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A noite não é como o esperado, primeiro acordo com o quarto super quente e seco. Bebo água, e molho uma camiseta e coloco na cabiceira da cama, de nada adianta. Ben também acorda com o mesmo problema, abro a janela. Ele volta a dormir mas pra mim era só o começo do desconforto. Cólicas estomacais voltam e a noite vira um pesadelo. Molho a minha camiseta e coloco a camiseta sobre ela, quem sabe assim quando respiro fica melhor e na verdade deu uma mehorada sim. Algum tempo depois as cólicas se transformam em mais uma vez diarréia. E pronto já não durmo e as seguidas idas ao banheiro acorda o Ben, que fica aflito. Ligamos para Caleb às 8am e pedimos para adiarmos a ida para o dia seguinte, ele diz que tudo bem, vem ao quarto com uma garrafa de água e remédios. O dia foi de descanso, muita água e de comidas leves. Em nossos rostos era possível ver que estamos tentando lidar com a possibilidade de eu ficar aqui, e além disso temos que lidar com a frustração que aumenta ainda mais de eu ainda não ter conseguido ir ao topo de uma montanha. Chorar não é a solução mas é a única coisa que alívia um pouco o coração apertado.

Com o passar dos dias pareço estar um pouco melhor, e voltamos a nos animar. Amanhã será o dia, amanhã saíremos daqui para o acampamento base e eu vou estar bem, vou conseguir, o pensamento segue assim, e na hora de dormir até me atrevo a tomar um remédio para controlar meu intestino. Durmo aflita porque sei que amanhã não posso decepcionar, e peço para meu corpo ser forte pelo menos nos próximos 5 dias.

Acordamos cedo, descemos as malas e fomos tomar um café da manhã. Enquanto o Ben se esbalda com torradas e ovos, eu tento ser o mais leve e neutro possível. 2 Torradas com manteiga, um copo de leite quente e litros e litros de água. José chega e é era de partir, a viagem de La Paz ao povoado de Pinaya é de +/- 4 horas, as condições das estradas são péssimas, a via de terra e pedras soltas é estreita, diversas curvas super-fechadas e encontros sem aviso de carros vindo do outro sentido. O precipício do lado direito aumenta a aflição, Ben chega a suar olhando a queda que fica a poucos centímetros das rodas de nosso carro. Chegar a Pinaya é mais que um alívio. Lá comemos um sanduíche de pasta de amendoim e geleia e fechamos 2 burros para carregar as coisas até o acampamento base.

Começamos a trilha, o lugar é muito bonito, passamos por diversas casas e cholitas puxando ovelhas, por aqui tudo é muito verde e quente. A medida que vamos subindo o calor vai diminuindo e o vento aumentando. Por mais resistente que eu tente ser meu corpo começa a entrar em colapso, o estomago dói e se revira. Mais uma vez é difícil respirar e manter o ritmo. Todos começam a reparar que estou ficando mais lenta e ofegante, e minha cara de desconforto demonstra que algo está me afetando. De início respondo que tudo está bem quando me perguntam, mas a revira-volta no meu estomago me obriga a confessar que não estou 100%. Diminuímos o ritmo mas seguimos em frente, quando a dor piora paro, sento e espero passar. Depois seguimos mais adiante. Começo a ficar brava porque não sei se mais uma vez fiz a escolha certa, minha cabeça segue com diversas questionamentos que a cada minuto penso em respostas diferentes. A todo instante José nos dá uma previsão de quanto tempo ainda falta sempre diz a mesma frase ” A esse passo mais ou menos 2 horas”. A verdade é que essa trilha normalmente leva entre 2 a 3 horas, e nós levamos umas 5 horas.

Ao chegar no acampamento, me deito sobre uma pedra que está no sol e me aqueço um pouco ali. Os outros vão olhar as coisas deixadas ao lado das barracas que já estavam armadas. Ben vem me checar e me chama para ir deitar um pouco.

