Newtonmore: 111km pedalando contra todos os desafios!

Posted: February 22, 2013 by Natália Almeida in Cycling, Português, Training
Tags: , , , , , , , , ,
Natalia with Brian

Natalia with Brian

Brian demonstrou vontade em pedalar conosco na noite anterior mas o nosso horário de saída era um pouco cedo para ele então ele não garantiu que iria nos acompanhar por parte do trajeto. Na manhã seguinte fiquei um tanto contente ao ouvir os passos dele pelo corredor. Sem muita correria pegamos nossas coisas, e descemos para encontra-lo na cozinha, chegando lá mesa posta com torradas de bagel manteiga e mel e chá preto. Pra variar acordamos com tanta fome que parece que não comíamos a dias, e mesmo depois de um jantar farto como o da noite anterior o nosso corpo parece não parar de pedir mais e mais comida. Então sem cerimônia comemos cada um dois bagel e tomamos chá. Brian queria que experimentássemos no pedal umas barras de cereais que ele normalmente come e guardamos na mochila pra mais tarde. Ele não gostava da ideia de pedalarmos pela A9 então resolveu nos levar até a entrada da ciclovia que nos levaria até PitLochry.

A estrada pequena, sinuosa e belíssima era ladeada por árvores e era possível ver grupos grandes de veados correndo por entre elas. Achei graça mais uma vez em ver os cavalos vestidos com roupas enquanto pastavam nas muitas pequenas fazendas que passávamos . Outra coisa curiosa foi reparar o medo que as ovelhas parecem ter dos ciclistas, nos olham intrigadas e quando nos aproximávamos corriam para longe, os carros muito mais barulhentos não as repelem como nós, os cavalos não nos dão a menor bola e já os veados sempre param para nos olhar de longe. Seria interessante entender o que cada um dos animais pensam de nós!

As subidas no trajeto variam de graduação e distância, mas toda a beleza a nossa volta tirava um pouco do peso do esforço, na verdade algo que nos fazia pedalar um pouco devagar ajudava para admirar a nossa volta. As descidas sempre cheias de curvas não nos permitem abusar, o Ben chegou a uma máxima de 41km/h e eu não devo ter ficado muito atrás.

Nosso parceiro do dia ia sempre apontado as belezas e falando sobre o que gosta ou desgosta. Os poucos carros que apareciam ele cumprimentava, e os que vinham de nossas costas ele sinalizava se podiam ou não nos ultrapassar, uma relação ciclista e motoristas tão admirável e respeitosa que vi como o que eu penso está certo. Ao pedalar nas estradas toda a relação deve ser mútua, nós ciclistas temos que zelar pela segurança dos motoristas e respeitá-los e ter o mesmo em retorno. Às vezes acho que o problema está nesse eterno julgamento de quem é melhor aquele que dirige ou aquele que pedala, sendo que seria muito melhor e simples lutar por uma coexistência saudável. O Ben pode ver o que eu sempre venho falando, e acredito que aprendeu um pouco em como ser mais amigo de quem dirige.

Paramos em Dunkeld para usar o banheiro e comer. Daqui para frente teríamos a companhia de Brian por pouco tempo. Descemos um longa ladeira que terminava na A9, ele nos deixou na entrada da ciclovia que seguia lado a lado a rodovia. Nos desejou sorte, e disse que iria ficar torcendo por nós. Mais uma despedida, mas agora provavelmente a última de um anfitrião nessa jornada. Seguimos pedalando, a ciclovia não era das melhores mas também não era das piores, algumas poças de água mas sem sinal de icy, e algumas horas a ciclovia desviava para uma estrada mais afastada, mas por pouco tempo. De repente, a ciclovia acabou e nos deixa numa rua, seguindo a rua ela não tinha saída e nos vemos tentando entender pra que lado vamos, mas nada parece ser a continuação da rota. Confusos e tentando entender, chegamos a pensar em seguir pela A9, mas olhada a estrada daqui entendemos a preocupação em ir por ela – os carros passam em alta velocidade numa pista única e sem acostamento o que não nos deixa tão confortável de pega-la. Perguntamos no posto e no correio, e descobrimos que a rota dá uma pequena volta, que para seguir na ciclorota devemos seguir a estrada que sobe o morro e depois seguir as placas. A subida é constante e um tanto íngreme e vamos um tanto inseguros se estamos indo no caminho certo. Lá em cima as placas sinalizão pedem para virarmos cada hora para um lado e aí já não sei mais se estamos indo para o lado certo, ainda bem que temos o GPS e o Ben pode checar.

The route from Blairgowrie to Newtonmore

The route from Blairgowrie to Newtonmore

Nessa estrada só fazendas, pra qualquer lado que se olhava, no fim algumas casas e uma descida íngreme, longa, sinuosa e com um pavimento péssimo, no fim avistamos de novo a rodovia e a ciclovia na lateral. Seguimos por essa rota que parecia gostar de sair de perto da rodovia e dar voltas por trás dos vilarejos. A bicicleta do Ben começou a fazer um barulho a princípio achamos que era algo que poderia esperar até John O´Groats mas foi piorando durante todo o pedal, e a rota de hoje cheia de estradas sujas e sem cidades com estrutura por perto começou a nos deixar mais e mais apreensivos. Fui pedalando atrás tentando identificar da onde vinha o barulho, fui reparando que fazia somente quando o Ben pedalava e durante as subidas diminuía. Paramos diversas vezes para checar os racks, os raios e tudo mais que poderia ser, o Ben começou a achar que o problema era com as ball bearings. O jeito foi pedalar e torcer para checarmos em PitLochry rápido já que esse era o lugar mais próximos que tínhamos certeza de ter uma bicicletaria, e para nossa sorte chegamos depois de uns 40 minutos e a loja ficava bem na entrada da cidade.

Os donos da loja foram super atenciosos, enquanto arrumavam a bike, fomos a um restaurante comer e nos aquecer um pouco. Quando voltamos, a bike estava arrumada e o problema era exatamente o que o Ben imaginou. Eles nos convidaram para um café e conversamos sobre essa aventura. Eles não podiam acreditar na nossa escolha de época para fazer a LEJOG. Curiosos nos perguntavam qual seria o planejamento do dia. Falamos que iriamos até Newtonmore pela A9, e pude ver a cara de terror que eles fizeram. Disseram que o tempo muda muito rápido na região e que não chegaríamos lá já escuro e que a A9 era perigosa demais para irmos por ela. Começaram a nos dar telefone de hotéis em cidades mais próximas e nos pedir para seguirmos a rota de bicicleta que é um pouco mais longa mas mais segura. Aceitamos a sugestão na rota mas quanto até onde pedalarmos não tínhamos muito espaço no nosso planejamento para não cumprir a meta do dia. Estavamos confiantes que poderíamos apertar o ritmo mas se soubéssemos que nesse dia ainda iríamos encontrar neve e icy pelo caminho talvez tívessemos repensado no tempo, mas esses desafios eu deixo pra contar amanhã!

 

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s