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Naty e Ben em John O'Groats 

Antes de começar a falar do último dia, queria explicar o motivo da falta de fotos nesse post, a verdade eh que o HD com tudo da viagem quebrou e está em conserto, assim que tivermos tudo vamos colocar as fotos desse e dos outros dias nas galerias.

Foi um tanto difícil controlar a ansiedade pelo último dia. Na verdade eram tantos os sentimentos na manhã que o mais complicado era saber a qual dar uma atenção maior. A essa altura o sentimento de vitória e conquista ia tomando conta da minha cabeça mas ao mesmo tempo eu me podia me ouvir falando ao fundo que a expedição ainda não havia terminado e que por mais que tivéssemos apenas 15km a nossa frente, olhando para trás eu pude ver que não houveram dias fáceis, até nos mais leves houveram grandes desafios e aprendizados. O inverno costumava ser sempre o maior dos opositores nessa batalha por conquistar quilômetros, e mais uma vez ele se provou duro.

O dia anterior tinha sido frio mas não houve ventos fortes ou chuva ou neve, assim a expectativa para o dia seguinte era que poderia piorar mas ainda assim não poderia ser as piores condições. Olhando a previsão mostrava que o dia teria ventos de até 60m/H, mas como sairíamos cedo do hotel e a distância era curta talvez conseguíssemos chegar a John O Groats com um tempo razoável.  Grande engano! Acordamos e no quarto já dava para ouvir o barulho do vento, abrindo a cortina víamos flocos de neve ensandecidos e girando de um lado para outro, os galhos das árvores balançava forte numa dança sem ritmo definido e tudo mostrava que a jornada poderia ser curta mas também a pior em dias.

Arrumar as coisas a essa altura é algo simples e rápido, cada um já sabe o que colocar em cada alforje e o que no começo levava meia hora hoje leva menos de 10 minutos. Comer o café da manhã é sempre bom e um tanto curioso, a essa altura ainda me impressiono com a capacidade do Ben em comer English Breakfast na manhã enquanto eu fico no chá com torradas e cereais. Se eu comesse salsichas, ovos e bacon frito com tomate, cogumelos e feijão pela manhã meu dia seria com dores estomacais e diversas idas ao banheiro, mas com ele não tem problema algum. Certamente um estômago muito mais resistente!

Começar a pedalar foi apreensivo no começo, os ventos podem ser confusos, e por mais que tenham uma direção dominante eles se rebelam e acabam mudando de direção. No começo vinha do lado e para variar a luta era para que a bike ficasse num canto seguro da estrada, que não tinham muito movimento de carros, o que ajudou já que assim poderíamos ficar mais no meio da pista. O vento contra o rosto tornava a experiência dolorosa, e olhar o caminho ficava quase impossível. Era um tanto assustador ver as placas de trânsito e dos vilarejos cobertas por neve, todas congeladas; os gramados brancos e as ovelhas todas juntas tentando se aquecer o quanto podiam. As aves no céu lutavam contra o vento e pareciam perder a cada investida, era possível ver elas tentando voar para um lado e o vento as levando para outro. Cheguei a rir da insistência das pobres aves em ir para onde o vento não as deixava sem me dar conta de que eu estava na mesma situação. Mas como que se dando por vencido o vento que me segurava passa a me empurrar e percebo que depois de tantas curvas a estrada me colocou no sentido certo. Parei de pedalar e curti o empurrão, as pernas começar a tremer de frio e me dei conta que precisava manter as pernas movendo para me manter aquecida.

Ver a placa Welcome to John O´Groats!, me fez sorrir, a felicidade de ser bem vinda pelo lugar que almejo chegar há 21 dias é uma recompensa não só por todo esforço, dedicação e investimento nessa expedição mas sim uma recompensa por todo o último ano de treino e estudo, por toda a nossa mudança de vida para estar mais e mais aptos para o 360 Extremes. E passando por aquela placa, pensando em tudo isso sigo pedalando atrás do Ben e sei que ainda não acabamos, aquela placa é um sinal de estamos completando mas o Final é no marco e não na placa. Seguimos em frente, paramos em um Pub para saber onde exatamente estava o marco e olhando para fora da janela deles pude ver como o vento e a neve pareciam ganhar força. Menos de 1 km nos separava do nosso pódio, então com um sorriso largo subimos nas nossas bikes, clipamos nossos pés e pedalamos. Olhando em frente ansiosos em avistar algo parecido com o que deixamos em Land´s End. Não vou mentir falar que ver algo simplesmente pintado no muro foi um tanto decepcionante, mas mesmo assim descemos das bikes pulando de alegria. Aquele era o nosso momento, emocionados nos abraçamos, rimos, gritamos. Comemoramos do nosso jeito, e o frio estava ali a toda a nossa volta, se mostrando o parceiro inseparável dessa aventura. Eu bem que queria ter uma garrafa de champagne na hora para imitar os corredores da F1. Mas o jeito foi tirar a foto com o rosto gelado e banhados pelas gotas da chuva.

Entramos na lojinha e compramos uma caneca para simbolizar o nosso troféu.

