Archive for the ‘Português’ Category

A viagem até fortaleza foi um tanto cansativa. Dentro do avião estava muito frio e havia muitas crianças choronas em nosso voo. Como chegamos de madrugada, eu resolvi enrolar no aeroporto para não chegar tão tarde na casa dos meus tios.

Ficamos no aeroporto por 4 horas, e entre um cochilo e outro dedicávamos nosso tempo a bater recordes nos joguinhos do tablet como Angry Birds e Magic Alchemist.

Saindo do aeroporto pegamos um taxi até a 30 Nós, a escola de Kite surf e Wakeboard, lá conhecemos o Thiago um dos nossos instrutores e conhecemos a unidade da escola mais voltada a Wake. Um lugar super bonito e bem estruturado no bairro Edson Queiroz.

Depois de muito bate papo, fomos de taxi até a casa dos meus tio na Maraponga. Foi muito bom rever a família. A Jeane, minha prima, é uma ótima companhia sempre e a casa de Maraponga um máquina do tempo com tantas memórias.

Não sei se vocês sabem, mas quando eu tinha uns 12 anos me mudei para fortaleza com minha mão e o meu irmão Gabriel. Moramos aqui por 2 anos e meio. Nessa época moramos um tempo nessa casa com meus primos. E foi aqui que vivi muitas coisas: meu primeiro cachorro, tomei meu primeiro copo de açaí, tive que lidar com a separação dos meus pais, com a distância do meu irmão mais velho Marinho, com a falta dos amigos… E muito mais! Tantas coisas que lembro hoje com imenso carinho. Certamente Fortaleza foi um dos lugares que fui mais feliz na minha vida, e só de pisar o pé aqui, e sentir essa brisa leve que ameniza o calor me faz super feliz.

Se passaram 15 anos desde quando voltei a morar em São Paulo, no começo víamos para cá nas férias, ou seja 2 vezes por ano estávamos aqui. Mas com o passar do tempo foi ficando difícil. E já faziam uns 10 anos que não vinha para cá.

A cidade mudou muito, cresceu!

Não andei muito, na verdade ontem e hoje fiquei aqui curtindo a família e descansando. Mas só de ver o quanto a Maraponga mudou fico imaginando como deve estar o centro, a Aldeota, o Papicu, a Beira Mar e as praias!

Amanhã teremos a primeira aula de Kite em Cumbuco, mas essa já é uma coisa para contarmos depois!

Pequeño Alpamayo - Bolívia

Essa foi uma semana atípica, o ben viajando a trabalho quase a semana toda, me vi um tanto desanimada para fazer as coisas. Como eu não gosto de dormir em casa sozinha, minha mãe veio dormir comigo em casa algumas noites e em outra fui dormir na casa do meu irmão e aproveitar o tempo com os sobrinhos. A Marina cada dia mais linda e bravinha, apesar que hoje já consigo arrancar risos e sorrisos, o Lucas sempre esperto me diverte com suas piadas e respostas rápidas.

Ontem fui no salão e fiz a sombrancelhas e a unha depois de séculos sem saber o que era um  momento de beleza… E como isso deixa a gente mais confiante. Não sei como funciona para os homens mas para nós que viemos de vênus auto estima, confiança e segurança são coisas que podemos adquirir depois de umas horas num salão de beleza.

Passei de noite no shopping, e passeando sem querendo comprar nada, vi que uma loja tava vedendo calça jeans muito barato, tipo R$49.00, resolvi ver se tinha algo que gosto. Na hora de experimentar o ponto alto.

Nem me lembro a quanto tempo compro calça numero 44, fui ao provador com a numeração 44 e uma outra calça 42, já pensando que eu devia ter emagrecido alguma coisa!

A 44 ficou gigante, dava até pra fazer propaganda antes e depois, a 42 para a minha felicidade grande também, peço para a vendedora trazer uma 40, já pensando que essa deveria ficar pequena… Mas que nada ficou certinha nas coxas, um pouco apertada na batata da perna, e na cintura um pouco folgada, mas nada demais.

Saí do provador com a calça na mão e um sorriso nos lábios.

Moral da história: Nós não somos complicadas, o problema é que apesar de sempre querermos que vocês nos agradem aquilo que nos faz feliz tem que ser feito por nós mesmas!!!

