Posts Tagged ‘bicicleta’

1,480km in cycling through the British winter
1,500km in cycling through the British winter

Hoje aqui posso agradecer aqueles que nos ajudam e que o apoio foi de suma importância nessa mais nova conquista.

Obrigado a Casa de Pedra por estar ao nosso lado desde o começo, onde podemos treinar em uma estrutura completa e nos manter condicionado para qualquer desafio: seja escalada, ciclismo, montanhismo ou corrida. Você nos dá flexibilidade para fazer dessa expedição um  sucesso.

Obrigado Dra. Isabella Alencar por acreditar em nós, por estar sempre atenta a tudo que possa melhorar nossa performance, por nos instruir em cada treino e em cada nova modalidade que entramos e por nos ensinar o valor que uma boa alimentação tem na vida de um atleta. Certamente sem a sua dieta esses 17 dias pedalados teriam sido muito mais cansativos.

Obrigado ao Fabio Jobim  com seus treinos na escalada reforçando e desafiando minha cabeça mais e mais, por trabalhar minha resistência e me deixar pronta para esse desafio!

Obrigado a minha família e amigos que me apoiaram todos os dias. Que o 360 Extremes continue me levando a lugares e experiências que exijam de mim superação.

On the start line... 1,500km to go..!

On the start line… 1,500km to go..!

Naty e Ben em John O'Groats 

Antes de começar a falar do último dia, queria explicar o motivo da falta de fotos nesse post, a verdade eh que o HD com tudo da viagem quebrou e está em conserto, assim que tivermos tudo vamos colocar as fotos desse e dos outros dias nas galerias.

Foi um tanto difícil controlar a ansiedade pelo último dia. Na verdade eram tantos os sentimentos na manhã que o mais complicado era saber a qual dar uma atenção maior. A essa altura o sentimento de vitória e conquista ia tomando conta da minha cabeça mas ao mesmo tempo eu me podia me ouvir falando ao fundo que a expedição ainda não havia terminado e que por mais que tivéssemos apenas 15km a nossa frente, olhando para trás eu pude ver que não houveram dias fáceis, até nos mais leves houveram grandes desafios e aprendizados. O inverno costumava ser sempre o maior dos opositores nessa batalha por conquistar quilômetros, e mais uma vez ele se provou duro.

O dia anterior tinha sido frio mas não houve ventos fortes ou chuva ou neve, assim a expectativa para o dia seguinte era que poderia piorar mas ainda assim não poderia ser as piores condições. Olhando a previsão mostrava que o dia teria ventos de até 60m/H, mas como sairíamos cedo do hotel e a distância era curta talvez conseguíssemos chegar a John O Groats com um tempo razoável.  Grande engano! Acordamos e no quarto já dava para ouvir o barulho do vento, abrindo a cortina víamos flocos de neve ensandecidos e girando de um lado para outro, os galhos das árvores balançava forte numa dança sem ritmo definido e tudo mostrava que a jornada poderia ser curta mas também a pior em dias.

Arrumar as coisas a essa altura é algo simples e rápido, cada um já sabe o que colocar em cada alforje e o que no começo levava meia hora hoje leva menos de 10 minutos. Comer o café da manhã é sempre bom e um tanto curioso, a essa altura ainda me impressiono com a capacidade do Ben em comer English Breakfast na manhã enquanto eu fico no chá com torradas e cereais. Se eu comesse salsichas, ovos e bacon frito com tomate, cogumelos e feijão pela manhã meu dia seria com dores estomacais e diversas idas ao banheiro, mas com ele não tem problema algum. Certamente um estômago muito mais resistente!

Começar a pedalar foi apreensivo no começo, os ventos podem ser confusos, e por mais que tenham uma direção dominante eles se rebelam e acabam mudando de direção. No começo vinha do lado e para variar a luta era para que a bike ficasse num canto seguro da estrada, que não tinham muito movimento de carros, o que ajudou já que assim poderíamos ficar mais no meio da pista. O vento contra o rosto tornava a experiência dolorosa, e olhar o caminho ficava quase impossível. Era um tanto assustador ver as placas de trânsito e dos vilarejos cobertas por neve, todas congeladas; os gramados brancos e as ovelhas todas juntas tentando se aquecer o quanto podiam. As aves no céu lutavam contra o vento e pareciam perder a cada investida, era possível ver elas tentando voar para um lado e o vento as levando para outro. Cheguei a rir da insistência das pobres aves em ir para onde o vento não as deixava sem me dar conta de que eu estava na mesma situação. Mas como que se dando por vencido o vento que me segurava passa a me empurrar e percebo que depois de tantas curvas a estrada me colocou no sentido certo. Parei de pedalar e curti o empurrão, as pernas começar a tremer de frio e me dei conta que precisava manter as pernas movendo para me manter aquecida.

Ver a placa Welcome to John O´Groats!, me fez sorrir, a felicidade de ser bem vinda pelo lugar que almejo chegar há 21 dias é uma recompensa não só por todo esforço, dedicação e investimento nessa expedição mas sim uma recompensa por todo o último ano de treino e estudo, por toda a nossa mudança de vida para estar mais e mais aptos para o 360 Extremes. E passando por aquela placa, pensando em tudo isso sigo pedalando atrás do Ben e sei que ainda não acabamos, aquela placa é um sinal de estamos completando mas o Final é no marco e não na placa. Seguimos em frente, paramos em um Pub para saber onde exatamente estava o marco e olhando para fora da janela deles pude ver como o vento e a neve pareciam ganhar força. Menos de 1 km nos separava do nosso pódio, então com um sorriso largo subimos nas nossas bikes, clipamos nossos pés e pedalamos. Olhando em frente ansiosos em avistar algo parecido com o que deixamos em Land´s End. Não vou mentir falar que ver algo simplesmente pintado no muro foi um tanto decepcionante, mas mesmo assim descemos das bikes pulando de alegria. Aquele era o nosso momento, emocionados nos abraçamos, rimos, gritamos. Comemoramos do nosso jeito, e o frio estava ali a toda a nossa volta, se mostrando o parceiro inseparável dessa aventura. Eu bem que queria ter uma garrafa de champagne na hora para imitar os corredores da F1. Mas o jeito foi tirar a foto com o rosto gelado e banhados pelas gotas da chuva.

Entramos na lojinha e compramos uma caneca para simbolizar o nosso troféu.

