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En Route Enquanto o Ben não para de falar de sua meia maratona do Rio eu não paro de ter de explicar o porque da minha ausência. E o pior é que a resposta é muito simples: eu detesto correr!

Prefiro pedalar o dia todo, pular corda, escalar 50 vias, andar de patins, skate ou até mesmo a pé. Sei da importância da corrida num treino, e aprendo cada dia mais como é bom incluir essa prática na sua rotina esportiva, porém me atento ao necessário e aos conselhos dados pelo Alércio Girio nosso treinador funcional, e os dados pelo Fábio Jobim em treinos de escalada.

Enquanto o Ben se desafia em quilômetros e velocidades eu fujo da corrida como se fosse uma tortura. Venho trabalhado mentalmente essa relação, porque como tudo na vida é sempre mais leve e gostoso encarar de uma forma que não seja negativa, o pensamento eu ODEIO correr já se transformou em DETESTO e espero que evolua para um SUPORTO, TOLERO, acho OKAY e quem sabe um dia vocês me vejam falar que GOSTO.

Não digo que um dia eu vá competir com o Ben pelas maratonas da vida, mas incluir uma corrida no parque pelo menos 1 vez por semana é o desafio que me imponho, e vou contando pra vocês a evolução.

Quanto a corrida do Ben, foi ótima, ele correu a maia maratona no Rio de Janiero e quase bateu o tempo que ele acreditava ser capaz, apenas 4 minutos e 54 minutos a frente. A próxima competição será em Porto Alegre.

Naty e Ben em John O'Groats 

Antes de começar a falar do último dia, queria explicar o motivo da falta de fotos nesse post, a verdade eh que o HD com tudo da viagem quebrou e está em conserto, assim que tivermos tudo vamos colocar as fotos desse e dos outros dias nas galerias.

Foi um tanto difícil controlar a ansiedade pelo último dia. Na verdade eram tantos os sentimentos na manhã que o mais complicado era saber a qual dar uma atenção maior. A essa altura o sentimento de vitória e conquista ia tomando conta da minha cabeça mas ao mesmo tempo eu me podia me ouvir falando ao fundo que a expedição ainda não havia terminado e que por mais que tivéssemos apenas 15km a nossa frente, olhando para trás eu pude ver que não houveram dias fáceis, até nos mais leves houveram grandes desafios e aprendizados. O inverno costumava ser sempre o maior dos opositores nessa batalha por conquistar quilômetros, e mais uma vez ele se provou duro.

O dia anterior tinha sido frio mas não houve ventos fortes ou chuva ou neve, assim a expectativa para o dia seguinte era que poderia piorar mas ainda assim não poderia ser as piores condições. Olhando a previsão mostrava que o dia teria ventos de até 60m/H, mas como sairíamos cedo do hotel e a distância era curta talvez conseguíssemos chegar a John O Groats com um tempo razoável.  Grande engano! Acordamos e no quarto já dava para ouvir o barulho do vento, abrindo a cortina víamos flocos de neve ensandecidos e girando de um lado para outro, os galhos das árvores balançava forte numa dança sem ritmo definido e tudo mostrava que a jornada poderia ser curta mas também a pior em dias.

Arrumar as coisas a essa altura é algo simples e rápido, cada um já sabe o que colocar em cada alforje e o que no começo levava meia hora hoje leva menos de 10 minutos. Comer o café da manhã é sempre bom e um tanto curioso, a essa altura ainda me impressiono com a capacidade do Ben em comer English Breakfast na manhã enquanto eu fico no chá com torradas e cereais. Se eu comesse salsichas, ovos e bacon frito com tomate, cogumelos e feijão pela manhã meu dia seria com dores estomacais e diversas idas ao banheiro, mas com ele não tem problema algum. Certamente um estômago muito mais resistente!

Começar a pedalar foi apreensivo no começo, os ventos podem ser confusos, e por mais que tenham uma direção dominante eles se rebelam e acabam mudando de direção. No começo vinha do lado e para variar a luta era para que a bike ficasse num canto seguro da estrada, que não tinham muito movimento de carros, o que ajudou já que assim poderíamos ficar mais no meio da pista. O vento contra o rosto tornava a experiência dolorosa, e olhar o caminho ficava quase impossível. Era um tanto assustador ver as placas de trânsito e dos vilarejos cobertas por neve, todas congeladas; os gramados brancos e as ovelhas todas juntas tentando se aquecer o quanto podiam. As aves no céu lutavam contra o vento e pareciam perder a cada investida, era possível ver elas tentando voar para um lado e o vento as levando para outro. Cheguei a rir da insistência das pobres aves em ir para onde o vento não as deixava sem me dar conta de que eu estava na mesma situação. Mas como que se dando por vencido o vento que me segurava passa a me empurrar e percebo que depois de tantas curvas a estrada me colocou no sentido certo. Parei de pedalar e curti o empurrão, as pernas começar a tremer de frio e me dei conta que precisava manter as pernas movendo para me manter aquecida.

Ver a placa Welcome to John O´Groats!, me fez sorrir, a felicidade de ser bem vinda pelo lugar que almejo chegar há 21 dias é uma recompensa não só por todo esforço, dedicação e investimento nessa expedição mas sim uma recompensa por todo o último ano de treino e estudo, por toda a nossa mudança de vida para estar mais e mais aptos para o 360 Extremes. E passando por aquela placa, pensando em tudo isso sigo pedalando atrás do Ben e sei que ainda não acabamos, aquela placa é um sinal de estamos completando mas o Final é no marco e não na placa. Seguimos em frente, paramos em um Pub para saber onde exatamente estava o marco e olhando para fora da janela deles pude ver como o vento e a neve pareciam ganhar força. Menos de 1 km nos separava do nosso pódio, então com um sorriso largo subimos nas nossas bikes, clipamos nossos pés e pedalamos. Olhando em frente ansiosos em avistar algo parecido com o que deixamos em Land´s End. Não vou mentir falar que ver algo simplesmente pintado no muro foi um tanto decepcionante, mas mesmo assim descemos das bikes pulando de alegria. Aquele era o nosso momento, emocionados nos abraçamos, rimos, gritamos. Comemoramos do nosso jeito, e o frio estava ali a toda a nossa volta, se mostrando o parceiro inseparável dessa aventura. Eu bem que queria ter uma garrafa de champagne na hora para imitar os corredores da F1. Mas o jeito foi tirar a foto com o rosto gelado e banhados pelas gotas da chuva.

Entramos na lojinha e compramos uma caneca para simbolizar o nosso troféu.