Mas depois de todo esse sentimento de vitória tivemos que subir de novo nas bikes e voltar para o pub para pedir um táxi. Pedalar de volta aqueles 600m finais, subindo na bicicleta eu já realizei que isso seria muito, mais muito difícil mesmo, só não percebi que seria doloroso. O vento incrivelmente forte me jogava para trás e parecia uma parede que não me permitia sair do lugar, mais uma vez senti tapas do vento contra meu rosto e olhar para frente era impossível. As gotas acertavam meus olhos por cima dos óculos e me obrigava a fechá-los. Pedalei com força, tentando me guiar pelo asfalto da rua o quanto pude, olhando para baixo. Avistei o pub e o Ben pedalando em frente, o vento me batia com força e parecia não me querer de volta aquele lugar que me parecia quente, protegido e seguro. Uma hora desci e empurrei a bike. Chorei aqui, chorei de dor, meus olhos doíam por causa do vento e da neve. Subi na calçada do pub e o Ben veio me ajudar. Entrei no pub e lá ele me abraçou e me confortou. Quanto frio, quanta força um simples sopro pode ter.

Essa expedição acabou, depois fomos para Orkney Island ver as paisagens, continuar na companhia dos ventos mas com menos oportunidades de pedalar. A jornada em busca de experiência e preparo físico e mental para a grande expedição continua e esse ano com ainda mais aventuras, treinos e aprendizado.

Accompanying the single-track railway line northwards, passing plenty of small bridges on the way

Accompanying the single-track railway line northwards, passing plenty of small bridges on the way

Deixar Inverness deu um apertinho no peito, a cidade parecia ter tanto para se conhecer mas tivemos tão pouco tempo que tivemos que deixar para uma próxima oportunidade. A essa altura já sei que quando o Ben fala que o dia vai ser sossegado tem alguma pegadinha, e hoje não foi muito diferente. O dia estava bonito, e a rota seguia perto do mar quase o tempo todo. Seriam quase 94km e o clima estava com uma cara amigável no começo do dia. Logo nos primeiros 15km passamos por tantas pontes que perdi as contas, o bom foi que como não ventava tanto passar por elas não era algo tão complicado. O caminho todo tivemos que dividir a pista com os carros, uma pista pra ir outra pra voltar, o acostamento continua inexistente. Os motoristas sempre nos respeitando e nos ultrapassando com segurança, a diferença entre os ingleses e os escocês pra mimm é clara: a velocidade com que eles passam, na terra das ovelhas o limite de velocidade deve ser bem mais elevado, e alguns carros passam tão rápido que só os vejo fazendo a curva lá na frente.

Stats - Inverness - BroraO frio ameno deixa o pedal mais leve, em compensação acabamos suando um pouco mais embaixo da roupa e temos que refazer os layers, que com menos uma camada na descida nos esfria bastante. Algumas subidas pelo meio do caminho mas nenhuma que ficasse na memória. O grande problema é não ter onde parar para comer, tomar um café, ir ao banheiro ou simplesmente parar. Nesse dia eu parei atrás de moitas para fazer xixi, porque se fosse esperar ia ter que parar depois de 80km. Diversas placas apontavam caminhos ara castelos e muralhas, mais um arrependimento, não tínhamos tempo de desviar a rota e ficar parando para conhecer. Antes de Golspie não conseguimos não resistir de parar para admirar o pôr do sol, lindo demais.

Enjoying the view along the coast near Brora at dusk

Enjoying the view along the coast near Brora at dusk

Depois dessa parada na saída de Golspie uma subida bem paredão, pedalei sem acreditar que o Ben não havia falado nada, mas fui mais uma vez pedalando com paciência. Pude ver que a subida continuava numa curva fechada e me lembrei das tantas montanhas que passamos: Mandeep, Shap e a montanha na entrada de Lancashire.

E pensei certamente essa deve ser tipo aquelas, longas, sinuosas e intermináveis. Para a minha alegria, depois da curva ela terminava. Segui esperando por mais, mas nada. Subidinhas tão suaves que não tinha nem o que falar. O B&B que ficamos era bem na entrada da cidade, que não era muito grande. Em cima de um pub, e o quarto não era lá grandes coisas. O banheiro parecia ter um monstro vivendo escondido, cada vez que você ligava a torneira, o chuveiro ou dava descarga, um barulho grave e alto começava e só parava uns 5 minutos depois que você parou de usar a água. O pior de tudo é que foi o lugar mais baratinho que arrumamos na cidade e um dos mais caros da viagem até agora. Um absurdo na minha opinião mas como não tinha opções de warmshower ou couchsurf e também é bem difícil achar lugares abertos nessa época do ano o jeito foi não reparar no lado ruim e aproveitar a nossa única noite na cidade.

Map of Edinburgh

Map of Edinburgh

Acordar de manhã com a certeza que não vamos pedalar é bem estranho a essa altura. Mesmo sem despertador você acaba acordando cedo e com aquele ânimo agitado de que a estrada lá fora nos espera. Depois de tantos dias de estrada, pedais longos, cidades, pessoas, fotos, chuva, vento, neve, sol e tudo mais, seu corpo e sua mente mudam um pouco de funcionamento. Parece que você muda a voltagem e de 110V você vira 220V, então você fica super agitado no começo do dia e já acordamos morrendo de fome e mesmo sem pedalar nosso corpo parece pedir algo a cada uma hora e lidar com tudo essa energia extra e esse pedido por mais energia é algo complicado. Até que ponto a fome é fome ou é seu corpo querendo garantir carboidratos para uma jornada de pedal que na realidade não vai existir no dia. O melhor jeito é se ocupar. E estávamos com os hosts certo para isso.