Mas depois de todo esse sentimento de vitória tivemos que subir de novo nas bikes e voltar para o pub para pedir um táxi. Pedalar de volta aqueles 600m finais, subindo na bicicleta eu já realizei que isso seria muito, mais muito difícil mesmo, só não percebi que seria doloroso. O vento incrivelmente forte me jogava para trás e parecia uma parede que não me permitia sair do lugar, mais uma vez senti tapas do vento contra meu rosto e olhar para frente era impossível. As gotas acertavam meus olhos por cima dos óculos e me obrigava a fechá-los. Pedalei com força, tentando me guiar pelo asfalto da rua o quanto pude, olhando para baixo. Avistei o pub e o Ben pedalando em frente, o vento me batia com força e parecia não me querer de volta aquele lugar que me parecia quente, protegido e seguro. Uma hora desci e empurrei a bike. Chorei aqui, chorei de dor, meus olhos doíam por causa do vento e da neve. Subi na calçada do pub e o Ben veio me ajudar. Entrei no pub e lá ele me abraçou e me confortou. Quanto frio, quanta força um simples sopro pode ter.

Essa expedição acabou, depois fomos para Orkney Island ver as paisagens, continuar na companhia dos ventos mas com menos oportunidades de pedalar. A jornada em busca de experiência e preparo físico e mental para a grande expedição continua e esse ano com ainda mais aventuras, treinos e aprendizado.

 

The end is in sight. Almost

The end is in sight. Almost

Ao acordar de manhã passo a me sentir um pouco mais matemática do que comunicóloga, tudo isso porque inconscientemente me pego fazendo contas de quanto percorremos e de quanto ainda falta, e nessa manhã a resposta da equação me fez sorrir mas também me fez pesar. 100km para o nosso objetivo ser alcançado, tão pouco para que toda essa rotina de desafios e aprendizado se encerre, nessa pequena equação vejo mais que números, porque nesses 1400km percorridos vivi cada metro, suei cada subida, superei cada vento, me aqueci a cada mudança de tempo e cresci como pessoa, como ciclista, como cidadã. Tantas pessoas nos receberam com tantas histórias, conselhos e uma mão estendida para qualquer duvida ou problema. Curiosos pelo caminho nos chamavam de loucos e perguntavam sempre no porque de encararmos a LEJOG nessa época do ano. Os únicos a fazer isso agora, os únicos vistos por aqueles que nos acolheram, por aqueles que nos atenderam nos cafés e lojas de conveniências. O motivo talvez seja mais claro hoje do que quando saímos, é simples: aprender a lidar com todas as surpresas que as mudanças climáticas podem nos pregar. Acredito que isso conseguimos: lidamos com ventos de todos os lados, chuva forte, granizo, neve, icy, tudo isso junto, o dia de ameno e sem ventos se transformar em questão de segundos numa tempestade… Tivemos dias longos, semana inteira sem descanso, melhoramos nosso ritmo, melhoramos nossa potência, criamos uma sinergia e uma rotina nossa. E chega a todas essas conclusões de manhã, ao fazer a simples equação de quanto foi e o que falta, me entristece um pouco, porque parece que estou mais perto de parar de aprender, de parar de melhorar, de parar de conhecer.

The route to Keiss

The route to Keiss

Puxo meu pensamento para o fato de que hoje o dia não será fácil, a rota é montanhosa e promete uma subida interminável logo nos primeiros 20km, o clima dá pra ver que não está o mais amigo e se no dia anterior já não havia opções de parada, nesse então teria menos ainda. Pelo menos sair do Inn era algo um tanto motivador, o lugar era péssimo e eu não via a hora de chegar na próxima parada.

A ideia inicial era pararmos em Wick, mas resolvemos percorrer a maior distância possível porque o clima ia piorar ainda mais no dia seguinte. Sair de Brora foi bem tranquilo, a montanha lá no fundo com uma subida constante, longa mas não muito profunda. Agradeci o hotel ficar há uma distância razoável da subida porque consegui aquecer antes. O nosso ritmo estava tranquilo sem muita pressa. Essa seria uma subida bem longa de mais ou menos 15km, superado isso descemos uma ladeira de graduação 13% por uns 3km e no fim um curva fechada e uma subida nada amiga de 13% por mais 3km. Mais uma vez me vi pensando “porque não construíram uma ponte ali!”. Eu parei parar tirar fotos logo na curva e fazer vídeos do Ben, o problema depois foi subir na bike e encarar a subida, a estrada pra variar não tinha acostamento e era mão dupla, e com os ônibus passando ficava um tanto inseguro subir e começar a pedalar. Empurrei a bike até depois da curva e dali pedalei. Paramos no topo, depois de comemos umas barrinhas, tomamos água e combinamos de parar no primeiro serviço para tomar algo quente. Mas quanto mais norte estamos mais difícil fica de encontrar paradas. Passamos por diversos vilarejos, em Helmsdale acreditei que acharíamos algo por parecer um lugar maior que os outros, mas nada tudo fechado, entramos em Lybster e a cidade era super pequena e parecia um tanto abandonada, quase ninguém na rua os café e restaurantes fechados mas por sorte um mercadinho estava aberto e lá comemos e bebemos café. Dali em diante o desafio foi o frio mas sem muitas subidas significativas.

Looking over Berriedale, just north of Helmsdale; pausing for a break up the hill

Looking over Berriedale, just north of Helmsdale; pausing for a break up the hill

Um pouco antes de Wick o vento ficou mais intenso e vindo pela lateral, dava pra ver as ovelhas todas amontoadas tentando se aquecer e se proteger, mas nós não tínhamos muita opção além de pedalar. Chegando em Wick a cidade era bem maior, um mercado logo na entrada e não resistimos de parar para comprar algo para comer. O triste dessa parte é que na hora de continuarmos o Ben deixou o óculos cair sem perceber, parou uns 5 metros depois sentindo falta mas deu pra ouvir o som do carro atropelando e destruindo o seu óculos. Ele ficou bem chateado, mas pelo menos isso aconteceu agora e não há 17 dias atrás.

Seguimos até Keiss onde ficamos num Inn. O dia seguinte seria curto, mas olhando a previsão na internet não era nada animador, era certo que no dia seguinte encararíamos as piores condições da viagem!

 

Accompanying the single-track railway line northwards, passing plenty of small bridges on the way

Accompanying the single-track railway line northwards, passing plenty of small bridges on the way

Deixar Inverness deu um apertinho no peito, a cidade parecia ter tanto para se conhecer mas tivemos tão pouco tempo que tivemos que deixar para uma próxima oportunidade. A essa altura já sei que quando o Ben fala que o dia vai ser sossegado tem alguma pegadinha, e hoje não foi muito diferente. O dia estava bonito, e a rota seguia perto do mar quase o tempo todo. Seriam quase 94km e o clima estava com uma cara amigável no começo do dia. Logo nos primeiros 15km passamos por tantas pontes que perdi as contas, o bom foi que como não ventava tanto passar por elas não era algo tão complicado. O caminho todo tivemos que dividir a pista com os carros, uma pista pra ir outra pra voltar, o acostamento continua inexistente. Os motoristas sempre nos respeitando e nos ultrapassando com segurança, a diferença entre os ingleses e os escocês pra mimm é clara: a velocidade com que eles passam, na terra das ovelhas o limite de velocidade deve ser bem mais elevado, e alguns carros passam tão rápido que só os vejo fazendo a curva lá na frente.

