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Satisfação total!

Como eu já disse viver na capital paulistana nem sempre é fácil, por isso a busca por lazer e uma vida saudável é interminável e um tanto desafiadora. Pedalar aos finais de semana para a praia ou interior é muito bom, mas para aqueles que tem sede por mais e mais, o jeito é incluir outros esportes. E as vantagens de diversificar as suas atividades esportivas não param só em te dar opções mas também previnem contusões e tendinites. Por exercitar diferentes  músculos com outros  movimentos gera um fortalecimento mais completo. A musculação sempre deixada de lado por aqueles que não buscam ficar bombados é essencial para uma evolução em qualquer esporte além de dar suporte para os ligamentos e articulações. Nós que precisamos estar com o corpo e a mente prontos para qualquer coisa já que esse projeto vai nos levar ao limite, ficamos cada vez mais versáteis e buscando treinos e atividades que nos ajudem. E foi por isso que começamos a escalar. A escalada é uma ótima dica para aqueles que buscam um corpo forte, alongado e maleável. Por trabalhar flexibilidade, resistência e força do corpo todo é um esporte mais que completo, sem falar da melhora na auto-estima, concentração e resistência mental.

Paulista - Va de BikeHoje mais do que nunca percebo como o mundo da bike e da rocha andam cada dia mais perto um do outro. Afinal de contas nada mais gostoso do que cair na estrada em cima da magrela, chegar no meio da natureza em algum cantinho razoavelmente perto da capital e escalar na rocha. Lá de cima ver a vista e pensar que conquistou não só quilômetros mas também “alturas”. Essa proximidade vejo pelos que estão a minha volta, a quantidade de gente indo e voltando da Casa de Pedra de bike aumenta mais e mais, hoje são organizadas pedaladas as quintas e até rola uns pedais longos de final de semana, na CP alunos novos são frutos invertidos, ciclistas que vão lá ver qual é a boa das agarras e paredões. Esse crescimento de ambos dos esporte é animador, e até dá um tanto de orgulho ver o rumo que as pessoas estão pegando. Na Europa o uso de bike e escalada como lazer e meio de se manter em forma já é antigo, e tenho certeza que um dos fatores por grande parte da postura aventureira, da consciência ambiental e da maneira de lidar com coisas ligadas a melhora da qualidade de vida sejam tão enraizadas.

Para pedalar existem diversos grupos no face, em blogs, bicicletaria e bairros da cidade que te ajudam a iniciar a prática já a escalada parece mais distante, por isso hoje vim aqui mostrar que não é tão difícil começar a escalar, muito menos ir atrás de experimentar. Treino de Equilibrio - Slackline

Caso você queira tentar a primeira vez num ginásio com diversos níveis de dificuldades e segmentos do esporte sugerimos a Casa de Pedra que fica pertinho do metro Barra Funda. Além de ser o maior ginásio de escalada esportiva do país com paredes de até 14m de altura e mais de 100 vias de escalada guiada, top rope e boulder você ainda conta com uma estrutura completa de musculação. É possível ir um dia só para conferir ou fazer um plano mensal, dá uma olhadinha no site ou passa lá e conversa na recepção.

Casa de Pedra climbing gym, São Paulo

Casa de Pedra, São Paulo

Para aqueles viciados em esporte na natureza, e não querem nem passar perto de uma academia, indicamos a Kaiporah uma agência de esporte de aventura que nasceu justamente para ajudar ao acesso a esportes como: bike, yoga, trekking e claro escalada. Todo mês são programadas diversas saídas para as rochas no interior que cerca a cidade de São Paulo. As vias normalmente tem de diversos níveis de dificuldade e eles fornecem todo o equipamento de segurança, lanches super saudáveis e instrutores super experientes que vão te ajudar a superar os obstáculos e conquistar o cume.

Esse domingo caso você queira ir conferir vai rolar uma saída para o Guarujá no Morro do Maluf com vias muito boas para iniciantes e intermediários, caso queira saber mais informações dá uma perguntada lá na pagina deles Kaiporah.

1,480km in cycling through the British winter
1,500km in cycling through the British winter

Hoje aqui posso agradecer aqueles que nos ajudam e que o apoio foi de suma importância nessa mais nova conquista.

Obrigado a Casa de Pedra por estar ao nosso lado desde o começo, onde podemos treinar em uma estrutura completa e nos manter condicionado para qualquer desafio: seja escalada, ciclismo, montanhismo ou corrida. Você nos dá flexibilidade para fazer dessa expedição um  sucesso.

Obrigado Dra. Isabella Alencar por acreditar em nós, por estar sempre atenta a tudo que possa melhorar nossa performance, por nos instruir em cada treino e em cada nova modalidade que entramos e por nos ensinar o valor que uma boa alimentação tem na vida de um atleta. Certamente sem a sua dieta esses 17 dias pedalados teriam sido muito mais cansativos.

Obrigado ao Fabio Jobim  com seus treinos na escalada reforçando e desafiando minha cabeça mais e mais, por trabalhar minha resistência e me deixar pronta para esse desafio!

Obrigado a minha família e amigos que me apoiaram todos os dias. Que o 360 Extremes continue me levando a lugares e experiências que exijam de mim superação.

On the start line... 1,500km to go..!

On the start line… 1,500km to go..!

Naty e Ben em John O'Groats 

Antes de começar a falar do último dia, queria explicar o motivo da falta de fotos nesse post, a verdade eh que o HD com tudo da viagem quebrou e está em conserto, assim que tivermos tudo vamos colocar as fotos desse e dos outros dias nas galerias.

Foi um tanto difícil controlar a ansiedade pelo último dia. Na verdade eram tantos os sentimentos na manhã que o mais complicado era saber a qual dar uma atenção maior. A essa altura o sentimento de vitória e conquista ia tomando conta da minha cabeça mas ao mesmo tempo eu me podia me ouvir falando ao fundo que a expedição ainda não havia terminado e que por mais que tivéssemos apenas 15km a nossa frente, olhando para trás eu pude ver que não houveram dias fáceis, até nos mais leves houveram grandes desafios e aprendizados. O inverno costumava ser sempre o maior dos opositores nessa batalha por conquistar quilômetros, e mais uma vez ele se provou duro.

O dia anterior tinha sido frio mas não houve ventos fortes ou chuva ou neve, assim a expectativa para o dia seguinte era que poderia piorar mas ainda assim não poderia ser as piores condições. Olhando a previsão mostrava que o dia teria ventos de até 60m/H, mas como sairíamos cedo do hotel e a distância era curta talvez conseguíssemos chegar a John O Groats com um tempo razoável.  Grande engano! Acordamos e no quarto já dava para ouvir o barulho do vento, abrindo a cortina víamos flocos de neve ensandecidos e girando de um lado para outro, os galhos das árvores balançava forte numa dança sem ritmo definido e tudo mostrava que a jornada poderia ser curta mas também a pior em dias.

Arrumar as coisas a essa altura é algo simples e rápido, cada um já sabe o que colocar em cada alforje e o que no começo levava meia hora hoje leva menos de 10 minutos. Comer o café da manhã é sempre bom e um tanto curioso, a essa altura ainda me impressiono com a capacidade do Ben em comer English Breakfast na manhã enquanto eu fico no chá com torradas e cereais. Se eu comesse salsichas, ovos e bacon frito com tomate, cogumelos e feijão pela manhã meu dia seria com dores estomacais e diversas idas ao banheiro, mas com ele não tem problema algum. Certamente um estômago muito mais resistente!

