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Vocês acompanharam nosso início de bike e as nossas primeira pedaladas nas estradas. E com certeza teria sido um início bem mais difícil senão fosse pelo André Pasqualini e o Desafio Bicicletas ao Mar. Hoje esse grupo ainda cresce e pedalamos juntos pelo menos 1 vez ao mês. Mas com esse mesmo espírito de ajudar os ciclistas do dia-a-dia e os que querem pegar estrada o André ainda faz nascer em nós a vontade de que todos deveriam poder vivenciar essa liberdade que a bicicleta nos proporciona. E com uma ideia na cabeça e com um grupo de pessoas dispostas a ajudar nasceu o Projeto Bicicletas de Natal. Que abaixo eu coloco o texto que peguei emprestado de seu blog para vocês entenderem, divulgarem e que sabe fazer parte.

PROJETO BICICLETAS DE NATAL

O Coletivo formado pelos participantes do grupo Desafio Bicicletas ao Mar organizou uma campanha de doação de bicicletas, nosso objetivo era recebermos a doação de 100 bicicletas que serão reformadas e doadas a jovens ligados a entidades filantrópicas da região metropolitana de São Paulo. Para realizarmos essa ação, firmamos uma parceria com a CPTM que irá nos ceder um espaço para montarmos nossa oficina temporária. Esse espaço será a antiga passarela da estação Pinheiros da CPTM, que atualmente está desativada. Lá iremos montar nossa base operacional, onde organizaremos grandes mutirões para prepararmos as bicicletas.

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O projeto está dividido em três fases, a primeira foi no ultimo final-de-semana, a etapa de recebimento das doações. Um sucesso sem tamanho, conseguimos exatas 100 bicicletas. A segunda foi no dia 03 de dezembro, com inventário e início dos mutirões para reforma das mesmas e a terceira será no dia 23, data da entrega das bicicletas.

Como colaborar com o projeto?

Os voluntários poderão ajudar daqui pra frente:

– Se voluntariando para ajudar na reforma das bicicletas

– Abaixo iremos detalhar as fases do projeto e como ajudar:

Se voluntariando na reforma das bicicletas

Como iremos operar dentro de uma área paga da CPTM, todos voluntários irão assinar uma lista de presença na entrada da estação Pinheiros. Já aqueles que se dirigirem até o local utilizando o sistema do Metro e da CPTM não precisarão preencher esse formulário já que nosso ponto de encontro será na área paga do sistema. De qualquer forma, caso você queira participar de algum dos mutirões, envie um email para bicicreteiro@gmail.com com seu nome e RG para colocarmos na lista que ficará durante o mês de dezembro na estação Pinheiros da CPTM.
Criamos um evento no Facebook para os grandes mutirões dos dias 15 e 16, se inscreva e tire suas dúvidas por lá.

http://www.facebook.com/events/454753451247472/

Para mais informações sobre os mutirões de dias de semana, acesse o grupo Desafio Bicicletas ao Mar no Facebook e participe de forma mais ativa da nossa campanha.

Para chegar ao local dos mutirões basta se dirigir até a estação Pinheiros da CPTM. Se você for de bicicleta ou de carro, deixe sua bicicleta no bicicletário (carro na rua), procure os funcionários da CPTM e informe seu nome completo com RG, eles irão consultar uma relação de pessoas autorizadas e lhe dará o acesso a estação, depois basta se dirigir a passarela que fica na área da CPTM, em frente aos banheiros públicos.

IMPORTANTE: É preciso ter seu nome na lista para acessar nossa oficina na estação Pinheiros, para isso mande um email para bicicreteiro@gmail.com com o assunto “Voluntário do Mutirão” informando nome completo e RG. Também importante escrever o campo do assunto exatamente como acima, do contrário seu email pode ser perdido e o nome não entrará na lista. Já quem se deslocar até a estação de Metro ou Trem, não precisa sair da área paga, basta ir até a passarela e procurar um dos voluntários que estarão no local, desde que seja nos horários citados mais acima. Na dúvida pergunte sempre a um funcionário da CPTM (não do Metro).

Doando peças ou valores ao projeto

Os voluntários poderão sair a “caça” de doações, visitando bicicletarias pois é comum as pessoas trocarem equipamentos, descartando os antigos ainda em bom estado de conservação, uma lista com equipamentos necessários se encontra no site do bicicreteiro também.