Stats - Inverness - BroraO frio ameno deixa o pedal mais leve, em compensação acabamos suando um pouco mais embaixo da roupa e temos que refazer os layers, que com menos uma camada na descida nos esfria bastante. Algumas subidas pelo meio do caminho mas nenhuma que ficasse na memória. O grande problema é não ter onde parar para comer, tomar um café, ir ao banheiro ou simplesmente parar. Nesse dia eu parei atrás de moitas para fazer xixi, porque se fosse esperar ia ter que parar depois de 80km. Diversas placas apontavam caminhos ara castelos e muralhas, mais um arrependimento, não tínhamos tempo de desviar a rota e ficar parando para conhecer. Antes de Golspie não conseguimos não resistir de parar para admirar o pôr do sol, lindo demais.

Enjoying the view along the coast near Brora at dusk

Enjoying the view along the coast near Brora at dusk

Depois dessa parada na saída de Golspie uma subida bem paredão, pedalei sem acreditar que o Ben não havia falado nada, mas fui mais uma vez pedalando com paciência. Pude ver que a subida continuava numa curva fechada e me lembrei das tantas montanhas que passamos: Mandeep, Shap e a montanha na entrada de Lancashire.

E pensei certamente essa deve ser tipo aquelas, longas, sinuosas e intermináveis. Para a minha alegria, depois da curva ela terminava. Segui esperando por mais, mas nada. Subidinhas tão suaves que não tinha nem o que falar. O B&B que ficamos era bem na entrada da cidade, que não era muito grande. Em cima de um pub, e o quarto não era lá grandes coisas. O banheiro parecia ter um monstro vivendo escondido, cada vez que você ligava a torneira, o chuveiro ou dava descarga, um barulho grave e alto começava e só parava uns 5 minutos depois que você parou de usar a água. O pior de tudo é que foi o lugar mais baratinho que arrumamos na cidade e um dos mais caros da viagem até agora. Um absurdo na minha opinião mas como não tinha opções de warmshower ou couchsurf e também é bem difícil achar lugares abertos nessa época do ano o jeito foi não reparar no lado ruim e aproveitar a nossa única noite na cidade.

Arriving in Scotland - the first time for Natalia

Arriving in Scotland – the first time for Natalia

Que o dia seria longo a gente já sabia mas que seria difícil deu para notar só de olhar pela janela do hotel, nevava lá fora e isso seria um desafio totalmente novo para nós. Nenhum de nós nunca havia pedalados nessas condições e o que cada um sabia era o que tínhamos lido em blogs e matérias. Cada um arrumando seus alforjes, e como estávamos em quartos separados não dava muito para saber como foi a noite do Paulo. Às 7h30 ele bate em nossa porta e a certeza era que estávamos atrasados para o café da manhã. Mas infelizmente o motivo era outro, ele teve uma noite péssima com dores no joelho e estava um tanto receoso em enfrentar outro dia longo. O grande problema com dores no joelho e articulações é que não dá pra você se autodiagnosticar, e às vezes é algo simples e outras algo super grave. O que menos queremos esse ano é uma lesão que impossibilite todo o treino que planejamos para 2013, então ele ir a um médico nos pareceu o mais sensato.

Fomos com ele até a estação de trem e combinamos de nos encontrar em Edimburgh, ele teria quase 4 dias de descanso e dependendo do que o médico dissesse poderia continuar o resto da jornada conosco.

Começar a pedalar em 2 foi um tanto estranho no começo. Porque depois de tantos dias consecutivos você cria uma dinâmica e um ritmo, agora que somos dois os primeiros quilômetros foi de adaptação de ritmo e cadência. A cada metro esse dia parecia não melhorar, logo nos primeiros 10km eu percebi que a minha constante preocupação quanto ao peso que o Ben carregava na bike dele me fez colocar muito mais peso na minha, minha bicicleta parecia ter dobrado de peso de um dia para o outro. As subidas que normalmente faço sem problemas pareciam bem mais difíceis com tanto peso. Mas fui administrando as marchas e conseguindo transpassar os aclives no caminho. A neve batendo na cara é algo delicado, e até gostoso, bem diferente do granizo e da chuva. Tivemos momentos com bastante vento mas nada demais. Toda a paisagem do dia foi pintada de branco e dava um ar dramático a todo o pedal. Tudo parecia claro, belo e triste.

Por mais que o dia fosse longo e meu ritmo mais lento por conta do peso, não resistimos as paradas para fotos ou simplesmente olhar a volta.

A rota era bem montanhosa e com 3 picos principais, o primeiro uma subida longa e constante de +/- 8km, que superamos com facilidade graças a distração da beleza do dia, as duas subidas seguintes eram mais curtas, mais íngremes e com muito vento. Ainda bem que a vista de Selkirk de lá de cima era muito linda e nos fez pensar que valeu a pena o esforço. Dali em diante uma descida profunda e o resto mais ou menos plano.

O que percebi nesse primeiro dia na Escócia é que o tipo de asfalto escocês é mais áspero e te obriga a pedalar inclusive nas descidas, não existem muitos cafés, postos de gasolinas e lugares para breaks, hoje só achamos um lugar em Hawyk a mais ou menos 10km de Galashiels.

Não sei explicar o que me fez mais feliz ao chegar na casa dos nossos warmshowers anfitriões Strachan e Alex, se foi não ter que subir a rua que começa logo depois do prédio deles ou o fato deles morarem num apartamento no térreo e não tive que subir escadas essa noite.

Eles nos receberão super bem, cheio graça e com muitas histórias. Uma noite divertida e de muito bate-papo.

On top of Shap

Deixar Lancaster depois de 2 dias de descanso e diversão já não era fácil, e pensar que o trajeto até Carlisle inicialmente duraria dois dias não ajudava em nada. Tudo bem que o Ben repensou na rota para que fosse possível fazermos na metade do tempo, antes a ideia era passar pelo Lake District passando a noite em Windermere e no segundo dia ir para Carlisle. O Lake District é recheado de subidas mas também de belezas, e passar por lá seria trabalhoso mas compensador, por outro lado o joelho do Paulo merecia um dia a mais de descanso e o Ben merecia um dia a mais com a família e amigos depois de mais de 3 anos se vê-los. A rota seria longa, mais de 100 km de um sobe e desce interminável, o tempo também não estava de muitos amigos: frio, promessa de chuva e bastante vento.