The Witchery

The Witchery

Ao descermos para tomar café da manhã Charlie estava na sala com a mesa posta, Melanie já havia saído para trabalhar, sentamos a mesa, tomamos chá, comemos torradas com manteiga e geleia e conversamos. Conversamos bastante mesmo, Charlie é ator e tinha diversos causos para contar, o que ele conseguia fazer muito bem dando uma certa graça a tudo. Rimos muito e trocamos ideias e opiniões sobre trabalho e aventura. Ele acha todo esse projeto inspirador, e encontrar alguém que entende o porquê do 360 sem termos que explicar é um tanto incomum e motivador. Ele e Melanie passaram um ano em Nova Zelândia, onde 4 meses foram dedicados a uma expedição de bicicleta pelo país. As histórias contadas por ele reunidas as nossas até agora sinceramente daria uma ótima comédia. E me fez ver cenários de toda a expedição oficial que antes eu não poderia imaginar. Charlie disse que fez sua rota confiando em mapas e as vezes no mapa marcava uma cidade que na verdade nem existia mais. As pessoas não moravam mais na região, que estradas que era ditas como boas na verdade era péssimas e as vezes sem asfalto, estrutura e nada do que ele esperava. Tudo bem que hoje temos ainda mais opções de checar do que ele teve há 6 anos atrás.

Depois de papear por horas, começamos a nos arrumar para ser um pouco turista. Antes de sair Charlie pediu uma ajuda com as galinhas que ele e Melanie tem como bichos de estimação no quintal mas que insistem fugir para casa do vizinho. Foi engraçado vê-los tentando dar um jeito naquelas aves desengonçadas e teimosas. Problema resolvido fomos para o centro de Edimburgo, andamos pela cidade, tomamos um café e fomos a atração que mais nos recomendaram: Mary King Close. Eu realmente não recomendo a ninguém, achei caro e um tanto chato. A história é um tanto interessante afinal essa é a rua mais antiga e intocada de Edimburgo e imaginar como as pessoas moravam em 1600 é algo interessante mas andando pela cidade você consegue ver esses closes em todos os lugares e uma boa pesquisa no wikipedia te daria acesso as histórias.

Depois encontramos com Paulo, papeamos um pouco, deixamos com ele o saco de dormir para ele levar para Londres e fomos de volta para nossa casa da noite. Lá fomos recebidos por Charlie com batatas, vegetais, haggins veggie e cerveja – Melanie infelizmente teve uma crise de enxaqueca e não pode nos acompanhar. Mais conversas e mais conversas. Uma noite mais que agradável e mais um casal que queremos manter contato.

Arriving in Edinburgh

Pedalar 50km em um dia soava como um dia de folga, os primeiros 30km seriam de uma subida leve e constante então nenhum problema aparente. A noite anterior na casa de Strachan e Alex foi bem agitada. Conversamos bastante e acabamos indo dormir um tanto tarde. O plano era ir a Edinburgh pela estrada A7, e Strachan recomendou que trocássemos a estrada ou que começássemos o pedal mais tarde que o normal, depois das 9h. Por isso, acertamos o despertador para às 8am, mas não conseguimos acordar. O despertador tocou e apertávamos o snooze, até às 9am. Logo no primeiro quilômetro uma subida bem profunda, o que foi bom para forçar os pulmões. Daí em diante não foi ficando mais fácil não. Apesar de nada de neve estava bem frio. E existia a possibilidade de pegar black ice, o cuidado agora era redobrado. A estrada mão dupla e sem acostamento nos obrigava a dividir as faixas com os caminhões, carros e tratores que queriam passar, ainda bem que o trânsito estava ameno.

As paisagens com grandes montanhas de pico nevado ao fundo eram lindas demais e distraía bastante durante as subidas, em compensação os fortes ventos que pegamos contra nos fazia pedalar com força e mesmo assim não sair do lugar. O pior quanto aos ventos é que além da energia que perdemos para fazer alguns metros é que ainda temos que controlar a direção da bike, porque de repente além do vento que vem contra surgem rajadas laterais que te jogam de um lado para o outro da pista.

Outra coisa que percebi nesse dia inteiro na Escócia é que você pode passar dezenas de quilômetros sem encontrar uma opção de parada para comer, ir ao banheiro ou simplesmente descansar. Dessa vez encontramos um posto com conveniência a 10 km de Edimburgo, eu cheguei a comemorar ao ver o logo a distância. No frio que anda fazendo tomar algo quente é mais que necessário para manter a motivação.

Leaving Galashiels

Depois da parada, foi praticamente um descida até chegarmos em Musselburgh, onde fomos recebidos pela Melanie e pelo Charlie e seu Greyhound Millhouse. Tomamos um chá e lavamos as bikes que estavam mais sujas do que antes de Lancaster. Ela é bem atenciosa e papeamos um bocado sobre viagens e pedaladas. Depois tivemos que ir ao centro da cidade encontrar o Paulo e saber mais sobre como andava seu joelho e a visita ao médico. Felizmente o prognóstico foi bom porque ele não tem nenhuma lesão permanente somente uma inflamação no menisco que com descanso e remédios deve ficar melhor em 10 dias. Triste pensar em não tê-lo nos acompanhando mas bom saber que tipo de cuidados e trabalho de fisioterapia teremos ao voltar para São Paulo.