Há outros tipos de equipamentos, como conduítes, cabos de aço, pastilhas de freio, óleos e lubrificantes, pneus e até mesmo algumas ferramentas específicas que utilizaremos nas montagens das bicicletas que possivelmente precisaremos adquirir. Caso você opte em ajudar dessa forma, aguarde a divulgação da lista de materiais ou faça uma doação clicando aqui.

Quem fizer uma doação a partir de R$30,00 e levar o comprovante da doação em um dos nossos mutirões, receberá dos nossos voluntários um pequeno curso de manutenção de bicicletas, dicas que servirão para você manter sua magrela sempre em ordem. Caso você também deseje colocar a mão na massa, pode ficar a disposição do grupo para realizar algum trabalho no mutirão, outra boa maneira de aprender um pouco sobre mecânica de bicicleta.

Doe e concorra a uma Bicicleta Durban Metro

Para incentivar as doações vamos rifar essa linda bicicleta que foi doada por um voluntário, para concorrer você pode doar qualquer quantia e enviar o comprovante da doação para o email bicicreteiro@gmail.com. A cada dois reais doados você ganha um número de 0 a 1000 e o resultado do primeiro prêmio da Loteria Federal do dia 12/12/2012 leva a bicicleta. Participe e nos ajude, entre no site do O Bicicreteiro para mais infos e cadastramentos.

André Pasqualini

Na entrada da rota de manutenção já tinha uma subida, não muito longa, não muito curta. Paramos ao fim e fizemos um pic-nic. Sentamos e dividimos um pouco das frutas, pães e castanhas que tínhamos. Todo mundo que pedalavam e nos via ria ou fazia algum comentário. Rimos e papeamos por uns 15 minutos e depois seguimos em frente. Parte do trecho de terra parte no asfalto, nenhuma grande dificuldade até onde estava o André e cia para checar os freios da galera.

Bike checada, e seguimos viagem.  As paisagens pelo caminho foram maravilhosas, me distraiam um pouco. A Mata Atlântica é cheia de cores, cheia de verdes. O ar úmido e gelado era bem gostoso, depois de tanto sol na cabeça e de tanto calor da pedalada, esse clima me agradava.  Nas descidas eu controlava minha velocidade mas não segurava o freio. A estrada tinha de um lado morro e do outro um precipício que em alguns momentos só tinha um muro baixo de mais ou menos 25 cm de altura de proteção. No caminho me peguei pensando para que servia esse muro e cheguei a conclusão que era pra salvar a bike numa possível perda de controle do ciclista, o ciclista voa precipício abaixo mas a bike fica.

Paramos em uma cacheira, lavamos o rosto na bica, respiramos ar puro e conhecemos um novo canto remoto. Em um dia tantas coisas, tantas vistas, tantas cores. Antes mesmo de terminar  o percurso minha mente seguia repetindo as imagens num processo de tentar guardar cada detalhe de forma a não ser esquecido. Me vi num passeio ao invés de um desafio. Mas como dizemos na escalada toda via tem um crux e o dessa via uma hora ia chegar. A essa altura eu tinha concluído que o crux tinha sido a primeira subida lá no Grajaú, mas de repente vejo uma subida com boa parte da galera a frente empurrando e quem pedalava tinha uma cara sofrida.

Parei a bike no início, bebi algumas goladas de água, respirei fundo e fui. Com calma, controlando a ansiedade e a respiração. Só parei na hora que um ciclista que empurrava a bike entrou na minha frente e parou, isso me irritou um bocado, pedi pra galera que empurrava tentar ficar do mesmo lado e deixar um lado livre para aqueles que tentavam pedalar.  Subi na bike e recomecei, começar a pedalar na subida é algo um tanto complicado, tentei 3 vezes até conseguir, no topo lá estava o Ben me esperando, vi em seu rosto a felicidade ao ver que consegui chegar lá em cima sem empurrar, em seu olhar eu conseguia ver o orgulho e isso me deixava ainda mais realizada. Desci da bike e comemorei com ele.  Sentamos comemos e ficamos papeando com quem já estava por lá. Dali em diante foi uma descida interminável até Cubatão.

A saída do parque Serra do Mar é num bairro bem pobre e pra evitar assaltos seguimos unidos, a orientação era de irmos num grupo sólido até a ciclovia de Santos. Passando a rodoviária eu já me sentia super feliz, chegar ao quiosque então era uma mistura de diversos sentimentos bons.