Lancaster - Carlisle - mapSair de Lancaster foi fácil sem muito trânsito e a estrada não estava muito movimentada. Eu ansiava em ver a tão comentada Shap Mountain que pude ouvir o Ben e Franklyn conversarem em uma das noites, parecia que esse seria nosso maior desafio do dia, uma subida longa e um tanto íngreme. E quanto mais perto de Kendall a gente estava pior o tempo ficava. Os ventos inconstantes e rebeldes (de todos os lados) começaram uns quilômetros antes do pé da montanha, quanto mais subíamos pior ficavam. A subida era de +/- 10km e no começo me surpreendeu por ser até bem fácil, sim longa mas pra variar as subidas exigiam muito mais um trabalho mental que corporal. Tenho sempre a sensação que o que me falta é paciência e não força ou resistência. Durante a subida tive a impressão de perceber que o Paulo ainda não estava no seu ritmo normal, mas a essa altura acreditei que seria só um cuidado maior com as articulações.

Os últimos 3 quilômetros ficaram mais íngremes e além de paciência exigia também das pernas. Os ventos aumentavam e muito a dificuldade e por ficarem mudando de direção tínhamos que cuidar para ficarmos no canto esquerdo da pista sem atrapalhar os carros que subiam sem a menor dificuldade. Como um prêmio ou agradecimento, a natureza nos mandou um forte sopro nas costas que praticamente nos colocou no cume da montanha, e nos ajudando no último quilômetro. Lá em cima, filmando e torcendo estava o Ben, na expectativa pela chegada minha e do Paulo.

Eu comemorei, porque se aquilo que todos falavam que seria um desafio não me pareceu a pior coisa do mundo era mais um momento de conquista. Ali, mais uma vez reparei como o meu condicionamento e preparo físico estão em dia. Comemorei, parei, bebi minha água, comi meu block ( cubos de energia) e segui viagem. Ali em cima ficar parado com o vento gelado era ainda pior do que qualquer subida.

Com o pensamento aliviado, e pensando que o pior do dia já havia passado me vejo lutando contra o frio e o vento, as nuvens negras se espalhando pelo céu e a chuva prometida parecia que poderia começar a qualquer instante. Mas a chuva não era só chuva, era granizo, bem pequeno mas massacrador. A sensação daquelas pequenas pedrinhas jogadas na minha face pelo vento forte era de pequenos pedaços de vidro me cortando. O rosto ficava quente o que aumentava a sensação de estar com a pele sangrando. Os óculos protegiam os olhos mas uma hora ou outra algumas pedrinhas acertavam o vão entre o meu rosto e a armação e me obrigava a piscar para voltar a ver melhor. Alguns minutos a frente pude ver o Ben e o Paulo parando e se protegendo atrás de uma casa e isso me deixou bem aliviada. Ao parar com eles e checar se estavam todos bem, reparo que estamos um olhando bem para o rosto do outro buscando as mesmas marcas que tínhamos a sensação de estar nascendo. Mas nenhum corte, ou sangue ou machucado. A pele vermelha, judiada pelo vento e pelo frio parecia ser grossa demais para o granizo cortar. Alguns minutos depois reiniciamos o pedal, não porque a chuva havia parado mas porque não fazia sentido ficarmos ali esperando algo passar sendo que nem sabíamos quanto tempo poderia durar. O jeito foi tentar cobrir o máximo do rosto com o balaclava e torcer para que aquilo acabasse logo.

E uma hora acabou, não sei dizer ao certo quanto tempo ou distância porque foi algo bem difícil de se viver e nesses momentos é complicado reparar o quanto durou.

Weather closing inCom o vento ainda presente mas bem mais ameno seguimos viagem. A meta como sempre era chegar antes de escurecer, mas hoje estava sendo um dia desafiador e já comecei a imaginar que não conseguiríamos estar no hotel cedo. Tentamos manter um ritmo mais apertado e parando só o necessário para comer, ir ao banheiro e tomar um café quente que com esse tempo se faz mais que necessário às vezes.

O sobe e desce continuou mas nada que não pudéssemos administrar. Chegamos no hotel umas 18h30, o que nos fez pedalar apenas uma hora durante a noite. Pedalei a última hora desejando uma coisa simples mas revitalizadora: banheira com sais e água quente.

Ao chegar no quarto do hotel e ver que meu pedido foi atendido foi um presente tão bom quanto o vento no fim da Shap. Agora era hora de relaxar, 35 minutos com os músculos mergulhados numa água quente e relaxante que fez todos os músculos esquecerem do frio, da força e de como o dia seguinte prometia ser ainda mais difícil.

 

Essas são duas palavras apesar de parecerem não são contrárias uma da outra. As duas são para mim bastante importantes não só no esporte mas também na vida.

Quem me conhece pessoalmente, sabe que eu sou bastante brincalhão. Apesar disso sou uma pessoa bastante organizada e cheia de manias e métodos que adquiri com o tempo.

DESCONTRAÇÃO:

Descontrair quer dizer relaxar muscularmente e mentalmente. Pra isso, durante as pedalada tem uma coisas que gosto de fazer: Ouvir música.
Dentro da cidade, como a atenção tem que ser grande, não é meu costume ouvir nada além do trânsito, mas quando estou na ciclovia ou na estrada faço questão de estar ouvindo música. Sempre saio com um iPod pequeno que eu tenho, não cabe muitas músicas nele, mas já é o suficente para umas 12horas de pedaladas. Coloco músicas de diversos estilos, mas sempre tenho também uma playlist motivacional. Isso pode parecer bobo pu piegas, mas eu gosto disso, quando chega a hora de enfrentar uma serra onde pode-se passar horas em subidas ou quando as forças já estão se esvaindo é quando eu coloco ela pra tentar esquecer do esforço que estou fazendo.
É claro que isso depende de gosto musical, mas aqui vão algumas músicas que estão na minha playlist motivacional. Bastante coisa veio até mesmo de trilhas sonoras de vídeos de esporte ou filmes que eu gosto.

CONCENTRAÇÃO:

Concentração pra mim começa com rotina. Uma pedalada longa, sempre começa no dia anterior. Antes de dormir encho os pneus da bicicleta, separo tudo oque vou precisar (normalmente 1 câmara de ar reserva, 1 bomba de inflar, 1 kit remendo, 1 canivete de ferramentas, 1 saco plástico do tipo ziploc onde coloco os documentos, dinheiro, cartão de crédito e que cabe o celular também no caso de começar a chover). Tento também dormir cedo e não comer nada muito pesado. No dia da pedalada acordo bem cedo, tomo banho, coloco a roupa de ciclismo, tomo café da manhã, passo protetor solar, confiro se os pneus não mucharam durante a noite, encho a caramonhola com água gelada e finalmente faço o alongamento. Essa rotina me garante que eu não tenha que me preocupar durante o pedal com a falta de nada.

A outra parte da concentração vem durante a pedalada, mas é mais necessária nos momentos de dificuldade, aqui é a parte onde as músicas motivacionais da desconcentração trabalham juntas com alguns pensamentos que carrego comigo. São frases que me fazem lembrar que os fins justificam os meios. Que o momento pode ser difícil, mas que no final, tudo aquilo vai valer a pena e eu me sentirei melhor. São algumas delas:

“It doesn’t have to be fun to be fun.” Barry Blanchard

“It never gets easyer, you just go faster.” Greg Lemond

“Pain is weakness leaving the body.” Daniel J. Evans

“Pain is temporary. Quitting lasts forever.” Lance Armstrong

É por tudo isso que eu acredito que  concentração e descontração trabalham juntos, cada um tem seu papel, hora se alternando, hora se complementando.