A tarde e a noite no acampamento base promete ser tensa, enquanto Caleb e José conversam sobre o dia seguinte, eu e Ben estamos aflitos na nossa barraca.

La Paz é uma cidade bagunçada e um tanto caóticas, carros vem e vão a todo instante e respeito ao pedestre é algo que eles realmente não aprenderam na auto-escola. Uma briga de carros e pessoas que vão e volta sem parar no meio da fumaça e da poeira. O barulho de buzinas gastas, motores velhos, carburadores furados e de pessoas falando são a trilha que embala sua estada pelo centro. Para chegar a Calle Illampu, onde fica nosso hotel, passamos por diversos mercados de ruas e barracas vendendo das coisas mais comuns ao mais bizarro. Mesmo com todo esse caos a me esperar não tem como não sentir aliviado em poder descansar. Ouvir a palavra La Paz soa como calmaria, descanso, noites bem dormidas, banheiros limpos, comida quente e variada, acesso a internet e todo o luxo que estamos privados no acampamento. Não que eu não goste de acampar, aqui na Bolívia tem sido uma experiência de dois lados, boas conversas, caminhadas, lindas paisagens mas de outro muita dor de estômago, uma doença que não para e pouca comida. Me anima sempre a cada novo acampamento que vamos, mas a frustração de ainda não ter conseguido um pico me persegue e invade meus pensamentos a toda hora. Tenho consciência que não tenho controle sobre esse mal que anda me afetando e que me enfraquece a cada retorno. A vinda para La Paz me enche de esperança, vir a capital é sempre sinônimo de fim de uma etapa mas também de recomeço. É daqui que começamos e é aqui que terminamos, logo mais uma chance de recuperação antes do Illimani.

A noite saímos para comer no Café Banais, ver o Augusto melhor foi bom, pena que daqui para frente não teríamos mais a sua companhia ou a de Kirk, eles fecharam o pacote de 14 dias que se encerrava essa noite. No dia seguinte partiriam para o Uyuni numa viagem de 3 dias conhecendo o salar, as grutas e as lagoas com flamingos.

Volto para o hotel e não ter nenhuma dor de estômago só me deixa mais animada. Vamos dormir que amanhã é dia de passear e levar os nossos 2 parceiros para conhecer a porte cult da cidade, do outro lado da avenida Perez Velasco tem uma infinidade museus, catedrais e galerias. O destino na verdade era a Calle Jaen a mais antiga da cidade.

Acordamos atrasados para o café da manhã mas mesmo assim conseguimos chegar a tempo. O dia foi cheio como imaginamos e o passeio agradável. Entramos no museu de intrumentos musicais e nos divertimos muito, por 5 bolivianos você pode conhecer um pouco da cultura musical local e tocar muitos dos instrumentos expostos. Depois fomos a um café que fica no fim da rua, onde comemos sanduíches e bebemos capuccino. O Ben e o Augusto provaram Chocococo, que é um chocolate quente com leite condensado, mais gostoso do que imaginei. 

Depois de muito passeio hora de voltar ao hotel e arrumarmos as malas seja pra ir para o Illimani ou para o Uyuni. Uma despedida breve e a certeza do reencontro quando voltarmos da montanha.

Arrumar a mala parece cada dia mais simples, e dessa vez fica fácil saber escolher o que fica no hotel e o que levamos. A noite chega e junto a fome, ligamos para Caleb e vamos ao Lunas, um restaurante bem perto do hotel. Lá conversamos sobre o que nos espera em Illimani e comemos uma lasanha vegetariana. Voltamos para o hotel e combinamos de sair amanhã às 9am.

Agradecimento a Augusto por suas fotos aqui nesse post.

Hora de voltar a La Paz, antes temos que descer até o acampamento 1 e arrumar as coisas. Descer foi tão difícil quanto subir, as botas plásticas escorregam em todo lugar e certeza que umas 4 vezes rezei pedindo pra não morrer, mesmo sendo ateia nessas horas recorro a todos. Vou o caminho todo me equilibrando e tentando tomar cuidado, a cada escorregada meu pensamento vai para o Ben e para minha mãe. Morrer não é uma opção, ainda mais assim tão nova, a cada escorregada José brincava que eu queria esquiar sobre a pedras, eu retribuo a risada e falo que esquiar ali é suicídio e que se eu morrer minha mãe me mata. Ele ri muito e diz que nada vai acontecer.