Começar a pedalar foi apreensivo no começo, os ventos podem ser confusos, e por mais que tenham uma direção dominante eles se rebelam e acabam mudando de direção. No começo vinha do lado e para variar a luta era para que a bike ficasse num canto seguro da estrada, que não tinham muito movimento de carros, o que ajudou já que assim poderíamos ficar mais no meio da pista. O vento contra o rosto tornava a experiência dolorosa, e olhar o caminho ficava quase impossível. Era um tanto assustador ver as placas de trânsito e dos vilarejos cobertas por neve, todas congeladas; os gramados brancos e as ovelhas todas juntas tentando se aquecer o quanto podiam. As aves no céu lutavam contra o vento e pareciam perder a cada investida, era possível ver elas tentando voar para um lado e o vento as levando para outro. Cheguei a rir da insistência das pobres aves em ir para onde o vento não as deixava sem me dar conta de que eu estava na mesma situação. Mas como que se dando por vencido o vento que me segurava passa a me empurrar e percebo que depois de tantas curvas a estrada me colocou no sentido certo. Parei de pedalar e curti o empurrão, as pernas começar a tremer de frio e me dei conta que precisava manter as pernas movendo para me manter aquecida.

Ver a placa Welcome to John O´Groats!, me fez sorrir, a felicidade de ser bem vinda pelo lugar que almejo chegar há 21 dias é uma recompensa não só por todo esforço, dedicação e investimento nessa expedição mas sim uma recompensa por todo o último ano de treino e estudo, por toda a nossa mudança de vida para estar mais e mais aptos para o 360 Extremes. E passando por aquela placa, pensando em tudo isso sigo pedalando atrás do Ben e sei que ainda não acabamos, aquela placa é um sinal de estamos completando mas o Final é no marco e não na placa. Seguimos em frente, paramos em um Pub para saber onde exatamente estava o marco e olhando para fora da janela deles pude ver como o vento e a neve pareciam ganhar força. Menos de 1 km nos separava do nosso pódio, então com um sorriso largo subimos nas nossas bikes, clipamos nossos pés e pedalamos. Olhando em frente ansiosos em avistar algo parecido com o que deixamos em Land´s End. Não vou mentir falar que ver algo simplesmente pintado no muro foi um tanto decepcionante, mas mesmo assim descemos das bikes pulando de alegria. Aquele era o nosso momento, emocionados nos abraçamos, rimos, gritamos. Comemoramos do nosso jeito, e o frio estava ali a toda a nossa volta, se mostrando o parceiro inseparável dessa aventura. Eu bem que queria ter uma garrafa de champagne na hora para imitar os corredores da F1. Mas o jeito foi tirar a foto com o rosto gelado e banhados pelas gotas da chuva.

Entramos na lojinha e compramos uma caneca para simbolizar o nosso troféu.

Mas depois de todo esse sentimento de vitória tivemos que subir de novo nas bikes e voltar para o pub para pedir um táxi. Pedalar de volta aqueles 600m finais, subindo na bicicleta eu já realizei que isso seria muito, mais muito difícil mesmo, só não percebi que seria doloroso. O vento incrivelmente forte me jogava para trás e parecia uma parede que não me permitia sair do lugar, mais uma vez senti tapas do vento contra meu rosto e olhar para frente era impossível. As gotas acertavam meus olhos por cima dos óculos e me obrigava a fechá-los. Pedalei com força, tentando me guiar pelo asfalto da rua o quanto pude, olhando para baixo. Avistei o pub e o Ben pedalando em frente, o vento me batia com força e parecia não me querer de volta aquele lugar que me parecia quente, protegido e seguro. Uma hora desci e empurrei a bike. Chorei aqui, chorei de dor, meus olhos doíam por causa do vento e da neve. Subi na calçada do pub e o Ben veio me ajudar. Entrei no pub e lá ele me abraçou e me confortou. Quanto frio, quanta força um simples sopro pode ter.

Essa expedição acabou, depois fomos para Orkney Island ver as paisagens, continuar na companhia dos ventos mas com menos oportunidades de pedalar. A jornada em busca de experiência e preparo físico e mental para a grande expedição continua e esse ano com ainda mais aventuras, treinos e aprendizado.

 

The end is in sight. Almost

The end is in sight. Almost

Ao acordar de manhã passo a me sentir um pouco mais matemática do que comunicóloga, tudo isso porque inconscientemente me pego fazendo contas de quanto percorremos e de quanto ainda falta, e nessa manhã a resposta da equação me fez sorrir mas também me fez pesar. 100km para o nosso objetivo ser alcançado, tão pouco para que toda essa rotina de desafios e aprendizado se encerre, nessa pequena equação vejo mais que números, porque nesses 1400km percorridos vivi cada metro, suei cada subida, superei cada vento, me aqueci a cada mudança de tempo e cresci como pessoa, como ciclista, como cidadã. Tantas pessoas nos receberam com tantas histórias, conselhos e uma mão estendida para qualquer duvida ou problema. Curiosos pelo caminho nos chamavam de loucos e perguntavam sempre no porque de encararmos a LEJOG nessa época do ano. Os únicos a fazer isso agora, os únicos vistos por aqueles que nos acolheram, por aqueles que nos atenderam nos cafés e lojas de conveniências. O motivo talvez seja mais claro hoje do que quando saímos, é simples: aprender a lidar com todas as surpresas que as mudanças climáticas podem nos pregar. Acredito que isso conseguimos: lidamos com ventos de todos os lados, chuva forte, granizo, neve, icy, tudo isso junto, o dia de ameno e sem ventos se transformar em questão de segundos numa tempestade… Tivemos dias longos, semana inteira sem descanso, melhoramos nosso ritmo, melhoramos nossa potência, criamos uma sinergia e uma rotina nossa. E chega a todas essas conclusões de manhã, ao fazer a simples equação de quanto foi e o que falta, me entristece um pouco, porque parece que estou mais perto de parar de aprender, de parar de melhorar, de parar de conhecer.

The route to Keiss

The route to Keiss

Puxo meu pensamento para o fato de que hoje o dia não será fácil, a rota é montanhosa e promete uma subida interminável logo nos primeiros 20km, o clima dá pra ver que não está o mais amigo e se no dia anterior já não havia opções de parada, nesse então teria menos ainda. Pelo menos sair do Inn era algo um tanto motivador, o lugar era péssimo e eu não via a hora de chegar na próxima parada.