Para comemorar comemos lula, peixe e tomamos muito suco, certeza que a nossa nutricionista Isabella vai ficar feliz em saber que escolhemos esse cardápio no lugar de breja e batata frita.

Esse foi um trajeto difícil, ainda mais quando se pensar em descer pra praia, mas olhando pra trás, depois de Sorocaba, Santos não foi tão difícil assim.

Igrejinha do Bororé

Igrejinha do Bororé

Depois de tanto tempo finalmente consegui parar para escrever como foi a nossa descida para Santos, antes de mais nada já vou logo avisando que quando eu for para a Baixada de bicicleta nunca mais vou usar o termo descer e sim subir. Desci bastante mas mesmo depois de 100km a sensação de que mais subi não saiu da minha cabeça. Inclusive agora, depois de quase um mês essa sensação e essa certeza não passou.

Quem quiser conferir a rota!

Uma parte do caminho já havíamos feito na ida para Rio Grande da Serra, então  eu já sabia que logo no começo, para ser mais específica no Grajaú eu teria que subir uma “parede”, na primeira vez eu não havia conseguido e tinha empurrado a bike até o topo, dessa vez fui determinada a fazer diferente e não empurrar em nenhum momento. O complicado ali era a grande quantidade de carros você tinha que pedalar cm calma e prestando atenção no que vinha de trás, venci a subida mesmo com um pouco de falta de ar ao final, mas depois de um gole de água tudo estava bem e segui em frente. Nos perdemos às vezes na rota, mas porque o Galo que nos guiava não conhecia bem esse novo trajeto montado pelo André, foi até engraçado porque uma hora pegamos um caminho com subidas e descidas longas e depois vimos que fizemos o caminho errado voltamos e ao fazer o caminho certo saímos no mesmo lugar uma quadra acima. Na hora parte do grupo ficou um tanto irritado com o desgaste desnecessário, mas eu achei graça.

O bairro do Grajaú é um ótimo treino para subidas e para andar em lugar com grande tráfego de carros, mas a grande quantidade de micro-ônibus me deixava tensa, por isso chegar na balsa foi um alívio. A Ilha do Bororé é um show. O cenário é muito bonito, a estrada um verdadeiro charme e me vejo impressionada sempre que penso que um lugar assim tão calmo, recluso e cheio de mata está dentro de São Paulo. Apesar da estrada ser estreita e de duas vias, há poucos carros e pedalar por ali chega a ser relaxante.  Passando por sítios, vendinhas e fazendas pequenas você se distrai muito fácil e o tempo passa rápido. Dessa vez após a segunda balsa viramos a direita onde pegamos 600 metros de subida em asfalto. Foi bem sossegado mas ao chegar no topo nos deparamos com uma descida de terra e pedras soltas, teve gente que chegou a desistir e voltou, eu fiquei receosa porque ainda não havia superado o medo de descidas e não sou tão experiente na junção terra e ladeira. Mas fui no meu ritmo, do meu jeito. Alguns passaram ao meu lado a todo vapor que chegava a subir uma nuvem de fumaça a minha frente. Mas nem assim arrisquei imitar. Por aqui também tivemos subidas difíceis mas consegui. Na maior parte do tempo estava com o Almir, Ricardo e Vitor. E isso me deixava mais segura. Uma equipe unida, eu diria, um esperando e dando suporte ao outro.

Trecho de terra na Ilha do Bororé

O Ben seguia a frente mas também com o porte e a facilidade que ele tem em subidas seria injusto e um tanto cruel obrigá-lo a seguir conosco, porém depois de uma descida muito íngreme ou de uma subida estúpida lá estava ele me esperando e checando se consegui chegar bem. E isso me deixava tranquila.

Para entrar na Imigrantes tivemos que carregar as bikes morro acima, e para ficar mais fácil fizemos uma corrente, cada um passava a bicicleta para o outro até chegar ao último que a encostava no muro ao lado da pista. O trecho que pedalamos pela rodovia foi curto mas bem difícil porque estávamos no contra fluxo e a resistência do vento foi um adversário de peso. Nessa hora lembrei de um texto que li em algum blog e cheguei rir em pensamento – “Pedalar numa subida muito íngreme é como comprar uma casa financiada cada parcela é difícil mas ao final você tem uma conquista, pedalar contra o vento é pagar aluguel, é uma energia imensa para algo momentâneo”. Acho que pensar nisso me ocupou e quando menos esperei cheguei na entrada da estrada de manutenção, mas o resto desse desafio fica para o próximo post.