Mas depois de todo esse sentimento de vitória tivemos que subir de novo nas bikes e voltar para o pub para pedir um táxi. Pedalar de volta aqueles 600m finais, subindo na bicicleta eu já realizei que isso seria muito, mais muito difícil mesmo, só não percebi que seria doloroso. O vento incrivelmente forte me jogava para trás e parecia uma parede que não me permitia sair do lugar, mais uma vez senti tapas do vento contra meu rosto e olhar para frente era impossível. As gotas acertavam meus olhos por cima dos óculos e me obrigava a fechá-los. Pedalei com força, tentando me guiar pelo asfalto da rua o quanto pude, olhando para baixo. Avistei o pub e o Ben pedalando em frente, o vento me batia com força e parecia não me querer de volta aquele lugar que me parecia quente, protegido e seguro. Uma hora desci e empurrei a bike. Chorei aqui, chorei de dor, meus olhos doíam por causa do vento e da neve. Subi na calçada do pub e o Ben veio me ajudar. Entrei no pub e lá ele me abraçou e me confortou. Quanto frio, quanta força um simples sopro pode ter.

Essa expedição acabou, depois fomos para Orkney Island ver as paisagens, continuar na companhia dos ventos mas com menos oportunidades de pedalar. A jornada em busca de experiência e preparo físico e mental para a grande expedição continua e esse ano com ainda mais aventuras, treinos e aprendizado.

 

The end is in sight. Almost

The end is in sight. Almost

Ao acordar de manhã passo a me sentir um pouco mais matemática do que comunicóloga, tudo isso porque inconscientemente me pego fazendo contas de quanto percorremos e de quanto ainda falta, e nessa manhã a resposta da equação me fez sorrir mas também me fez pesar. 100km para o nosso objetivo ser alcançado, tão pouco para que toda essa rotina de desafios e aprendizado se encerre, nessa pequena equação vejo mais que números, porque nesses 1400km percorridos vivi cada metro, suei cada subida, superei cada vento, me aqueci a cada mudança de tempo e cresci como pessoa, como ciclista, como cidadã. Tantas pessoas nos receberam com tantas histórias, conselhos e uma mão estendida para qualquer duvida ou problema. Curiosos pelo caminho nos chamavam de loucos e perguntavam sempre no porque de encararmos a LEJOG nessa época do ano. Os únicos a fazer isso agora, os únicos vistos por aqueles que nos acolheram, por aqueles que nos atenderam nos cafés e lojas de conveniências. O motivo talvez seja mais claro hoje do que quando saímos, é simples: aprender a lidar com todas as surpresas que as mudanças climáticas podem nos pregar. Acredito que isso conseguimos: lidamos com ventos de todos os lados, chuva forte, granizo, neve, icy, tudo isso junto, o dia de ameno e sem ventos se transformar em questão de segundos numa tempestade… Tivemos dias longos, semana inteira sem descanso, melhoramos nosso ritmo, melhoramos nossa potência, criamos uma sinergia e uma rotina nossa. E chega a todas essas conclusões de manhã, ao fazer a simples equação de quanto foi e o que falta, me entristece um pouco, porque parece que estou mais perto de parar de aprender, de parar de melhorar, de parar de conhecer.

The route to Keiss

The route to Keiss

Puxo meu pensamento para o fato de que hoje o dia não será fácil, a rota é montanhosa e promete uma subida interminável logo nos primeiros 20km, o clima dá pra ver que não está o mais amigo e se no dia anterior já não havia opções de parada, nesse então teria menos ainda. Pelo menos sair do Inn era algo um tanto motivador, o lugar era péssimo e eu não via a hora de chegar na próxima parada.

A ideia inicial era pararmos em Wick, mas resolvemos percorrer a maior distância possível porque o clima ia piorar ainda mais no dia seguinte. Sair de Brora foi bem tranquilo, a montanha lá no fundo com uma subida constante, longa mas não muito profunda. Agradeci o hotel ficar há uma distância razoável da subida porque consegui aquecer antes. O nosso ritmo estava tranquilo sem muita pressa. Essa seria uma subida bem longa de mais ou menos 15km, superado isso descemos uma ladeira de graduação 13% por uns 3km e no fim um curva fechada e uma subida nada amiga de 13% por mais 3km. Mais uma vez me vi pensando “porque não construíram uma ponte ali!”. Eu parei parar tirar fotos logo na curva e fazer vídeos do Ben, o problema depois foi subir na bike e encarar a subida, a estrada pra variar não tinha acostamento e era mão dupla, e com os ônibus passando ficava um tanto inseguro subir e começar a pedalar. Empurrei a bike até depois da curva e dali pedalei. Paramos no topo, depois de comemos umas barrinhas, tomamos água e combinamos de parar no primeiro serviço para tomar algo quente. Mas quanto mais norte estamos mais difícil fica de encontrar paradas. Passamos por diversos vilarejos, em Helmsdale acreditei que acharíamos algo por parecer um lugar maior que os outros, mas nada tudo fechado, entramos em Lybster e a cidade era super pequena e parecia um tanto abandonada, quase ninguém na rua os café e restaurantes fechados mas por sorte um mercadinho estava aberto e lá comemos e bebemos café. Dali em diante o desafio foi o frio mas sem muitas subidas significativas.

Looking over Berriedale, just north of Helmsdale; pausing for a break up the hill

Looking over Berriedale, just north of Helmsdale; pausing for a break up the hill

Um pouco antes de Wick o vento ficou mais intenso e vindo pela lateral, dava pra ver as ovelhas todas amontoadas tentando se aquecer e se proteger, mas nós não tínhamos muita opção além de pedalar. Chegando em Wick a cidade era bem maior, um mercado logo na entrada e não resistimos de parar para comprar algo para comer. O triste dessa parte é que na hora de continuarmos o Ben deixou o óculos cair sem perceber, parou uns 5 metros depois sentindo falta mas deu pra ouvir o som do carro atropelando e destruindo o seu óculos. Ele ficou bem chateado, mas pelo menos isso aconteceu agora e não há 17 dias atrás.

Seguimos até Keiss onde ficamos num Inn. O dia seguinte seria curto, mas olhando a previsão na internet não era nada animador, era certo que no dia seguinte encararíamos as piores condições da viagem!

 

Essas são duas palavras apesar de parecerem não são contrárias uma da outra. As duas são para mim bastante importantes não só no esporte mas também na vida.

Quem me conhece pessoalmente, sabe que eu sou bastante brincalhão. Apesar disso sou uma pessoa bastante organizada e cheia de manias e métodos que adquiri com o tempo.