Vou andando super lenta, e as pessoas vao me passando com facilidade. José se irrita com o fato de eu não ter aprendido a usar crampons e as botas direito, e fica tentando me ajudar. Presto atenção a cada conselho e ensinamento dele, mas a velocidade do meu passo não aumenta.

Tudo bem não estamos com pressa, os outros iam descansar, desarmar as barracas, arrumas as mochilas e descer.

Ao chegar no refúgio, estou morrendo de fome, a última coisa que comi foi a meia noite e já são mais de 16h. Sento dentro do refúgio mas estão cozinhando sopa e macarrão, saio procurando um cheiro neutro, encontro José que tenta resolver meu problema com um copo de chá.

Algumas horas depois os outros finalmente chegam, Kirk compra cerveja e resolve comemorar. Tento beber um copo mas fica difícil. Mesmo assim brindo, tiro fotos e me divirto.

Tudo arrumado, todos no carro, hora de partir para La Paz e contar tudo para Augusto.

Obrigada Casa de Pedra!!

À meia noite acordamos e tentamos nos aprontar rápido, mas coisa difícil com a barraca uma zona e tudo perdido no meio de tudo. No atrasamos e corremos para tomar um chá na barraca do Caleb. Chegando lá ele disse que sem pressa, para comermos e nos arrumarmos com calma. Granola com leite para café da manhã, mochila nas costas e embracamos em mais uma longa noite sentido ao cume. As mochilas estavam bem leves e não atrapalhavam, eu segui na frente com José enquanto um segundo time formado por Caleb, Bem e Kirk me seguiam. Eu andava muito de vagar seguindo os ensinamentos de Kirk no dia anterior. José sempre atencioso viagiava meu ritmo e me desacelerava toda vez que me via mais apressada. Como não tive nenhuma introdução no uso de crampons, ele também ia me guiando em qual seria a melhor forma de poupar energia. Caleb atrás sempre vendo tudo o que José me ensinava e se intrometia quando achava que não era necessária essa ou aquela técnica. José preocupado com os outros que vinha atrás pedia a todo momento que passassem a frente e nos deixasse acompanhando atrás, o frio é o pior inimigo na subida e pensar que os outros estão ficando mais tempo expostos. Caleb se negava o tempo todo, dizia que era dois times mas um só grupo.

Essa situação me fazia sentir mal, mais uma vez aquela que atrasa o proceso. Tirar esse pensamento da cabeça foi o foco. Andando devagar e com um ritmo constante, mais ou menos 2 horas depois fome e sede já me maltratavam, parei comi um biscoito bebi muita água e recomecei a caminhada. No escuro fica difícil messurar a distância, a altura e ver a trilha. Cada vez colocava um ponto alto como objetivo e chegando nele tinha ainda mais para se andar. No escuro e no meio de tanta neve você perde a noção de tempo, espaço e tudo parece pesar mais, levar mais tempo e absurdamente mais dificil. Várias pessoas desistem e nos passam voltando, o que comprova a dificuldade do que temos a frente.

José sempre improvisa paradas de descanso para mim, dizendo que é melhor parar para deixar outros montanhistas passar. Uma garrafa de água vazia, e começo a pensar que ainda nem clareou e minhas reservas já estavam acabando. Mais uma preocupação para tirar da cabeça.