Alguma sugestão de frase ou música? Deixe nos comentários!

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Vocês acompanharam nosso início de bike e as nossas primeira pedaladas nas estradas. E com certeza teria sido um início bem mais difícil senão fosse pelo André Pasqualini e o Desafio Bicicletas ao Mar. Hoje esse grupo ainda cresce e pedalamos juntos pelo menos 1 vez ao mês. Mas com esse mesmo espírito de ajudar os ciclistas do dia-a-dia e os que querem pegar estrada o André ainda faz nascer em nós a vontade de que todos deveriam poder vivenciar essa liberdade que a bicicleta nos proporciona. E com uma ideia na cabeça e com um grupo de pessoas dispostas a ajudar nasceu o Projeto Bicicletas de Natal. Que abaixo eu coloco o texto que peguei emprestado de seu blog para vocês entenderem, divulgarem e que sabe fazer parte.

PROJETO BICICLETAS DE NATAL

O Coletivo formado pelos participantes do grupo Desafio Bicicletas ao Mar organizou uma campanha de doação de bicicletas, nosso objetivo era recebermos a doação de 100 bicicletas que serão reformadas e doadas a jovens ligados a entidades filantrópicas da região metropolitana de São Paulo. Para realizarmos essa ação, firmamos uma parceria com a CPTM que irá nos ceder um espaço para montarmos nossa oficina temporária. Esse espaço será a antiga passarela da estação Pinheiros da CPTM, que atualmente está desativada. Lá iremos montar nossa base operacional, onde organizaremos grandes mutirões para prepararmos as bicicletas.

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O projeto está dividido em três fases, a primeira foi no ultimo final-de-semana, a etapa de recebimento das doações. Um sucesso sem tamanho, conseguimos exatas 100 bicicletas. A segunda foi no dia 03 de dezembro, com inventário e início dos mutirões para reforma das mesmas e a terceira será no dia 23, data da entrega das bicicletas.

Como colaborar com o projeto?

Os voluntários poderão ajudar daqui pra frente:

– Se voluntariando para ajudar na reforma das bicicletas

– Abaixo iremos detalhar as fases do projeto e como ajudar:

Se voluntariando na reforma das bicicletas

Como iremos operar dentro de uma área paga da CPTM, todos voluntários irão assinar uma lista de presença na entrada da estação Pinheiros. Já aqueles que se dirigirem até o local utilizando o sistema do Metro e da CPTM não precisarão preencher esse formulário já que nosso ponto de encontro será na área paga do sistema. De qualquer forma, caso você queira participar de algum dos mutirões, envie um email para bicicreteiro@gmail.com com seu nome e RG para colocarmos na lista que ficará durante o mês de dezembro na estação Pinheiros da CPTM.
Criamos um evento no Facebook para os grandes mutirões dos dias 15 e 16, se inscreva e tire suas dúvidas por lá.

http://www.facebook.com/events/454753451247472/

Para mais informações sobre os mutirões de dias de semana, acesse o grupo Desafio Bicicletas ao Mar no Facebook e participe de forma mais ativa da nossa campanha.

Para chegar ao local dos mutirões basta se dirigir até a estação Pinheiros da CPTM. Se você for de bicicleta ou de carro, deixe sua bicicleta no bicicletário (carro na rua), procure os funcionários da CPTM e informe seu nome completo com RG, eles irão consultar uma relação de pessoas autorizadas e lhe dará o acesso a estação, depois basta se dirigir a passarela que fica na área da CPTM, em frente aos banheiros públicos.

IMPORTANTE: É preciso ter seu nome na lista para acessar nossa oficina na estação Pinheiros, para isso mande um email para bicicreteiro@gmail.com com o assunto “Voluntário do Mutirão” informando nome completo e RG. Também importante escrever o campo do assunto exatamente como acima, do contrário seu email pode ser perdido e o nome não entrará na lista. Já quem se deslocar até a estação de Metro ou Trem, não precisa sair da área paga, basta ir até a passarela e procurar um dos voluntários que estarão no local, desde que seja nos horários citados mais acima. Na dúvida pergunte sempre a um funcionário da CPTM (não do Metro).

Doando peças ou valores ao projeto

Os voluntários poderão sair a “caça” de doações, visitando bicicletarias pois é comum as pessoas trocarem equipamentos, descartando os antigos ainda em bom estado de conservação, uma lista com equipamentos necessários se encontra no site do bicicreteiro também.

Há outros tipos de equipamentos, como conduítes, cabos de aço, pastilhas de freio, óleos e lubrificantes, pneus e até mesmo algumas ferramentas específicas que utilizaremos nas montagens das bicicletas que possivelmente precisaremos adquirir. Caso você opte em ajudar dessa forma, aguarde a divulgação da lista de materiais ou faça uma doação clicando aqui.

Quem fizer uma doação a partir de R$30,00 e levar o comprovante da doação em um dos nossos mutirões, receberá dos nossos voluntários um pequeno curso de manutenção de bicicletas, dicas que servirão para você manter sua magrela sempre em ordem. Caso você também deseje colocar a mão na massa, pode ficar a disposição do grupo para realizar algum trabalho no mutirão, outra boa maneira de aprender um pouco sobre mecânica de bicicleta.

Doe e concorra a uma Bicicleta Durban Metro

Para incentivar as doações vamos rifar essa linda bicicleta que foi doada por um voluntário, para concorrer você pode doar qualquer quantia e enviar o comprovante da doação para o email bicicreteiro@gmail.com. A cada dois reais doados você ganha um número de 0 a 1000 e o resultado do primeiro prêmio da Loteria Federal do dia 12/12/2012 leva a bicicleta. Participe e nos ajude, entre no site do O Bicicreteiro para mais infos e cadastramentos.

André Pasqualini

Audax 200km Holambra: Antes

Posted: December 4, 2012 by Paulo Filho in Cycling, Uncategorized
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Dia 8 de dezembro participarei do AUDAX 200km. Dessa vez em Holambra, mesma cidade onde participei do AUDAX 300km.

Trajeto do AUDAX 200

Trajeto do AUDAX 200

Mais uma vez, testarei aqui meus limites. A cada prova me sinto mais forte e mais preparado fisicamente para oque está por vir. Mas essas provas também são muito importantes para preparar o lado psicológico.
Quando algo está em jogo (no caso a finalizar os 200km dentro de um prazo máximo de 13h30) a cabeça funciona de forma diferente, e cada imprevisto te consume de uma forma diferente. Esse tipo de coisa vai acontecer durante nossa expedição, hora correndo contra o pôr do sol, hora correndo contra uma tempestade iminente ou outras coisas também não controláveis por nós.

Dessa vez não me preocupa tanto o percurso ou as subidas. Oque me preocupa de verdade é o calor. Se estiver quente como estava no Desafio Rural, a prova será duríssima! A região de Holambra é famosa por ser quente, agora torço para que no dia o clima esteja mais ameno. De qualquer modo capricharei no protetor solar, no protetor labial e tentarei usar mangas compridas. A hidratação também terá que ser ainda maior.

Perfil Altimétrico: Pior trecho será ainda de manhã.

Perfil Altimétrico: Pior trecho será ainda de manhã.

Outra coisa bastante importante é criar um checklist das coisas necessárias para levar, o meu checklist é:

2 Camaras de ar 700×23
2 Espátulas pra tirar pneu
Bomba de ar
Kit remendos
Canivete de ferramentas
Lanterna dianteira
Luz traseira
Colete refletivo
Luvas
Capacete
Protetor Solar
2 suportes para caramanhola
2 caramanholas
Protetor Labial
Óculos de Sol
Ipod
Celular
Bermuda
Camiseta
Manguitos
Meias
Sapatilha
Creme para evitar assaduras
Planilha orientativa
Mapa impresso

Essa semana separarei algum tempo para estudar o mapa e a planilha orientativa, assim fica mais difícil me perder na estrada.

Adaptação é como defino esses últimos tempos.

Os dias de agora são corridos, tenho que administrar uma rotina que inclua treinos, alimentação saudável e 16 horas de trabalho por dia. Essa maratona diária não me dá folgas nem aos finais de semana que são ocupados um dia com trabalho e outro com pedaladas longas de mais de 100km. E apesar de serem rotas já conhecidas ganham desafios novos como alforjes a cada viagem mais pesados e sapatilhas de clipe.

Tanto um quanto o outro eu estou em fase de adaptação, arrumar os alforjes não é tão simples e tentar equilibrar o peso dos dois lados tem se mostrado uma arte, já os pedais são um teste de sobrevivência e posso dizer que quase reprovei logo na primeira prova. E se eu não passasse, talvez não poderia estar escrevendo esse post agora.

Semana passada fomos a Itu, na Estrada de Romeiros sem acostamento e cheia de subidas, o meu primeiro dia oficial com os pedais foi no modo “Hard”. Até que estava indo bem apesar de nas primeiras subidas não confiar tanto de ir com os dois pés presos, com o passar dos km fui ganhando confiança e me atrevendo cada vez mais a testar os limites, até que numa das subidas antes de Pirapora perdi o controle da minha respiração e resolvi parar. Com os dois pés clipados me concentrei para tirar um dos pés e quando consegui pensei em pedalar mais um pouco para tirar o outro, na hora que consegui tirar o segundo pé e fui descer da bike para o lado esquerdo, o meu pé de apoio clipou novamente e caí no meio da estrada, tentei não me desesperar e tentei levantar a bike que ainda presa ao meu pé levantou mas caiu novamente. Imagine, eu caída no meio de uma estrada de duas mãos com uma faixa para cada sentido sem acostamento e com um caminhão vindo em minha direção. Sim fiquei com medo. Sim queria gritar. Mas me desesperar naquele momento era o mesmo que desistir e então vi que minha única saída era chutar a bike com força para o gramado e ir me arrastando para fora da pista. Até que consegui ir mais pro canto mas mesmo assim o caminhão teve que invadir a outra pista para desviar de mim. Depois desse susto levantei, bebi água e encarei a subida novamente.

Quando fiz a última curva vejo o Ben me esperando e ali me bateu um desespero e comecei a chorar imaginando tudo o que poderia ter sido. Ele vendo meu estado volta em minha direção e pergunta o que aconteceu. Ele me acalma e seguimos viagem. A cada subida vejo meu corpo surtar e minha respiração acelerar junto com meu coração. Essas eram as sequelas do trauma anterior. Mesmo sem clipar ou clipando somente um dos pés meu corpo e minha cabeça tremiam de medo a cada lembrança do que havia passado. O tempo todo fui tentando lidar com esse medo e sabia que se desistisse da sapatilha ali seria ainda mais difícil encará-la depois, por isso fui respeitando meu medo e forçando meus limites aos poucos.

Ao chegar em Pirapora encontrei com o caminhão parado e descarregando em uma casa, parei e conversei com o motorista que me disse algo que me fez lhe ser muito agradecida:”Não parei porque ali com curvas e sem acostamento seria muito perigoso e também não buzinei com medo de te assutar, pensei que seria pior”, eu sorri e agradeci dizendo que se tivesse buzinado eu provavelmente teria desistido e o som da sua buzina iria me parecer o som da morte. Ele riu de leve e disse para eu tomar mais cuidado.

E certamente eu tomei muito mais dali em diante. Conseguimos chegar em Itu, mas não no tempo normal. 

Já nesse final de semana os desafios foram os mesmos pés clipados e bikes pesadas mas o destino mudou: Atibaia. Pra contribuir ainda mais para o treino pegamos chuva em quase toda a segunda metade do trajeto, e encarei quase toda a viagem com os pés atados aos pedais. O peso do trauma ainda existia mas bem mais controlado. Encarei subidas e mantive meu ritmo. Fui super bem apesar da minha bicicleta parecer estar na marcha pesada mesmo quando estava na 1/1. Encarei subidas intermináveis e outras que eram bem mais leves do que a minha lembrança guardava, mesmo assim um dia intenso.

No fim da viagem estava me sentindo super feliz e realizada por ter encarado mais de 100km e ainda estar me sentindo disposta, e o melhor, sem problemas com os pedais. Mas nunca se sabe o que pode acontecer porque a viagem só acaba, quando acaba e faltar 3 km não é sinônimo de trajeto cumprido. E foi exatamente faltando isso que a minha corrente travou e tentei evitar o que descobri ser inevitável para quem tem pés clipados e está numa subida: a queda.

Caí mas dessa vez escolhi o lado certo mas com a queda minha calça rasgou e tive que encarar o resto do pedal com metade da bunda de fora. Ainda bem quer era pouco!

O resultados dessas duas semanas: pés calejados e com unhas escuras, bunda e braços com hematomas, menos uma calça para Inglaterra, uns arranhões na bike, mas mesmo assim o saldo é positivo porque as pernas se mostraram capazes de carregar mais do que eu imaginava, estou mais confiante em relação as sapatilhas com clipe, sem falar que meu auto-controle está melhorando e assim consigo resolver melhor os problemas.

Ponte metálica Foto: Divulgação

Como falei no meu post anterior: Provas, bicicletas e treinos, agora esse final de semana vou participar do Desafio Rural.
Trata-se de uma prova no estilo Randonneur, onde o ciclista deve ser totalmente auto-suficiente. Não é também uma prova competitiva, não há premiação e nem colocação. O desafio da prova é contra você mesmo. Esse é o tipo de prova que mais me agrada. Não sou uma pessoa competitiva, mas gosto de testar meus limites.