DESCONTRAÇÃO:

Descontrair quer dizer relaxar muscularmente e mentalmente. Pra isso, durante as pedalada tem uma coisas que gosto de fazer: Ouvir música.
Dentro da cidade, como a atenção tem que ser grande, não é meu costume ouvir nada além do trânsito, mas quando estou na ciclovia ou na estrada faço questão de estar ouvindo música. Sempre saio com um iPod pequeno que eu tenho, não cabe muitas músicas nele, mas já é o suficente para umas 12horas de pedaladas. Coloco músicas de diversos estilos, mas sempre tenho também uma playlist motivacional. Isso pode parecer bobo pu piegas, mas eu gosto disso, quando chega a hora de enfrentar uma serra onde pode-se passar horas em subidas ou quando as forças já estão se esvaindo é quando eu coloco ela pra tentar esquecer do esforço que estou fazendo.
É claro que isso depende de gosto musical, mas aqui vão algumas músicas que estão na minha playlist motivacional. Bastante coisa veio até mesmo de trilhas sonoras de vídeos de esporte ou filmes que eu gosto.

CONCENTRAÇÃO:

Concentração pra mim começa com rotina. Uma pedalada longa, sempre começa no dia anterior. Antes de dormir encho os pneus da bicicleta, separo tudo oque vou precisar (normalmente 1 câmara de ar reserva, 1 bomba de inflar, 1 kit remendo, 1 canivete de ferramentas, 1 saco plástico do tipo ziploc onde coloco os documentos, dinheiro, cartão de crédito e que cabe o celular também no caso de começar a chover). Tento também dormir cedo e não comer nada muito pesado. No dia da pedalada acordo bem cedo, tomo banho, coloco a roupa de ciclismo, tomo café da manhã, passo protetor solar, confiro se os pneus não mucharam durante a noite, encho a caramonhola com água gelada e finalmente faço o alongamento. Essa rotina me garante que eu não tenha que me preocupar durante o pedal com a falta de nada.

A outra parte da concentração vem durante a pedalada, mas é mais necessária nos momentos de dificuldade, aqui é a parte onde as músicas motivacionais da desconcentração trabalham juntas com alguns pensamentos que carrego comigo. São frases que me fazem lembrar que os fins justificam os meios. Que o momento pode ser difícil, mas que no final, tudo aquilo vai valer a pena e eu me sentirei melhor. São algumas delas:

“It doesn’t have to be fun to be fun.” Barry Blanchard

“It never gets easyer, you just go faster.” Greg Lemond

“Pain is weakness leaving the body.” Daniel J. Evans

“Pain is temporary. Quitting lasts forever.” Lance Armstrong

É por tudo isso que eu acredito que  concentração e descontração trabalham juntos, cada um tem seu papel, hora se alternando, hora se complementando.

Alguma sugestão de frase ou música? Deixe nos comentários!

Audax 200km Holambra: Antes

Posted: December 4, 2012 by Paulo Filho in Cycling, Uncategorized
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Dia 8 de dezembro participarei do AUDAX 200km. Dessa vez em Holambra, mesma cidade onde participei do AUDAX 300km.

Trajeto do AUDAX 200

Trajeto do AUDAX 200

Mais uma vez, testarei aqui meus limites. A cada prova me sinto mais forte e mais preparado fisicamente para oque está por vir. Mas essas provas também são muito importantes para preparar o lado psicológico.
Quando algo está em jogo (no caso a finalizar os 200km dentro de um prazo máximo de 13h30) a cabeça funciona de forma diferente, e cada imprevisto te consume de uma forma diferente. Esse tipo de coisa vai acontecer durante nossa expedição, hora correndo contra o pôr do sol, hora correndo contra uma tempestade iminente ou outras coisas também não controláveis por nós.

Dessa vez não me preocupa tanto o percurso ou as subidas. Oque me preocupa de verdade é o calor. Se estiver quente como estava no Desafio Rural, a prova será duríssima! A região de Holambra é famosa por ser quente, agora torço para que no dia o clima esteja mais ameno. De qualquer modo capricharei no protetor solar, no protetor labial e tentarei usar mangas compridas. A hidratação também terá que ser ainda maior.

Perfil Altimétrico: Pior trecho será ainda de manhã.

Perfil Altimétrico: Pior trecho será ainda de manhã.

Outra coisa bastante importante é criar um checklist das coisas necessárias para levar, o meu checklist é:

2 Camaras de ar 700×23
2 Espátulas pra tirar pneu
Bomba de ar
Kit remendos
Canivete de ferramentas
Lanterna dianteira
Luz traseira
Colete refletivo
Luvas
Capacete
Protetor Solar
2 suportes para caramanhola
2 caramanholas
Protetor Labial
Óculos de Sol
Ipod
Celular
Bermuda
Camiseta
Manguitos
Meias
Sapatilha
Creme para evitar assaduras
Planilha orientativa
Mapa impresso

Essa semana separarei algum tempo para estudar o mapa e a planilha orientativa, assim fica mais difícil me perder na estrada.

A primeira rocha você nunca esquece em Pedra Bela, SP

Aproveitando o tema tempo do post passado, hoje queria falar na velocidade que as coisas acontecem e em como a vida parece a cada dia estar pisando mais forte no acelerador.

Eu me dei conta disso na segunda (17-09), eu e o Ben completamos 1 ano de casamento e nesse 1 ano nossa vida realmente mudou. Não pelo casamento eu digo isso. Acho que essa foi a menor das mudanças, a não ser pelos presentes que ganhamos. Mas  digo porque a mais ou menos 365 dias atrás toda essa ideia do 360 extremes começou a surgir.

Digo que o tempo passou rápido mas não que foi rápido demais, não mesmo. Olhando para atrás vejo o quanto fiz, aprendi, vi e criei nesse tempo. E olhando para frente meus olhos se enchem de lágrimas com tantas possibilidades e coisas que me aguardam. Eu encho a boca pra dizer que eu sim tenho um Mundo de possibilidades a frente. E repito que isso me emociona sim.

Tantos sonhos e conquistas que duas palavras fizeram entrar na minha vida, um mundo que há um ano atrás se o Ben não tivesse dado assas a sua imaginação ou se eu as tivesse cortado não existiriam hoje.

Depois da rocha hora de ver o pôr do sol em Salesópolis, SPHoje vejo que essas duas palavrinha (360 Extremes) nasceram de uma vontade latente em nossos corações e pensamentos. Uma vontade simples e um tanto primitiva, algo que talvez esteja presente em você ou que pelo menos você reconheça da sua época de criança. A vontade de sonhar e acreditar. Acreditar que as aventuras realmente acontecem fora dos filmes, que o mundo sim é nosso quintal e que tudo é possível se você realmente quiser.