A cada minuto percebo como a luta é dura, a sua cabeça tenta racionalizar tudo e sempre chega a conclusão que não faz sentido colocar seu corpo em uma situação tão extrema. Seguir em frente é a minha opção e vou caminhando. O ritmo diminui, a força parece estar secando também. As sensações mudam e você se transforma. Seu corpo começa a se euxarir e tenta chamar a sua atenção a todo momento. Primeiro dor na cabeça que segue crescendo a cada passo. Aviso José, que me pergunta se quero continuar, digo que sim, que a dor não é tão ruim. Sigo em frente, começa a amanhecer e as cores do ceu refletindo na neve são lindas. Uma boa distração. Já passamos da metade do caminho,e a subida parece mais ingreme.

Meu corpo começa a mandar sinais de todos os lugares, dor de cabeça forte, cólicas estomacais e exaustão. Mais uma vez hamo a atenção de José, ele me pede para tentar um pouco mais, pedimos que Caleb e os outros sigam em frente enquanto eu só tento. Seria um absurdo mantê-los atrás sendo que não sei mais se vou conseguir. Antes dou para o Ben minhas barras de chocolate e  nos despedimos, digo que vou continuar tentando, ele só me entende e diz para eu não me matar tentando.

Vejo eles a frente e José me chama para continuar. Vou em frente, tento me distrair mas são tantas coisas no meu corpo que fica difícil. A cólica piora e começo a perceber que o meu caminho só pode ser sentido a um lugar com banheiro. Respiro fundo e com muito pesar aviso a José que para mim já era. Ele ainda tenta me animar, dizendo que estamos a poucas horas, mas as minhas condições são as piores pssíveis, e ele entende que seria um perigo para nos dois continuar.

Voltamos novamente para o acampamento, a volta é mais fácil, gentil e rápida. Vamos conversando e nos distraindo. Algumas horas chego a dormir andando e meu querido guia boliviano pergunta se não quero sentar um pouco. Respondo rindo que se fizer isso provavelmente durmo e não acordo tão cedo. Ele me olha preocupado e diz que melhor continuarmos então. Ao chegar no acampamento me deito e durmo umas boas 3 horas. O meu corpo está exaurido de forças e o fato de não ter nada para comer não ajuda. José vem me checar a cada hora. Quando a tarde chega, ele me avisa que os outros estão chegando que vai me deixar ver o Ben e depois comeamos a descer para o carro antes dos outros.

Começo a arrumar as coisas e ouço Ben falando com outras pessoas do refúgio. Vejo suas pernas pela porta da barrraca e ouço pedir papel e dizendo que precisa muito ir ao banheiro. Ele volta depois feliz e cansado. Conversamos um pouco, Kirk vem e me mostra as fotos do pico, mais uma vez ele tirou sua camiseta.

Dou risada e os aviso que vou descer com José na frente.

Up at 12.30am for hot drinks, we thought we were a little late, especially as we still needed to sort out our layers and backpacks for the ascent. As it turns out, when I got to Caleb’s tent to get hot water, we were actually doing pretty well for time and we ended up leaving the camp to the summit at 2am.

There were perfect conditions: the sky was perfectly clear and the stars were fully visible, and the weather was calm without even the hint of a wind. We made tea with the hot water, tea which went down pretty well as in spite of the perfect conditions, it was still around -10C, so quite cold. A thick base layer for both legs and torso; middle fleece layers and water and wind-proof outer shells, with big down jackets in our bags in case we were still cold. Oh and yes, big down mittens as well. Headlamps on… gaiters, crampons… ready to go and off we went – with around 25 other lights flashing in the darkness belonging to others hoping to summit.

The walk through the snow and over the glacier was easy enough. As with Pequeño Alpamayo, I was in the rope team with Caleb and Kirk, while Natalia was with José. They were in front of us and it was clear Natalia was having a bit of trouble getting to grips with the crampons and it didn’t look like she felt too good. Even though Augusto and José had gone effectively separate from us, for some reason we didn’t let them get on with it and we slowed down behind them. I heard Caleb saying some things, seemingly suggestions to help, and also José was saying for us to pass them. I am not sure why we didn’t as José is a more than capable guide.

