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Arriving in Edinburgh

Pedalar 50km em um dia soava como um dia de folga, os primeiros 30km seriam de uma subida leve e constante então nenhum problema aparente. A noite anterior na casa de Strachan e Alex foi bem agitada. Conversamos bastante e acabamos indo dormir um tanto tarde. O plano era ir a Edinburgh pela estrada A7, e Strachan recomendou que trocássemos a estrada ou que começássemos o pedal mais tarde que o normal, depois das 9h. Por isso, acertamos o despertador para às 8am, mas não conseguimos acordar. O despertador tocou e apertávamos o snooze, até às 9am. Logo no primeiro quilômetro uma subida bem profunda, o que foi bom para forçar os pulmões. Daí em diante não foi ficando mais fácil não. Apesar de nada de neve estava bem frio. E existia a possibilidade de pegar black ice, o cuidado agora era redobrado. A estrada mão dupla e sem acostamento nos obrigava a dividir as faixas com os caminhões, carros e tratores que queriam passar, ainda bem que o trânsito estava ameno.

As paisagens com grandes montanhas de pico nevado ao fundo eram lindas demais e distraía bastante durante as subidas, em compensação os fortes ventos que pegamos contra nos fazia pedalar com força e mesmo assim não sair do lugar. O pior quanto aos ventos é que além da energia que perdemos para fazer alguns metros é que ainda temos que controlar a direção da bike, porque de repente além do vento que vem contra surgem rajadas laterais que te jogam de um lado para o outro da pista.

Outra coisa que percebi nesse dia inteiro na Escócia é que você pode passar dezenas de quilômetros sem encontrar uma opção de parada para comer, ir ao banheiro ou simplesmente descansar. Dessa vez encontramos um posto com conveniência a 10 km de Edimburgo, eu cheguei a comemorar ao ver o logo a distância. No frio que anda fazendo tomar algo quente é mais que necessário para manter a motivação.

Leaving Galashiels

Depois da parada, foi praticamente um descida até chegarmos em Musselburgh, onde fomos recebidos pela Melanie e pelo Charlie e seu Greyhound Millhouse. Tomamos um chá e lavamos as bikes que estavam mais sujas do que antes de Lancaster. Ela é bem atenciosa e papeamos um bocado sobre viagens e pedaladas. Depois tivemos que ir ao centro da cidade encontrar o Paulo e saber mais sobre como andava seu joelho e a visita ao médico. Felizmente o prognóstico foi bom porque ele não tem nenhuma lesão permanente somente uma inflamação no menisco que com descanso e remédios deve ficar melhor em 10 dias. Triste pensar em não tê-lo nos acompanhando mas bom saber que tipo de cuidados e trabalho de fisioterapia teremos ao voltar para São Paulo.

Faltam 5 dias de pedal intenso para completarmos nossa jornada, espero que daqui para frente tudo dê certo apesar dos desafios aumentarem a cada metro percorrido. Pensar que ainda teremos um dia de descanso no dia seguinte ajuda e muito!!!

Arriving in Scotland - the first time for Natalia

Arriving in Scotland – the first time for Natalia

Que o dia seria longo a gente já sabia mas que seria difícil deu para notar só de olhar pela janela do hotel, nevava lá fora e isso seria um desafio totalmente novo para nós. Nenhum de nós nunca havia pedalados nessas condições e o que cada um sabia era o que tínhamos lido em blogs e matérias. Cada um arrumando seus alforjes, e como estávamos em quartos separados não dava muito para saber como foi a noite do Paulo. Às 7h30 ele bate em nossa porta e a certeza era que estávamos atrasados para o café da manhã. Mas infelizmente o motivo era outro, ele teve uma noite péssima com dores no joelho e estava um tanto receoso em enfrentar outro dia longo. O grande problema com dores no joelho e articulações é que não dá pra você se autodiagnosticar, e às vezes é algo simples e outras algo super grave. O que menos queremos esse ano é uma lesão que impossibilite todo o treino que planejamos para 2013, então ele ir a um médico nos pareceu o mais sensato.

Fomos com ele até a estação de trem e combinamos de nos encontrar em Edimburgh, ele teria quase 4 dias de descanso e dependendo do que o médico dissesse poderia continuar o resto da jornada conosco.