Nesse tempo conheci um mundo novo, esse meu mundo de hoje que me encanta a cada dia e que me ensina. Treinos intensos que me introduziram a escalada, a pedalada, ao trekking. Que me levou a montanhas frias, altas e de uma beleza inimaginável; a estradas com curvas, a beira de rios e que aproveitei e suei cada quilômetro e que ao chegar onde queria me senti realizada de enxergar que sobre duas rodas cheguei inteira onde eu quis; ralei a mão, cunhei calos e levei minha cabeça a uma pressão em rochas porosas, abrasivas e de baixo de um sol escaldante tudo isso por um cume.

Conquistando um cume em Pedra Bela, SP

Aprendi tanto sobre mim, sobre meu corpo, sobre minha mente. Vi que sou fruto das atividades que incluo ou excluo do meu dia, sou feita do que como e sim  meu corpo é 70% composto de água e por isso hoje bebo bastante água para não viver uma vida desidratada.  Sou menos ansiosa e mais calma, o sorriso que sempre foi presente no meu rosto hoje se faz impossível de se desfazer, o estresse não me acomete e dos meus finais de semanas antigos só sinto falta da presença de meus amigos e familiares. A vida hoje é corrida sim, muito trabalho na semana e pedaladas longas nos finais de semana. Achar um tempo para as pessoas que amo é complicado, mas hoje sei que todos que me acompanham sentem falta assim como eu, mas me apoiam e me admiram.Conhecendo um Glaciar em Jasper, Canadá

Admiram uma coragem que levei tempo em crer e enxergar, mas que hoje depois de todo esse tempo vejo. Treinar, se comprometer e viver algo que está te levando a largar toda uma vida aqui em busca de um sonho que deve durar mais de 3 anos exige coragem, a incerteza a frente dá medo às vezes, mas o medo não consegue tirar da minha cabeça o querer de viver isso até o fim.

Mesmo o fim sendo o começo ( São Paulo – São Paulo), mas anos depois a cidade que eu devo deixar não será a mesma que eu encontrarei e essa ideia só torna tudo ainda mais interessante.

Sonhos existem e acreditar neles é o primeiro passo para que eles aconteçam, fica a dica.

Um treino de verdade!

Posted: September 22, 2012 by Paulo Filho in Cycling, Português, Training
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Foto de Tom Allen

Com o fim do ano chegando, e com ele nossas tão aguardas férias, chegou a hora dos preparativos começarem para a primeira grande viagem de bicicleta do trio do 360extremes.

Nos decidimos por fazer um pedal no Reino Unido, saindo do extremo sul da ilha, em Land’s End e pedalando sentido norte até chegar em John O’Groats.  Em linha reta, a distância seria 970km, mas seguindo as estradas, pedalaremos aproximadamente 1450km. Apesar de ser uma distância longa, isso é oque menos me preocupa.

Como essa viagem é um treino, fica difícil uma lista de prós e contras. No nosso caso, com o objetivo de fazer um treino pesado, os contras são prós. Ok, isso parece confuso, mas o real objetivo de escolhermos esse trajeto em especial, é reproduzir as piores condições possíveis que podemos enfrentar na nossa volta ao mundo e assim ter um treino bem completo.

Fora os desafios que qualquer outro percurso nos traria como:

• Aprender a organizar o tempo e o cotidiano de uma viagem de bike.

• Ver como nos comportamos uns com os outros durante o grande período de convívio direto.

•Pedalar de forma auto-suficiente, estar prepeparado para acampar, cozinhar e dormir em condições não ideais

•Ver como nossos corpos reagem a pedaladas longas por seguidos dias.

Ainda teremos:

•Provavelmente muita chuva, ventos fortes e neve.

•Frio nas extremidades

•Equipamento de inverno é muito mais pesado, oque nos obrigará a pedalar com um peso relativamente grande.

•Desgaste muito maior da bicicleta pela água, neve e sal.

•Ter de pedalar com pneus mais largos por causa da probabilidade de gelo e neve, assim como lama. Dessa forma reduzindo a eficiência da pedalada.

•Dia curto (algo em torno de 8horas de luz do sol no início da viagem).

•Muitas subidas e descidas.

•Pedalar à esquerda do tráfego. (não sei se é realmente uma dificuldade, mas como certeza vou ter um estranhamento pelo menos nos primeiros dias)

•Condições climáticas imprevisíveis

•Os buracos ficam invisíveis com a água da chuva

Claro, que os planos podem mudar, uma aventura não pode ter imprudências. Conforme as dificuldades forem aparecendo, iremos nos adequar às mesmas, por esse motivo, não estipulamos quantos dias levaremos para fazer o trajeto todo, isso dependerá de nosso corpos e cabeças mas também do imprevisível inverno britânico. Isso tudo cria um grande desafio para nós 3, e assim seja. Estamos nesse projeto também para sermos desafiados. Completar essa viagem, vai nos dar além de muita experiência e satisfação, uma grande confiança em nós mesmos

Daqui para o fim do ano, ainda escreveremos bastante sobre essa viagem e todos os preparativos, fique ligado para os posts que estão por vir.

 

Tempo x Prioridade

Posted: September 22, 2012 by Natália Almeida in Cycling, Logistics, Português, Training
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“Tempo é questão de prioridade”, desde pequena essa mesma frase foi dita e repetida por diversas pessoas, ora minha mãe, ora meu tio, ora meus irmãos.

Deve ser por isso que quando não consigo fazer algo ou incluir uma atividade no meu dia me sinto um tanto culpada. Para a maior parte das pessoas o dia tem SÓ 24 horas, mas 24 horas é muito tempo se você resolver organizá-lo seguindo uma escala de prioridade. Não vou dizer que isso seja fácil, muito pelo contrário exige um pouco de concentração e pensar exatamente se o tempo de cada coisa é suficiente e que a sua rotina não se torne estressante.

Vocês aqui não sabem mas devem ter sentido a falta dos meus posts tão constantes. Estou exatamente nesse processo de organizar o TEMPO. Como sabem trabalho como editora chefe do Polícia 24h, e depois de 3 anos a frente do programa e há 4 na Eyeworks a segurança me permite lidar com os problemas do dia-a-dia com certa facilidade, mesmo assim uma jornada de 8 horas na produtora pode ser bem estressante e sair de lá e ir treinar na CP sempre me alegrou. Mas a um pouco mais de um mês e pensando nos próximos treinos e equipamentos que temos que comprar resolvi que era hora de frilar (pegar um trabalho extra), e foi exatamente isso que fiz.

Estou em dois trabalhos com um total de 16 horas de muita edição. Encaixar os treinos nessa rotina foi complicado e levou tempo até eu conseguir resolver, de início acordei cedo e fui pedalar no Ibirapuera, 30km na ciclovia de manhã e uma parada para algumas abdominais. Mas acordar cedo e disputar a ciclovia com diversas pessoas não era algo que me animava. O jeito foi encaixar o treino na parte da manhã.