O desafio rural, está começando agora a sua série 2013, será uma sucessão de provas nas quais a dificuldade de distância vão sempre aumentando. Essa primeira prova terá 87km de extensão sendo quase todos esses kilômetros em estradas não pavimentadas e trilhas. Isso deixa as coisas bastante diferentes. Eu tenho mais experiência em andar no asfalto. A única experiência mais longa que tive com pedalar na terra, foi exatamente um desafio rural anterior, realizado em maio de 2012 que serviu como um teste para a organização ver se era viável organizar esse tipo de prova.

Foram 76km saindo de Mogi das Cruzes e depois voltando para lá. Na época eu não tinha uma Mountain Bike para utilizar e peguei uma emprestada. Essa, infelizmente não aguentou o tranco da prova. Faltando 6km para o final, o free-hub quebrou, isso fez com que a pedalada não fosse mais transferida para a roda. Eu pedalava e a bicicleta não saia do lugar. Empurrei durante 4km até que um carro da organização veio me buscar. Não terminar a prova foi bastante frustrante, ainda mais tão perto do final. Mas tudo bem, isso já foi superado e agora chegou a oportunidade de fazer direito.

A grande diferença entre pedalar no asfalto e na terra é que na terra o desgaste é maior e a aderência é menor. Também como o terreno é mais acidentado, em trilhas você tem subidas e descidas bem mais inclinadas que as existentes em rodovias. Juntando subidas acidentadas e chão de cascalho solto, os desafios são mais técnicos do que de resistência propriamente dita. E é isso que eu quero agora melhorar na minha pedalada. Saber transpor esse tipo de terreno e não me assustar com as subidas e descidas é psicologicamente bastante importante, mesmo porque oque aprenderei é “ficar calmo em frente à adversidades” e esse tipo de comportamento é importante e pode ser extrapolado para várias outras situações em cima ou não da bicicleta. É para mim, oque para o Ben e a Nati, é a escalada.

Mapa e perfil altimétrico do Desafio Rural Jacareí

O mapa da prova, pode ser visto aqui.

Agora tenho poucos dias também para tomar algumas decisões em relação a bicicleta:
•Quais pneus utilizar: Estou com um par de pneus 29×52 e um par de 29×32. O primeiro número simboliza o diâmetro do pneu e o segundo a largura do mesmo. Então tenho um par bem grosso e outro mais fino. O grosso proporciona uma melhor tração em cascalho ou lama. O mais fino possue uma rolagem melhor e vai demandar menos esforço em terra batida. Como não conheço o terreno estou com com dúvida, devo esperar a previsão do tempo para decidir. Em caso de chuva irei com os mais grossos.

•Quais pedais utilizar: A bicicleta está equipada com pedais plataforma, mas tenho também pedais clipless, que são os que se usa com sapatilha. O com sapatilha eu costumo utilizar nas outras bicicletas, e o pé preso ajuda bastante na hora de pedalar porque além do movimento de empurrar os pedais você também consegue puxar. A desvantagem é que como eu não sou um Mountain Biker experiente, esse mesmo pé preso que vai ajudar em algumas horas, pode me levar pro chão se em algum momento eu perder a tração da roda trazeira e não conseguir desclipar a tempo de colocar o pé no chão. Essa decisão é a mais difícil que tenho que tomar antes do desafio.

A prova é no domingo. Na semana que vem farei um post contando como foi.

Comparativo de uma roda 700c e uma 26″ respectivamente

Uma decisão muito importante na hora de comprar bicicletas específicas para longas viagens é o diâmetro de suas rodas.

Com a minha experiência no ciclismo e mais a leitura de um monte de relatos de pessoas que viajaram de bicicleta por diversos lugares do mundo, juntei as seguintes informações:

Basicamente o mercado oferece duas opções, uma é 26 polegadas, que é a medida padrão de Mountain Bikes(MTB), e a outra é o 700c padrão de bikes de estrada, também chamadas de bikes speed.

Cada um dos tamanho apresenta vantagens e desvantagens.

26”

  • Camâras de ar e pneus são fáceis de conseguir mesmo nos lugares mais remotos.
  • As rodas são em geral mais resistentes.
  • Quadros para aro 26” normalmente aceitam melhor pneus mais largos.
  • A marcha mais leve de uma 26” acaba sendo mais leve que uma equivalente numa aro 700 (melhor em subidas e retomadas).
  • A oferta de raios para rodas 26” é maior.

700c

  • Rodas de aro 700c possuem uma rolagem melhor, facilitando a pedalada e rendendo muito mais.
  • São mais suaves quando passando por buracos (pouco coisa, mas perceptível).
  • Os pneus em geral são para uso urbano ou exclusivos para asfalto. Há outras opções, mas longe dos grandes centro essas são excassas.
  • Câmaras para rodas 700c de maior largura do que as de speed são difíceis de encontrar.

A modalidade “touring”, que se trata de turismo e viagens em bicicletas, fica em algum lugar entre o MTB e a estrada.

Isso faz com que alguns fabricantes de touring bikes ofereçam o mesmo modelo de bicicleta nas duas opções.

As conclusões que tive com isso tudo são que:

Se a viagem for exclusivamente nos EUA, Canadá e Europa ocidental, a escolha ideal é de bicicletas com aro 700c.

Se a viagem passa por lugares mais remotos mercadologicamente, e não se concentra apenas em estradas asfaltadas, a escolha ideal é de bicicletas com aro 26”.

Como nossa expedição será uma volta ao mundo, acabaremos pedalando em diversos tipos de terreno e em locais bastante remotos, por enquanto optamos por quando chegar a hora de pegar as bicicletas definitivas, procurar pelas de aro 26”.

Por enquanto em nosso treinos temos todos usado bicicletas com aro 700c e eu uso também uma MTB de aro 29” que é o equivalente a uma 700c na área das mountain bikes.

Em nossa próximas férias, em Janeiro ou Fevereiro de 2013, faremos uma viagem treino de bike de aproximadamente 1400km. Essa será em um lugar que oferece oferta de peças de reposição, pneus e câmaras. O Ben e a Natália, irão com suas bicicletas híbridas de aro 700c e eu com a minha MTB de aro 29”.

Amanhã partiremos para nossa primeira aventura de verdade. Pedalaremos até Itu,  +90km de distância, sozinhos, mas com tudo planejado. Seguiremos a rota que o André Pasqualini nos indicou. Na mochila: gel de energia, castanhas, sanduíches, frutas, azeitonas e muita água, kit de reparo, protetor solar, uma camiseta reserva, e um par de meias também.