Faltam 5 dias de pedal intenso para completarmos nossa jornada, espero que daqui para frente tudo dê certo apesar dos desafios aumentarem a cada metro percorrido. Pensar que ainda teremos um dia de descanso no dia seguinte ajuda e muito!!!

Arriving in Scotland - the first time for Natalia

Arriving in Scotland – the first time for Natalia

Que o dia seria longo a gente já sabia mas que seria difícil deu para notar só de olhar pela janela do hotel, nevava lá fora e isso seria um desafio totalmente novo para nós. Nenhum de nós nunca havia pedalados nessas condições e o que cada um sabia era o que tínhamos lido em blogs e matérias. Cada um arrumando seus alforjes, e como estávamos em quartos separados não dava muito para saber como foi a noite do Paulo. Às 7h30 ele bate em nossa porta e a certeza era que estávamos atrasados para o café da manhã. Mas infelizmente o motivo era outro, ele teve uma noite péssima com dores no joelho e estava um tanto receoso em enfrentar outro dia longo. O grande problema com dores no joelho e articulações é que não dá pra você se autodiagnosticar, e às vezes é algo simples e outras algo super grave. O que menos queremos esse ano é uma lesão que impossibilite todo o treino que planejamos para 2013, então ele ir a um médico nos pareceu o mais sensato.

Fomos com ele até a estação de trem e combinamos de nos encontrar em Edimburgh, ele teria quase 4 dias de descanso e dependendo do que o médico dissesse poderia continuar o resto da jornada conosco.

Começar a pedalar em 2 foi um tanto estranho no começo. Porque depois de tantos dias consecutivos você cria uma dinâmica e um ritmo, agora que somos dois os primeiros quilômetros foi de adaptação de ritmo e cadência. A cada metro esse dia parecia não melhorar, logo nos primeiros 10km eu percebi que a minha constante preocupação quanto ao peso que o Ben carregava na bike dele me fez colocar muito mais peso na minha, minha bicicleta parecia ter dobrado de peso de um dia para o outro. As subidas que normalmente faço sem problemas pareciam bem mais difíceis com tanto peso. Mas fui administrando as marchas e conseguindo transpassar os aclives no caminho. A neve batendo na cara é algo delicado, e até gostoso, bem diferente do granizo e da chuva. Tivemos momentos com bastante vento mas nada demais. Toda a paisagem do dia foi pintada de branco e dava um ar dramático a todo o pedal. Tudo parecia claro, belo e triste.

Por mais que o dia fosse longo e meu ritmo mais lento por conta do peso, não resistimos as paradas para fotos ou simplesmente olhar a volta.

A rota era bem montanhosa e com 3 picos principais, o primeiro uma subida longa e constante de +/- 8km, que superamos com facilidade graças a distração da beleza do dia, as duas subidas seguintes eram mais curtas, mais íngremes e com muito vento. Ainda bem que a vista de Selkirk de lá de cima era muito linda e nos fez pensar que valeu a pena o esforço. Dali em diante uma descida profunda e o resto mais ou menos plano.

O que percebi nesse primeiro dia na Escócia é que o tipo de asfalto escocês é mais áspero e te obriga a pedalar inclusive nas descidas, não existem muitos cafés, postos de gasolinas e lugares para breaks, hoje só achamos um lugar em Hawyk a mais ou menos 10km de Galashiels.

Não sei explicar o que me fez mais feliz ao chegar na casa dos nossos warmshowers anfitriões Strachan e Alex, se foi não ter que subir a rua que começa logo depois do prédio deles ou o fato deles morarem num apartamento no térreo e não tive que subir escadas essa noite.

Eles nos receberão super bem, cheio graça e com muitas histórias. Uma noite divertida e de muito bate-papo.

Lancashire, this is Lancashire

Lancashire, this is Lancashire

Nada como acordar de manhã com uma criança feliz, saltitante e cheia de energia pula e se revira pela sala. Como pode ficar com preguiça ou desanimado assim. Acho que naquela manhã Theo foi realmente inspirador. Se ele tão pequeno podia estar tão animado com o seu dia como nós não poderíamos?

Além do mais a certeza de que teríamos um dia de descanso em família no dia seguinte era mais que motivador, eu diria libertador.

The route

The route

Mas todo esse clima exaltado de um dia de pedal foi se minando um pouco, logo na saída da garagem reparo que o meu pneu da frente estava furado. Em~tao antes mesmo de começar tivemos que trocar a câmara, e como eu já estava carregando um pneu Schwalbe Marathon na bagagem aproveitei para trocar. O Paulo e toda a sua experiência em troca de pneus da speedy foram de suma importância, ele trocou super rápido o que evitou um stress.

O caminho escolhido pelo Ben para sair de Manchester foi por dentro do parque Kenworthy Wood o que nos tirou de todo o trânsito matinal, e nos levou a lindas trilhas ao lado do rio e com muita lama. O triste disso foi que nos rendeu mais um pneu furado agora da bike do Paulo. Assim o dia foi começando a parecer que ia ser um daqueles cheio de problemas, e quando ainda se pensa que seriam quase 100km de uma rota um tanto montanhosa e passando por dentro de cidades como Bolton e Blackburn, toda aquele clima animado vai se minando. E assim foi alguns quilômetros a frente o rack traseiro do Paulo também soltou e eu que trouxe parafusos de todos os tipos que por um tempo achei que de nada ia servir, na realidade salvou o dia.