 

PS>: Mais tarde posto fotos dessa evolução!

Scottish Border -

LEJOG – Natalia cruzando as fronteiras entre Inglaterra e Escócia de bike com muita neve!!!

Um dia a mais!!!!

Posted: May 13, 2013 by Natália Almeida in Português
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Mercado Municipal

Desde o dia que voltei da Inglaterra e comecei a trabalhar não havia ainda tido um sábado de folga. eu nunca liguei de trabalhar aos domingos mas aos sábados sempre me foi desanimador.

Tanto a se fazer na cidade e eu lá dentro de uma sala encarando a tela do computador por 8 horas quase que consecutivas me deixava com uma sensação de dia perdido.

Esse final de semana foi diferente, depois de todo mundo dar um gás dobrado no trabalho tivemos o sábado de descanso. E nossa tantas coisa que eu queria fazer!!!

Combinei com Alércio uma avaliação física âs 6h30am, acordei sem atrasos me troquei e organizei as coisas do café da manhã, mas os minutos se transformaram em hora e nem sinal do nosso coach chegar. Mando mensagem e cochilo de novo. Acordo umas 10h e o Ben me fala que foi remarcado para as 20h30.

Tomamos café arrumamos a casa e partimos para um dos passeios que mais gostamos: Mercadão Municipal!

Nada como passear por entre frutas, castanhas e azeitonas. Compramos bastante coisa, almoçamos uma salada fatuche por lá mesmo e caminhamos pelo centro. Me encantei com os aviões e submarinos pendurados perto do CCBB, tomamos um café por lá e seguimos para o Shopping Bourbon para comprar o presente da minha mãe e ir ao cinema.

No fim do dia, de volta em casa encontramos com a Isabella e o Alércio e fizemos nossa avaliação física que ainda não sei qual foi o resultado.

Dormimos cedo, final o domingo seria dedidicado as mães e ao futebol. O Ben tinha o ultimo jogo do Alex Fergunson no comando do Man Unt e de tarde o santos disputaria a primeira partida da final do paulista.

Enquanto o jogo do Ben foi recheado de emoções o do meu time foi chocho e com um resultado péssimo. O bom do domingo foi poder estar em família e curtir a minha sobrinha Marina.

Essa semana vai ser corrida e de muito treino para mim e já para o Ben de muito trabalho!

 

Vida Saudável!
Na Terça-feira  completei 1 semana de regime… Acho que até agora o maior desafio foi por ser meu aniversário então fiquei a base de chá verde na festa e jantei em casa antes de ir… Os amigos são os amigos, alguns te entendem e te apoiam já outros se divertem em te tentar com tudo o que veem pela frente.
Tenho conseguido me organizar e me manter disciplinada, na segunda talvez tenha sido o dia mais difícil, tive que correr de cima pra baixo na cidade, e tive que comer a minha marmita fria no taxi e depois comprei o iogurte no caminho, como não tinha fruta na vendinha, tomei o iogurte sem nada mesmo, ainda bem que gosto!
Ser mulher só complica as coisas, de TPM não poder recorrer ao chocolate me deixa querendo ficar ainda mais irritada, mas me foco pensando que tenho um bom motivo. O doce em si não é um problema, até porque chocolate eu gosto de amargo, sou daquelas que quando vê que lançaram mais uma barrinha 90% cacau abro um sorriso gigante, o que na verdade só facilita, quando a tpm aperta recorro a um café se açúcar e tudo certo.
Organizar a alimentação anda fácil, como não preciso cozinhar muita coisa, e normalmente os pratos são assados eu meio que coloco tudo numa assadeira e deixo o resto por conta do fogão.
Acho o mais inacreditável é que parece que tudo está se apertando na mesma semana:
Primeiro o regime proposto pela Isabella Alencar, depois as tarefas que estão começando a ser incluídas pelo Personal Alércio Dias, e ontem chego na musculação e a Luciana trocou todo o meu treino por um bem mais pesado.
Mas o jeito é respirar fundo e seguir concentrada!
Sigam torcendo por mim.
Mais tarde posto as minhas refeições para vocês conferirem como não estou passando fome!
O ingrediente escolhido pela Dra. Isabella Alencar essa semana é a amêndoa.
As amêndoas são fontes de fósforo, cálcio, vitamina B2, fibra, proteínas e vitamina E. Além de fontes de gorduras boas, possuem propriedades relaxantes sendo uma ótima opção em momentos de estresse..
Por ser tão um alimento tão rico, escolhemos ele para te dar opções de leite vegetal!
Espero que goste!

Food shopping

Ontem divulguei aqui o passeio oferecido pela Kaiporah esse final de semana, englobando bike e escalada. Já escrevi aqui antes como acredito que esses dois esportes são parceiros e em como vejo cada vez mais ciclistas na Casa de Pedra e mais escaladores se aliando a bike para manter o condicionamento físico em dia.

Por isso hoje vou dar uma dica e falar um pouco da importância de uma alimentação adequeada para quem pratica essas modalidades e quer alcançar um bom desempenho nos treinos.

NewFoodPyramid1Por se tratarem de modalidades onde os treinos são de longa duração e com variados graus de dificuldade, intensidade e serem praticados outdoor as refeições devem ser constituídas em maior proporção por carboidratos e a ingestão de liquidos deve ser constante. Carboidratos de baixo a médio índice glicêmico (ex.:batata doce, granola, biscoito integral, maçã, morango) são as opção mais recomendadas por fornecerem energia de forma gradual, evitando os picos glicêmicos. Os alimentos antioxidantes (ex.: frutas vermelhas, frutas cítricas, verduras escuras, siga o princípio de quanto mais colorido melhor) ajudam na redução de radicais livres.

Na noite anterior a saída para rocha ou pedal deve se evitar alimentos ricos em lipídeos (ex.: molhos, biscoitos recheados, maionese) e proteínas, que são mais difíceis de ser digeridas e podem assim gerar desconforto; fibras por acelerarem o processo intestinal e a cafeína por ser diurética te faz perder liquidos mais rápido e podendo levar até mesmo a desidratação. Os doces e alimentos cheios de açúcar, e que a maioria dos ciclistas tem como queridinhos em suas mochilas e bagageiros fornecem uma energia não efetiva, ela leva o corpo a um pico no indíce glicêmico o que te dá a sensação de energia, mas essa energia dura pouco tempo, o que na maioria das vezes te faz consumir muito mais colorias e açúcar necessário.

Suco de beterraba com laranja antes de pedalar!

Suco de beterraba com laranja antes de pedalar!

Viu se alimentar não é tão fácil quanto você pensa, e perder peso nem sempre é sinônimo de estar fazendo o certo, afinal de contas a perda rápida pode estar relacionada à desidratação e à perda de massa magra, sendo que a busca sempre é pelo aumento de massa magra e não a redução, e isso só é possível com a dieta certa você. Mas dieta certa não é dieta de revista ou a dieta do amigo por que cada pessoa tem seu organismo e seu metabolismo por isso nós do 360 Extremes contamos com a ajuda de uma nutricionista. Com a Dra. Isabella Alencar nós aprendemos a escolher melhor o que comer no dia-a-dia e durante os treinos e com isso ganhamos muito: perda de peso gordo e aumento de peso magro, maior disposição, melhor desempenho em dias longos, recuperação de músculos mais rápida e diminuição de cansaço nas horas seguintes a prática.

En Route Enquanto o Ben não para de falar de sua meia maratona do Rio eu não paro de ter de explicar o porque da minha ausência. E o pior é que a resposta é muito simples: eu detesto correr!

Prefiro pedalar o dia todo, pular corda, escalar 50 vias, andar de patins, skate ou até mesmo a pé. Sei da importância da corrida num treino, e aprendo cada dia mais como é bom incluir essa prática na sua rotina esportiva, porém me atento ao necessário e aos conselhos dados pelo Alércio Girio nosso treinador funcional, e os dados pelo Fábio Jobim em treinos de escalada.

Enquanto o Ben se desafia em quilômetros e velocidades eu fujo da corrida como se fosse uma tortura. Venho trabalhado mentalmente essa relação, porque como tudo na vida é sempre mais leve e gostoso encarar de uma forma que não seja negativa, o pensamento eu ODEIO correr já se transformou em DETESTO e espero que evolua para um SUPORTO, TOLERO, acho OKAY e quem sabe um dia vocês me vejam falar que GOSTO.

Não digo que um dia eu vá competir com o Ben pelas maratonas da vida, mas incluir uma corrida no parque pelo menos 1 vez por semana é o desafio que me imponho, e vou contando pra vocês a evolução.

Quanto a corrida do Ben, foi ótima, ele correu a maia maratona no Rio de Janiero e quase bateu o tempo que ele acreditava ser capaz, apenas 4 minutos e 54 minutos a frente. A próxima competição será em Porto Alegre.

Hoje finalmente estreia o Entre Papos e Panelas, um programete semanal que teremos aqui no site.

A Dra. Isabella Alencar – nossa nutricionista funcional – comandará as facas e panelas da nossa cozinha para ensinar receitas super práticas, saudáveis e que certamente ajudará na nossa – e porque não sua – performance esportiva.

E por falar em performance nada mais justo que a primeira receita seja daquela que é adorada pela maioria dos atletas de alta performance: a batata-doce.O baixo índice glicêmico dela nos permite ter energia por mais tempo durante a atividade esportiva!

Abaixo uma lista de benefícios sobre esse tubérculo só lembrado nas nossas mesas durante as festas juninas:

  • Fonte de carboidratos, fibras;
  •  Rica em vitaminas do complexo B e sais minerais, como cálcio, ferro, potássio e fósforo.
  •  Regula o sistema nervoso e Digestivo;
  •  Previne a hipertensão;

Cada 100g de batata doce tem em média 116 calorias – 1,16g de proteínas, 30,10g de carboidratos e 0,32g de lipídios.

Entre Papos e Panelas

Posted: March 19, 2013 by Natália Almeida in Nutrition, Português, videos
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Essa quarta-feira (20/03/2013) estreia o Entre Papos e Panelas, um programa comandado pela Isabella Alencar onde você vai aprender várias dicas e receitas para uma vida saudável.

 

 

 

Natalia with Brian

Natalia with Brian

Brian demonstrou vontade em pedalar conosco na noite anterior mas o nosso horário de saída era um pouco cedo para ele então ele não garantiu que iria nos acompanhar por parte do trajeto. Na manhã seguinte fiquei um tanto contente ao ouvir os passos dele pelo corredor. Sem muita correria pegamos nossas coisas, e descemos para encontra-lo na cozinha, chegando lá mesa posta com torradas de bagel manteiga e mel e chá preto. Pra variar acordamos com tanta fome que parece que não comíamos a dias, e mesmo depois de um jantar farto como o da noite anterior o nosso corpo parece não parar de pedir mais e mais comida. Então sem cerimônia comemos cada um dois bagel e tomamos chá. Brian queria que experimentássemos no pedal umas barras de cereais que ele normalmente come e guardamos na mochila pra mais tarde. Ele não gostava da ideia de pedalarmos pela A9 então resolveu nos levar até a entrada da ciclovia que nos levaria até PitLochry.

A estrada pequena, sinuosa e belíssima era ladeada por árvores e era possível ver grupos grandes de veados correndo por entre elas. Achei graça mais uma vez em ver os cavalos vestidos com roupas enquanto pastavam nas muitas pequenas fazendas que passávamos . Outra coisa curiosa foi reparar o medo que as ovelhas parecem ter dos ciclistas, nos olham intrigadas e quando nos aproximávamos corriam para longe, os carros muito mais barulhentos não as repelem como nós, os cavalos não nos dão a menor bola e já os veados sempre param para nos olhar de longe. Seria interessante entender o que cada um dos animais pensam de nós!

As subidas no trajeto variam de graduação e distância, mas toda a beleza a nossa volta tirava um pouco do peso do esforço, na verdade algo que nos fazia pedalar um pouco devagar ajudava para admirar a nossa volta. As descidas sempre cheias de curvas não nos permitem abusar, o Ben chegou a uma máxima de 41km/h e eu não devo ter ficado muito atrás.

Nosso parceiro do dia ia sempre apontado as belezas e falando sobre o que gosta ou desgosta. Os poucos carros que apareciam ele cumprimentava, e os que vinham de nossas costas ele sinalizava se podiam ou não nos ultrapassar, uma relação ciclista e motoristas tão admirável e respeitosa que vi como o que eu penso está certo. Ao pedalar nas estradas toda a relação deve ser mútua, nós ciclistas temos que zelar pela segurança dos motoristas e respeitá-los e ter o mesmo em retorno. Às vezes acho que o problema está nesse eterno julgamento de quem é melhor aquele que dirige ou aquele que pedala, sendo que seria muito melhor e simples lutar por uma coexistência saudável. O Ben pode ver o que eu sempre venho falando, e acredito que aprendeu um pouco em como ser mais amigo de quem dirige.

Paramos em Dunkeld para usar o banheiro e comer. Daqui para frente teríamos a companhia de Brian por pouco tempo. Descemos um longa ladeira que terminava na A9, ele nos deixou na entrada da ciclovia que seguia lado a lado a rodovia. Nos desejou sorte, e disse que iria ficar torcendo por nós. Mais uma despedida, mas agora provavelmente a última de um anfitrião nessa jornada. Seguimos pedalando, a ciclovia não era das melhores mas também não era das piores, algumas poças de água mas sem sinal de icy, e algumas horas a ciclovia desviava para uma estrada mais afastada, mas por pouco tempo. De repente, a ciclovia acabou e nos deixa numa rua, seguindo a rua ela não tinha saída e nos vemos tentando entender pra que lado vamos, mas nada parece ser a continuação da rota. Confusos e tentando entender, chegamos a pensar em seguir pela A9, mas olhada a estrada daqui entendemos a preocupação em ir por ela – os carros passam em alta velocidade numa pista única e sem acostamento o que não nos deixa tão confortável de pega-la. Perguntamos no posto e no correio, e descobrimos que a rota dá uma pequena volta, que para seguir na ciclorota devemos seguir a estrada que sobe o morro e depois seguir as placas. A subida é constante e um tanto íngreme e vamos um tanto inseguros se estamos indo no caminho certo. Lá em cima as placas sinalizão pedem para virarmos cada hora para um lado e aí já não sei mais se estamos indo para o lado certo, ainda bem que temos o GPS e o Ben pode checar.

The route from Blairgowrie to Newtonmore

The route from Blairgowrie to Newtonmore

Nessa estrada só fazendas, pra qualquer lado que se olhava, no fim algumas casas e uma descida íngreme, longa, sinuosa e com um pavimento péssimo, no fim avistamos de novo a rodovia e a ciclovia na lateral. Seguimos por essa rota que parecia gostar de sair de perto da rodovia e dar voltas por trás dos vilarejos. A bicicleta do Ben começou a fazer um barulho a princípio achamos que era algo que poderia esperar até John O´Groats mas foi piorando durante todo o pedal, e a rota de hoje cheia de estradas sujas e sem cidades com estrutura por perto começou a nos deixar mais e mais apreensivos. Fui pedalando atrás tentando identificar da onde vinha o barulho, fui reparando que fazia somente quando o Ben pedalava e durante as subidas diminuía. Paramos diversas vezes para checar os racks, os raios e tudo mais que poderia ser, o Ben começou a achar que o problema era com as ball bearings. O jeito foi pedalar e torcer para checarmos em PitLochry rápido já que esse era o lugar mais próximos que tínhamos certeza de ter uma bicicletaria, e para nossa sorte chegamos depois de uns 40 minutos e a loja ficava bem na entrada da cidade.

Os donos da loja foram super atenciosos, enquanto arrumavam a bike, fomos a um restaurante comer e nos aquecer um pouco. Quando voltamos, a bike estava arrumada e o problema era exatamente o que o Ben imaginou. Eles nos convidaram para um café e conversamos sobre essa aventura. Eles não podiam acreditar na nossa escolha de época para fazer a LEJOG. Curiosos nos perguntavam qual seria o planejamento do dia. Falamos que iriamos até Newtonmore pela A9, e pude ver a cara de terror que eles fizeram. Disseram que o tempo muda muito rápido na região e que não chegaríamos lá já escuro e que a A9 era perigosa demais para irmos por ela. Começaram a nos dar telefone de hotéis em cidades mais próximas e nos pedir para seguirmos a rota de bicicleta que é um pouco mais longa mas mais segura. Aceitamos a sugestão na rota mas quanto até onde pedalarmos não tínhamos muito espaço no nosso planejamento para não cumprir a meta do dia. Estavamos confiantes que poderíamos apertar o ritmo mas se soubéssemos que nesse dia ainda iríamos encontrar neve e icy pelo caminho talvez tívessemos repensado no tempo, mas esses desafios eu deixo pra contar amanhã!

 

On the Road Bridge

On the Road Bridge

A noite anterior foi de muita cerveja, comida vegetariana e bate-papo com o Charlie. Dormimos um pouco tarde mas o plano ainda era o de acordar cedo, agora mais do que nunca queríamos ver a Melanie pela manhã e nos despedirmos. E assim foi, acordamos cedo, umas 7am, arrumamos o quarto, checamos se tudo estava guardado, nos trocamos e descemos. Na sala Melanie e Charlie tomavam café, e deu pra notar pelos olhos apertadinhos da Mel que a enxaqueca não tinha melhorado. Deu um certo aperto no coração ver a cara de quem ainda sentia dor. A despedida foi rápida, ela tinha que ir trabalhar e ficamos lá eu e Ben, tomando chá e comendo torrada com geleia e pão caseiro.

Colocamos os alforjes, checamos os freios e quando estávamos terminando Charlie chega com Millhouse. Papeamos mais um pouco, ele nos dá a indicação de uma bikeshop em Perth caso precisássemos, o dono é amigo deles, papeamos mais e partimos.

Saying goodbye to Charlie

Saying goodbye to Charlie

Sair de Musselburgh foi bem bonito, pedalamos pela praia e foi bonito ver as gaivotas, e as pessoas passeando com seus cães. Eu teria gostado se o caminho todo fosse assim, porque apesar do frio ver o mar é sempre algo que me relaxa. Em Edimburgo continuamos tentando evitar as ruas e avenidas da cidade, porque como toda grande cidade os motoristas estão menos cuidadosos, por isso depois da praia fomos por umas ciclovias por dentro de parques. Um tanto confusas e algumas vezes um tanto alagadas mas certamente mais seguras. O que me chama atenção nessas cidades europeias é a quantidade de idosos correndo, andando e pedalando, apesar da idade eles continuam super ativos, queria ver mais isso nos parques de São Paulo.

Sair de Edimburgo foi demorado, não sei explicar bem porque, acho que depois de pedalar em estradas e passar por tantos vilarejos você fica mais ansioso para ver placas de bem-vindo e depois a de obrigado por dirigir de forma segura, e as grandes cidades são maiores mesmo de extensão.

A rota passou pela Forth Road Bridge, uma ponte suspensa que liga Edimburgo com o norte do país, atravessando o Firth of Forth. A ponte é bem bonito e antes dela tem um mirante, onde paramos para tirar fotos e usar as facilidades. Ao pedalar pela ponte é possível sentir o tremor dos carros passando um tanto estranho, dela é possível ver uma ponte vermelha que é usada pelo trem e em uma das colunas de sustentação tem um ilha com uma construção antiga.

The route

The route

Do outro lado da ponte a cidade continua numa correria intensa, a expectativa era de poucas opções de paradas no caminho então paramos numa padaria por aqui compramos um café e um enrolado de linguiça, o café era terrível e o enrolado não ficava muito atrás. Uma escolha de parada infeliz para quem não esperava por muitas. A maior parte da rota saindo dali foi por uma estrada pequena de pouquíssimo movimento de carros e sem nada de comércio. Bem calmo e bonito, o tempo não estava nada mal já que não chovia nem ventava. Algumas subidas mas nada demais, a pior já havíamos passado que foi logo depois da ponte. O nosso ritmo foi bem calmo e proveitoso, paradas para fotos e lanches e curtindo cada segundo. Ao ver a placa de declive de 12% mantive a calma, a descida com curvas e bem profunda me preocupava por que nas descidas o risco de ter gelo no final é mais alto, então controlei a velocidade e evitei qualquer trecho que se mostrasse arriscado. Depois disso teve mais outra descida menos acentuada mas mais longa. A estrada sossegada começava a dar lugar a uma cidade maior de novo, Perth. Chegamos aqui por volta das 16h então paramos só para ir ao banheiro comer lanches que tínhamos na mochila e seguir em frente, apesar de Blairgowrie ser perto não queríamos chegar no escuro. Os 25km até o nosso destino foi em sua maioria plano e em estradas ladeadas de grandes árvores.

Above the Motorway towards Perth

Above the Motorway towards Perth

Há uns 10km um ciclista que vinha do lado oposto da estrada nos cumprimenta, minutos depois o vejo do meu lado me cumprimentando de novo, o olho surpresa sorrio e retribuo o Hi!, mas ele continua com o sorrisão aberto me olhando e achando estranho pergunto se tem algum problema. Ele ri e diz: Natália Eu sou o Brian! Eu acho graça peço desculpa e grito para o Ben. Não esperava que o nosso anfitrião fosse nos buscar no caminho. Ele pedalou conosco até a sua casa e chegando lá nos serviu chá quente e um pão de tomate seco e berinjela delicioso. Fomos a sala conversamos sobre essa viagem, contamos do 360 e ele nos falou de suas diversas pedaladas pelos EUA. Depois subimoss para o que mais esperamos depois de pedalar no inverno: um bom banho quente. E ao descer lá estava Brian com a mesa posta, uma deliciosas sopa de legumes e frango e quando achamos que acabou ele me tira pizzas do forno. O Ben que sempre fica muito faminto depois de pedalr longas distâncias olhava mais que feliz pela inesperada janta. Eu comi um pedaço, e Brian vai e me tir um torta de blueberrys da geladeira, parecia deliciosas mas eu já não aguentava comer mais nada. Depois de insistir para eu ao menos experimentar me rendi ao filete, e assim me arrependi do pedaço da pizza. Se eu soubesse da sobremesa talvez tivesse escolhido melhor minhas porções. Mas tudo bem, a única tristeza da noite foi pensar que daqui para frente não teríamos mais companheiros do warmshowers e couchsurfing para nos receber, daqui para frente seria hotéis e B&Bs.

Map of Edinburgh

Map of Edinburgh

Acordar de manhã com a certeza que não vamos pedalar é bem estranho a essa altura. Mesmo sem despertador você acaba acordando cedo e com aquele ânimo agitado de que a estrada lá fora nos espera. Depois de tantos dias de estrada, pedais longos, cidades, pessoas, fotos, chuva, vento, neve, sol e tudo mais, seu corpo e sua mente mudam um pouco de funcionamento. Parece que você muda a voltagem e de 110V você vira 220V, então você fica super agitado no começo do dia e já acordamos morrendo de fome e mesmo sem pedalar nosso corpo parece pedir algo a cada uma hora e lidar com tudo essa energia extra e esse pedido por mais energia é algo complicado. Até que ponto a fome é fome ou é seu corpo querendo garantir carboidratos para uma jornada de pedal que na realidade não vai existir no dia. O melhor jeito é se ocupar. E estávamos com os hosts certo para isso.

The Witchery

The Witchery

Ao descermos para tomar café da manhã Charlie estava na sala com a mesa posta, Melanie já havia saído para trabalhar, sentamos a mesa, tomamos chá, comemos torradas com manteiga e geleia e conversamos. Conversamos bastante mesmo, Charlie é ator e tinha diversos causos para contar, o que ele conseguia fazer muito bem dando uma certa graça a tudo. Rimos muito e trocamos ideias e opiniões sobre trabalho e aventura. Ele acha todo esse projeto inspirador, e encontrar alguém que entende o porquê do 360 sem termos que explicar é um tanto incomum e motivador. Ele e Melanie passaram um ano em Nova Zelândia, onde 4 meses foram dedicados a uma expedição de bicicleta pelo país. As histórias contadas por ele reunidas as nossas até agora sinceramente daria uma ótima comédia. E me fez ver cenários de toda a expedição oficial que antes eu não poderia imaginar. Charlie disse que fez sua rota confiando em mapas e as vezes no mapa marcava uma cidade que na verdade nem existia mais. As pessoas não moravam mais na região, que estradas que era ditas como boas na verdade era péssimas e as vezes sem asfalto, estrutura e nada do que ele esperava. Tudo bem que hoje temos ainda mais opções de checar do que ele teve há 6 anos atrás.

Depois de papear por horas, começamos a nos arrumar para ser um pouco turista. Antes de sair Charlie pediu uma ajuda com as galinhas que ele e Melanie tem como bichos de estimação no quintal mas que insistem fugir para casa do vizinho. Foi engraçado vê-los tentando dar um jeito naquelas aves desengonçadas e teimosas. Problema resolvido fomos para o centro de Edimburgo, andamos pela cidade, tomamos um café e fomos a atração que mais nos recomendaram: Mary King Close. Eu realmente não recomendo a ninguém, achei caro e um tanto chato. A história é um tanto interessante afinal essa é a rua mais antiga e intocada de Edimburgo e imaginar como as pessoas moravam em 1600 é algo interessante mas andando pela cidade você consegue ver esses closes em todos os lugares e uma boa pesquisa no wikipedia te daria acesso as histórias.

Depois encontramos com Paulo, papeamos um pouco, deixamos com ele o saco de dormir para ele levar para Londres e fomos de volta para nossa casa da noite. Lá fomos recebidos por Charlie com batatas, vegetais, haggins veggie e cerveja – Melanie infelizmente teve uma crise de enxaqueca e não pode nos acompanhar. Mais conversas e mais conversas. Uma noite mais que agradável e mais um casal que queremos manter contato.

Arriving in Edinburgh

Pedalar 50km em um dia soava como um dia de folga, os primeiros 30km seriam de uma subida leve e constante então nenhum problema aparente. A noite anterior na casa de Strachan e Alex foi bem agitada. Conversamos bastante e acabamos indo dormir um tanto tarde. O plano era ir a Edinburgh pela estrada A7, e Strachan recomendou que trocássemos a estrada ou que começássemos o pedal mais tarde que o normal, depois das 9h. Por isso, acertamos o despertador para às 8am, mas não conseguimos acordar. O despertador tocou e apertávamos o snooze, até às 9am. Logo no primeiro quilômetro uma subida bem profunda, o que foi bom para forçar os pulmões. Daí em diante não foi ficando mais fácil não. Apesar de nada de neve estava bem frio. E existia a possibilidade de pegar black ice, o cuidado agora era redobrado. A estrada mão dupla e sem acostamento nos obrigava a dividir as faixas com os caminhões, carros e tratores que queriam passar, ainda bem que o trânsito estava ameno.

As paisagens com grandes montanhas de pico nevado ao fundo eram lindas demais e distraía bastante durante as subidas, em compensação os fortes ventos que pegamos contra nos fazia pedalar com força e mesmo assim não sair do lugar. O pior quanto aos ventos é que além da energia que perdemos para fazer alguns metros é que ainda temos que controlar a direção da bike, porque de repente além do vento que vem contra surgem rajadas laterais que te jogam de um lado para o outro da pista.

Outra coisa que percebi nesse dia inteiro na Escócia é que você pode passar dezenas de quilômetros sem encontrar uma opção de parada para comer, ir ao banheiro ou simplesmente descansar. Dessa vez encontramos um posto com conveniência a 10 km de Edimburgo, eu cheguei a comemorar ao ver o logo a distância. No frio que anda fazendo tomar algo quente é mais que necessário para manter a motivação.

Leaving Galashiels

Depois da parada, foi praticamente um descida até chegarmos em Musselburgh, onde fomos recebidos pela Melanie e pelo Charlie e seu Greyhound Millhouse. Tomamos um chá e lavamos as bikes que estavam mais sujas do que antes de Lancaster. Ela é bem atenciosa e papeamos um bocado sobre viagens e pedaladas. Depois tivemos que ir ao centro da cidade encontrar o Paulo e saber mais sobre como andava seu joelho e a visita ao médico. Felizmente o prognóstico foi bom porque ele não tem nenhuma lesão permanente somente uma inflamação no menisco que com descanso e remédios deve ficar melhor em 10 dias. Triste pensar em não tê-lo nos acompanhando mas bom saber que tipo de cuidados e trabalho de fisioterapia teremos ao voltar para São Paulo.

Faltam 5 dias de pedal intenso para completarmos nossa jornada, espero que daqui para frente tudo dê certo apesar dos desafios aumentarem a cada metro percorrido. Pensar que ainda teremos um dia de descanso no dia seguinte ajuda e muito!!!