Archive for the ‘Environment’ Category

Galapagos - SantaFe001

The wildlife on the different islands of the Galapagos is fascinating and abundant, with each island having their own unique environments. The Land Iguana of Santa Fe island will be found nowhere else.

Pra quem quer suar a camisa

Posted: April 11, 2013 by Natália Almeida in Climbing, Cycling, Environment
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Olá Galera !!!
Que tal um  final de semana recheado de aventuras, esporte e um pouco do sossego do interior Paulista?
Pra quem curte Escalada, mountain bike e quer sentir a adrenalina subir numa mega tirolessa fica a dica do passeio oferecido pela Kaiporahsaida-Pedrabela-tiro-bike:
Dia 27 e 28/04 – Pedra Bela – SP
ESCALADA EM ROCHA – MOUNTAIN BIKE – MEGA TIROLESA
Sábado – 8h – Mega Tirolesa – 1.9km de distância cortando os vales da cidade …
               14h – Trilha de mountain bike – 35 km com altimetria intermediária em um cenário lindo com acesso a cachoeira (onde pararemos para um lanche).
Domingo – 9h – Escalada em rocha – 6 horas de atividades para totais iniciantes…
Incluso – Hospedagem em pousada com café da manhã.
               Para a trilha de mountain bike, carro de apoio com hidratação e alimentação.
               Lanches e equipamentos para escalada.
               Seguro.
Aos interessados, entre em contato com o pessoal da Kaiporah www.kaiporah.eco.br.

Conflitos e confissões sobre São Paulo

Posted: March 18, 2013 by Natália Almeida in Cycling, Environment

Sao Paulo

Estar em São Paulo nem sempre é fácil. A relação com a cidade é como uma montanha russa sem fim. Num mesmo dia consigo sentir tantas coisas, pensar tantas coisas, querer tantas outras… Minhas raízes já não estão nessa terra há tempos, e a cada hora questiono minhas razões de ainda estar aqui.

Sao Paulo trafficA cidade pede tanto de mim: tempo, paciência, compreensão e às vezes ignorância. E o que me dá de volta?
Me dá trabalho, me dá opções e me cansa.
Olhando para trás consigo ver uma Natália apaixonada por essa metrópole, que ia a cinemas, festivais, parques e teatros. Que caminhava pelas ruas de Perdizes, Pompeia,  Vila Madalena e Bela Vista sem rumo, e com alguns amigos. Que ria a toa e só conseguia ver coisas boas.
Mas tudo muda tão rápido, né?
E a cidade não é a mesma de 13 anos atrás, hoje o trânsito não tem horário, o metro é lotado sempre, e a segurança nas ruas piorou e muito.
Fico pensando que não deve ser fácil para os que tem 15 ano hoje.
A cidade até que tenta criar opções ao ar livre, e hoje em dia que ando de bicicleta me vejo querendo mais, mais e mais. E não sou só eu não, muito gente quer. O número de pessoas pedalando, patinando e andando de skate nas ruas aumentou, mas junto com isso o número de acidentes em uma cidade nada preparada para os esportistas outdoor. As pessoas saem de casa com seus transportes em busca de vida mais livre e independente. Porém o investimento para que essa vida saudável e relax é pouco, e espero que isso melhore. Quem sabe com mais segurança para pedalar para o trabalho, para as visitas a amigos e familia, para relaxar e com menos carros, eu volte a ter aquele amor que tinha por essa minha cidade ainda querida mas um tanto ingrata!
Lancashire, this is Lancashire

Lancashire, this is Lancashire

Nada como acordar de manhã com uma criança feliz, saltitante e cheia de energia pula e se revira pela sala. Como pode ficar com preguiça ou desanimado assim. Acho que naquela manhã Theo foi realmente inspirador. Se ele tão pequeno podia estar tão animado com o seu dia como nós não poderíamos?

Além do mais a certeza de que teríamos um dia de descanso em família no dia seguinte era mais que motivador, eu diria libertador.

The route

The route

Mas todo esse clima exaltado de um dia de pedal foi se minando um pouco, logo na saída da garagem reparo que o meu pneu da frente estava furado. Em~tao antes mesmo de começar tivemos que trocar a câmara, e como eu já estava carregando um pneu Schwalbe Marathon na bagagem aproveitei para trocar. O Paulo e toda a sua experiência em troca de pneus da speedy foram de suma importância, ele trocou super rápido o que evitou um stress.

O caminho escolhido pelo Ben para sair de Manchester foi por dentro do parque Kenworthy Wood o que nos tirou de todo o trânsito matinal, e nos levou a lindas trilhas ao lado do rio e com muita lama. O triste disso foi que nos rendeu mais um pneu furado agora da bike do Paulo. Assim o dia foi começando a parecer que ia ser um daqueles cheio de problemas, e quando ainda se pensa que seriam quase 100km de uma rota um tanto montanhosa e passando por dentro de cidades como Bolton e Blackburn, toda aquele clima animado vai se minando. E assim foi alguns quilômetros a frente o rack traseiro do Paulo também soltou e eu que trouxe parafusos de todos os tipos que por um tempo achei que de nada ia servir, na realidade salvou o dia.

With MattMesmo com todos os infortúnios íamos mantendo um ritmo bom, nas cidades maiores e com o trânsito acabávamos perdendo um tempo maior, mas acabamos pegando uma estrada menor e aí tentamos compensar, mesmo assim a noite começou a cair e a estrada pequena começou a não parecer mais uma boa opção e aí o jeito foi pegar A6, e dividir a pista com os carros que passavam rápido mas sempre nos dando bastante espaço ao nos ultrapassar.

Chegamos em Lancaster, mais especificamente a casa de Franklin (irmão do Ben) mais ou menos às 18h30. Lá comemos todo o pão e bebemos chá e mais chá. Nada como estar em família, comer, comer e comer sem culpa. O único problema aqui foi para subir os 3 lances de escada até o quarto mas depois de descansar na sala conseguimos. O dia seguinte seria o primeiro de descanso, mais que merecido depois de 8 dias consecutivos de muitos km, muitas subidas, e muitas horas em cima da bicicleta. Aqui além de marcar como nosso primeiro descanso também é o meio do caminho ao pensar em trajeto percorrido (750km).

Posso garantir que a essa altura a sensação em nossa cabeça era de vencedores!!!

Jodrell Bank

Jodrell Bank

Acordar de manhã e ouvir pela janela o barulho do vento e da chuva forte pela janela é um tanto desanimador. Mas nossa intenção com essa expedição-treino sempre foi nos desafiar mais e mais e toda essa mudança climática e todos os desafios impostos pelo tempo e pela natureza sempre foram a grande questão. Então 6h30 sem choro e nem vela acordamos nos arrumamos e descemos para chá e torradas com geleia. É estranho acordar de manhã e se servir e ficar andando por uma casa que não é sua e os donos ainda estarem dormindo, mas a essa altura já estamos quase acostumados. Jon uma hora veio nos ajudar a tirar as bikes e conversar um pouco, e nesse meio tempo a chuva já não estava tão ruim.

Resting by the Canal

Resting by the Canal

Na verdade o passar do dia foi bom porque o vento e a chuva foram desaparecendo a cada quilômetro percorrido. Seria um dia bem longo (104km), mas a altimetria era ótima com pouquíssimas subidas. A estrada bem pequena e passava por dentro de pequenos vilarejos e fazendas era um deleite aos olhos. Paramos um pouco em Audlem onde aproveitamos um pouquinho, e depois seguimos em frente. Passamos pelo Jodrell Bank, um super radiotelescopio, que o Ben tinha ido com o pai quando era bem mais novo. Um tanto interessante ver algo tão tecnológico e moderno no meio de plantações e fazendas antigas.
Me fez lembrar de um dos filmes do 007, mas o Bem me disse que não é o mesmo lugar, e que de fato o do 007 nem existe.
Foi um dia de calmo proveitoso, sem ventos e com um solzinho no fundo que dava um ânimo para continuar pedalando. Levamos um pouco mais de 6 horas pedalando, mas com as paradas viraram 9, e ainda paramos bastante tempo no centro de Wilmslow para um café e papear já que os anfitriões da noite só chegavam em casa mais tarde.
Ao chegar em Heald Green fomos recebidos por Becky, Matt e o pequeno Theo, uma família jovem mas cheia de aventuras. Eles largaram o trabalho e percorrem de bike com o pequeno theo de dois anos na época num trailer percorram 4 mil milhas pelo Canadá e Estados Unidos. Um tanto corajoso e inspirador quando você pensa que uma criança dessa idade precisa de atenção. Com eles trocamos diversos conselhos, risadas e comemos um chilli com arroz, que confesso me fez muito feliz, depois de tanta batata eu realmente estava com saudades do arroz.
Como o dia seguinte prometia ser longo e bem montanhoso eu abandonei o bate-papo e fui para cama cedo.

On the start line... 1,500km to go..!

On the start line… 1,500km to go..!

O dia antes do começo do pedal foi tranquilo. Passeamos e conhecemos um pouco de Lands End. O dia estava bonito sem chuva e vento. Um tanto animador para o dia seguinte. Pena que o inverno nessa ilha é impossível de prever. E para tornar o nosso primeiro dia de pedal ainda mais desafiador acordamos cedo com o barulho dos ventos e da chuva, Nos atrasamos arrumando as coisas e tentando dar uma arrumada nas bikes. Anotamos o endereço da bicicletaria mais perto e saímos. O caminho até Penzance foi tranquilo. E a bicicletaria já ficava no nosso caminho. Lá arrumamos o câmbio do Ben e meus freios. Não demorou muito e pegamos a estrada A30. A estrada é bem movimentada mas achei bem tranquilo de andar por ali, sem muitas vistas e paisagens mas muito muitos carros. A chuva forte também não ajudou. Cheia de subidas e descidas longas e com um acostamento estreito não me sentia confortável em usar os pés clipados, o problema era que o pedal estreito escorregava toda hora. E os ventos nas costas ajudava nas subidas mas quando resolviam mudar de direção e bater na lateral dava uma certa sensação de instabilidade. Cada novidade que a natureza adicionava para esse dia exigia uma adaptação e me ensinava como manter o controle da bike que às vezes parecia estar viva.

Rota dia 1Entramos na cidade Redruth para comer e acabamos almoçando em um restaurante português, foi bom ler e falar português de novo. A comida bem gostosa e a dona do restaurante simpatia pura. Depois de 1h30 para comer seguimos viagem, estávamos na metade do caminho mas a luz duraria mais algumas poucas horas. O tempo continuava ruim ou ainda pior do que quando começamos.

Os ventos loucos atrapalhavam ainda mais nas descidas porque o atrito da bicicleta com o solo já estava diminuída e a pista molhada também não ajudava em nada, qualquer vento lateral me deixava muito insegura, então tentei controlar a velocidade nas descidas.

A chuva ia consumindo aos poucos, apesar de não sentir frio em nenhum momento, o que cansava mesmo era a água batendo na cara e com o passar do dia foi ficando escuro e pra mim era bem difícil de enxergar então eu precisava forçar mais a vista para ver e diminuir o passo.

Ficar mais lenta era ruim também porque eu acabava ficando bem mais atrás do Paulo e do Ben o que não ajudava para os carros me enxergarem e me estressava bastante porque meu medo era deles virarem em algum lugar e eu não ver.

Assim quando encontrei com eles parados embaixo da ponte me esperando pedi para pelo menos um ficar mais no meu ritmo porque me ajudaria a ver melhor a estrada – seria mais lanternas iluminando o caminho.

Dali em diante seguimos mais próximos. Depois de 8 horas pedalando os 3 já estavam bem cansados, mas finalmente vimos a entrada de Bodmin. Entramos e dali a casa do Jacob (nosso anfitrião da noite) deveria ser simples mas a estradinha que levava até a casa dele era cheia de subidas, lama e bem estreita. A noite estava extremamente escura e durante essa pedalada de poucos quilômetros mas de muitos sobes e desces eu podia ouvir meu freio fazer um barulho metálicos. Nas descidas fui controlando a velocidade com o pé no chão já que meu freio traseiro havia terminado. Na ultima subida eu já estava começando a pensar se a casa desse garoto existia, mas pude ver o Ben conversando com Jake. Chegamos! UFA!

A noite foi de tortas de legumes, papo e chá. A família era muito calorosa e receptiva. Conversamos por horas, eles colocaram nossas roupas na secadora, tomamos banho e deitamos para dormir em volta da lareira. Eu capotei, o Paulo apagou e o Bem ainda ficou um pouco escrevendo post e checando a rota do dia seguinte.

Primeiro dia foi duro e o seguinte recheado de novas sensações, mas isso eu deixo para o próximo post!

A neve cai que cai em Londres!!!

A neve cai que cai em Londres!!!


O clima confuso e instável que anda fazendo em São Paulo vai nos acompanhar até o fim de nossa jornada pelas terras britânicas. O tempo que se mantinha bom das últimas semanas começou a mudar e a temperatura promete cair. Com isso nossos desafios aumentam: mais chuva, vento e quem sabe neve.

The Guardian

The Guardian

Planejar essa viagem não foi fácil justamente por isso, o inverno na terra da Rainha sempre prometeu ser bem complicado de lidar e pra ser sincera, isso foi determinante na escolha entre LEJOG e a rota entre Buenos Aires e Santiago do Chile. As condições climáticas que iremos enfrentar agora vai nos ajudar a administrar melhor os trechos como Himalaias, norte do Canadá, Rússia e diversos outros lugares que terão condições muito próximas.

DIVISÅO MERIDIONAL

DIVISÅO MERIDIONAL

Por mais que o nosso treino aqui no Brasil se intensifique a cada dia, existem experiências que não conseguimos explorar do lado de cá do meridiano, assim o foco de cada viagem-treino é explorar esses aspectos.
Se manter informado é imprescíndivel para esse ciclotour, e hoje lendo o Guardian encontrei uma matéria muito interessante sobre os cuidados para os próximos dias na Grã-Bretanha:
“O escritório de Meteorologia deu alerta sinal amarelo (esteja atento) nas áreas leste, oeste e extremo norte da Inglaterra.
A neve caiu mais forte em partes de Lincolnshire e Cambredgeshire, onde alcançou 5 cm mas isso é somente metade do montante estimado pelos especialistas. Em outras áreas, incluindo Yorkshire, onde o aeroporto Leeds Bradford esteve em aviso de possível fechamento mas até o meio-dia os serviços de voo acabaram não sendo afetados.
A agência responsável pelas estradas recomenda aos usuários que irão cruzar o país, sempre checar as condições climáticas e das estradas.” ( CLIQUE AQUI para ler na integra)

São notícias assim que devemos estar atentos se não quisermos surpresas no meio de nossa jornada. Cada noite será cheia de ocupações e preparos para a manhã seguinte. E esses preparos já começaram faz tempo, mas isso eu deixo para o próximo post.

Adaptação é como defino esses últimos tempos.

Os dias de agora são corridos, tenho que administrar uma rotina que inclua treinos, alimentação saudável e 16 horas de trabalho por dia. Essa maratona diária não me dá folgas nem aos finais de semana que são ocupados um dia com trabalho e outro com pedaladas longas de mais de 100km. E apesar de serem rotas já conhecidas ganham desafios novos como alforjes a cada viagem mais pesados e sapatilhas de clipe.

Tanto um quanto o outro eu estou em fase de adaptação, arrumar os alforjes não é tão simples e tentar equilibrar o peso dos dois lados tem se mostrado uma arte, já os pedais são um teste de sobrevivência e posso dizer que quase reprovei logo na primeira prova. E se eu não passasse, talvez não poderia estar escrevendo esse post agora.

Semana passada fomos a Itu, na Estrada de Romeiros sem acostamento e cheia de subidas, o meu primeiro dia oficial com os pedais foi no modo “Hard”. Até que estava indo bem apesar de nas primeiras subidas não confiar tanto de ir com os dois pés presos, com o passar dos km fui ganhando confiança e me atrevendo cada vez mais a testar os limites, até que numa das subidas antes de Pirapora perdi o controle da minha respiração e resolvi parar. Com os dois pés clipados me concentrei para tirar um dos pés e quando consegui pensei em pedalar mais um pouco para tirar o outro, na hora que consegui tirar o segundo pé e fui descer da bike para o lado esquerdo, o meu pé de apoio clipou novamente e caí no meio da estrada, tentei não me desesperar e tentei levantar a bike que ainda presa ao meu pé levantou mas caiu novamente. Imagine, eu caída no meio de uma estrada de duas mãos com uma faixa para cada sentido sem acostamento e com um caminhão vindo em minha direção. Sim fiquei com medo. Sim queria gritar. Mas me desesperar naquele momento era o mesmo que desistir e então vi que minha única saída era chutar a bike com força para o gramado e ir me arrastando para fora da pista. Até que consegui ir mais pro canto mas mesmo assim o caminhão teve que invadir a outra pista para desviar de mim. Depois desse susto levantei, bebi água e encarei a subida novamente.

Quando fiz a última curva vejo o Ben me esperando e ali me bateu um desespero e comecei a chorar imaginando tudo o que poderia ter sido. Ele vendo meu estado volta em minha direção e pergunta o que aconteceu. Ele me acalma e seguimos viagem. A cada subida vejo meu corpo surtar e minha respiração acelerar junto com meu coração. Essas eram as sequelas do trauma anterior. Mesmo sem clipar ou clipando somente um dos pés meu corpo e minha cabeça tremiam de medo a cada lembrança do que havia passado. O tempo todo fui tentando lidar com esse medo e sabia que se desistisse da sapatilha ali seria ainda mais difícil encará-la depois, por isso fui respeitando meu medo e forçando meus limites aos poucos.

Ao chegar em Pirapora encontrei com o caminhão parado e descarregando em uma casa, parei e conversei com o motorista que me disse algo que me fez lhe ser muito agradecida:”Não parei porque ali com curvas e sem acostamento seria muito perigoso e também não buzinei com medo de te assutar, pensei que seria pior”, eu sorri e agradeci dizendo que se tivesse buzinado eu provavelmente teria desistido e o som da sua buzina iria me parecer o som da morte. Ele riu de leve e disse para eu tomar mais cuidado.

E certamente eu tomei muito mais dali em diante. Conseguimos chegar em Itu, mas não no tempo normal. 

Já nesse final de semana os desafios foram os mesmos pés clipados e bikes pesadas mas o destino mudou: Atibaia. Pra contribuir ainda mais para o treino pegamos chuva em quase toda a segunda metade do trajeto, e encarei quase toda a viagem com os pés atados aos pedais. O peso do trauma ainda existia mas bem mais controlado. Encarei subidas e mantive meu ritmo. Fui super bem apesar da minha bicicleta parecer estar na marcha pesada mesmo quando estava na 1/1. Encarei subidas intermináveis e outras que eram bem mais leves do que a minha lembrança guardava, mesmo assim um dia intenso.

No fim da viagem estava me sentindo super feliz e realizada por ter encarado mais de 100km e ainda estar me sentindo disposta, e o melhor, sem problemas com os pedais. Mas nunca se sabe o que pode acontecer porque a viagem só acaba, quando acaba e faltar 3 km não é sinônimo de trajeto cumprido. E foi exatamente faltando isso que a minha corrente travou e tentei evitar o que descobri ser inevitável para quem tem pés clipados e está numa subida: a queda.

Caí mas dessa vez escolhi o lado certo mas com a queda minha calça rasgou e tive que encarar o resto do pedal com metade da bunda de fora. Ainda bem quer era pouco!

O resultados dessas duas semanas: pés calejados e com unhas escuras, bunda e braços com hematomas, menos uma calça para Inglaterra, uns arranhões na bike, mas mesmo assim o saldo é positivo porque as pernas se mostraram capazes de carregar mais do que eu imaginava, estou mais confiante em relação as sapatilhas com clipe, sem falar que meu auto-controle está melhorando e assim consigo resolver melhor os problemas.

A cada dia que passa mais perto estamos de sair de São Paulo rumo a Grã Bretanha e essa viagem vem cheia de expectativas e pressões. Enfrentar o inverno britânico em cima de uma bicicleta não será nada fácil, a mudança constante do tempo sempre foi algo famoso na na Escócia e o que mais me preocupa são os ventos e o terreno com icy. Mas essa preocupação é pequena em comparação a ansiedade que tenho para cair numa viagem de descobertas, a cada dia algo novo, um desafio, uma surpresa. A cada dia pedalar numa estrada prestando atenção a sua volta, aos ambientes e paisagens, aos terrenos e árvores, ao céu e ao horizonte. O verde inglês certamente estará presente com suas relvas e gramados, as montanhas e morros escocês vão modificar a paisagem a cada metro e o frio espero que seja um parceiro acolhedor de nossos dias.

As descobertas de um lugar, de uma cultura, de um país começam muito antes de se fazer a viagem efetivamente, começa nas pesquisas por rotas, por hospedagem, por opções de paradas… As descobertas se fazem por uma busca de imagens, por um texto lido na internet, por vídeos de aventura ou docs sobre o destino. Pelo menos assim começam as minhas, e é delicioso me ver aprendendo e estudando como se fosse semana de prova, estudando minha matéria predileta, conhecendo lugares, animais e objetos que diferentes da época da escola agora são palpáveis. Ler uma história curiosa ou até mesmo fantástica e descobrir que é verdade, é algo indescritível e que fixa em nossas cabeças. Tenho certeza que nesse 1 mês fora, e nesses +20 dias que estaremos em busca de fronteiras mentais, desafiando nosso corpo e convivendo arduamente as descobertas serão muito maior e pessoal do que essas que faço agora, sei também que o se conhecer no dia-a-dia vai nos exigir muita paciência, compreensão, civilidade, companheirismo e respeito. E toda essa cobrança pessoal que cada um carrega que para mim é algo simples e corriqueiro, uma cobrança que todos deviam carregar no dia-a-dia mas que a sociedade de hoje não se cobra mais porque deixamos em pensar em comunidade e pensar num individual a muito tempo e as cobranças pessoais de cada um se transformaram em ambições e competições. Não que esse tipo de postura seja errada, mas nesse tipo de viagem e projeto se adotarmos uma postura dessas ou nos dividimos ou nos matamos no meio do caminho.

Ainda com todas essas expectativas e pensamentos não posso prever as surpresas de cada um, certamente teremos uma visão divergente em certos pontos e a nossa percepção de cada coisa pode sim convergir ou divergir. Hoje o que vejo em cada um de nós é uma sede de conhecer e conseguir, o que vejo são medos diferentes, são  ideias que se somam e um destino: Orkney Island na Escócia. Para mim um ótimo lugar para se terminar por suas belezas, para o Ben um re-encontro com sua infância, já para o Paulo não sei bem dizer e não quero colocar palavras em sua boca.

Mas para você que lê esse post e que seja bem possível nunca ter ouvido falar deixo fotos, porque vale mais a pena mostrar do que falar:

Horto – O Começo desse desafio!

Quando o André Bicicreteiro propôs uma ida a Atibaia passando pela Serra da Cantareira eu fiquei um tanto receosa. Desde pequena subo e desço a serra de carro e a estrada da Roseira não é o lugar mais seguro pra pedalar. Com certeza seria um desafio e tanto subi-la já que de carro já é bem difícil.

Secretamente travei uma batalha interna contra o medo. E com o passar dos dias fui me acostumando com a ideia, mas para a minha surpresa, quando é disponibilizado o trajeto vejo que não passamos pela Roseira mas seguimos pela Estrada da Santa Inês que tem menos movimento de carros mas ainda sim com subidas e descidas constantes esse ainda assim era um desafio.

No sábado saímos cedo de casa e partimos para a Paulista, o encontro foi ali na Praça do Ciclista  às 7am mas saímos de lá um pouco depois das 8am.

Andar em São Paulo pela manhã foi bem fácil e chegamos rápido na Santa Inês. Logo no começo já subimos uma ladeira longa, mas como não era tão íngreme a dificuldade foi menor.

Estrada Sinuosa

Seguimos em frente e encontramos eles mais a frente sentados num gramado papeando e descansando.

A estrada é muito bonita, natureza em todos os lugares e por ser sinuosa fica cheia de surpresas, com paisagens escondidas a cada curva. A estrada do Rio Acima surpreende com o rio ao lado, nesse trecho a dificuldade é o vento contra, mas nada demais eu diria. Mantendo um ritmo bom chegamos no centro de Mairiporã cedo e paramos para almoçar. Aproveitei pra ligar para o meu pai e convidá-lo a se juntar. Ele chegou e foi bom ver que agora posso ir visitá-lo de bike.

Por pedalar de mochila a essa altura meu pescoço doía muito e pedi para a Regina, minha madrasta, passar pelo restaurante e colocar minha coluna no lugar. Nada como ter parente fisioterapeuta e quiroprata.

Todos alimentados e descansados hora de continuar. Daqui seguimos viagem pela estrada das 7 Quedas, e mais uma surpresa agradável. Essa estrada é pequena e um tanto intocável. Linda demais. Me impressiono sempre como pode lugares tão bonitos estarem tão perto e eu nunca ter passado por eles. São lugares e momentos assim que me deixam cheia de expectativa para o próximo pedal.

Para uns almoço, para outros cochilos!

Diferente das estradas pequenas, as grandes rodovias já não nos permitem relaxar e aproveitar a paisagem e na Dom Pedro não foi diferente. Cheia de carros e caminhões, o barulho é constante e ficamos sempre em estado de alerta. Aqui o sol estava se pondo e isso dava uma certa graça a rodovia.

Depois de um dia de sol e de muita pedalada chegamos cansados a Atibaia, mas ao perguntar como chegar a rodoviária vemos que ainda temos mais uma subida só que para piorar de paralelepípedos. Com a bunda doendo o treme-treme dessa parte foi um tanto torturador mas ao descer da bike somos tomados por um sentimento de conquista e de vitória. Felizes e satisfeitos com mais essa ladeira, com mais essas estradas e com mais essa ciclo-viagem.

Quilômetros Finais!

Essa semana seguimos decidindo o que fazer, semana passada fomos novamente para Itu mas essa história fica para o próximo post.

Bom final de semana e vê se pedala ou simplesmente passeia no parque. 

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A primeira rocha você nunca esquece em Pedra Bela, SP

Aproveitando o tema tempo do post passado, hoje queria falar na velocidade que as coisas acontecem e em como a vida parece a cada dia estar pisando mais forte no acelerador.

Eu me dei conta disso na segunda (17-09), eu e o Ben completamos 1 ano de casamento e nesse 1 ano nossa vida realmente mudou. Não pelo casamento eu digo isso. Acho que essa foi a menor das mudanças, a não ser pelos presentes que ganhamos. Mas  digo porque a mais ou menos 365 dias atrás toda essa ideia do 360 extremes começou a surgir.

Digo que o tempo passou rápido mas não que foi rápido demais, não mesmo. Olhando para atrás vejo o quanto fiz, aprendi, vi e criei nesse tempo. E olhando para frente meus olhos se enchem de lágrimas com tantas possibilidades e coisas que me aguardam. Eu encho a boca pra dizer que eu sim tenho um Mundo de possibilidades a frente. E repito que isso me emociona sim.

Tantos sonhos e conquistas que duas palavras fizeram entrar na minha vida, um mundo que há um ano atrás se o Ben não tivesse dado assas a sua imaginação ou se eu as tivesse cortado não existiriam hoje.

Depois da rocha hora de ver o pôr do sol em Salesópolis, SPHoje vejo que essas duas palavrinha (360 Extremes) nasceram de uma vontade latente em nossos corações e pensamentos. Uma vontade simples e um tanto primitiva, algo que talvez esteja presente em você ou que pelo menos você reconheça da sua época de criança. A vontade de sonhar e acreditar. Acreditar que as aventuras realmente acontecem fora dos filmes, que o mundo sim é nosso quintal e que tudo é possível se você realmente quiser.

Nesse tempo conheci um mundo novo, esse meu mundo de hoje que me encanta a cada dia e que me ensina. Treinos intensos que me introduziram a escalada, a pedalada, ao trekking. Que me levou a montanhas frias, altas e de uma beleza inimaginável; a estradas com curvas, a beira de rios e que aproveitei e suei cada quilômetro e que ao chegar onde queria me senti realizada de enxergar que sobre duas rodas cheguei inteira onde eu quis; ralei a mão, cunhei calos e levei minha cabeça a uma pressão em rochas porosas, abrasivas e de baixo de um sol escaldante tudo isso por um cume.

Conquistando um cume em Pedra Bela, SP

Aprendi tanto sobre mim, sobre meu corpo, sobre minha mente. Vi que sou fruto das atividades que incluo ou excluo do meu dia, sou feita do que como e sim  meu corpo é 70% composto de água e por isso hoje bebo bastante água para não viver uma vida desidratada.  Sou menos ansiosa e mais calma, o sorriso que sempre foi presente no meu rosto hoje se faz impossível de se desfazer, o estresse não me acomete e dos meus finais de semanas antigos só sinto falta da presença de meus amigos e familiares. A vida hoje é corrida sim, muito trabalho na semana e pedaladas longas nos finais de semana. Achar um tempo para as pessoas que amo é complicado, mas hoje sei que todos que me acompanham sentem falta assim como eu, mas me apoiam e me admiram.Conhecendo um Glaciar em Jasper, Canadá

Admiram uma coragem que levei tempo em crer e enxergar, mas que hoje depois de todo esse tempo vejo. Treinar, se comprometer e viver algo que está te levando a largar toda uma vida aqui em busca de um sonho que deve durar mais de 3 anos exige coragem, a incerteza a frente dá medo às vezes, mas o medo não consegue tirar da minha cabeça o querer de viver isso até o fim.

Mesmo o fim sendo o começo ( São Paulo – São Paulo), mas anos depois a cidade que eu devo deixar não será a mesma que eu encontrarei e essa ideia só torna tudo ainda mais interessante.

Sonhos existem e acreditar neles é o primeiro passo para que eles aconteçam, fica a dica.

A cada semana um novo desafio. No último domingo as dificuldades foram além das subidas e descidas. Para o desafio do Solo Sagrado virar o do Rio Grande da Serra você teria que multiplicar as ladeiras por 30, as avenidas com alto fluxo de ônibus por 10 e ainda por cima adicionar muita estrada de terra e pedra solta. Em contra partida as paisagens eram lindas e a Ilha do Bororé surpreendente.

Como sempre a saída estava marcada na estação Vila Olímpia só que dessa vez às 7h30. Acordar cedo é sempre o problema ainda mais depois de uma semana puxada. Fomos pedalando até a estação e no caminho paramos numa padaria para comer um bauru e beber um suco de laranja.
A pedalada para a estação não tem mais nenhum segredo e levamos 20 minutos, chegamos lá no horário exato e já tinha uma galera reunida. Todo mundo se preparando e papeando.

Encontro na CicloviaEncontramos o Paulo, e estávamos os 3 super empolgados com o trajeto e também por essa primeira experiência em equipe. De início seguimos juntos, na frente, pedalando e papeando e mantendo o mesmo ritmo. Na ciclovia fomos rápidos, ali eu me sinto segura pra ir numa velocidade maior, e o cheiro é um incentivo para sair logo dali.
Ao fim da ciclovia já enfrentamos uma subidinha cabrera no Grajaú. Eu infelizmente não consegui terminar em cima da bike mas foi por muito pouco. Não demorou muito chegaram outras subidas e descidas no bairro e o caminho até a balsa já foi bem cansativo. As subidas depois foram ficando fáceis e as descidas tensas, ainda mais com tanta lotação. As lotações se mostraram menos cuidadosas com os ciclista, num certo momento uma quase me derruba a sorte foi um carro estacionado onde pude me apoiar. Xinguei e gritei horrores, o motorista que ainda estava no carro me olhou assustado com a minha reação e só tive tempo de me desculpar e seguir pedalando. Porém aqui optei em ir pela calçada bem devagar.

Pegamos a primeira balsa e todos continuavam empolgados, deu pra notar que algumas pessoas já haviam desistido, mas o começo realmente não havia sido fácil. Do outro lado do rio uma nova paisagem, um novo clima e até parecia um novo ar. A mata atlântica por toda Igreja na Ilha do Bororeparte e a cidadela um verdadeiro encanto, uma igrejinha antiga onde estava tendo uma missa, gente sentada na rede e uma calmaria. Parecia que estávamos a quilômetros de distância da capital e pelo contrário ainda estávamos nela.

O charme da ilha nos distraia e tornava tudo mais agradável. as subidas não me assustavam e as descidas já estava começando a me habituar a pressão certo dos freios. Mais uma balsa e tudo vai ficando mais insólito, mais distante. Não há vestígios da metrópole, e o simples respirar já me acalma. Nesse trecho o asfalto dá ugar a terra batida, a primeira subida já faz diversos ciclistas descerem de suas bikes e subir empurrando, eu fui com cuidado e devagarzinho. Consegui!

No topo uma padaria comunitária é a parada obrigatório pra quem quer comer ou beber alguma coisa.

Daqui pra frente muita coisa aconteceu, mas isso eu vou contar no próximo post!

Agradeço desde já as fotos da galera do pedal!

Lonesome George

It was sad to see this past week the death of Lonesome George, the last remaining of the Pinta Island giant tortoise subspecies of the Galapagos Islands. He was estimated as being 100 years old, though he may have been much older (or indeed, much younger). He had survived pirates and whalers coming to the islands and eating many of his co-species; goats and other animals introduced by man who ate their way through his habitat, and was even said to be in his prime. In spite of  years of attempts at introducing him to luring females of other similar sub-species, he was not able to produce any offspring (he did get close with a couple of mates laying eggs, but they failed to hatch) meaning that his particular gene line ended with him.

Baby giant tortoises… so small, but grow so big…

In the last decades, George was guest of the Charles Darwin Research Centre, alongside a number of other giant tortoises from other islands of the Galapagos. The Centre has a program of breeding tortoises from the islands that have been most affected by human influence and which are the most endangered. It is remarkable seeing their work, with the baby tortoises less than a foot long, and the adults who are just absolutely massive – over a metre long and almost a metre high (without their extending their necks or reaching up).

It is impressive though at the same time a sad reminder about how humans can really affect the environment. The environment on a couple of islands in the archipelago such as Baltra Island, where the main airport is, has been devastated: Baltra for example was used as an airforce base by the US during the Second World War, and with all the people and their pets, pretty much all the iguanas and native wildlife was destroyed. On Isabela Island, there is an infestation of Goiaba fruit trees – again, introduce by people. The Goiaba is almost like a weed in that it just proliferates and strangles out local trees. Birds like the fruit, though the hundreds of seeds spread straight through their digestive system and plant themselves everywhere. The young son of a guide we had on the island kept picking the fruit, half eating them, and then threw the rest away into the undergrowth. The guide did nothing.

Nice kitty…. lethal predator.

We saw a wild cat on Santa Cruz Island about a hundred metres away from us. Iguanas on the islands had never previously faced any top predators and were able to live a relaxed life of eating and sunning themselves. These creatures proved to be no match for the lethal instinct of such animals. Then there is of course global warming – the Islands are significantly affected by the cold Humbodlt current for example, which affects feeding of the animals – should this change with increased temperatures (as it is periodically with the El Nino phenomenon) then the consequences for all the animals.

It is great that the Ecuadorian government is trying to get control of the situation (the authorities and park rangers are meant to shoot to kill and wildcats or any other alien animals they see on islands), though there are still an enormous amount of human pressures from increasing local populations and also tourism that threaten the local wildlife. Education of locals, guides and tourists is incredibly important, to help increase the sense of responsibility all should feel, and further controls are needed to be enforced. Hopefully a balance between all the pressures will found, maintained, and hopefully there won’t be other tortoises who will die alone like Lonesome George, and there won’t be other species going extinct.