With MattMesmo com todos os infortúnios íamos mantendo um ritmo bom, nas cidades maiores e com o trânsito acabávamos perdendo um tempo maior, mas acabamos pegando uma estrada menor e aí tentamos compensar, mesmo assim a noite começou a cair e a estrada pequena começou a não parecer mais uma boa opção e aí o jeito foi pegar A6, e dividir a pista com os carros que passavam rápido mas sempre nos dando bastante espaço ao nos ultrapassar.

Chegamos em Lancaster, mais especificamente a casa de Franklin (irmão do Ben) mais ou menos às 18h30. Lá comemos todo o pão e bebemos chá e mais chá. Nada como estar em família, comer, comer e comer sem culpa. O único problema aqui foi para subir os 3 lances de escada até o quarto mas depois de descansar na sala conseguimos. O dia seguinte seria o primeiro de descanso, mais que merecido depois de 8 dias consecutivos de muitos km, muitas subidas, e muitas horas em cima da bicicleta. Aqui além de marcar como nosso primeiro descanso também é o meio do caminho ao pensar em trajeto percorrido (750km).

Posso garantir que a essa altura a sensação em nossa cabeça era de vencedores!!!

Jodrell Bank

Jodrell Bank

Acordar de manhã e ouvir pela janela o barulho do vento e da chuva forte pela janela é um tanto desanimador. Mas nossa intenção com essa expedição-treino sempre foi nos desafiar mais e mais e toda essa mudança climática e todos os desafios impostos pelo tempo e pela natureza sempre foram a grande questão. Então 6h30 sem choro e nem vela acordamos nos arrumamos e descemos para chá e torradas com geleia. É estranho acordar de manhã e se servir e ficar andando por uma casa que não é sua e os donos ainda estarem dormindo, mas a essa altura já estamos quase acostumados. Jon uma hora veio nos ajudar a tirar as bikes e conversar um pouco, e nesse meio tempo a chuva já não estava tão ruim.

Resting by the Canal

Resting by the Canal

Na verdade o passar do dia foi bom porque o vento e a chuva foram desaparecendo a cada quilômetro percorrido. Seria um dia bem longo (104km), mas a altimetria era ótima com pouquíssimas subidas. A estrada bem pequena e passava por dentro de pequenos vilarejos e fazendas era um deleite aos olhos. Paramos um pouco em Audlem onde aproveitamos um pouquinho, e depois seguimos em frente. Passamos pelo Jodrell Bank, um super radiotelescopio, que o Ben tinha ido com o pai quando era bem mais novo. Um tanto interessante ver algo tão tecnológico e moderno no meio de plantações e fazendas antigas.
Me fez lembrar de um dos filmes do 007, mas o Bem me disse que não é o mesmo lugar, e que de fato o do 007 nem existe.
Foi um dia de calmo proveitoso, sem ventos e com um solzinho no fundo que dava um ânimo para continuar pedalando. Levamos um pouco mais de 6 horas pedalando, mas com as paradas viraram 9, e ainda paramos bastante tempo no centro de Wilmslow para um café e papear já que os anfitriões da noite só chegavam em casa mais tarde.
Ao chegar em Heald Green fomos recebidos por Becky, Matt e o pequeno Theo, uma família jovem mas cheia de aventuras. Eles largaram o trabalho e percorrem de bike com o pequeno theo de dois anos na época num trailer percorram 4 mil milhas pelo Canadá e Estados Unidos. Um tanto corajoso e inspirador quando você pensa que uma criança dessa idade precisa de atenção. Com eles trocamos diversos conselhos, risadas e comemos um chilli com arroz, que confesso me fez muito feliz, depois de tanta batata eu realmente estava com saudades do arroz.
Como o dia seguinte prometia ser longo e bem montanhoso eu abandonei o bate-papo e fui para cama cedo.

Map - Worcester - Shrewsbury

Acredito que esse foi o pior dia depois do primeiro, apesar da distância ter sido razoável (83km) os desafios foram diversos: ventos forte, tráfego intenso e muitas subidas profundas de até 14%.

Na noite anterior o Ben e o Paulo havia chegado a casa de Caryl e Lyndon com bastante dor na articulação do joelho, e de manhã fiquei bem mais confiante ao ver que o Ben estava bem melhor. Nos primeiros quilômetros ele disse que ainda doía um pouco mas nada demais, já o Paulo continuava com uma dor significativa o que o fez ir pedalando o trajeto todo na marcha leve.

A estrada era bem bonita, diversos vilarejos, em alguns momentos a estrada tinha duas faixas para pedalarmos o que com os ventos nos deixava mais seguro. Os ventos daqui são bem rebeldes, vem de frente do nada muda para o lado o que exige que você pedale lutando para ficar no canto esquerdo para não ir para frente dos carros. O vento contra sempre foi o meu maior medo de todo esse desafio, porque você pedala. pedala, pedala e não sai do lugar o que é um tanto frustrante depois de algum tempo.

Stats - Worcester - Shrewsbury

Os motoristas ainda me surpreendem sempre se arriscando na contra-mão para nos dar uma distância segura – lembro que quando estava no Brasil me dizima o tempo todo que os motoristas da Inglaterra eram super anti-ciclistas e que não faziam questão alguma de nos manter seguro – talvez em Londres isso seja uma verdade, mas como toda grande cidade o tráfego já um tanto estressante.