Começar a pedalar em 2 foi um tanto estranho no começo. Porque depois de tantos dias consecutivos você cria uma dinâmica e um ritmo, agora que somos dois os primeiros quilômetros foi de adaptação de ritmo e cadência. A cada metro esse dia parecia não melhorar, logo nos primeiros 10km eu percebi que a minha constante preocupação quanto ao peso que o Ben carregava na bike dele me fez colocar muito mais peso na minha, minha bicicleta parecia ter dobrado de peso de um dia para o outro. As subidas que normalmente faço sem problemas pareciam bem mais difíceis com tanto peso. Mas fui administrando as marchas e conseguindo transpassar os aclives no caminho. A neve batendo na cara é algo delicado, e até gostoso, bem diferente do granizo e da chuva. Tivemos momentos com bastante vento mas nada demais. Toda a paisagem do dia foi pintada de branco e dava um ar dramático a todo o pedal. Tudo parecia claro, belo e triste.

Por mais que o dia fosse longo e meu ritmo mais lento por conta do peso, não resistimos as paradas para fotos ou simplesmente olhar a volta.

A rota era bem montanhosa e com 3 picos principais, o primeiro uma subida longa e constante de +/- 8km, que superamos com facilidade graças a distração da beleza do dia, as duas subidas seguintes eram mais curtas, mais íngremes e com muito vento. Ainda bem que a vista de Selkirk de lá de cima era muito linda e nos fez pensar que valeu a pena o esforço. Dali em diante uma descida profunda e o resto mais ou menos plano.

O que percebi nesse primeiro dia na Escócia é que o tipo de asfalto escocês é mais áspero e te obriga a pedalar inclusive nas descidas, não existem muitos cafés, postos de gasolinas e lugares para breaks, hoje só achamos um lugar em Hawyk a mais ou menos 10km de Galashiels.

Não sei explicar o que me fez mais feliz ao chegar na casa dos nossos warmshowers anfitriões Strachan e Alex, se foi não ter que subir a rua que começa logo depois do prédio deles ou o fato deles morarem num apartamento no térreo e não tive que subir escadas essa noite.

Eles nos receberão super bem, cheio graça e com muitas histórias. Uma noite divertida e de muito bate-papo.

A neve cai que cai em Londres!!!

A neve cai que cai em Londres!!!


O clima confuso e instável que anda fazendo em São Paulo vai nos acompanhar até o fim de nossa jornada pelas terras britânicas. O tempo que se mantinha bom das últimas semanas começou a mudar e a temperatura promete cair. Com isso nossos desafios aumentam: mais chuva, vento e quem sabe neve.

The Guardian

The Guardian

Planejar essa viagem não foi fácil justamente por isso, o inverno na terra da Rainha sempre prometeu ser bem complicado de lidar e pra ser sincera, isso foi determinante na escolha entre LEJOG e a rota entre Buenos Aires e Santiago do Chile. As condições climáticas que iremos enfrentar agora vai nos ajudar a administrar melhor os trechos como Himalaias, norte do Canadá, Rússia e diversos outros lugares que terão condições muito próximas.

DIVISÅO MERIDIONAL

DIVISÅO MERIDIONAL

Por mais que o nosso treino aqui no Brasil se intensifique a cada dia, existem experiências que não conseguimos explorar do lado de cá do meridiano, assim o foco de cada viagem-treino é explorar esses aspectos.
Se manter informado é imprescíndivel para esse ciclotour, e hoje lendo o Guardian encontrei uma matéria muito interessante sobre os cuidados para os próximos dias na Grã-Bretanha:
“O escritório de Meteorologia deu alerta sinal amarelo (esteja atento) nas áreas leste, oeste e extremo norte da Inglaterra.
A neve caiu mais forte em partes de Lincolnshire e Cambredgeshire, onde alcançou 5 cm mas isso é somente metade do montante estimado pelos especialistas. Em outras áreas, incluindo Yorkshire, onde o aeroporto Leeds Bradford esteve em aviso de possível fechamento mas até o meio-dia os serviços de voo acabaram não sendo afetados.
A agência responsável pelas estradas recomenda aos usuários que irão cruzar o país, sempre checar as condições climáticas e das estradas.” ( CLIQUE AQUI para ler na integra)

São notícias assim que devemos estar atentos se não quisermos surpresas no meio de nossa jornada. Cada noite será cheia de ocupações e preparos para a manhã seguinte. E esses preparos já começaram faz tempo, mas isso eu deixo para o próximo post.

Cada dia que iremos pedalar esperaremos mais mudanças, saindo da capital e entrando no interior paulista tudo vai mudar, acredito que o próprio peso que é viver em SP vai ficar para trás e espero que uma hora o único peso sobre as nossas costas seja o da mochila. Também depois de tanto batalhar iremos estar ansiosos para ver a natureza e quanto mais nos afastarmos da capital mais verde esperaremos encontrar.

O caminho de bicicleta vai se dificultar, afinal quanto mais nos aproximarmos do Mato Grosso mais quente e úmido vai ficar. A motivação nessa hora com certeza será o Pantanal, afinal qual gringo não sonha em conhecer esse lugar, então realiza um americano, um “inglês” e uma brasileira alucinada por animais, certeza que ter ele a nossa frente nos dará força para pedalar e fôlego para seguir em frente.

Não acho que essa parte será fácil, até porque esse será só o começo da jornada, e enquanto a empolgação empurra, o corpo talvez ainda não estará acostumado a essa maratona.

Me imagino pedalando nas estradas e olhando para todos os lados em busca de tamanduás, macacos, araras e jacarés… O Ben certamente vai ter muito medo de pisar em cobras (ele tem fobia delas), meu problema será com os insetos. Mas é bom ter esse primeiro desafio perto de casa, assim poderemos nos dedicar a superá-los por aqui e quando estirvermos longe já teremos menos medos à administrar.

Gente se você conhece, mora ou sabe algum lugar que nós devíamos passar deixa um comentário aí, como já disse antes você pode nos ajudar com nosso roteiro. Obrigado pela visita!

CURIOSIDADE

Você sabia que origem do Pantanal é resultado da separação do oceano há milhões de anos. Animais que estão presentes no mar também existem no pantanal, formando o que se pode chamar de mar interior.

Se quiser saber mais dá uma olhada na Wikipedia, muita coisa interessante e curiosa.

O que vai ficar pra trás…

Posted: February 12, 2012 by Natália Almeida in Português
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Talvez vocês pensem que resolvemos marcar nossa partida aqui de São Paulo pelo simples fato de morarmos aqui, mas tem muito além disso. Na verdade, já começamos, porque essa maratona de preparação já conta como esse projeto, porque senão fosse ele não imagino nós mudando os nossos hábitos e rotina.

Festival de dança em São Paulo

Mas porque São Paulo? Difícil explicar….

São Paulo é essa cidade gigante, caótica, bagunçada, lotada e amiga.

Recebe imigrantes e turistas como se fossem nativos, oferece milhões de opções de diversão e tem um povo que apesar de não ter muitos parques ou áreas verdes continua tentando ser saudável.Uma cidade que consome nossa energia mas que parece sempre cheia de vida.

São Paulo é esse desequilíbrio, que faz com quem vive nela nunca saber se realmente ama ou odeia, faz a maioria pensar que quer morar aqui mas não viver nela para sempre.

Cresci aqui e foi aqui que construí a minha vida. Aqui tenho a minha história, meus amigos, meus irmãos, pai, tios e tias, aqui conheci o Ben, casei, peguei minhas gatas… Foi aqui onde chorei, andei, sorri, gritei e dancei. Foi aqui que aprendi a ser quem eu sou e pensar como penso… Foi aqui!

Então como não andar pelas ruas e não lembrar de tudo o que já foi. Como poderia não amar, se tudo o que amo veio daqui…

São Paulo é assim um ponto de interrogação gigante que vira e mexe quem mora nela tenta decifrar.

E porque querer sair daqui sendo que esse projeto deve ser o oposto dessa cidade, tem que ser claro, certeiro e sem complicações. A resposta é mais simples do que todas as perguntas anteriores, porque depois de 3 anos de ralação vai ser delicioso poder voltar pra casa, isso mesmo, casa, porque apesar desse sentimento confuso que temos dentro do peito esse é o nosso lar e ao fim dessa jornada é aqui que vamos querer chegar, deitar na nossa cama, comer nossa granola, tomar uma vitamina ou comer uma coxinha… Aqui que vamos encontrar aqueles de quem sentiremos falta nesses 3 anos e vamos poder refletir tudo o que passou.

E afinal de contas, se no meio desse caos conseguimos pensar nesse projeto acredito que voltando pra cá poderemos pensar no próximo.

Nossa gata, Mocha, acordando

Mocha acordada

Construção do novo Iguatemi

Transito maravilhoso..!

Muito normal...

Parque Ibirapuera

Mercado Municipal

Mudanças e mais mudanças…

Posted: January 27, 2012 by Natália Almeida in Português
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Cada vez que penso nos lugares onde vou passar, conhecer e me aventurar me arrepio toda… Tantas culturas diferentes, tradições, paisagens e animais… Sei que ao partir de São Paulo não estarei mudando de vida por 3 anos mas que tudo o que deixarei não será mais o mesmo quando eu voltar, sei que a Natália de hoje não vai mais existir porque depois de uma experiência dessas a pessoa muda, sei que meu trabalho, minha carreira e tudo que conquistei profissionalmente aqui, quando eu voltar vou ter que recomeçar…

E quase tudo será um recomeço mesmo. Todo mundo sabe que começar as coisas é na maioria das vezes animador mas (RE)começar é meio assustador. Como pode duas letrinhas mudarem completamente o sentido e o que uma palavra te provoca. Serão muitos perrengues e não que eu tenha medo disso, na verdade sempre gostei…

Acredito que são nas dificuldades que crescemos e que como lidamos com nossos problemas é o que nos define. O mais surpreendente é que eu sempre pensei que daqui 2 anos as mudanças começariam mas já começaram, não só minha rotina, que agora encaixa uma maratona de quase 3horas diárias de exercício físico, dedicação a esse site, alimentação mais balanceada, …; mas também a cabeça começou a pensar diferente, as relações foram afetadas.

Hoje quero conversar sobre lugares, viagens, desapego, em como se desacomodar dessa vida tão sem surpresas e nada excitante que a maioria vive… Acabo esperando mais das pessoas do que elas realmente querem ou esperam… Mas também fico me convencendo que cada um escolhe sua aventura, para uns nada mais emocionante do que um dia corrido no trabalho e depois enfrentar o trânsito caótico de São Paulo.

Claro que esse jeito novo de pensar que está aflorando na minha cabeça deve ser até um jeito de se adaptar para o que me espera em 2 anos, porque sair de casa e pensar que só vai voltar daqui 3, hummm, não deve ser fácil!

Expedição

Posted: January 25, 2012 by Natália Almeida in Português
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A Equipe do 360 Extremes vai sair de São Paulo (Brasil) em março de 2014, e começará a sua volta ao mundo, não de um jeito comum, de leste a oeste, mas sim do jeito mais difícil, de norte a sul, atravessando os polos.

A equipe viajará de norte a sul via terra em uma expedição única e ambiciosa. Enfrentará condições climáticas extremas, tipos de terrenos variados e diversos desafios. A viagem irá partir de São Paulo andando pelas montanhas e florestas tropicais, tundras e desertos das Américas; passando pelo Ártico e Polo Norte;  seguindo direção sul viajando pela Sibéria e Mongólia, chegando aos Himalayas e escalando o Everest, para chegar ao hemisfério sul cruzaremos ainda a Austrália, Nova Zelândia e Antártida. Chegaremos de volta a São Paulo três anos após nossa saída, em março de 2017.

Deveremos ser os primeiros:

  • A completar essa viagem fazendo a maior parte por via terrestre;
  • Brasileiros a completar a volta ao mundo cruzando os polos;
  • A completar a travessia atravessando o Polo Norte, Polo Sul e escalando o Monte Everest numa só expedição.

Fazendo isso devemos enfrentar:

  • Mais de 2000km de caminhada ao atravessar os Polos em temperaturas de -30C em pleno verão;
  • Mais de 800km pedalando pelo deserto Gobi;
  • Mais de 3,000km percorridos de bicicleta pelos desertos australianos;
  • 6,900 metros de altura de escalada no Aconcágua nos Andes;
  • 3,350 metros de profundidade no Cotahuasi Canyon no Peru;
  • 1,700 metros de profundidade no Grand Canyon nos Estados Unidos;
  • Florestas tropicais no Leste da Ásia e nas Américas do Sul e Central;
  • Passaremos por estradas no Tibet e na Bolívia, ambas estão entre as mais perigosas do mundo;
  • Nevascas, fissuras no gelo, escaladas no frio e no calor extremo;
  • E diversos outros desafios…

Ao fazer essa viagem planejamos arrecadar dinheiro para duas instituições: uma  com cunho ecológico e outra que dê suporte a pessoas que vivem em situação de pobreza. Esperamos escolher logo.

Acompanhe a nossa jornada aqui no site.