But okay, we continued on up and a few other groups passed us. Our pace was reasonably good, though and I though that Natalia was doing pretty well considering this was her first time up so high. She had established a decent pace and rhythm and was going well. As dawn approached, however, and as we passed over half way up the mountain, she and José stopped. They started again, though Natalia was clearly uncomfortable. After some discussion and a couple more attempts to keep going, they turned back. It turned out that the stomach problems that almost ruined the start of my time climbing; the same problems that had ruined the second half of Augusto’s mountaineering; had come back to hit Natalia. A real shame as she was getting on so well.

We had no choice but to continue on as José had gone back with Natalia. The sunrise soon lit up the mountains and the snow around us and the goggles I had really did have a tremendous effect in reducing the flare and the brilliance of the light. We drew ever closer to the summit of Huayna Potosi and it was nice to see that there were no steep slopes as there were with Pequeño Alpamayo – though had we gone the direct route, there looked to be a 60 degree climb for anyone brave or strong enough. We instead took the traditional route: going along a path that went past the summit, steadily increasing in height, before doubling back on ourselves to go up the summit ridge.

My favourite part (yes, a lot of irony there!). On reaching this ridge, the first section is completely exposed and less than a metre wide. The fall on the other side: 1,500 metres or so; the fall back to the path below… enough to do a lot of damage. Great. I didn’t have much choice but to walk along it, with Caleb coaxing me along. Not particularly enjoyable. Fortunately, I was not quite so breathless as I was on the previous occasion. After the exposed part, the ridge was built of kind of ice walls which were to our right – stopping any potentially long fall to that side. It certainly eased a lot of the anxiety as it was only the short fall on the left and we were able to use our ice axes to help support as we went along. Half an hour or so later, and we were there, on the summit.

A noite não foi como o esperado. Eu que estava o tempo todo me sentindo bem e confiante fui a vítima da vez do mal que  afetou quase todos. Não conseguia dormir com fortes cólicas estomacais, diarréia e uma forte sinusite. Sei que dar detalhes assim de minha doença não deve ser muito legal de ler mas escremos aqui para documentar o que esse projeto nos leva a conhecer e sofrer. Mas o problema só piorou mais a noite quando fui ir ao banheiro me deparei com o lado de fora da barrraca cheio de neve, nevava forte e foi um tanto difícil conseguir enxergar e andar. Apesar dos dias frios em Winnipeg nunca tive que andar sobre pedras para chegar em algum lugar. Na primeira ida etava tão confusa com o mar branco que surgiu a minha frente que cheguei a tomar a direção errada, depois me encontrei e consegui ir e voltar. Da segunda vez quase caí várias vezes escorregando a cada passo. As horas passaram e enquanto isso eu fui me esforçando o máximo para ficar bem.  Ao ouvir o grito de Hot drinks de Caleb cheguei a chorar frustrada, me sentia injustiçada por só agora ficar doente. O Bem começou a se arrumar e podia-se ouvir o movimento de todos lá fora. De repente ouço o grito de Caleb mais uma vez, dizendo que as condições do tempo não permitiam a nossa saída agora que iríamos tentar sair umas duas horas depois. Mais uma chance pra eu conseguir. As horas se passaram e nada de eu conseguir melhorar a pior parte eram as cólicas. Infelizmente para os demais, felizmente para mim, a saída foi cancelada e marcada  para a madrugada seguinte.

Dormi mais calma e tentei aquecer meu estômago para aliviar a dor. Manhã seguinte acordo com um convite para uma caminhada curta só pra aclimatar. Rejeito juntamete com Augusto, como ainda não estamos 100% decidimos ficar no acampamento e descansar. Ben, Kirk e Caleb saiem. Algumas horas depois ouço a voz alegre de José me perguntando se estou melhor se não seria hora de sair um pouco da barraca. Sigo seu conselho e encontro Augusto do lado de fora. Conversamos um bocado, na maior parte sobre o 360 Extremes. Ele fica me perguntando sobre o trajeto, os cursos e dando diversas ideias. A conversa foi boa porque pude esquecer um pouco. Comi um bagel, e papeamos mais. Alguns cochilos durante a tarde. E a maior parte dos sintomas passaram, as cólicas iam e voltavam, mas estava convencida que saíria e consegui subir com todos até o meu primeiro pico.