Tívemos um velocidade média bem baixa mas condizente com as condições. O vento congelava nossos dedos do pé, e não senti-los é algo agoniante. Então paramos em alguns café e conveniências para nos esquentar e comer algo, o bom é que com a rotina alimentar aconselhada pela nossa nutricionista Isabella Alencar, realmente teríamos que parar a cada uma hora.

Eu fui bem durante o caminho, sem dores, e com uma paciência que me surpreendia, quase não me irritava com nada. Me irritava às vezes pensar que chegaríamos de noite no destino, porque é quase impossível para mim enxergar sem luz e com a luz dos carros na contra-mão, mas não havia muito a se fazer quanto a isso, já que o dia não foi dos mais fáceis. Depois de um dia longo assim finalmente chegamos a casa de Jon e Angela que nos recebeu com uma taça de vinho, macarrão a bolonhesa e muita conversa sobre cinema, televisão e bike. Ainda tivemos tempo para dar uma lavada nas nossas roupas, o que já era mais que necessário depois de quase uma semana com a mesma camiseta, calca, jaqueta e balaclava.

On the start line... 1,500km to go..!

On the start line… 1,500km to go..!

O dia antes do começo do pedal foi tranquilo. Passeamos e conhecemos um pouco de Lands End. O dia estava bonito sem chuva e vento. Um tanto animador para o dia seguinte. Pena que o inverno nessa ilha é impossível de prever. E para tornar o nosso primeiro dia de pedal ainda mais desafiador acordamos cedo com o barulho dos ventos e da chuva, Nos atrasamos arrumando as coisas e tentando dar uma arrumada nas bikes. Anotamos o endereço da bicicletaria mais perto e saímos. O caminho até Penzance foi tranquilo. E a bicicletaria já ficava no nosso caminho. Lá arrumamos o câmbio do Ben e meus freios. Não demorou muito e pegamos a estrada A30. A estrada é bem movimentada mas achei bem tranquilo de andar por ali, sem muitas vistas e paisagens mas muito muitos carros. A chuva forte também não ajudou. Cheia de subidas e descidas longas e com um acostamento estreito não me sentia confortável em usar os pés clipados, o problema era que o pedal estreito escorregava toda hora. E os ventos nas costas ajudava nas subidas mas quando resolviam mudar de direção e bater na lateral dava uma certa sensação de instabilidade. Cada novidade que a natureza adicionava para esse dia exigia uma adaptação e me ensinava como manter o controle da bike que às vezes parecia estar viva.

Rota dia 1Entramos na cidade Redruth para comer e acabamos almoçando em um restaurante português, foi bom ler e falar português de novo. A comida bem gostosa e a dona do restaurante simpatia pura. Depois de 1h30 para comer seguimos viagem, estávamos na metade do caminho mas a luz duraria mais algumas poucas horas. O tempo continuava ruim ou ainda pior do que quando começamos.

Os ventos loucos atrapalhavam ainda mais nas descidas porque o atrito da bicicleta com o solo já estava diminuída e a pista molhada também não ajudava em nada, qualquer vento lateral me deixava muito insegura, então tentei controlar a velocidade nas descidas.

A chuva ia consumindo aos poucos, apesar de não sentir frio em nenhum momento, o que cansava mesmo era a água batendo na cara e com o passar do dia foi ficando escuro e pra mim era bem difícil de enxergar então eu precisava forçar mais a vista para ver e diminuir o passo.

Ficar mais lenta era ruim também porque eu acabava ficando bem mais atrás do Paulo e do Ben o que não ajudava para os carros me enxergarem e me estressava bastante porque meu medo era deles virarem em algum lugar e eu não ver.

Assim quando encontrei com eles parados embaixo da ponte me esperando pedi para pelo menos um ficar mais no meu ritmo porque me ajudaria a ver melhor a estrada – seria mais lanternas iluminando o caminho.

Dali em diante seguimos mais próximos. Depois de 8 horas pedalando os 3 já estavam bem cansados, mas finalmente vimos a entrada de Bodmin. Entramos e dali a casa do Jacob (nosso anfitrião da noite) deveria ser simples mas a estradinha que levava até a casa dele era cheia de subidas, lama e bem estreita. A noite estava extremamente escura e durante essa pedalada de poucos quilômetros mas de muitos sobes e desces eu podia ouvir meu freio fazer um barulho metálicos. Nas descidas fui controlando a velocidade com o pé no chão já que meu freio traseiro havia terminado. Na ultima subida eu já estava começando a pensar se a casa desse garoto existia, mas pude ver o Ben conversando com Jake. Chegamos! UFA!

A noite foi de tortas de legumes, papo e chá. A família era muito calorosa e receptiva. Conversamos por horas, eles colocaram nossas roupas na secadora, tomamos banho e deitamos para dormir em volta da lareira. Eu capotei, o Paulo apagou e o Bem ainda ficou um pouco escrevendo post e checando a rota do dia seguinte.

Primeiro dia foi duro e o seguinte recheado de novas sensações, mas isso eu deixo para o próximo post!

On the start line... 1,500km to go..!

On the start line… 1,500km to go..!

O dias até agora não tem sido dos mais fáceis.