A ideia inicial era pararmos em Wick, mas resolvemos percorrer a maior distância possível porque o clima ia piorar ainda mais no dia seguinte. Sair de Brora foi bem tranquilo, a montanha lá no fundo com uma subida constante, longa mas não muito profunda. Agradeci o hotel ficar há uma distância razoável da subida porque consegui aquecer antes. O nosso ritmo estava tranquilo sem muita pressa. Essa seria uma subida bem longa de mais ou menos 15km, superado isso descemos uma ladeira de graduação 13% por uns 3km e no fim um curva fechada e uma subida nada amiga de 13% por mais 3km. Mais uma vez me vi pensando “porque não construíram uma ponte ali!”. Eu parei parar tirar fotos logo na curva e fazer vídeos do Ben, o problema depois foi subir na bike e encarar a subida, a estrada pra variar não tinha acostamento e era mão dupla, e com os ônibus passando ficava um tanto inseguro subir e começar a pedalar. Empurrei a bike até depois da curva e dali pedalei. Paramos no topo, depois de comemos umas barrinhas, tomamos água e combinamos de parar no primeiro serviço para tomar algo quente. Mas quanto mais norte estamos mais difícil fica de encontrar paradas. Passamos por diversos vilarejos, em Helmsdale acreditei que acharíamos algo por parecer um lugar maior que os outros, mas nada tudo fechado, entramos em Lybster e a cidade era super pequena e parecia um tanto abandonada, quase ninguém na rua os café e restaurantes fechados mas por sorte um mercadinho estava aberto e lá comemos e bebemos café. Dali em diante o desafio foi o frio mas sem muitas subidas significativas.

Looking over Berriedale, just north of Helmsdale; pausing for a break up the hill

Looking over Berriedale, just north of Helmsdale; pausing for a break up the hill

Um pouco antes de Wick o vento ficou mais intenso e vindo pela lateral, dava pra ver as ovelhas todas amontoadas tentando se aquecer e se proteger, mas nós não tínhamos muita opção além de pedalar. Chegando em Wick a cidade era bem maior, um mercado logo na entrada e não resistimos de parar para comprar algo para comer. O triste dessa parte é que na hora de continuarmos o Ben deixou o óculos cair sem perceber, parou uns 5 metros depois sentindo falta mas deu pra ouvir o som do carro atropelando e destruindo o seu óculos. Ele ficou bem chateado, mas pelo menos isso aconteceu agora e não há 17 dias atrás.

Seguimos até Keiss onde ficamos num Inn. O dia seguinte seria curto, mas olhando a previsão na internet não era nada animador, era certo que no dia seguinte encararíamos as piores condições da viagem!

 

Accompanying the single-track railway line northwards, passing plenty of small bridges on the way

Accompanying the single-track railway line northwards, passing plenty of small bridges on the way

Deixar Inverness deu um apertinho no peito, a cidade parecia ter tanto para se conhecer mas tivemos tão pouco tempo que tivemos que deixar para uma próxima oportunidade. A essa altura já sei que quando o Ben fala que o dia vai ser sossegado tem alguma pegadinha, e hoje não foi muito diferente. O dia estava bonito, e a rota seguia perto do mar quase o tempo todo. Seriam quase 94km e o clima estava com uma cara amigável no começo do dia. Logo nos primeiros 15km passamos por tantas pontes que perdi as contas, o bom foi que como não ventava tanto passar por elas não era algo tão complicado. O caminho todo tivemos que dividir a pista com os carros, uma pista pra ir outra pra voltar, o acostamento continua inexistente. Os motoristas sempre nos respeitando e nos ultrapassando com segurança, a diferença entre os ingleses e os escocês pra mimm é clara: a velocidade com que eles passam, na terra das ovelhas o limite de velocidade deve ser bem mais elevado, e alguns carros passam tão rápido que só os vejo fazendo a curva lá na frente.

Stats - Inverness - BroraO frio ameno deixa o pedal mais leve, em compensação acabamos suando um pouco mais embaixo da roupa e temos que refazer os layers, que com menos uma camada na descida nos esfria bastante. Algumas subidas pelo meio do caminho mas nenhuma que ficasse na memória. O grande problema é não ter onde parar para comer, tomar um café, ir ao banheiro ou simplesmente parar. Nesse dia eu parei atrás de moitas para fazer xixi, porque se fosse esperar ia ter que parar depois de 80km. Diversas placas apontavam caminhos ara castelos e muralhas, mais um arrependimento, não tínhamos tempo de desviar a rota e ficar parando para conhecer. Antes de Golspie não conseguimos não resistir de parar para admirar o pôr do sol, lindo demais.

Enjoying the view along the coast near Brora at dusk

Enjoying the view along the coast near Brora at dusk

Depois dessa parada na saída de Golspie uma subida bem paredão, pedalei sem acreditar que o Ben não havia falado nada, mas fui mais uma vez pedalando com paciência. Pude ver que a subida continuava numa curva fechada e me lembrei das tantas montanhas que passamos: Mandeep, Shap e a montanha na entrada de Lancashire.

E pensei certamente essa deve ser tipo aquelas, longas, sinuosas e intermináveis. Para a minha alegria, depois da curva ela terminava. Segui esperando por mais, mas nada. Subidinhas tão suaves que não tinha nem o que falar. O B&B que ficamos era bem na entrada da cidade, que não era muito grande. Em cima de um pub, e o quarto não era lá grandes coisas. O banheiro parecia ter um monstro vivendo escondido, cada vez que você ligava a torneira, o chuveiro ou dava descarga, um barulho grave e alto começava e só parava uns 5 minutos depois que você parou de usar a água. O pior de tudo é que foi o lugar mais baratinho que arrumamos na cidade e um dos mais caros da viagem até agora. Um absurdo na minha opinião mas como não tinha opções de warmshower ou couchsurf e também é bem difícil achar lugares abertos nessa época do ano o jeito foi não reparar no lado ruim e aproveitar a nossa única noite na cidade.

up to newtonmore

Fomos pela ciclovia que seguiu ao lado da A9 por alguns quilômetros, depois desviava por uma estrada lateral que por ser pequena e usada mais por ciclistas não era cuidada na época do inverno, o resultado foi pilhas de neve cobrindo o icy. Pedalar ali era quase impossível, manter a calma se mostrou mais que essencial. Estudando onde tem menos neve e manter o ritmo do pedal ajuda a não perder o controle em cima dessa superfície que parece que só quer nos derrubar. Pude ver que mais a frente não tinha mais neve, e foi bom ver que aquilo duraria pouco. No fim eu e o Ben rimos, porque desde o dia que começamos estávamos esperando condições como essa, e foi bom poder experimentar e aprender como lidar.

Seguimos pedalando, e a estrada apresentava montes galhos e folhas, poças, neve em todo lugar. Acabamos perdendo um pouco do ritmo e chegando a conclusão que seguindo por ali realmente chegaríamos em Newtonmore bem tarde, mas ficamos aliviados em não ver mais icy e neve, pena que o alívio durou pouco  mais a frente a neve era tanta que não dava para saber o que era estrada e o que não era a não ser pelas cercas e muros, e as marcas de pneu de algum carro que passou por ali alguma hora do dia. Fomos pedalando por cima das marcas de pneu, mas quando a pilha de neve aumentava mais difícil ficava de pedalar, a bike ficava pesada e os pneus parecem deslizar mais. Eu escorreguei mas consegui apoiar o pé no chão evitando a queda. Subi de volta e voltar a pedalar se mostrou um desafio e tanto. Mais a frente escorreguei de novo, mas não caí, e a neve aqui mais densa ainda me mostrou que tem horas que empurrar a bike é mais seguro e rápido. E assim fui. Ao terminar, subi de novo e a segunda parte coberta por neve consegui pedalar até o final.

icy road

Encontramos uma saída para A9 mais a frente e como a ciclorota parecia ainda pior do que o que já havíamos enfrentado, resolvemos ir pela rodovia.