Essa semana finalmente consegui fazer isso, acordo +/- 6h30 e às 7am já estou me aquecendo na bicicleta. Com um treino 3 vezes por semana de musculação e muito aeróbico e nos outros dias de alongamento e aeróbio. A intenção é sempre de melhorar o condicionamento físico mas agora de criar resistência e perder gordura dando lugar a massa magra. Sei que nunca vou ser um super homem como o Ben, e que certamente meu esforço para ter um corpo mais preparado a cada dia seja infinitamente maior que o dele. Por outro lado, sei também, que se condicionar é muito mai difícil do que se estragar no sedentarismo, por isso não posso parar e nem quero para ser sincera. Treinar me deixa mais disposta e feliz. E já conseguir incluir isso no meu dia é demais, tentando me organizar para escrever mais posts, escalar mais dias na semana, encontrar um ou outro amigo durante a semana e para conseguir limpar a minha bike.

Abaixo o trajeto que faremos hoje:

Partindo da praça do Ciclista ali na Paulista às 7h30, rumaremos sentido Zona norte onde pegaremos a Engenheiro Caetanos Alvares e a Estrada Santa Inês. Com o dia promete ser chuvoso só desafios iram além das subidas e descidas intermináveis. Uma experiência nova!

Um total de 95 km que você poderá acompanhar pelas fotos que iremos postar pelo caminho.

Sente o drama do gráfico de altimetria:

Bom Dia mundial sem carro para você, e use isso como desculpa para dar uma pedalada ela cidade que estará repleta de ciclofaixas em pleno sábado. (http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2012/09/cet-ira-montar-ciclofaixas-em-sp-no-dia-mundial-sem-carro.html)

Amanhã partiremos para nossa primeira aventura de verdade. Pedalaremos até Itu,  +90km de distância, sozinhos, mas com tudo planejado. Seguiremos a rota que o André Pasqualini nos indicou. Na mochila: gel de energia, castanhas, sanduíches, frutas, azeitonas e muita água, kit de reparo, protetor solar, uma camiseta reserva, e um par de meias também.

Saída às 6h30 de casa, parada na padoca pro suco de beterraba com laranja e um bauru, e pedalaremos forte até a ciclovia de onde seguiremos até a cidade universitária. Daí em diante você pode ver no mapa:

A ideia é manter um ritmo bom mas também aproveitar o pedal, e tentar seguir o conselho da nossa nutri (lanchinhos rápidos a cada meia-hora) passaremos por Santana do Parnaíba uma cidadezinha que sempre quis conhecer, por isso não só iremos passar por ela como iremos passear também, a cidade é cheia de subidas e descidas o que deixa ainda mais interessante o treino. Pirapora do Bom jesus também promete ser um bom passeio mas mais curto.

Dependendo do horário enrolamos um pouco para não pedalar ao meio-dia, o clima anda muito quente e seco e pedalar a esse horário seria um desgaste desnecessário.

Pretendemos chegar em Itu às 17h lá teremos um bom tempo pra conhecer a cidade onde tudo é grande. Voltaremos de onibús provavelmente dormindo.

Obs.: Essa semana sem falta escreveremos sobre a descida para Santos e esse pedal.

Depois da parada para água e repor as energias na padaria, continuamos a pedalada.

A estrada de terra era bem ruinzinha, muita pedra solta e poeira voando. Eu sem óculos tive que penar para manter os olhos abertos, algumas horas os apertei para não fechar ou frear de uma vez, qualquer coisa que eu fizesse podia derrubar quem vinha atrás ou me derrubar.

O teste daqui para frente foi de confiança, coisa que eu ainda não tenho tanto a essa altura, mas não me deixei abalar. Segui em frente. Devagar nas subidas e cuidadosa nas descidas. Fui vencendo cada metro.

Num determinado momento chamam a minha atenção “Ei,o pneu furou!”. Paro a bike, vejo o pneu traseiro baixo e me vejo muito sem ter o que fazer. Ainda não tínhamos comprado o kit de reparos, nem câmara extra ou qualquer outra coisa que pudesse me ajudar. Começo a empurrar a bike, o jeito ia ser esse, levar a bicicleta lado a lado até o fim. Mas ainda não ia ser agora que eu iria passar perrengue. Dois ciclistas pararam para me auxiliar. Tiraram a roda, tentaram trocar a câmara mas não era do mesmo tamanho então um remendo era a solução, não a mais rápida mas a que dava na hora. Foi bom ver como se faz, achar o furo, achar a farpa, lixar, remendar, encher, ver o lado certo do pneu e re-encaixar na bike. Tudo certo, hora de voltar a pedalar.

Ao chegar na balsa, encontro o Ben, André, Thelma e mais uns 3 ciclistas. Conto do pneu furado e da sorte de não ter sido a última do grupo.

Conversa daqui, conversa de lá. O André começa a questionar a minha velocidade nas descidas. Tira sarro e tenta me mostrar que meu medo é algo besta, que tenho que confiar mais. Do outro lado tento explicar da onde vem esse temor, mas logo vejo que é inútil. Eu não vou convencê-lo e ele não vai me convencer.

O que era pra ser asfalto!Saindo da balsa, finalmente asfalto, pena que não dura muito. A estrada está sendo re-capiada e a pista que iríamos pegar está uma quebradeira só.

O sol na cabeça o dia todo começa a me exaurir, e o fato de não ter comido praticamente nada o dia todo unido a muito exercício não ajuda.

Daqui pra frente vou me esforçando cada vez mais, e saber que a próxima parada é num restaurante me motiva a continuar. Ainda bem que as subidas e descidas são mais gentis e ao chegar no restaurante vou correndo pegar um prato e comer algo leve, gostoso e fortificante.

Saindo de lá, fiquei no grupo que iria pela rodovia, com o pneu remendado pegar mais trilha de pedra não me pareceu uma boa. E mais a frente vi que fiz a escolha certa. Pedalando na rodovia, percebi que meu pneu fazia um barulho diferente. Parei e vi que mais uma vez estava furado.

De novo peço ajuda, a galera para, olha e vê que o remendo soltou, mais uma vez: acha furo, lixa, remenda e enche. E lá vai eu pedalar de novo.

Sigo num ritmo bom mas sempre prestando atenção se tudo está certo na bike. Chegando na estação de Rio Grande da Serra a felicidade e a sensação de dever cumprido só para quando os funcionário da CPTM nos dizem que só poderemos embarcar de 6 em 6. Por sorte eu e o Ben estávamos na terceira remessa e conseguimos ir cedo para casa.

Antes de ir para casa, paramos na padaria para tomar um suco, uma sopa e papear um abocadinho.

Chegando em casa ducha e cama, o que mais poderíamos querer.

A ultima reunião nossa do 360 Extremes foi super proveitosa. Primeiro nos encontramos com a Mariane e a Cristiane, duas produtoras que trabalham escrevendo projetos para leis de incentivo a cultura e ao esporte respectivamente. O que nos parecia simples virou numa enxurrada de perguntas e um monte de coisa pra se pensar e correr atrás. A questão é que o projeto é grande e longo e formatá-lo para se encaixar nos parâmetros vai levar tempo. Depois de ouvir e falar muito com as meninas, saímos e paramos na primeira padoca que vimos e sentamos para conversar sobre coisas a fazer e ideias.

A correria aperta a cada dia, temos muito a fazer. Nos focamos em determinar quais treinamentos são os mais essenciais. O que se mostrou complicado, porque é difícil mensurar o que fazer um treinamento de sobrevivência polar ou uma viagem longa de bicicleta em lugares frios ou no deserto. Conversa daqui e conversa de lá, decidimos que se dependermos de tempos das férias do nosso trabalho faremos um curso de sobrevivência polar e uma longa viagem de bicicleta.

Daí surgiu a ideia de incluir vocês nessa escolha num momento você decide.

Pensamos em algumas rotas que seria ótimas para nos dar experiência e melhorar a nossa técnica, além de nos prometer lindas paisagens. E vocês vão poder nos ajudar a escolher entre o que pensamos e até mesmo nos dar sugestões. Para te ajudar vou dar uma explicada em nossa rotas.

Patagônia –  aqui do lado o que nos facilitaria em termos de dinheiro e tempo para chegar ao ponto de partida o Ushuaia. Partiríamos sentido Punta Arenas ou Puerto Deseado, as duas rotas se diferem por uma ser mais recheada de relevos e a outra ser mais plana. O clima será frio e as dificuldades seriam os ventos, neve e a qualidade das estradas.  Passaremos pela Patagônia durante o 360 Extremes, e seria legal conhecer pessoalmente um trecho e as dificuldades que encontraremos daqui um tempo

Reino Unido –  partiríamos do Norte da Escócia indo até o sul de Londres, uma viagem de 1100Km. O clima em toda essa área é ruim e instável. Em alguns lugares a sensação durante o dia é que se passa pelas 4 estações. Apesar de não passarmos por lá durante o projeto, essa condição climática nos prepararia para trechos da Ásia como os Himalaias. As estradas não seriam problemas e as opções para dormir seriam diversas.

São Paulo – Buenos Aires : apesar de ser na maior parte plano as péssimas estradas dariam muito trabalho nesses 2km.

Sabemos que existem diversas viagens e treinos de bicicleta nos EUA, Canadá e Europa e por isso que queremos saber da sua opinião e se tem outras dicas. Então vota aí!

Os altos e baixos do Audax. Foto: Vitor M.

O tempo passou, já consegui digerir toda a informação, e está mais doque na hora de eu contar aqui como foi a prova de 300km que participei.

Recapitulando rapidamente para quem não leu o meu post pré-prova. Audax é uma modalidade  de ciclismo não competitivo onde o objetivo é percorrer longas distâncias de uma maneira totalmente autossuficiente.

Para participar da prova de 300km, é necessário ter feito uma prova de 200km no brasil ou em qualquer parte do mundo, desde que essa prova seja homologada pelo Audax Club Parisien. Eu tinha feito o Audax 200 no final do ano passado. Finalmente tinha chegado a hora de fazer os 300.

Vistoria e entrega do Termo de Responsabilidade.
Foto: Vitor M.

Fui com meu amigo Rafael Taleisnik de carro, na sexta feira pra lá. O Rogério Polo, da organização, sempre convida os inscritos para um jantar de confraternização na noite anterior à prova. Dessa vez seria em uma pizzaria que o pessoal já conhecia e gostava. Acabamos chegando lá meio tarde e o pessoal já estava de saída. Mesmo assim dividimos uma pizza, tomamos algum vinho e depois fomos para o hotel dormir.

O quarto do hotel era bem bom, e como estavam hospedados nele um razoável número de participantes do Audax, eles anteciparam o café da manhã. Como a largada é as 07h00 tomamos um bom café da manhã as 06h00 com muito pão, queijo e suco.
Nos dirigimos à Prefeitura de Holambra, onde aconteceria o Brieffing da prova, a vistoria e a largada.

Manhã de sábado em Holambra. Foto: Vitor M.

No brieffing, o Rogério explicou alguns pontos mais complicados do trajeto. A vistoria acontece para que todos os participantes estejam de acordo com o regulamento, isto é: Todos precisam estar com farol dianteiro branco na bicicleta que provida uma boa iluminação, uma luz traseira vermelha e vestidos com um colete refletivo e capacete. Nesse momento também se entrega aos participantes uma espécie de “passaporte”. Esse passaporte é necessário para que se possa comprovar, através de carimbo que o participante passou em todos os PC’s (Postos de Controle).

A neblina na hora da largada estava muito forte, e o frio não chegava a me incomodar tanto, mas estava ali presente. Foi muito bom eu ter ido com Manguitos, que são apenas mangas compridas que se usa por baixo das mangas curtas da camiseta de ciclismo. Outra coisa que veio a calhar, foi que quando eu fui para a casa do Rafael em São Paulo, esqueci minhas luvas em casa, e ele acabou me emprestando umas de dedo inteiro, as minhas não cobrem as pontas dos dedos.

Comecei pedalando num ritmo bom, algo em volta de 25km/h. Estava me sentindo disposto, com energia, relaxado e feliz. O caminho até o PC1 era de 48,6km, e fiz sem dificuldades. O

Neblina durante o início da prova.
Foto: Vitor M.

Rafael logo depois da largada, percebeu que tinha esquecido os óculos de sol no hotel e voltou para buscar. Cheguei no primeiro PC as 08h53, comi e bebi bastante gatorade, nessa hora a neblina já começava a se dissipar e o sol aparecer. Quando estava pronto para sair, vejo o Rafael chegando, então resolvi esperar ele durante um tempo de forma que seguissemos juntos por um trecho. Estávamos pedalando agora na rodovia Anhanguera e o tráfego de caminhões era intensomas nada que prejudicasse a experiência. Agora eram mais 76km até o próximo PC em Porto Ferreira. O sol já estava quente, o tempo seco, e eu continuava rendendo bem. O trajeto todo até agora, possuia vários postos onde era possível reabastecer as caramanholas com mais água, mas como eu nessas pedaladas longas eu levo duas caramanholas grandes, não senti necessidade de reabastecêlas, conseguia chegar no PC sempre com um restinho de água ainda. Isso mesmo seguindo a máxima “Coma antes de sentir fome, beba antes de sentir sede.” Quando cheguei no PC2 12h43 o sol estava a pino, o calor era muito forte, e resolvi mesmo assim não tirar os manguitos pois esses estavam me protejendo também do sol. Uma queimadura nos braços não ia ser nada confortável, e com o suor e o vento o protetor solar não segurava durante muito tempo e eu não queria ficar parando para passar mais protetor solar. Nesse PC2 conheci o Paulo Piacitelli e o Rosevaldo, dali em diante seguimos mais ou menos juntos. É sempre bom ter alguém pra andar junto, além de mais seguro, é sempre bom ajudar e contar com ajuda no caso de uma necessidade. A altimetria do percurso até então era de muitas subidas e descidas, mas as pernas respondiam e o ritmo era bom.

Estrutura de um PC.
Foto: Vitor M.

Entre o PC2 e o PC3 foi sem dúvida o pior trecho, o calor era intenso, a as subidas não tinham mais fim, eu estava usando um pedivela compacto 50×34, mas o cassete não era o idela para uma prova tão longa, era um 11×23. No caso de pedivela, quanto menor o número de dentes, mais leve é a marcha, e no cassete é o inverso. Muitos dos participantes, usam cassete com o maior pinhão com 32 dentes, é uma bela diferença. Esse trecho era na SP215, canaviais dos dois lados, e por mais que o perfil altimétrico me diga o contrário a minha impressão é que eram 51kms sem descidas, hora pedalando no plano, hora subindo ladeiras sem fim. Pela minha relação pesada, eu subia mais rápido que o Paulo e que o Rosevaldo, mas esses logo me alcançavam nos trechos planos. Nesse trecho só havia também um posto no caminho, resolvi parar para trocar a água por uma mais gelada e acabei também tomando um picolé de limão para dar uma refrescada. Cheguei no PC3 15h58 desgastado pelo sol, mas ainda disposto eram já eram 175km acumulados. Ali comi bastante, tomei bastante água e Gatorade. Fiz uma pausa um pouco mais longa, em torno de 20minutos e seguindo conselhos do Richard Dunner, ciclista muito experiente, saí dali para tentar chegar no PA antes de escurecer.

Anoitecer na estrada. Foto: Paulo Filho

Entre o PC3 e o PC4 seriam 80km, então a organização resolveu fazer um PA entre os dois. A estrutura é basicamente a mesma de um PC, mas não há controle e a parada é facultativa. Resolvemos parar, o Paulo Piacitelli tinha sentido a pressão baixar e resolvemos nos alimetar bem e comer alguma coisa quente e tomar algo diferente de agua e gatorade. Por ali ficamos uns 40minutos, descansamos e partimos. Já eram 223km acumulados, mais do que qualquer pedal que eu já tinha feito, mas estava bem contente com meu desempenho. Com 250km acumulados comecei a sentir dores fortes na parte inferior do joelho direito. As dores eram bastante fortes e comecei a pensar se realmente conseguiria completar a prova. Nessa hora comecei a ficar um pouco para trás, e pedalava sozinho. Pedalar na escuridão também era novidade para mim. Eu usava um farol Cateye bom no guidão da bicicleta, uma outra lanterna presa no capacete e outra de 4 leds pequenos presa no garfo da bicicleta. Mesmo assim, o desempenho na subida já não era o mesmo por conta do cansaço e também não conseguia compensar nas descidas, já que não conseguia ver muito a frente e tinha medo de um buraco ou qualquer outro obstáculo na via. Esses 15km para chegar no PC4 foram dificílimos para mim.

Perfil altimétrico da prova. Mais de 3000m acumulados em 301,5km

Quando cheguei no PC4 eram 22:00 e logo depois de dar meu passaporte para o Daniel Labadia carimbar, avisei este que não prosseguiria, que estava com fortes dores. O Labadia, me aconselhou a tentar, dali para frente eram só mais 34km, e ainda me repetiu a famosa frase de Lance Armstrong “A dor é passageira, o fracasso é eterno”. Nessa hora tirei o celular do bolso e tinha mensagens de amigos me incentivando e uma mensagem também do meu pai “Força para completar”. Meu pai já participou de várias provas de corrida e de algumas maratonas, ele sabe então oque é superar os limites do corpo, e considerei então continuar a prova. Ness hora um outro paricipante, o Ricardo me deu um comprimido para dor, tomei e segui viagem.

Gambiarra que fiz para prender o corta-vento no selim.
Foto: Vitor M.

Apesar de ter saído desse último PC mais uma vez com alguns amigos, logo fiquei para trás. Apesar de já estar vestindo um bom cortavento, nas descidas sentia muito frio. Na estrada, no meio da noite, descendo ladeiras a 50km/h o corpo tremia tanto de frio que dava medo de cair de tanto tremer. Nas restas e subidas joelho doia e as lágrimas escorriam. Eram lágrimas de dor e de felicidade, porque percebi que ia sim completar a prova, não no melhor estado mas ia. O meu psicológico estava bom, na verdade não me faltavam pulmões e nem músculos, oque estragava tudo era o joelho direito, que me castigava, e fazia com que a perna esquerda mais acompanhasse o movimento do pedal do que realmente pedalasse. A perna esquerda fazia 75% do trabalho. Continuei pedalando e quando vi finalmente o moinho que me provava que finalmente tinha chegado em Holambra novamente senti muito alívio, dali foi só mais uma subidinha até a prefeitura. O tempo máximo para completar o Audax 300 era de 20h, fiz em 17h29. Dei meu passaporte para sem carimbado e segui pedalando até o hotel. Lá o Rafael já estava dormindo, ele tinha feito a prova em 15horas mesmo com um queda. Tomei um banho, já era 01h00 da manhã, podia dormir tranquilo, metas compridas. Domingo foi dia de tomar um bom café da manhã e voltar pra São Paulo. Posso estar errado quanto a isso, mas acredito que tenham sido queimadas 17000 calorias em um único dia, e ingerido um bom tanto de outras, a minha lista aproximada doque comi é:

Comida que levei no bolso da camiseta

4 barrinhas de cereal
2 waffles de mel
3 mini paçoquinhas
4 pastilhas de eletrólitos
8 litros de gatorade
2 litros d’agua
1 pão de queijo grande
4 pães de queijo coquetel
1 saquinho de proteina em gel mastigável
1 saquinho pequeno de amendoim japonês
1 sorvete de limão
1 misto quente
1 schwepps
1 dipirona sódica
8 sanduichinhos de bisnaguinha

É incrível o quanto consegui melhorar minha técninca de pedalada em apenas um dia. Durante a prova você se acha na bicicleta, passando as marchas cada vez com mais naturalidade e confiança. Mais uma vez, superei meus limites. A recompensa é pessoal e inexplicável.

As fotos do post são em sua maioria do amigo Vitor M. – Seu trabalho pode ser visto em http://www.vitorm.com.br

Ontem à noite foi um dia fora do comum, em vez de sobe e desce na academia sentamos num Crash Pad, sob nossas cabeças um boulder e escaladores que como nós escolheram ouvir a escalar. O tipo que falava não era alguém famoso, ou conhecido por mim e pelo Ben, mas todos prestavam tamanha atenção que sentimos que ele devia ser importante nesse meio. A maior parte do tempo ele nos explicava os estudo que fez sobre os treinos e efeitos da escalada no corpo, de seus experimentos com seus competidores, e de seus métodos em desenvolver treinamentos. Explicou também como pequenas mudanças de comportamento na parede economizavam energia e com a ajuda de reportagens e artigos baseados em seus estudos foi esclarecendo dúvidas que nem sabíamos que tínhamos. O dono da palavra foi Rômulo Bertuzzi, se você é tão desinformado quanto eu segue um breve currículo: professor e pesquisador da Universidade de São Paulo. No mestrado defendeu uma tese sobre a reestruturação de um modelo matemático proposto no início do século passado. Sua tese de doutorado intitulada Estimativa dos Metabolismos Anaeróbios no Déficit Máximo Acumulado de Oxigênio foi laureada com o prêmio CAPES. Como treinador trabalhou com os escaladores André Berezoski (Bele), Thaís Makino  e Cesar Grosso.

Existem coisas que devem ser básicas para quem é um treinador ou educador físico, mas que para nós pessoas atletas esporádicos e esportistas iniciantes não são conhecidas ou até mesmo um grande ponto de interrogação e por isso aqui vou tentar esclarecer o que me foi esclarecido ontem. Um treino completo deve trabalhar resistência, potência, agilidade e força, incluir trabalhos aeróbicos e anaeróbicos, descansos que devem ser calculados corretamente para não causar uma exaustão ou um lesionamento. Ouvindo tudo isso e lendo agora penso ” Meu Deus, é muita coisa!”, depois que o susto passa você entende que alguns itens se misturam de certa forma. O que é preciso é saber focar cada coisa em seu devido momento, e também não deixar outra de lado. Num ciclo de treino de força não deve se deixar a força sem trabalho porque senão você melhora um e perde o outro. No nosso treinamento ainda temos que incluir a técnica na escalada, no ciclismo, na caminhada e em tudo mais que queremos fazer durante esse projeto.

Hoje é um novo dia mas todas as ideias e as observações apontadas por ele rodam a minha cabeça, e sei que se quero estar pronta preciso conversar sério com o Fábio, tem muitas coisas que sinto falta agora, e que tenho certeza que ele deve estar pensando também. Hoje na Casa de Pedra nos encontraremos pra treinar e pra conversar sobre como trabalharemos daqui pra frente.

Acordar de manhã e começar a arrumar tudo já virou rotineiro. E as noites acordando para ir ao banheiro também.  Acordamos cedo, antes d despertador e foi bom poder conversar um pouquinho, falar de coisas bobas e rir um pouco. Depois da descontração é hora de falar como vai ser daqui pra frente, na noite anterior decidiu-se que eu ficaria aqui com o José enquanto Bem e Caleb seguiriam rumo ao cume. Entendo os motivos e agora não adianta mais sofrer, de tudo isso sei que forcei demias meu corpo e que isso só anda atrapalhando. Agora é hora de descansar, comer direito, bebr muita água e tentar ficar melhor de verdade sem recaídas.

Despedir é sempre difícil, e todos sempre parecem com pressa. Desejo boa sorte e peço que tenham cuidado. Da barraca vejo eles seguindo rumo a maratona que vai ser o dia. Ao invês de parar no acampamento intermediário ees seguiram até o High Camp que leva mais ou menos 8 horas. Lá descansaram um pouco e saiem à meia-noite para mais umas 9 horas de subida ate o cume, a volta para o acampamento superior é de +/- 3 horas, mas não poderam dormir lá então voltaram para o acampamento base mais 4 horas. Vai ser cansativo, mas esse na verdade é o jeito que te deixa mais apto, porque ficar muito temo no high camp te faz reter muito líquido em com as pernas inchadas e possíveis dor de cabeça o cume vira coisa do passado.

Enquanto o Ben tem muito o que fazer eu e  José papeamos, fazemos trilhas curtas, escolhemos entre as diversas opções de macarrão para comer. O guia boliviano é cheio de histórias agumas  muito engraçadas outras desapropriadas para a situação. Daqui de baixo sem notícia fica difícil ficar ouvindo sobre os amigos dele que morreram no Illimani. Mas ouço e tento não ficar preocupada, acho que  que mais me aflinge é a falta de experiência de Caleb, ele nunca fez o Illimani antes e não conhece direito as vias. Sempre que o coração aperta, tento me distrair lendo um livro ou caminhando.

A subida até o acampamento foi super desgastante, de acordo com o Ben mesmo com os portadores, ele conseguiu dormir lá em cima e eles decidiram sair rumo ao cume às 4am, j´´a estavam desgastados e chegaram muuito perto do cume, há uns 200 metros, mas estavam lentos e exaustos, acabaram voltando ao acampamento porque senão voltar para o acampamento base ficaria inviável. Voltam magros e cansados.

O retorno deles levou muito tempo, e José e eu ficávamos o tempo todo tirando fotos da montanha tentando encontrá-los, foi um dia em que o Illimani parecia uma televisão, o dia todo olhando pra ele. Pessoas que chegavam no acampamento vinham conversar mas a atenção estava voltada para a montanha. Com o passar das horas a tensão tomou conta e o fato dos rádio não funcionarem não ajudava, a falta de comunicação era terrível, me peguei xingando o guia americano diversas vezes. Mas as horas passaram e quando finalmente vemos eles terminando de descer fico feliz da vida, de longe consigo ver que estão no fim de suas energias, corro com garrafas de água e os ajudo com as coisas. Conversando com o Ben vejo que se irritou de ter saído tão tarde, se saíssem a 1am certeza que teria conseguido. Tento acalma-lo, porque afinal a montanha vai estar ali por muito tempo. Hora de comer e descansar, amanhã toda essa aventura nas montanhas acaba.