Como eu disse no post anterior as bagagens do Paulo se perderam no meio da conexão e para reencontrá-las tivemos que fazer diversas ligações, ele teve que ir ao Aeroporto mais de uma vez e isso tudo levou mais de um dia para se resolver. A família do Ben já estava oferecendo todas as bikes e roupas que ele poderia precisar. Mesmo assim não seria nada confortável fazer uma viagem dessas com coisas emprestadas e com as suas sumidas. Eu não podia remarcar a minha ida a Penzance, então eu e o Ben viemos ontem. O Paulo conseguiu recuperar as suas malas e veio para cá no trem das 7pm.

The beginning of the journey

The beginning of the journey

A falta de sorte não parou por aí. Ao chegarmos aqui em Penzance a ideia era montar as bikes e seguir rumo ao hostel pedalando – a distância de Penzance a Lands End é de mais ou menos 17km. Mas a bicicleta do Ben deve ter colidido no avião ou veio com algo pesado em cima, porque o câmbio está amassado e a princípio pegava nos raios da roda. A minha tem problemas no freio. Acredito que a mudança de temperatura deu uma desregulada geral. Demos uma mexida e conseguimos arrumar um pouco mas não 100%.

Se o trem não tivesse atrasado poderíamos ter resolvido tudo ontem mesmo. Mas chegamos aqui já era escuro e a Bike shop estava fechada. O trem do Paulo também atrasou invés de chegar aqui a meia-noite ele chegou quase 3am.

Tudo isso nos fez chegar no consenso de atrasarmos o planejamento e começarmos o pedal amanhã.

Como tudo que é planejado direitinho. Esse dia parado aqui não programado nos leva a um efeito domino porque perderemos o dia de descanso em Bristol e também temos que avisar as casas que iremos ficar que chegaremos atrasados.

Dos males o menor.

Aproveitamos o dia de hoje para filmar e conhecer a região. A cidade é fria mas com lindas paisagens. Tiramos a foto do marco de Lands End e o Ben teve bastante vento e tempo para brincar com seu brinquedo novo: uma pipa. O que nos gerou diversas situações legais a pipa quase me acertando e depois quase “matando” o Paulo. Só ouvi os gritos do Bem para ele correr da pipa desgovernada que fazia piruetas e rajava em alta velocidade pelo ar. Uma pena porque com isso as cordas se enrolaram toda e tivemos que acabar com a brincadeira. A fome apertou e foi hora de procurarmos um lugar para comer. Acontece que a cidade é pequena e tem poucas opções para comer e nessa época do ano ainda nada abre. Uma caminhada longa até o pub mas com lindas vistas do alto para a enseada. Que por mais frio que fosse tinha alguns surfistas investindo nas poucas ondas no mar. Comemos e até experimentamos a cerveja local, recomendo muito a Cornish Tribute.

Depois foi reorganizar as malas e papear muito regados a chá.

Que meu próximo post seja recheado de aventuras nas estradas inglesas.

Curso de manutenção para evitar perrengues assim!

Curso de manutenção para evitar perrengues assim1

Para fazer fazer a micro expedição de bike dividimos em três frente de ação:
Treino Indoor: Treinos de musculação focados em pernas, abdomem e lombar 4 vezes por semana, ainda assim trabalhando de forma mais leve os musculos dos braços, ombros e peitoral. Aeróbico também 4 vezes na semana revezando entre esteira e bicicleta, num tempo médio de 1 hora e focando sempre a mlhora da resistência e do trabalho cardio-respiratório. Usamos a escalada para melhorar a parte psicológica e auxiliar no preparo físico.

Treino com amigos na Estrada dos Romeiros

Treino com amigos na Estrada dos Romeiros

Treino Outdoor: ciclismo na estrada, com rotas longas (entre 90-120km/dia), recheadas de subidas, finais de semana com dias consecutivos de pedalada, administrando tempo e impondo um ritmo.
Alimentação: agora mais do que nunca ficamos prestando atenção em como identificar o que o nosso oraganismos gosta e aceita melhor nos pedais. Entendo os tipos de suplementos (gel, barra, bloco, favo…), quais cada um gostava mais, o tempo de desgaste interno e das paradas para comer, o que e quanto comer antes/durante/depois… Conversaremos ainda mais com a nossa nutricionista Isabella Alencar quais serão as opções encontradas e qual será a melhor rotina alimentar para se ter nas condições que encontraremos.

Além de toda essa preocupação com o corpo e mente, tínhamos que entender e saber resolver todas as necessidades das nossas parceiras: as bikes.
Chuva, neve, lama, poeira – todas essas coisas judiam e muito da relação da bike, por isso uma rotina de limpeza e de manutenção vai ser empregada durante o trajeto. Agora o que podíamos fazer era um curso de mecânica básica, que por mais básico que pareça é algo um tanto difícil de marcar. Então o jeito foi ler muito, comprar manuais e entender um pouco. Essa semana finalmente conseguimos um lugar – a bicicletaria que sempre revisa as nossas magrelas organizou um cursinho de ultima hora. Ontem ficamos lá até quase 23h entendendo como regular freios, câmbios, arrumar raios, limpar e cuidar do nosso veículo. Foi bem cansativo mas muito proveitoso.

Emendando a corrente.

Emendando a corrente.


Saio de São Paulo hoje com a certeza de que temos um desafio imenso pela frente, confio em meu corpo, minha cabeça e em nosso planejamento.
Com certeza cada dia será recheado de novos obstáculos mas enfrentá-los e vencê-los será uma lição para se levar na vida.
Conto com vocês como companhia aqui no site e com a transmissão de energia em cada virada de pedal.