Agora o movimento parecia bem menor, e realmente estava, os carros e caminhões continuavam nos surpreendendo com tanto cuidado conosco,  íamos pelo cantinho esquerdo tentando ocupar o menor espaço possível da pista, e eles continuava entrando na contra-mão para nos ultrapassar com segurança.

Mais a frente vejo uma das minhas placas prediletas: pista extra a frente. Agora sim poderíamos pedalar nos sentindo bem mais seguros, mesmo sabendo que depois de todos esses dias se tem algo que aprendi é que junto com essas placas vem uma subida. A lógica é simples nas subidas é mais comum os carros quererem ultrapassar, já que cada carro tem uma potência diferente. A subida era longa e constante, nada que atrapalhasse nosso ritmo.

Nos últimos 20 km o que eu mais queria era ver a minha segunda placa predileta, a que indica posto, banheiros e cafés. Mas nada, nem sinal. Na verdade até teve uma próxima a Dalwhinnie mas o posto estava fechado. 

O jeito foi se distrair com o cair da noite e pedalar rápido pra tentar chegar antes e ficar o menor tempo possível no escuro. E fizemos bem, pegamos a entrada de newtonmore quando a noite escureceu, acho que mais ou menos 18h30. Chegamos no B&B que era ótimo, o quarto todo bonito e arrumado, e naquela hora nada como tomar um chá quente, tomar um banho quente e vestir roupas secas. O dia tinha começado calmo e parecia que ia ser um dia sem muitos desafios, mas para nossos engano deve ter sido o dia em que aprendemos mais.

Natalia with Brian

Natalia with Brian

Brian demonstrou vontade em pedalar conosco na noite anterior mas o nosso horário de saída era um pouco cedo para ele então ele não garantiu que iria nos acompanhar por parte do trajeto. Na manhã seguinte fiquei um tanto contente ao ouvir os passos dele pelo corredor. Sem muita correria pegamos nossas coisas, e descemos para encontra-lo na cozinha, chegando lá mesa posta com torradas de bagel manteiga e mel e chá preto. Pra variar acordamos com tanta fome que parece que não comíamos a dias, e mesmo depois de um jantar farto como o da noite anterior o nosso corpo parece não parar de pedir mais e mais comida. Então sem cerimônia comemos cada um dois bagel e tomamos chá. Brian queria que experimentássemos no pedal umas barras de cereais que ele normalmente come e guardamos na mochila pra mais tarde. Ele não gostava da ideia de pedalarmos pela A9 então resolveu nos levar até a entrada da ciclovia que nos levaria até PitLochry.

A estrada pequena, sinuosa e belíssima era ladeada por árvores e era possível ver grupos grandes de veados correndo por entre elas. Achei graça mais uma vez em ver os cavalos vestidos com roupas enquanto pastavam nas muitas pequenas fazendas que passávamos . Outra coisa curiosa foi reparar o medo que as ovelhas parecem ter dos ciclistas, nos olham intrigadas e quando nos aproximávamos corriam para longe, os carros muito mais barulhentos não as repelem como nós, os cavalos não nos dão a menor bola e já os veados sempre param para nos olhar de longe. Seria interessante entender o que cada um dos animais pensam de nós!

As subidas no trajeto variam de graduação e distância, mas toda a beleza a nossa volta tirava um pouco do peso do esforço, na verdade algo que nos fazia pedalar um pouco devagar ajudava para admirar a nossa volta. As descidas sempre cheias de curvas não nos permitem abusar, o Ben chegou a uma máxima de 41km/h e eu não devo ter ficado muito atrás.

Nosso parceiro do dia ia sempre apontado as belezas e falando sobre o que gosta ou desgosta. Os poucos carros que apareciam ele cumprimentava, e os que vinham de nossas costas ele sinalizava se podiam ou não nos ultrapassar, uma relação ciclista e motoristas tão admirável e respeitosa que vi como o que eu penso está certo. Ao pedalar nas estradas toda a relação deve ser mútua, nós ciclistas temos que zelar pela segurança dos motoristas e respeitá-los e ter o mesmo em retorno. Às vezes acho que o problema está nesse eterno julgamento de quem é melhor aquele que dirige ou aquele que pedala, sendo que seria muito melhor e simples lutar por uma coexistência saudável. O Ben pode ver o que eu sempre venho falando, e acredito que aprendeu um pouco em como ser mais amigo de quem dirige.

Paramos em Dunkeld para usar o banheiro e comer. Daqui para frente teríamos a companhia de Brian por pouco tempo. Descemos um longa ladeira que terminava na A9, ele nos deixou na entrada da ciclovia que seguia lado a lado a rodovia. Nos desejou sorte, e disse que iria ficar torcendo por nós. Mais uma despedida, mas agora provavelmente a última de um anfitrião nessa jornada. Seguimos pedalando, a ciclovia não era das melhores mas também não era das piores, algumas poças de água mas sem sinal de icy, e algumas horas a ciclovia desviava para uma estrada mais afastada, mas por pouco tempo. De repente, a ciclovia acabou e nos deixa numa rua, seguindo a rua ela não tinha saída e nos vemos tentando entender pra que lado vamos, mas nada parece ser a continuação da rota. Confusos e tentando entender, chegamos a pensar em seguir pela A9, mas olhada a estrada daqui entendemos a preocupação em ir por ela – os carros passam em alta velocidade numa pista única e sem acostamento o que não nos deixa tão confortável de pega-la. Perguntamos no posto e no correio, e descobrimos que a rota dá uma pequena volta, que para seguir na ciclorota devemos seguir a estrada que sobe o morro e depois seguir as placas. A subida é constante e um tanto íngreme e vamos um tanto inseguros se estamos indo no caminho certo. Lá em cima as placas sinalizão pedem para virarmos cada hora para um lado e aí já não sei mais se estamos indo para o lado certo, ainda bem que temos o GPS e o Ben pode checar.

The route from Blairgowrie to Newtonmore

The route from Blairgowrie to Newtonmore

Nessa estrada só fazendas, pra qualquer lado que se olhava, no fim algumas casas e uma descida íngreme, longa, sinuosa e com um pavimento péssimo, no fim avistamos de novo a rodovia e a ciclovia na lateral. Seguimos por essa rota que parecia gostar de sair de perto da rodovia e dar voltas por trás dos vilarejos. A bicicleta do Ben começou a fazer um barulho a princípio achamos que era algo que poderia esperar até John O´Groats mas foi piorando durante todo o pedal, e a rota de hoje cheia de estradas sujas e sem cidades com estrutura por perto começou a nos deixar mais e mais apreensivos. Fui pedalando atrás tentando identificar da onde vinha o barulho, fui reparando que fazia somente quando o Ben pedalava e durante as subidas diminuía. Paramos diversas vezes para checar os racks, os raios e tudo mais que poderia ser, o Ben começou a achar que o problema era com as ball bearings. O jeito foi pedalar e torcer para checarmos em PitLochry rápido já que esse era o lugar mais próximos que tínhamos certeza de ter uma bicicletaria, e para nossa sorte chegamos depois de uns 40 minutos e a loja ficava bem na entrada da cidade.

Os donos da loja foram super atenciosos, enquanto arrumavam a bike, fomos a um restaurante comer e nos aquecer um pouco. Quando voltamos, a bike estava arrumada e o problema era exatamente o que o Ben imaginou. Eles nos convidaram para um café e conversamos sobre essa aventura. Eles não podiam acreditar na nossa escolha de época para fazer a LEJOG. Curiosos nos perguntavam qual seria o planejamento do dia. Falamos que iriamos até Newtonmore pela A9, e pude ver a cara de terror que eles fizeram. Disseram que o tempo muda muito rápido na região e que não chegaríamos lá já escuro e que a A9 era perigosa demais para irmos por ela. Começaram a nos dar telefone de hotéis em cidades mais próximas e nos pedir para seguirmos a rota de bicicleta que é um pouco mais longa mas mais segura. Aceitamos a sugestão na rota mas quanto até onde pedalarmos não tínhamos muito espaço no nosso planejamento para não cumprir a meta do dia. Estavamos confiantes que poderíamos apertar o ritmo mas se soubéssemos que nesse dia ainda iríamos encontrar neve e icy pelo caminho talvez tívessemos repensado no tempo, mas esses desafios eu deixo pra contar amanhã!

 

On the Road Bridge

On the Road Bridge

A noite anterior foi de muita cerveja, comida vegetariana e bate-papo com o Charlie. Dormimos um pouco tarde mas o plano ainda era o de acordar cedo, agora mais do que nunca queríamos ver a Melanie pela manhã e nos despedirmos. E assim foi, acordamos cedo, umas 7am, arrumamos o quarto, checamos se tudo estava guardado, nos trocamos e descemos. Na sala Melanie e Charlie tomavam café, e deu pra notar pelos olhos apertadinhos da Mel que a enxaqueca não tinha melhorado. Deu um certo aperto no coração ver a cara de quem ainda sentia dor. A despedida foi rápida, ela tinha que ir trabalhar e ficamos lá eu e Ben, tomando chá e comendo torrada com geleia e pão caseiro.

Colocamos os alforjes, checamos os freios e quando estávamos terminando Charlie chega com Millhouse. Papeamos mais um pouco, ele nos dá a indicação de uma bikeshop em Perth caso precisássemos, o dono é amigo deles, papeamos mais e partimos.

Saying goodbye to Charlie

Saying goodbye to Charlie

Sair de Musselburgh foi bem bonito, pedalamos pela praia e foi bonito ver as gaivotas, e as pessoas passeando com seus cães. Eu teria gostado se o caminho todo fosse assim, porque apesar do frio ver o mar é sempre algo que me relaxa. Em Edimburgo continuamos tentando evitar as ruas e avenidas da cidade, porque como toda grande cidade os motoristas estão menos cuidadosos, por isso depois da praia fomos por umas ciclovias por dentro de parques. Um tanto confusas e algumas vezes um tanto alagadas mas certamente mais seguras. O que me chama atenção nessas cidades europeias é a quantidade de idosos correndo, andando e pedalando, apesar da idade eles continuam super ativos, queria ver mais isso nos parques de São Paulo.

Sair de Edimburgo foi demorado, não sei explicar bem porque, acho que depois de pedalar em estradas e passar por tantos vilarejos você fica mais ansioso para ver placas de bem-vindo e depois a de obrigado por dirigir de forma segura, e as grandes cidades são maiores mesmo de extensão.

A rota passou pela Forth Road Bridge, uma ponte suspensa que liga Edimburgo com o norte do país, atravessando o Firth of Forth. A ponte é bem bonito e antes dela tem um mirante, onde paramos para tirar fotos e usar as facilidades. Ao pedalar pela ponte é possível sentir o tremor dos carros passando um tanto estranho, dela é possível ver uma ponte vermelha que é usada pelo trem e em uma das colunas de sustentação tem um ilha com uma construção antiga.

The route

The route

Do outro lado da ponte a cidade continua numa correria intensa, a expectativa era de poucas opções de paradas no caminho então paramos numa padaria por aqui compramos um café e um enrolado de linguiça, o café era terrível e o enrolado não ficava muito atrás. Uma escolha de parada infeliz para quem não esperava por muitas. A maior parte da rota saindo dali foi por uma estrada pequena de pouquíssimo movimento de carros e sem nada de comércio. Bem calmo e bonito, o tempo não estava nada mal já que não chovia nem ventava. Algumas subidas mas nada demais, a pior já havíamos passado que foi logo depois da ponte. O nosso ritmo foi bem calmo e proveitoso, paradas para fotos e lanches e curtindo cada segundo. Ao ver a placa de declive de 12% mantive a calma, a descida com curvas e bem profunda me preocupava por que nas descidas o risco de ter gelo no final é mais alto, então controlei a velocidade e evitei qualquer trecho que se mostrasse arriscado. Depois disso teve mais outra descida menos acentuada mas mais longa. A estrada sossegada começava a dar lugar a uma cidade maior de novo, Perth. Chegamos aqui por volta das 16h então paramos só para ir ao banheiro comer lanches que tínhamos na mochila e seguir em frente, apesar de Blairgowrie ser perto não queríamos chegar no escuro. Os 25km até o nosso destino foi em sua maioria plano e em estradas ladeadas de grandes árvores.

Above the Motorway towards Perth

Above the Motorway towards Perth

Há uns 10km um ciclista que vinha do lado oposto da estrada nos cumprimenta, minutos depois o vejo do meu lado me cumprimentando de novo, o olho surpresa sorrio e retribuo o Hi!, mas ele continua com o sorrisão aberto me olhando e achando estranho pergunto se tem algum problema. Ele ri e diz: Natália Eu sou o Brian! Eu acho graça peço desculpa e grito para o Ben. Não esperava que o nosso anfitrião fosse nos buscar no caminho. Ele pedalou conosco até a sua casa e chegando lá nos serviu chá quente e um pão de tomate seco e berinjela delicioso. Fomos a sala conversamos sobre essa viagem, contamos do 360 e ele nos falou de suas diversas pedaladas pelos EUA. Depois subimoss para o que mais esperamos depois de pedalar no inverno: um bom banho quente. E ao descer lá estava Brian com a mesa posta, uma deliciosas sopa de legumes e frango e quando achamos que acabou ele me tira pizzas do forno. O Ben que sempre fica muito faminto depois de pedalr longas distâncias olhava mais que feliz pela inesperada janta. Eu comi um pedaço, e Brian vai e me tir um torta de blueberrys da geladeira, parecia deliciosas mas eu já não aguentava comer mais nada. Depois de insistir para eu ao menos experimentar me rendi ao filete, e assim me arrependi do pedaço da pizza. Se eu soubesse da sobremesa talvez tivesse escolhido melhor minhas porções. Mas tudo bem, a única tristeza da noite foi pensar que daqui para frente não teríamos mais companheiros do warmshowers e couchsurfing para nos receber, daqui para frente seria hotéis e B&Bs.