Mais ou menos 6 horas depois os outros finalmente chegaram. Sorridentes e empolgados, o motivo haviam subido o Pico Aústria para aclimatar, uma subida nada difícil mas que dá pra sentir a altitude de acordo com o Ben, ele fez questão de falar que só cnseguiu chegar ao topo com o suporte mental de Kirk que não o deixou voltar. Kirk, louco como é teve a capacidade de tirar a camiseta e ficar fazendo poses de alterofilista. Sempre fazendo graça virou um super parceiro para o Ben.

Chegaram cansados e com fome. Eu e o Augusto estávamos famintos e ficamos empolgados ao ouvir os planos de Caleb de hot drinks e jantar. Pena que no meio ele mudou de ideia e acabamos treinando técnicas de como andar e se comportar com a corda que nos mantém unidos. A essa hora vou confessar que nenhum de nós estava contente. O frio piorou, o vento aumentou e nos parecia idiotice ficar ali fora se desgastando ainda mais sendo que a noite seria puxada. Tentamos fazer tudo o mais rápido possível, e pela primeira vez pudemos ouvir uma reclamação da boca de Kirk. Ao terminar encontramos Caleb no fogão assando salames, crackers e queijo. Esse realmente não era o dia do Caleb, Augusto não come frituras e na minhas condições ta,bém não foi a melhor pedida.

Todos na cama cedo, e mais uma noite de expectativas, se o tempo deixar em poucas horas estaremos todos a caminha do pico que estamos com sede de conquistar desde o dia que entramos no avião.

Todo mundo por aqui deve saber que nós nunca estivemos numa montanha, logo nunca enfrentamos os perigos que existem ali. Por isso o terceiro dia foi um dia de se aprender. Também não queríamos forçar os que estavam doente e mesmo Augusto ainda não estava 100%. Acordamos umas oito da manhã, nos reunimos para um chá quente e cereal. Demos uma caminhada pelo lago, brincamos com um estilingue boiviano que Kirk tinha comprado no primeiro dia. Depois nos reunimos para treinar tipos de nós. Os principais foram: oito – o nó mais usado no montanhismo e também na escalada da rocha, “eight in a bite” , prusik, clover, fishmen, e outros mais. Aprendemos onde deve ficar a sua ancora, o texas kick, o prusik de segurança, e como deixar sua cadeirinha mais segura com carabinas no seguro.

Como não temos fotos e esse monte de nome de no deve parecer grego, segue um vídeo mostrando como se fazer esses e outros nós tão importantes para o escalador:

Depois aprendemos que em caso de queda numa crevasse o certo é deixar os pés longe das paredes, porque o crampon pode segurar bruscamente e você acabar girando o corpo, não se deve soltar o ice axe e assim que possível craválo com as duas mãos na parede usando-o como breque, entendido isso depois de compreendido o posicionamento fomos para a rocha para aprender como sair de dentro da crevasse, subindo com a ajuda do texas kick.

Vídeo demonstrando o uso do Texas kick:

Fomos até uma rocha velha e que me dava medo só de olhar a cada agarrada as pedras se soltavam. Mas de acordo com o Caleb era segura se pendurar na corda e se içar até mais ou menos 10 metros do chão. O primeiro a tentar foi Augusto, que por ter uma cadeirinha de fita simples, não conseguiu nem sair do chão, falando português claro, as fitas amassavam as bolas dele. Desistiu e foi a vez do Ben que teve um pouquinho de dificuldade no começo, é complicado se equilibar e tentar se sustentar tão perto do chão, mas ele conseguiu, dificuldades na descida também superadas, chegou a vez de Kirk que tinha uma cadeirinha parecida com a de nosso parceiro italiano mas o nosso super homem não teve problemas, até brincou com o aperto na virilha. Finalmente chegou minha vez, por causa do vento forte estava com um pouco de sinusite mas me esforcei e encarei a tarefa, todos dando o suporte e falando que eu etava indo muito bem, fui subindo, subindo e subindo até que Caleb riu e perguntou quando eu ia começar a descer, dei graças por poder começar a descida. Treino terminado hora de voltar ao acampamento, com a sinusite mais forte e os ventos também a volta não foi das mais agradáveis. Chegando no acampamento vesti uma touca e me enfiei dentro da barraca não saindo nem pra comer. De lá pude ouvir eles combinando a nossa primeira saída para a montanha, às 2h30 da manhã começariamos a caminhada sentido ao Pequeño Alpamayo. Comemos um macarrão e dormimos ansiosos.