A neve cai que cai em Londres!!!

A neve cai que cai em Londres!!!


O clima confuso e instável que anda fazendo em São Paulo vai nos acompanhar até o fim de nossa jornada pelas terras britânicas. O tempo que se mantinha bom das últimas semanas começou a mudar e a temperatura promete cair. Com isso nossos desafios aumentam: mais chuva, vento e quem sabe neve.

The Guardian

The Guardian

Planejar essa viagem não foi fácil justamente por isso, o inverno na terra da Rainha sempre prometeu ser bem complicado de lidar e pra ser sincera, isso foi determinante na escolha entre LEJOG e a rota entre Buenos Aires e Santiago do Chile. As condições climáticas que iremos enfrentar agora vai nos ajudar a administrar melhor os trechos como Himalaias, norte do Canadá, Rússia e diversos outros lugares que terão condições muito próximas.

DIVISÅO MERIDIONAL

DIVISÅO MERIDIONAL

Por mais que o nosso treino aqui no Brasil se intensifique a cada dia, existem experiências que não conseguimos explorar do lado de cá do meridiano, assim o foco de cada viagem-treino é explorar esses aspectos.
Se manter informado é imprescíndivel para esse ciclotour, e hoje lendo o Guardian encontrei uma matéria muito interessante sobre os cuidados para os próximos dias na Grã-Bretanha:
“O escritório de Meteorologia deu alerta sinal amarelo (esteja atento) nas áreas leste, oeste e extremo norte da Inglaterra.
A neve caiu mais forte em partes de Lincolnshire e Cambredgeshire, onde alcançou 5 cm mas isso é somente metade do montante estimado pelos especialistas. Em outras áreas, incluindo Yorkshire, onde o aeroporto Leeds Bradford esteve em aviso de possível fechamento mas até o meio-dia os serviços de voo acabaram não sendo afetados.
A agência responsável pelas estradas recomenda aos usuários que irão cruzar o país, sempre checar as condições climáticas e das estradas.” ( CLIQUE AQUI para ler na integra)

São notícias assim que devemos estar atentos se não quisermos surpresas no meio de nossa jornada. Cada noite será cheia de ocupações e preparos para a manhã seguinte. E esses preparos já começaram faz tempo, mas isso eu deixo para o próximo post.

A cada dia que passa mais perto estamos de sair de São Paulo rumo a Grã Bretanha e essa viagem vem cheia de expectativas e pressões. Enfrentar o inverno britânico em cima de uma bicicleta não será nada fácil, a mudança constante do tempo sempre foi algo famoso na na Escócia e o que mais me preocupa são os ventos e o terreno com icy. Mas essa preocupação é pequena em comparação a ansiedade que tenho para cair numa viagem de descobertas, a cada dia algo novo, um desafio, uma surpresa. A cada dia pedalar numa estrada prestando atenção a sua volta, aos ambientes e paisagens, aos terrenos e árvores, ao céu e ao horizonte. O verde inglês certamente estará presente com suas relvas e gramados, as montanhas e morros escocês vão modificar a paisagem a cada metro e o frio espero que seja um parceiro acolhedor de nossos dias.

As descobertas de um lugar, de uma cultura, de um país começam muito antes de se fazer a viagem efetivamente, começa nas pesquisas por rotas, por hospedagem, por opções de paradas… As descobertas se fazem por uma busca de imagens, por um texto lido na internet, por vídeos de aventura ou docs sobre o destino. Pelo menos assim começam as minhas, e é delicioso me ver aprendendo e estudando como se fosse semana de prova, estudando minha matéria predileta, conhecendo lugares, animais e objetos que diferentes da época da escola agora são palpáveis. Ler uma história curiosa ou até mesmo fantástica e descobrir que é verdade, é algo indescritível e que fixa em nossas cabeças. Tenho certeza que nesse 1 mês fora, e nesses +20 dias que estaremos em busca de fronteiras mentais, desafiando nosso corpo e convivendo arduamente as descobertas serão muito maior e pessoal do que essas que faço agora, sei também que o se conhecer no dia-a-dia vai nos exigir muita paciência, compreensão, civilidade, companheirismo e respeito. E toda essa cobrança pessoal que cada um carrega que para mim é algo simples e corriqueiro, uma cobrança que todos deviam carregar no dia-a-dia mas que a sociedade de hoje não se cobra mais porque deixamos em pensar em comunidade e pensar num individual a muito tempo e as cobranças pessoais de cada um se transformaram em ambições e competições. Não que esse tipo de postura seja errada, mas nesse tipo de viagem e projeto se adotarmos uma postura dessas ou nos dividimos ou nos matamos no meio do caminho.

Ainda com todas essas expectativas e pensamentos não posso prever as surpresas de cada um, certamente teremos uma visão divergente em certos pontos e a nossa percepção de cada coisa pode sim convergir ou divergir. Hoje o que vejo em cada um de nós é uma sede de conhecer e conseguir, o que vejo são medos diferentes, são  ideias que se somam e um destino: Orkney Island na Escócia. Para mim um ótimo lugar para se terminar por suas belezas, para o Ben um re-encontro com sua infância, já para o Paulo não sei bem dizer e não quero colocar palavras em sua boca.

Mas para você que lê esse post e que seja bem possível nunca ter ouvido falar deixo fotos, porque vale mais a pena mostrar do que falar: