessoas moravam em 1600 é algo interessante mas andando pela cidade você consegue ver esses closes em todos os lugares e uma boa pesquisa no wikipedia te daria acesso as histórias.

Depois encontramos com Paulo, papeamos um pouco, deixamos com ele o saco de dormir para ele levar para Londres e fomos de volta para nossa casa da noite. Lá fomos recebidos por Charlie com batatas, vegetais, haggins veggie e cerveja – Melanie infelizmente teve uma crise de enxaqueca e não pode nos acompanhar. Mais conversas e mais conversas. Uma noite mais que agradável e mais um casal que queremos manter contato.

Arriving in Edinburgh

Pedalar 50km em um dia soava como um dia de folga, os primeiros 30km seriam de uma subida leve e constante então nenhum problema aparente. A noite anterior na casa de Strachan e Alex foi bem agitada. Conversamos bastante e acabamos indo dormir um tanto tarde. O plano era ir a Edinburgh pela estrada A7, e Strachan recomendou que trocássemos a estrada ou que começássemos o pedal mais tarde que o normal, depois das 9h. Por isso, acertamos o despertador para às 8am, mas não conseguimos acordar. O despertador tocou e apertávamos o snooze, até às 9am. Logo no primeiro quilômetro uma subida bem profunda, o que foi bom para forçar os pulmões. Daí em diante não foi ficando mais fácil não. Apesar de nada de neve estava bem frio. E existia a possibilidade de pegar black ice, o cuidado agora era redobrado. A estrada mão dupla e sem acostamento nos obrigava a dividir as faixas com os caminhões, carros e tratores que queriam passar, ainda bem que o trânsito estava ameno.

As paisagens com grandes montanhas de pico nevado ao fundo eram lindas demais e distraía bastante durante as subidas, em compensação os fortes ventos que pegamos contra nos fazia pedalar com força e mesmo assim não sair do lugar. O pior quanto aos ventos é que além da energia que perdemos para fazer alguns metros é que ainda temos que controlar a direção da bike, porque de repente além do vento que vem contra surgem rajadas laterais que te jogam de um lado para o outro da pista.

Outra coisa que percebi nesse dia inteiro na Escócia é que você pode passar dezenas de quilômetros sem encontrar uma opção de parada para comer, ir ao banheiro ou simplesmente descansar. Dessa vez encontramos um posto com conveniência a 10 km de Edimburgo, eu cheguei a comemorar ao ver o logo a distância. No frio que anda fazendo tomar algo quente é mais que necessário para manter a motivação.

Leaving Galashiels

Depois da parada, foi praticamente um descida até chegarmos em Musselburgh, onde fomos recebidos pela Melanie e pelo Charlie e seu Greyhound Millhouse. Tomamos um chá e lavamos as bikes que estavam mais sujas do que antes de Lancaster. Ela é bem atenciosa e papeamos um bocado sobre viagens e pedaladas. Depois tivemos que ir ao centro da cidade encontrar o Paulo e saber mais sobre como andava seu joelho e a visita ao médico. Felizmente o prognóstico foi bom porque ele não tem nenhuma lesão permanente somente uma inflamação no menisco que com descanso e remédios deve ficar melhor em 10 dias. Triste pensar em não tê-lo nos acompanhando mas bom saber que tipo de cuidados e trabalho de fisioterapia teremos ao voltar para São Paulo.

Faltam 5 dias de pedal intenso para completarmos nossa jornada, espero que daqui para frente tudo dê certo apesar dos desafios aumentarem a cada metro percorrido. Pensar que ainda teremos um dia de descanso no dia seguinte ajuda e muito!!!

With Strachan and Alex

With Strachan and Alex in the morning… preparing to go to Edinburgh

At Galashiels we stayed with Strachan and his girlfriend Alex. As with our previous hosts we had met through Warm Showers and Couch Surfing, they were fantastic people – incredibly generous and helpful, and had some great stories to tell. They built their own bikes and are planning a world bike tour, which I really hope they get to do as they would definitely enjoy it. As with many of the other places we stayed, though, I felt tired pretty quickly – not sure what time it was when I went to bed, but it wasn’t late. I think the daylight hours have a lot to do with it – getting dark at around 5.30pm –  I guess I feel more tired quicker… also I guess riding 80-110km in one day with the heavy panniers probably contributes…! Hope I didn’t seem anti-social, though!!!

Map - Galashiels - Edinburgh

The route from Galashiels to Edinburgh

The journey from Galashiels to Edinburgh was short… only 50km or so. We discussed the route with Strachan and we had a choice of whether to continue along the A7, which was shorter but has more traffic in general and is not the widest road in the world; the A68, which added on 5km plus about 300m or so of extra climbs in total but safer and wider than the A7; or the A703 via Peebles, which is quieter and more of a scenic route. After the long day coming to Galashiels from Carlisle, however, we decided that the shorter route would be the most preferable, and opted to go along the A7…

It wasn’t the easiest of 50km in the world, however, as we had tough head winds pretty much the entire journey; icy ones at that. Though there was much less climbing to do than the other options, there was still enough to do, and the headwinds did not make life easy for us going up them. Also, there were very few places on the route where we could stop to get a hot drink or anything like that. What was okay about it though that while there was traffic on the road, the time that we rode on it, between 10am and about 2pm, meant that we avoided the rush hour traffic in and outside Edinburgh city, definitely making things more pleasant than what could have been. Furthermore, though it apparently was not the scenic route, there was still lovely landscape to go through, though with the cold of the winds, we didn’t stop too much to take so many photographs… sorry!

Finally, the other good thing about the road was that while there was gradual climbing for about 30km, after this it was all pretty much downhill for the rest of the route to Musselburgh (just outside the centre of Edinburgh itself), the town of our next hosts, Charlie and Mel…

Arriving in Scotland - the first time for Natalia

Arriving in Scotland – the first time for Natalia

Que o dia seria longo a gente já sabia mas que seria difícil deu para notar só de olhar pela janela do hotel, nevava lá fora e isso seria um desafio totalmente novo para nós. Nenhum de nós nunca havia pedalados nessas condições e o que cada um sabia era o que tínhamos lido em blogs e matérias. Cada um arrumando seus alforjes, e como estávamos em quartos separados não dava muito para saber como foi a noite do Paulo. Às 7h30 ele bate em nossa porta e a certeza era que estávamos atrasados para o café da manhã. Mas infelizmente o motivo era outro, ele teve uma noite péssima com dores no joelho e estava um tanto receoso em enfrentar outro dia longo. O grande problema com dores no joelho e articulações é que não dá pra você se autodiagnosticar, e às vezes é algo simples e outras algo super grave. O que menos queremos esse ano é uma lesão que impossibilite todo o treino que planejamos para 2013, então ele ir a um médico nos pareceu o mais sensato.

Fomos com ele até a estação de trem e combinamos de nos encontrar em Edimburgh, ele teria quase 4 dias de descanso e dependendo do que o médico dissesse poderia continuar o resto da jornada conosco.

Começar a pedalar em 2 foi um tanto estranho no começo. Porque depois de tantos dias consecutivos você cria uma dinâmica e um ritmo, agora que somos dois os primeiros quilômetros foi de adaptação de ritmo e cadência. A cada metro esse dia parecia não melhorar, logo nos primeiros 10km eu percebi que a minha constante preocupação quanto ao peso que o Ben carregava na bike dele me fez colocar muito mais peso na minha, minha bicicleta parecia ter dobrado de peso de um dia para o outro. As subidas que normalmente faço sem problemas pareciam bem mais difíceis com tanto peso. Mas fui administrando as marchas e conseguindo transpassar os aclives no caminho. A neve batendo na cara é algo delicado, e até gostoso, bem diferente do granizo e da chuva. Tivemos momentos com bastante vento mas nada demais. Toda a paisagem do dia foi pintada de branco e dava um ar dramático a todo o pedal. Tudo parecia claro, belo e triste.

Por mais que o dia fosse longo e meu ritmo mais lento por conta do peso, não resistimos as paradas para fotos ou simplesmente olhar a volta.

A rota era bem montanhosa e com 3 picos principais, o primeiro uma subida longa e constante de +/- 8km, que superamos com facilidade graças a distração da beleza do dia, as duas subidas seguintes eram mais curtas, mais íngremes e com muito vento. Ainda bem que a vista de Selkirk de lá de cima era muito linda e nos fez pensar que valeu a pena o esforço. Dali em diante uma descida profunda e o resto mais ou menos plano.

O que percebi nesse primeiro dia na Escócia é que o tipo de asfalto escocês é mais áspero e te obriga a pedalar inclusive nas descidas, não existem muitos cafés, postos de gasolinas e lugares para breaks, hoje só achamos um lugar em Hawyk a mais ou menos 10km de Galashiels.

Não sei explicar o que me fez mais feliz ao chegar na casa dos nossos warmshowers anfitriões Strachan e Alex, se foi não ter que subir a rua que começa logo depois do prédio deles ou o fato deles morarem num apartamento no térreo e não tive que subir escadas essa noite.

Eles nos receberão super bem, cheio graça e com muitas histórias. Uma noite divertida e de muito bate-papo.

Off into the mist

Off into the snow – the whole of northern England and southern Scotland is covered…

Carlisle was the city where I spent three years of my high school life at a boarding school called Austin Friars, up until I finished my GCSEs. It was good to be back in the town as I had never been there since I left the school. Those were… interesting years; the school was good, and I guess I grew up quite a bit after the torture of my first high school back in Lancaster. Played a lot of rugby and was half good until I got a clothes-lined in a tackle and lost confidence; then cross-country. I didn’t expect to remember anyone in this place though. and it was a shame that we were only passing through and didn’t get to see too much.

The route

The route for the day

The first big issue occurred in the morning when Paulo said that his knee was hurting too much and that it had been painful through the night. He decided that he would get a train to Edinburgh to go to a hospital there and meet us there when we arrived. Not much else that could be done really as definitely did not want to risk any permanent damage. The problem had resurfaced during the ride from Lancaster on the previous day, in spite of the additional day’s rest in Lancaster – a point that left both Natalia and I skeptical about his chances of being able to continue up after Edinburgh… but we hoped that things could improve as he would have three days of rest in total while we cycled over the next two days up to the Scottish capital and had our next day off scheduled to explore the city.

Coming through the snow

Coming through the snow

The other big issue came with the weather. It had snowed over night leaving us worried about how the roads were going to be. We had seen a number of gritters, however, making me pretty sure that the A7, which connects Carlisle with Edinburgh, would be well taken care of. Moreover, we would be entering into Scotland, with our last couple of hours in England, and in Scotland I find that the authorities are slightly better to equip with the colder conditions and are generally pretty thorough in gritting the roads.

And indeed it was a great day to cycle. As we left Carlisle, the countryside became steadily whiter and the snow at the sides of the road became steadily thicker, though aside from one stretch on 10 metres or so at the top of one of the passes we had to go through, we did not have to content with any ice or snow on the road at all – which was a relief as ice on the road is definitely not good at all. It also snowed on us as we rode, though thankfully it did not get too hard. It all made, however, for a beautiful day’s ride – the landscape covered in white, with the thick clouds above us, made for dramatic viewing and up to this point at least, the ride from Carlisle to Galashiels was definitely by favorite. This was in spite of us having to cover a larger distance than normal, of 110km or so, over three pretty long and tough climbs.

There weren’t too many places to eat en route and we ended up grabbing coffee and a bite to eat at a Sainsbury’s in Hawick (pronounced “Hoik” – something I really didn’t know and it took me a little while to make the association…). This town is a good 18 miles / 29km from Galashiels, and well more than half way through our ride. The weather seemed to change from then on as well, with it becoming sunnier and also, the snow on the hills above the town had all but melted away, leaving just patches of white mixed with the green grass; Quite lovely contrasts, made even better by the like of the late afternoon sun as we descended the last of the hills into Selkirk.

As a note, and I didn’t realise at the time, Selkirk is the home of Mungo Park, one of my favorite explorers, the subject of a book I mentioned in a previous post called Water Music. There is a monument to him in the town, though I didn’t know this until Strachan, our host (along with his girl friend Alex)  for the night. I will talk more about them in my next post, though as with everybody we stayed with through Warm Showers, it was meeting them and getting to know them – just a shame we didn’t have more time!