Illimani – one of our objectives – a tremendous backdrop to the city of La Paz

So yes, less than three days to go till we leave São Paulo! Our excitement is growing – this will be a major first for us. The first time to Bolivia; the first time on a big mountaineering expedition; the first time going over 6,000 metres… feelings of anxiety, excitement, worry… nervousness… all setting in! Have we done enough training to be able to deal with the challenges ahead? How will we cope with the climbing in the snow? Carrying the heavy rucksacks? How will we be able to cope with the altitude (La Paz is around 4,000 metres, and the body starts feeling the effects of altitude at about 2,100 metres)? The amount of oxygen in the air at 5,000 metres is about half what it is at sea-level…

Well, we believe we have done enough and are in good enough shape for this training project (training for a training expedition… sounds strange, doesn’t it..?! but we are taking this all very seriously and everything needs to be trained for!). And what we will be doing over the next few weeks will be exciting. Traversing glaciers; setting out at midnight for summit attempts; climbing some of the most beautiful mountains in the Andes… a lot to learn and a lot to look forward to!

So, here is a basic overview of our itinerary for the month – an itinerary that should allow us good time to provide updates on the site and indeed, we should have plenty of great stories from the expedition!

  • Days 1-3: Settling in to La Paz and acclimitising to the altitude
  • Days 4-6: To Salar de Uyuni and the salt flats
  • Days 7-10: Back to La Paz and hikes at Tiwinaku (one of Bolivia’s most important archaeological sites) and Isla Surique on Lake Titicaca
  • Day 11: To our first base camp near Lake Tuni Condorini (4,500 metres / 15,000 feet)
  • Day 12: Further acclimitisation hiking to 4,875 metres (16,000 feet) at the glacier terminus
  • Day 13: Reviewing skills and preparation for ascent of Ilusion
  • Day 14: Climb over a heavily crevassed glacier and steep snow ridges to the Ilusion peak
  • Day 15: Summit attempt of Pequeno Alpamayo, from where (hopefully!) we should have some fantastic views Huayna Potosi, the first major objective
  • Day 16: Hiking and return to rest at La Paz
  • Day 17: Relaxing in La Paz
  • Day 18: To our Huayna Potosi base camp at 4,785 metres (15,700 feet)
  • Day 19: Climbing all day to high camp at 5,600 metres (18,400 feet)
  • Day 20: Up at midnight for our Huayna Potosi summit attempt, over glaciers, through ice falls and around crevasses for over eight hours to the peak at 6,088 metres (19,974 feet)
  • Day 21: Resting
  • Day 22: To Illimani base camp, near Pinaya village, at 4,420 metres (14,500 feet)
  • Day 23: To Camp I at 5,090 metres (16,700 feet)
  • Day 24: Scrambling over rock to High Camp at 5,600 metres (18,372 feet)
  • Day 25: Summit day on Illimani! Going along crevassed glaciers and slopes of 30-40degrees to the summit ridge and reaching the top at 6,438 metres (21,122 feet) – the highest mountain in the Cordilleira Real and second highest peak in Bolivia! Should be quite a view!
  • Day 26: an optional summit/weather day
  • Day 27: Return to La Paz
  • Day 28: Back to Sao Paulo
  • Day 29: Back to work and back to planning!!