Parada para água e reabastecimento!

O trajeto partindo da Vila Olímpia era de 105 km. Estudamos a rota durante a semana que precedeu o evento é já percebemos que seria bem puxado. Muita subida e descida, trechos de terra e praticamente um único ponto de parada no começo do pedal. Mas o que mais me preocupava era o longo trecho na Rodovia Raposo Tavares. Só de pensar já me via assutada.

A insegurança me deixaria mais frágil e propícia a acidente, por isso trabalhei a minha cabeça para ficar mais confiante. Conversei muito com o Ben, li um pouco sobre o trajeto, treinei de bike durante a semana, e assim fui ficando mais confortável com a ideia.

No domingo pela manhã o clima estava ameno, mas a partir de Embu o sol resolveu nos acompanhar lado a lado.

Eu e o Ben acompanhamos o primeiro pelotão. A variedade de bikes aqui gerava cenas um tanto engraçadas. A maioria era híbrida, mas tínhamos 2 com speedy e 4 com moutain bike. Numa bifurcação em Cotia, paramos para olhar a planilha, do lado direito asfalto, do lado esquerda estrada de terra. Os de mountain torciam pela terra, já os de speed rezavam pelo asfalto. Eu ficaria mais feliz com asfalto também, mas teríamos pela frente 6 km de pedra.

Fui na manha, não parando tanto com eles, seguindo a frente com certeza que me alcançariam em alguma descida. Dito e feito.  No fim da estrada de terra uma descida no asfalto, a galera a minha frente indo rápido, eu controlando um pouco, logo a frente no meio da ladeira um buraco gigante, me senti certa em tomar cuidado. Andamos por dentro da cidadezinha até chegar na Raposo. A rodovia não estava muito movimentada e tinha acostamento.  Nela começou um trecho interminável de sobe e desce, as descidas ajudavam em algumas subidas para pegar embalo mas na maioria não. Meu joelho começou a doer no meio de uma delas e na dúvida do que seria melhor , resolvi parar e empurrar a bike. Chegando no topo, meu pelotão juntamente com o Ben tinham sumido.  Segui em frente confiando que se fosse pra virar em algum ou se parassem num posto de gasolina eles me esperariam. O bom de ficar sozinha foi por poder ditar meu ritmo e parar para beber água quando a sede apertava. Pedalei uns 20 minutos até chegar a um posto, lá comi um picolé e me reabasteci de água. Perguntei para o frentista sobre o pelotão e ele me disse que já tinham passado fazia um tempo, pergunto se seguindo a rodovia dá em Sorocaba ele afirma e subo na bike pra seguir viagem. O frentista me olha assustado e fala que não, que como eu vou pedalar sozinha até Sorocaba, que era melhor eu esperar ou ligar pra alguém. Ele me empresta o celular, eu ligo pro Bem que fica de me esperar onde ele está.

Saio pedalando e encontro o Ben mais 3 ciclista, um novo grupo se formou.

Meu joelho continuava doendo mas até consegui subir algumas partes. Mas uma subida super íngreme e interminável surgiu a minha frente. Tentei pedalar mas não consegui chegar nem a metade. Desci e comecei a empurrar, eu e um outro ciclista do grupo. Chegamos no topo, anchamos, bebemos água e continuamos.

Chegamos no centro de São Roque as 14h, encontramos o pelotão inicial almoçando mas resolvemos continuar. Almoçar mesmo só em Sorocaba. A galera dizia que daqui em diante seria só descida, mas na entrada da estrada já tinha uma subidona. 

Seguimos num ritmo bom, mas como estavam com fome parávamos para beliscar algo. Numa subida 2 ciclistas ficaram para trás e paramos para esperar num pedaço de grama perto do acostamento. De repente para um carro, e desce o Diego um amigo que trabalha comigo. Foi engraçado, rimos um pouco ele disse que estava indo escalar em São Roque e ficamos de combinar um dia de irmos juntos.  20 minutos e nada dos 2 desgarrados nos alcançarem, resolvemos seguir e e esperá-los em Sorocaba. Faltavam 17 km, e eu estava super ansiosa em chegar logo, muita fome e o joelho doendo um bocado.  Ao chegar na cidade fico aliviada. Na rodoviária mesmo lanchamos, tomamos um suco compramos mais água e esperamos os outros. Uns 40 minutos depois chegou os 2 que ficaram para trás, conversamos um pouco e voltamos para casa. No ônibus dormi igual criança, acordei mas ainda estávamos na estrada, o Bem disse que tava trânsito por isso ainda não estávamos em São Paulo. Dormi mais um pouco, até chegar na Barra Funda.

Em casa bebi mais água, tomei um banho demorado e fui pra cama com a sensação de dever cumprido.

Santos chegou!!!

Posted: September 2, 2012 by Natália Almeida in Cycling, Training
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O dia chegou, estamos saindo de casa agora com as mochilas equipadas, bikes revisadas e controlando a ansiedade para a pedalada. Depois de Sorocaba (vou postar sobre essa viagem essa semana) me sinto confiante para hoje. Depois de tantas pedaladas, tantas subidas, descidas, litros de água, biscoitos, damascos, bananas, chocolates, depois de ter medo de ir rápido demais, de frear em cima, de passar por pedras, de trocar a marcha, de curva fechada… Depois de se cansar, se superar, se maravilhar, se contentar e se acabar…

Hoje o dia está ameno e espero que o sol não judie. As paisagens pelo caminho prometem ser avassaladoras. O trajeto difícil mas não impossível.

Hoje vou por em prática o que aprendi nesses últimos tempos, o primeiro tete está no começo do trajeto uma subida ali no Grajaú, já passei por ela mas na última vez não consegui, mais por falta de paciência do que por preparo.

O que espero, uma viagem cansativa, bonita e um peixe na praia ao fim de tudo.

Depois da parada para água e repor as energias na padaria, continuamos a pedalada.

A estrada de terra era bem ruinzinha, muita pedra solta e poeira voando. Eu sem óculos tive que penar para manter os olhos abertos, algumas horas os apertei para não fechar ou frear de uma vez, qualquer coisa que eu fizesse podia derrubar quem vinha atrás ou me derrubar.

O teste daqui para frente foi de confiança, coisa que eu ainda não tenho tanto a essa altura, mas não me deixei abalar. Segui em frente. Devagar nas subidas e cuidadosa nas descidas. Fui vencendo cada metro.

Num determinado momento chamam a minha atenção “Ei,o pneu furou!”. Paro a bike, vejo o pneu traseiro baixo e me vejo muito sem ter o que fazer. Ainda não tínhamos comprado o kit de reparos, nem câmara extra ou qualquer outra coisa que pudesse me ajudar. Começo a empurrar a bike, o jeito ia ser esse, levar a bicicleta lado a lado até o fim. Mas ainda não ia ser agora que eu iria passar perrengue. Dois ciclistas pararam para me auxiliar. Tiraram a roda, tentaram trocar a câmara mas não era do mesmo tamanho então um remendo era a solução, não a mais rápida mas a que dava na hora. Foi bom ver como se faz, achar o furo, achar a farpa, lixar, remendar, encher, ver o lado certo do pneu e re-encaixar na bike. Tudo certo, hora de voltar a pedalar.

Ao chegar na balsa, encontro o Ben, André, Thelma e mais uns 3 ciclistas. Conto do pneu furado e da sorte de não ter sido a última do grupo.

Conversa daqui, conversa de lá. O André começa a questionar a minha velocidade nas descidas. Tira sarro e tenta me mostrar que meu medo é algo besta, que tenho que confiar mais. Do outro lado tento explicar da onde vem esse temor, mas logo vejo que é inútil. Eu não vou convencê-lo e ele não vai me convencer.

O que era pra ser asfalto!Saindo da balsa, finalmente asfalto, pena que não dura muito. A estrada está sendo re-capiada e a pista que iríamos pegar está uma quebradeira só.

O sol na cabeça o dia todo começa a me exaurir, e o fato de não ter comido praticamente nada o dia todo unido a muito exercício não ajuda.

Daqui pra frente vou me esforçando cada vez mais, e saber que a próxima parada é num restaurante me motiva a continuar. Ainda bem que as subidas e descidas são mais gentis e ao chegar no restaurante vou correndo pegar um prato e comer algo leve, gostoso e fortificante.

Saindo de lá, fiquei no grupo que iria pela rodovia, com o pneu remendado pegar mais trilha de pedra não me pareceu uma boa. E mais a frente vi que fiz a escolha certa. Pedalando na rodovia, percebi que meu pneu fazia um barulho diferente. Parei e vi que mais uma vez estava furado.

De novo peço ajuda, a galera para, olha e vê que o remendo soltou, mais uma vez: acha furo, lixa, remenda e enche. E lá vai eu pedalar de novo.

Sigo num ritmo bom mas sempre prestando atenção se tudo está certo na bike. Chegando na estação de Rio Grande da Serra a felicidade e a sensação de dever cumprido só para quando os funcionário da CPTM nos dizem que só poderemos embarcar de 6 em 6. Por sorte eu e o Ben estávamos na terceira remessa e conseguimos ir cedo para casa.

Antes de ir para casa, paramos na padaria para tomar um suco, uma sopa e papear um abocadinho.

Chegando em casa ducha e cama, o que mais poderíamos querer.

Natália no Solo Sagrado

Natália no Solo Sagrado

O segundo treino de bike foi mais puxado. E ter feito no sábado ao invés de domingo não ajudou muito. Como domingo era dia dos pais, parte do grupo resolveu fazer o treino no sábado, um grupo pequeno de 9 pessoas. A saída estava marcada ara às 8 am na estação Vila Olímpia, como era cedo saímos de casa e pedalamos até lá. A cidade às 7vam no final de semana é perfeita para pedalar, até as grandes avenidas estão bem vazias. Levamos menos de 20 minutos até a estação.

Mesmo olhando o mapa antes não consegui saber quais seria o desafios dessa pedalada, iríamos para o extremos sul da cidade e passaríamos por ruas e avenidas que eu nunca antes havia passado.

O início foi bem fácil ciclovia da Marginal, aqui eu sempre pedalo forte porque normalmente é a parte do trajeto em que eu me sinto mais segura.  Mas também segura até que ponto, não sei se eu gostaria de ir sempre treinar ali, o cheiro é forte e o rio extremamente poluído. Em dias secos e de sol o odor é ainda pior e não sei se é saudável fazer exercício aeróbico respirando os gases que devem sair do rio. A única imagem que me faz pensar que não deve ser tão maléfico são as famílias de capivaras e as aves que vivem ao redor dele.

O caminho até o Solo Sagrado era recheado de subidas e descidas, avenidas grandes com grande movimentação de ônibus e carros, e ruas em condições péssimas. Durante a pedalada me questionei  sobre a escolha das ruas desse trajeto.

Eu pedalei super bem no plano e as subidas foram de certa maneira bem fáceis.  Só foi mais puxado numa das ultimas subidas, mas consegui conquistá-la sem descer da bike. Nas subidas eu sempre conseguia passar uma galerinha e ir pedalando na frente mas por incrível que pareça bastava chegar uma descida e eu ia pro último lugar. Só de ver que vai começar a descer eu paro de pedalar e tento segurar o freio a descida inteira. Nessa estradinha que leva ao Solo sagrado principalmente por que havia diversas curvas e era uma faixa pra ir outra pra voltar. Meu coração acelerava de medo e eu ficava toda tensa. Ver o grupo descendo super rápido só me dava mais medo ainda. Não sou tão fã de velocidade  assim e não gosto da ideia de não ter muito controle em caso de queda ou de aparecer um buraco pelo caminho.

Depois de mais ou menos  4horas chegamos ao templo. Lá um guia nos mostrou o lugar e fizemos um picnic. Para quem não sabe o Solo Sagrado é um templo da igreja messiânica localizado ao lado da represa de Guarapiranga. Conta com diversos jardins, espelhos d’água, espaços de contemplação e meditação. Pra quem não conhece vale uma visita.

The Circle South – route planned by O Bicicreteiro

Depois de uma horinha de descanso era hora de continuar a pedalada, aqui o grupo se dividiu, a maioria a seguir de volta pra casa e 4 (Eu, Ben, Ricardo e Weber) iriam seguir a planilha de volta a estação.

O trajeto agora me assustava, passaríamos pelo Rodoanel e pela Régis Bittencourt, onde o movimento de caminhões é grande. No caminho até o Rodoanel fui tentando me acalmar e pegar mais confiança. Chegando no rodoanel eu estava bem e ver que tinha acostamento ajudou a me deixar segura. Aqui como sempre o que eu ganhava frente nas subidas me passavam nas descidas. Em um certo momento o Ricardo foi atrás de mim me aconselhando, falando que eu ia mais rápido no plano do que na descida. Mas quando ele ficava perto de me acostumar minha imaginação fértil me bombardeava de ideias de coisas que poderia acontecer se eu fosse muito rápido e minha mão voltava instintivamente a segurar o freio. Um pouco antes de acabar o trecho do Rodoanel, achamos uma área verde com sombra e nos sentamos lá para mais um lanchinho. Todos os caminhões que passavam nos buzinavam como que nos apoiassem. No começo as buzinadas me deixavam intrigadas, eu achava que era uma repreensão mas depois vi que era uma forma dos motoristas nos darem um apoio moral.

O trecho da Régis foi mais complicada porque não tinha acostamento e os motoristas já não respeitavam . E a condição da estrada era péssima o que não nos permitia pegar muita velocidade. Ao terminar esse trecho respirei aliviada. Daqui para a estação foi um passeio.

Na estação todos decidiram seguir o rumo de casa no pedal. O Ricardo já morava por ali, eu e o Ben rumamos para a Ana Rosa e o Weber seguiu para Santana.

Ao chegar em casa decidimos ir até a padaria e pegar o buffet de sopa e assim terminar o dia de forma mais relaxada. Lá rimos e conversamos sobre os desafio enfrentados.

Estação São Miguel Paulista (Foto (c) o Bicicreteiro 2012)

Antes de mais nada desculpa o relapso das últimas semanas mas de hoje em diante o site vai estar mais vivo.

Nesse tempo algumas novidades no treino como nossa inscrição no 2º Desafio Bicicletas ao Mar, com treinos as terças e quintas saindo do parque do Ibirapuera e aos domingos com treinos de longas distâncias e que levam quase o dia todo, visando no último domingo (02/09/12) a viagem de 100 km até a cidade de Santos pela estrada de manutenção.

Domingo (05/08) participamos do nosso primeiro treino, um trajeto de mais ou menos 85km passando pelas principais ciclovias, ciclorotas e ciclofaixas de São Paulo, não vou escrever muito sobre como são 85 km porque não foram tão difíceis quanto eu imaginei, tudo bem que passamos por poucas subidas. E também o meu condicionamento físico está em dia com os treinos na CP.

O maior desafio mesmo foi acordar às 6am e sair para a Estação São Miguel Paulista, subir e descer as escadas com a bicicleta aqui no nosso prédo e nas estações. Chegando lá um grupo de mais ou menos 40 pessoas estavam a espera do André, um dos organizadores que por acaso estava no trem conosco. Saímos rumo a ciclovia, percurso de 10 minutos mais ou menos, chegando lá o André já me para e pede pra eu descer da bike, o banco estava mal regulado, ele ajusta checa e re-checa, e me acompanha até fim da ciclovia, me dá dicas sobre como trocar as marchas, como pedalar e cansar menos, posicionamento e tudo mais. Conversamos sobre esse projeto e sobre uma viagem que ele quer fazer do Acre ao Chile. Ele fala que viajar pedalando não é difícil, o segredo é cada um saber respeitar o ritmo e o limite do outro. Ainda mais numa viagem longa e extrema como a do 360.

Chegando na entrada do Parque Ecológico Tiête, esperamos todos chegarem para re-agrupar. Depois de uns 8 minutos o Ben chega, eu pensei que ele tinha entrado no parque porque eu era a última, mas conversando com ele descubro que ele havia se perdido e tinha dado uma grande volta para nos achar.

(Foto (c) o Bicicreteiro 2012)

 pra frente o grupo ficou mais junto e me dava medo andar com tanta gente junta e um tanto inexperiente, por isso optei em ficar no fundo, me senti a mais segura. O trajeto passou por todas as regiões da cidade e foi bom para eu ver que o contrário do que pensava São Paulo é muito mais plana do que montanhosa, indo da zona leste para a norte e depois para a oeste só subi nas pontes, e da oeste para a sul subimos a Hélio Pelegrino e depois a Cons. Rodrigues Alves para chegar em casa.

Em casa não estava tão cansada quanto imaginava, e o corpo sem dor, quer dizer a bunda depois de um dia no selim chega em casa dolorida, mas nada que um banho de banheira não resolvesse.