Map of Edinburgh

Map of Edinburgh

Acordar de manhã com a certeza que não vamos pedalar é bem estranho a essa altura. Mesmo sem despertador você acaba acordando cedo e com aquele ânimo agitado de que a estrada lá fora nos espera. Depois de tantos dias de estrada, pedais longos, cidades, pessoas, fotos, chuva, vento, neve, sol e tudo mais, seu corpo e sua mente mudam um pouco de funcionamento. Parece que você muda a voltagem e de 110V você vira 220V, então você fica super agitado no começo do dia e já acordamos morrendo de fome e mesmo sem pedalar nosso corpo parece pedir algo a cada uma hora e lidar com tudo essa energia extra e esse pedido por mais energia é algo complicado. Até que ponto a fome é fome ou é seu corpo querendo garantir carboidratos para uma jornada de pedal que na realidade não vai existir no dia. O melhor jeito é se ocupar. E estávamos com os hosts certo para isso.

The Witchery

The Witchery

Ao descermos para tomar café da manhã Charlie estava na sala com a mesa posta, Melanie já havia saído para trabalhar, sentamos a mesa, tomamos chá, comemos torradas com manteiga e geleia e conversamos. Conversamos bastante mesmo, Charlie é ator e tinha diversos causos para contar, o que ele conseguia fazer muito bem dando uma certa graça a tudo. Rimos muito e trocamos ideias e opiniões sobre trabalho e aventura. Ele acha todo esse projeto inspirador, e encontrar alguém que entende o porquê do 360 sem termos que explicar é um tanto incomum e motivador. Ele e Melanie passaram um ano em Nova Zelândia, onde 4 meses foram dedicados a uma expedição de bicicleta pelo país. As histórias contadas por ele reunidas as nossas até agora sinceramente daria uma ótima comédia. E me fez ver cenários de toda a expedição oficial que antes eu não poderia imaginar. Charlie disse que fez sua rota confiando em mapas e as vezes no mapa marcava uma cidade que na verdade nem existia mais. As pessoas não moravam mais na região, que estradas que era ditas como boas na verdade era péssimas e as vezes sem asfalto, estrutura e nada do que ele esperava. Tudo bem que hoje temos ainda mais opções de checar do que ele teve há 6 anos atrás.

Depois de papear por horas, começamos a nos arrumar para ser um pouco turista. Antes de sair Charlie pediu uma ajuda com as galinhas que ele e Melanie tem como bichos de estimação no quintal mas que insistem fugir para casa do vizinho. Foi engraçado vê-los tentando dar um jeito naquelas aves desengonçadas e teimosas. Problema resolvido fomos para o centro de Edimburgo, andamos pela cidade, tomamos um café e fomos a atração que mais nos recomendaram: Mary King Close. Eu realmente não recomendo a ninguém, achei caro e um tanto chato. A história é um tanto interessante afinal essa é a rua mais antiga e intocada de Edimburgo e imaginar como as pessoas moravam em 1600 é algo interessante mas andando pela cidade você consegue ver esses closes em todos os lugares e uma boa pesquisa no wikipedia te daria acesso as histórias.

Depois encontramos com Paulo, papeamos um pouco, deixamos com ele o saco de dormir para ele levar para Londres e fomos de volta para nossa casa da noite. Lá fomos recebidos por Charlie com batatas, vegetais, haggins veggie e cerveja – Melanie infelizmente teve uma crise de enxaqueca e não pode nos acompanhar. Mais conversas e mais conversas. Uma noite mais que agradável e mais um casal que queremos manter contato.

Arriving in Edinburgh

Pedalar 50km em um dia soava como um dia de folga, os primeiros 30km seriam de uma subida leve e constante então nenhum problema aparente. A noite anterior na casa de Strachan e Alex foi bem agitada. Conversamos bastante e acabamos indo dormir um tanto tarde. O plano era ir a Edinburgh pela estrada A7, e Strachan recomendou que trocássemos a estrada ou que começássemos o pedal mais tarde que o normal, depois das 9h. Por isso, acertamos o despertador para às 8am, mas não conseguimos acordar. O despertador tocou e apertávamos o snooze, até às 9am. Logo no primeiro quilômetro uma subida bem profunda, o que foi bom para forçar os pulmões. Daí em diante não foi ficando mais fácil não. Apesar de nada de neve estava bem frio. E existia a possibilidade de pegar black ice, o cuidado agora era redobrado. A estrada mão dupla e sem acostamento nos obrigava a dividir as faixas com os caminhões, carros e tratores que queriam passar, ainda bem que o trânsito estava ameno.

As paisagens com grandes montanhas de pico nevado ao fundo eram lindas demais e distraía bastante durante as subidas, em compensação os fortes ventos que pegamos contra nos fazia pedalar com força e mesmo assim não sair do lugar. O pior quanto aos ventos é que além da energia que perdemos para fazer alguns metros é que ainda temos que controlar a direção da bike, porque de repente além do vento que vem contra surgem rajadas laterais que te jogam de um lado para o outro da pista.

Outra coisa que percebi nesse dia inteiro na Escócia é que você pode passar dezenas de quilômetros sem encontrar uma opção de parada para comer, ir ao banheiro ou simplesmente descansar. Dessa vez encontramos um posto com conveniência a 10 km de Edimburgo, eu cheguei a comemorar ao ver o logo a distância. No frio que anda fazendo tomar algo quente é mais que necessário para manter a motivação.

Leaving Galashiels

Depois da parada, foi praticamente um descida até chegarmos em Musselburgh, onde fomos recebidos pela Melanie e pelo Charlie e seu Greyhound Millhouse. Tomamos um chá e lavamos as bikes que estavam mais sujas do que antes de Lancaster. Ela é bem atenciosa e papeamos um bocado sobre viagens e pedaladas. Depois tivemos que ir ao centro da cidade encontrar o Paulo e saber mais sobre como andava seu joelho e a visita ao médico. Felizmente o prognóstico foi bom porque ele não tem nenhuma lesão permanente somente uma inflamação no menisco que com descanso e remédios deve ficar melhor em 10 dias. Triste pensar em não tê-lo nos acompanhando mas bom saber que tipo de cuidados e trabalho de fisioterapia teremos ao voltar para São Paulo.

Faltam 5 dias de pedal intenso para completarmos nossa jornada, espero que daqui para frente tudo dê certo apesar dos desafios aumentarem a cada metro percorrido. Pensar que ainda teremos um dia de descanso no dia seguinte ajuda e muito!!!

Back in 2007... Things change!

Back in 2007… Things change!

O dia de descanso em Lancaster viraram dois por motivos simples os sobrinhos do Ben estavam super felizes em nos ver e como o joelho do Paulo não estava 100% pensamos que um dia extra de descanso era mais que merecido.

No primeiro dia ficamos mais em casa brincando e ouvindo as histórias de Gabe, Felix e Isaac, os três são super diferentes um do outro o que deixa ainda mais divertido estar com eles. Gabe o mais novo de 7 anos é super falante e criativo, gosta de brincar com arminhas e contar histórias e mais histórias, Felix de 10 anos já é mais quieto e um tanto nerd, todo interessado em tecnologia, adora fuçar nos computadores e tablets, sempre mostrando algo diferente que ele consegue fazer – ele realmente me faz lembrar desses gênios que aos 18 anos ficam milionários com algum programa ou site da internet, Isaac o mais velho de 13 anos apaixonado por futebol e jogos, na segunda noite jogamos poker com ele que todo cheio dos macetes fazia o maço e espiava nossas cartas, claro que ele ganhou e isso gerou um acesso de comemorações.

ashton_memoria Na primeira tarde fomos ao Ashton Memorial, um lugar muito bonito no St James Park, lá tentamos fazer a pipa do Ben voar mas sem vento era impossível. Papeamos bastante com o Franklin (irmão mais velho do Ben) sobre como ele ensinou o Ben a pedalar, as viagens para acampar, como ele costumava pedalar bastante pela Escócia quando foi a universidade em Glasgow e tudo mais. Um final de semana relaxante e bom para matar a saudade. Na última noite encontramos com o Tom um dos melhores amigos do Ben num pub, rimos e falamos sobre diversas coisas. Ao irmos dormir a ansiedade para voltar a pedalar voltou e não sei se o fato de o dia seguinte ser bem longo ajudava ou não. Mas vamos que vamos, Lancaster era o meio de toda expedição e passar a metade significa que estávamos mais perto de completar e isso sim é motivador, saber que estamos perto de conquistar o objetivo!!!!

Lancashire, this is Lancashire

Lancashire, this is Lancashire

Nada como acordar de manhã com uma criança feliz, saltitante e cheia de energia pula e se revira pela sala. Como pode ficar com preguiça ou desanimado assim. Acho que naquela manhã Theo foi realmente inspirador. Se ele tão pequeno podia estar tão animado com o seu dia como nós não poderíamos?

Além do mais a certeza de que teríamos um dia de descanso em família no dia seguinte era mais que motivador, eu diria libertador.

The route

The route

Mas todo esse clima exaltado de um dia de pedal foi se minando um pouco, logo na saída da garagem reparo que o meu pneu da frente estava furado. Em~tao antes mesmo de começar tivemos que trocar a câmara, e como eu já estava carregando um pneu Schwalbe Marathon na bagagem aproveitei para trocar. O Paulo e toda a sua experiência em troca de pneus da speedy foram de suma importância, ele trocou super rápido o que evitou um stress.

O caminho escolhido pelo Ben para sair de Manchester foi por dentro do parque Kenworthy Wood o que nos tirou de todo o trânsito matinal, e nos levou a lindas trilhas ao lado do rio e com muita lama. O triste disso foi que nos rendeu mais um pneu furado agora da bike do Paulo. Assim o dia foi começando a parecer que ia ser um daqueles cheio de problemas, e quando ainda se pensa que seriam quase 100km de uma rota um tanto montanhosa e passando por dentro de cidades como Bolton e Blackburn, toda aquele clima animado vai se minando. E assim foi alguns quilômetros a frente o rack traseiro do Paulo também soltou e eu que trouxe parafusos de todos os tipos que por um tempo achei que de nada ia servir, na realidade salvou o dia.

With MattMesmo com todos os infortúnios íamos mantendo um ritmo bom, nas cidades maiores e com o trânsito acabávamos perdendo um tempo maior, mas acabamos pegando uma estrada menor e aí tentamos compensar, mesmo assim a noite começou a cair e a estrada pequena começou a não parecer mais uma boa opção e aí o jeito foi pegar A6, e dividir a pista com os carros que passavam rápido mas sempre nos dando bastante espaço ao nos ultrapassar.

Chegamos em Lancaster, mais especificamente a casa de Franklin (irmão do Ben) mais ou menos às 18h30. Lá comemos todo o pão e bebemos chá e mais chá. Nada como estar em família, comer, comer e comer sem culpa. O único problema aqui foi para subir os 3 lances de escada até o quarto mas depois de descansar na sala conseguimos. O dia seguinte seria o primeiro de descanso, mais que merecido depois de 8 dias consecutivos de muitos km, muitas subidas, e muitas horas em cima da bicicleta. Aqui além de marcar como nosso primeiro descanso também é o meio do caminho ao pensar em trajeto percorrido (750km).

Posso garantir que a essa altura a sensação em nossa cabeça era de vencedores!!!

Descida à São Vicente

Posted: January 9, 2013 by Natália Almeida in Cycling
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02 Entrada da Manutenção
Os grupos de pedaladas do facebook sempre nos dão ideias de novas rotas e geram a oportunidade de conhecer gente com essa mesma paixão pela bike que temos. Esse sábado nos juntamos com a galera para o passeio batizado de Reveillon do Rubinho (passeio esse sugerido pelo Samir Souza)
A descida para Santos saiu do Jabaquara e pela Imigrantes chegou até a estrada de manutenção.Esse caminho é bem tranquilo, diferente da Rota Márcia Prado recheada de subidas e com um trânsito caótico ali no Grajaú, eu preferi esse caminho pelo simples fato de não ter que correr os riscos no meio de tanto carro e lotação em compensação ficamos sem as lindas paisagens da Ilha do Bororé. O bom de voltar a estrada de manutenção foi ver que nada é tão difícil quanto a minha primeira descida da serra. Sim, há diversas subidas mas elas não são tão íngremes ou longas, minhas pernas estão mais fortes e mesmo com os alforjes carregados consegui chegar aos topos sem descer ou empurrar. Fizemos uma parada no piscinão com uma queda d’água irresistível. E lá fui eu me banhar e me refrescar. Um pequeno lanchinho, panetone e gatorade e voltamos ao pedal.Dessa vez também não sairíamos pelo parque mas sim pela balança que dá na imigrantes. Depois de pegar umas 3 saídas chegamos a balança. Lá tivemos que pegar a imigrantes na contramão até o trecho que estava fechado. Paramos de novo, mas dessa vez porque o pneu de alguém furou. Enquanto uns trocavam outros conversavam sobre o que seria melhor ir para Santos, São Vicente ou aproveitar e ir até a Ilha do Porchat, no fim fomos todos até São Vicente e que estava com pique e tempo resolver tentar ir até a ilha. Eu e o Ben tínhamos muito ainda a resolver da viagem para Inglaterra então ficamos no bonde que foi pra Rodoviária. Chegamos ao ônibus contente não só com a pedalada mas de ter conhecido pessoas tão divertidas.

01 Parada no posto da Imigrantes

02 Entrada da Manutenção

03 _ Com chuva escorrega mais ainda

08 Cachoeira

09 Transito básico

06 Piscinão

09 Banho bom demais

07 Banho Bom

9

05 Parada

04 Sobe, Sobe, Sobe

Agradecimento especial aos fotógrafos da jornada sem vocês não seria possível mostrar as belezas da Manutenção!!!!!

Adaptação é como defino esses últimos tempos.

Os dias de agora são corridos, tenho que administrar uma rotina que inclua treinos, alimentação saudável e 16 horas de trabalho por dia. Essa maratona diária não me dá folgas nem aos finais de semana que são ocupados um dia com trabalho e outro com pedaladas longas de mais de 100km. E apesar de serem rotas já conhecidas ganham desafios novos como alforjes a cada viagem mais pesados e sapatilhas de clipe.

Tanto um quanto o outro eu estou em fase de adaptação, arrumar os alforjes não é tão simples e tentar equilibrar o peso dos dois lados tem se mostrado uma arte, já os pedais são um teste de sobrevivência e posso dizer que quase reprovei logo na primeira prova. E se eu não passasse, talvez não poderia estar escrevendo esse post agora.

Semana passada fomos a Itu, na Estrada de Romeiros sem acostamento e cheia de subidas, o meu primeiro dia oficial com os pedais foi no modo “Hard”. Até que estava indo bem apesar de nas primeiras subidas não confiar tanto de ir com os dois pés presos, com o passar dos km fui ganhando confiança e me atrevendo cada vez mais a testar os limites, até que numa das subidas antes de Pirapora perdi o controle da minha respiração e resolvi parar. Com os dois pés clipados me concentrei para tirar um dos pés e quando consegui pensei em pedalar mais um pouco para tirar o outro, na hora que consegui tirar o segundo pé e fui descer da bike para o lado esquerdo, o meu pé de apoio clipou novamente e caí no meio da estrada, tentei não me desesperar e tentei levantar a bike que ainda presa ao meu pé levantou mas caiu novamente. Imagine, eu caída no meio de uma estrada de duas mãos com uma faixa para cada sentido sem acostamento e com um caminhão vindo em minha direção. Sim fiquei com medo. Sim queria gritar. Mas me desesperar naquele momento era o mesmo que desistir e então vi que minha única saída era chutar a bike com força para o gramado e ir me arrastando para fora da pista. Até que consegui ir mais pro canto mas mesmo assim o caminhão teve que invadir a outra pista para desviar de mim. Depois desse susto levantei, bebi água e encarei a subida novamente.

Quando fiz a última curva vejo o Ben me esperando e ali me bateu um desespero e comecei a chorar imaginando tudo o que poderia ter sido. Ele vendo meu estado volta em minha direção e pergunta o que aconteceu. Ele me acalma e seguimos viagem. A cada subida vejo meu corpo surtar e minha respiração acelerar junto com meu coração. Essas eram as sequelas do trauma anterior. Mesmo sem clipar ou clipando somente um dos pés meu corpo e minha cabeça tremiam de medo a cada lembrança do que havia passado. O tempo todo fui tentando lidar com esse medo e sabia que se desistisse da sapatilha ali seria ainda mais difícil encará-la depois, por isso fui respeitando meu medo e forçando meus limites aos poucos.

Ao chegar em Pirapora encontrei com o caminhão parado e descarregando em uma casa, parei e conversei com o motorista que me disse algo que me fez lhe ser muito agradecida:”Não parei porque ali com curvas e sem acostamento seria muito perigoso e também não buzinei com medo de te assutar, pensei que seria pior”, eu sorri e agradeci dizendo que se tivesse buzinado eu provavelmente teria desistido e o som da sua buzina iria me parecer o som da morte. Ele riu de leve e disse para eu tomar mais cuidado.

E certamente eu tomei muito mais dali em diante. Conseguimos chegar em Itu, mas não no tempo normal. 

Já nesse final de semana os desafios foram os mesmos pés clipados e bikes pesadas mas o destino mudou: Atibaia. Pra contribuir ainda mais para o treino pegamos chuva em quase toda a segunda metade do trajeto, e encarei quase toda a viagem com os pés atados aos pedais. O peso do trauma ainda existia mas bem mais controlado. Encarei subidas e mantive meu ritmo. Fui super bem apesar da minha bicicleta parecer estar na marcha pesada mesmo quando estava na 1/1. Encarei subidas intermináveis e outras que eram bem mais leves do que a minha lembrança guardava, mesmo assim um dia intenso.

No fim da viagem estava me sentindo super feliz e realizada por ter encarado mais de 100km e ainda estar me sentindo disposta, e o melhor, sem problemas com os pedais. Mas nunca se sabe o que pode acontecer porque a viagem só acaba, quando acaba e faltar 3 km não é sinônimo de trajeto cumprido. E foi exatamente faltando isso que a minha corrente travou e tentei evitar o que descobri ser inevitável para quem tem pés clipados e está numa subida: a queda.

Caí mas dessa vez escolhi o lado certo mas com a queda minha calça rasgou e tive que encarar o resto do pedal com metade da bunda de fora. Ainda bem quer era pouco!

O resultados dessas duas semanas: pés calejados e com unhas escuras, bunda e braços com hematomas, menos uma calça para Inglaterra, uns arranhões na bike, mas mesmo assim o saldo é positivo porque as pernas se mostraram capazes de carregar mais do que eu imaginava, estou mais confiante em relação as sapatilhas com clipe, sem falar que meu auto-controle está melhorando e assim consigo resolver melhor os problemas.

Itu pela terceira vez

Posted: October 29, 2012 by Natália Almeida in Cycling
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Revirando o site hoje reparei que não postei sobre as idas a Itu.
E nessa terceira viagem eu não poderia deixar passar em branco.
A estrada dos romeiros está entre as minhas prediletas. Cheias de curvas e subidas, e as mudanças e paisagem pelo caminho só a tornam ainda mais especial. O rio Tiete nos acompanha por boa parte do trajeto e só nos mostra que se cuidássemos mais da natureza que nos cerca seríamos abençoados com um cheiro de frescor e uma mata rica. Pena que a poluição que vemos no tiete aqui na cidade de São Paulo já assola o rio nos 100 km que segue para Itu.
Os desafios esse pedal mudam de cidade em cidade de Barueri a Santana do Parnaíba é um passeio sem muitas subidas a média desse trecho é superior a 20km/h. Já de Santana do Parnaíba o calor e o sol escaldante são de matar. Árvores e sombras são coisas raras por isso não resisto de fazer um brake para a água a cada trechinho fresco que nos surpreende pelo caminho. Já em Pirapora temos que preparar bem a cabeça porque as subidas nos próximos 10km são de dois tipos ou longas e intermináveis ou paredes onde a pedalada parece mais uma escalada. Por causa do horário de verão o sol na cabeça parecia ser sempre o de meio-dia, e me vi usando a água que economizo para beber me banhando diversas vezes. A cada subida conquistada tentava me lembrar quais ainda faltavam. O Ben sempre em frente subindo com facilidade as ladeiras que me desafiavam a cada metro.
Ao chegar em Cabreúva somos presenteados com muita árvore e uma brisa fresca. Essa realmente é a parte que mais gosto, não tem como não ficar feliz em ter sombras mais constantes. A média e 20.7km/h que fizemos até Pirapora caiu para 19,1 km/h, não que eu me preocupe com médias porque encaro ciclo-turismo como passeio e não como competição, ou em querer chegar mais rápido mas é bom falar disso pra poder entender como as subidas de Pirapora torturam a gente…
De Cabreúva até Itu é um passeio, com algumas subidas de leve e em alguns pontos com vento contra mas nada que nos atrapalhe.
Dessa vez chegamos em Itu com o sol a pino o que não me permitiu não para e fazer um lanche em baixo da ponte antes da rodovia.
Chegar em Itu é sempre bem gostoso, a cidade é uma graça e cheia de opções para comer, ontem tivemos a agradável companhia da minha amiga Gisele e posso dizer que até janeiro tenho motivos de sobra pra ir muito mais vezes para Itu.
Amanhã posto um álbum com fotos dessa e das outras duas pedaladas pela estrada dos Romeiros.