Saída às 6h30 de casa, parada na padoca pro suco de beterraba com laranja e um bauru, e pedalaremos forte até a ciclovia de onde seguiremos até a cidade universitária. Daí em diante você pode ver no mapa:

A ideia é manter um ritmo bom mas também aproveitar o pedal, e tentar seguir o conselho da nossa nutri (lanchinhos rápidos a cada meia-hora) passaremos por Santana do Parnaíba uma cidadezinha que sempre quis conhecer, por isso não só iremos passar por ela como iremos passear também, a cidade é cheia de subidas e descidas o que deixa ainda mais interessante o treino. Pirapora do Bom jesus também promete ser um bom passeio mas mais curto.

Dependendo do horário enrolamos um pouco para não pedalar ao meio-dia, o clima anda muito quente e seco e pedalar a esse horário seria um desgaste desnecessário.

Pretendemos chegar em Itu às 17h lá teremos um bom tempo pra conhecer a cidade onde tudo é grande. Voltaremos de onibús provavelmente dormindo.

Obs.: Essa semana sem falta escreveremos sobre a descida para Santos e esse pedal.

 

Com o fim do ano se aproximando e nossas férias também, começamos a planejar o grande treino de ciclismo.

Uma viagem com mais de 1000 kilômetros e mais de 15 dias de duração precisará de bastante equipamento, alguns são bem óbvios, outros nem tanto.

Tenho lido nos últimos meses muito sobre bike touring e dei uma conferida nas listas de oque levar de viajante experientes, combinei essas listas e acrescentei ou tirei coisas.

Ainda não estou 100% seguro de quais peças sobresalentes devemos levar, mas isso não deve ser um grande problema já que não estaremos distantes da civilização em momento algum.

Aqui segue a lista inicial, acredito que aí ainda entrarão coisas.

Aceitamos dicas!

Acessórios presos na Bike:

•Alforges dianteiros e traseiros

•Bolsa de guidão

•Selim confortável

•Bar-end no guidão

•Suporte Caramanhola + Caramanhola (2)

•Ciclocomputador

•Luz traseira

•Farol dianteiro

•Espelho

•Buzina

•Paralamas

•Trava(para uma viagem uma u-lock não é ideal pelo peso excessivo)

Equipamento de Camping:

•Barraca 4 estações

•Saco de dormir 4 estações

•Isolante Térmico

•Saco estanque(para organizar tudo dentro dos alforges)

•Fogareiro

•Combustível Fogareiro

•Panela

•Talheres

•Filtro de água

•Dry Bag grande (prender no rack do bagageiro traseiro com a barraca)

•Mochila de ataque

•Capa para bike (fina, para uso de noite no caso de muita neve)

•Alfinetes (toda cicloviagem e acampamento tem seu momento gambiarra! esteja preparado para ele)

•Pratos

•Canecas

Roupas de ciclismo:

•Capacete

•Óculos

•Jersey (2 sendo pelo menos uma de manga longa)

•Shorts e calça para pedalar (2 ou 3)

•Luvas dedo longo

•Meias(2 ou 3) pelo menos uma de gore-tex

•Sapatilhas

•Fleece

•Pernitos

•Manguitos

•Cap ou bandana (usados por baixo do capacete previnem do suor escorrer nos olhos, e o cap com sua pequena aba ajuda a proteger do sol em momentos que o óculos fica muito embaçado, como em subidas muito íngremes)

•Balaclava

•Botas impermeáveis (capa de sapatilha)

•Segunda pele (base layer)

•Corta vento impermeável

Roupas para cidade/acampamento:

•Camisetas

•Calça

•Bermuda

•Underwear

•Chinelo/Tênis

•Toalha

Mala de comida:

•Refeições

•Snacks

•Tempero

•Pó de mistura para bebidas energéticas

Documentos:

•Passaporte

•Cartão crédito

•Dinheiro

•Passagens

•Cópias do passaporte(guardar separado)

•Seguro médico internacional

•Cartão telefônico

•Agenda de contatos

Gadgets e itens de viagem:

•Celular+carregador

•Lanterna de cabeça

•Câmera+carregador

•Mini tripé

•Mp3 player

•GPS

•Mapas, planilhas e planos altimétricos

•Canetas e marcadores

•Caderno anotações

•Cadeado

•Binóculos

•Adaptador de tomada

•Lanterna

•Bússola

•Apito

•Isqueiro

Ferramentas e peças sobressalentes:

•Bomba de inflar

•Espátulas e remendos

•Câmaras reserva

•Adaptador de válvula

•Desengrachante

•Lubrificante

•Raios (pelo menos 6 de cada medida usada nas bikes)

•Sapatas de freio

•Pneu reserva(dobrável)

•Cabos de câmbio e freio

•Porcas e parafusos variados

•Lacre plástico

•Taquinhos extra para sapatilha

•Luvas cirúrgicas (para mexer na corrente e no caso de primeiros socorros)

•Canivete de ferramentas

•Chave de raios

•Links de corrente

•Corrente exta

•Extrator de cassete (só faz sentido se levarmos um cassete extra)

•Canivete suiço

•Silver tape

•Alicate

Itens de higiene pessoal e primeiros socorros:

•Band-aid

•Anti-séptico

•Lenços umedecidos

•Gazes

•Analgésico

•Vaselina

•Anti alérgico

•Relaxante muscular

•Talco para os pés

•Carbono contra diarréia

•Zinco

•Papel higiênico

•Sabão (o mesmo para louça, roupas e corpo)

•Protetor Solar

•Protetor labial

•Repelente

•Escova de dentes

Hora de pedalar

Posted: August 4, 2012 by Natália Almeida in Cycling, Training
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Enquanto esse site anda meio parado a vida e a rotina dos 3 participantes desse projeto está em constante mudança.

Com muito treino, visitas em casa, aniversário do Ben a maior novidade são os nossos novos xodós: 2 bicicletas novinhas e perfeitas para o nosso treino.

A minha bike híbrida Merida vermelha  e a do Ben uma híbrida Kona Dew azul, já partimos para uma pedalada pelas ruas de Moema a caminho de casa, eu fiquei com medo dos carros mas nada que com o tempo eu não me acostume. O corpo não reclamou de nada, a única dificuldade foi chegar em casa sem pegar grandes avenidas ou a Av. 23 de Maio mas com a ajuda do celular e do google maps conseguimos.

Amanhã começamos a treinar aos domingos, terças e quintas com a galera do O Bicicreteiro a cada domingo iremos para uma nova rota com o objetivo de fazer o Desafio Bicicletas ao Mar que será no dia 02-09-2012, onde num percurso de 100 km saímos aqui de São Paulo rumo a Santos.

Esse tipo de evento é muito importante em nosso treinamento por ser uma motivação a médio prazo, a ideia daqui para frente é incluir novos desafios que nos motivem mais e mais.

Se você quiser participar desse desafio se inscreva e comece a treinar:  2 Desafio Bicicletas ao mar.